Violência infantil e seus ecos: Reflexões sobre o caso da criança que matou 23 animais no Paraná

O episódio chocante de uma criança de nove anos, que matou 23 animais em um hospital veterinário no Paraná, levanta profundas questões sobre os mecanismos psíquicos, sociais e familiares que podem ter contribuído para esse comportamento extremo

Luís Carlos Nunes – O caso ocorrido na cidade de Nova Fátima, no Paraná, onde um menino de nove anos foi responsável pela morte violenta de 23 animais, abre um espaço perturbador para reflexão. A criança, que mora com a avó e não possui histórico conhecido de comportamentos agressivos, brutalizou os animais em um período de 40 minutos, arrancando patas, arremessando os bichos contra a parede e esquartejando-os. Este cenário nos leva a questionar as camadas mais profundas do desenvolvimento psíquico infantil, assim como o papel do ambiente e da estrutura familiar na formação de comportamentos tão violentos.

Uma hipótese que pode ser considerada é a de que a criança esteja expressando, de forma inconsciente, conflitos internos ou sentimentos reprimidos. A psique infantil, especialmente na faixa etária dos nove anos, encontra-se em um estágio de grande sensibilidade, onde os processos de identificação e internalização dos valores sociais estão em desenvolvimento. No entanto, e se, por algum motivo, esses processos tiverem sido interrompidos ou distorcidos? O comportamento violento poderia então ser entendido como uma tentativa desesperada de externalizar angústias internas, que, sem uma elaboração emocional adequada, se manifestam de maneira destrutiva.

Além disso, o ambiente familiar pode desempenhar um papel crucial. Embora o garoto não tenha um histórico de violência anterior, a ausência de figuras parentais primárias — como no caso dele, que vive com a avó — pode levantar questões sobre a estrutura emocional de seu dia a dia. A convivência com os pais ou responsáveis primários, especialmente nos primeiros anos de vida, é fundamental para a construção de limites morais e afetivos. Seria possível que a falta desses vínculos tenha gerado um vazio emocional, ou até mesmo uma confusão sobre como lidar com impulsos agressivos?

Há também a necessidade de se considerar o entorno social mais amplo. A criança pode não ter histórico de agressividade, mas, e se, de alguma forma, ela estiver reproduzindo comportamentos observados no ambiente? Não seria raro que crianças, expostas a situações de violência, mesmo que não diretamente, absorvessem essas dinâmicas e as reproduzissem sem entender plenamente suas implicações. Isso nos leva a refletir se o ambiente ao seu redor oferece os suportes emocionais e sociais necessários para canalizar frustrações e angústias de maneira construtiva.

Outra questão que emerge é o ato de crueldade ser direcionado a animais indefesos. A violência contra seres que normalmente evocam empatia e cuidado pode indicar um distúrbio no processo de desenvolvimento emocional e moral. No entanto, e se o ato de violência não for apenas um reflexo de impulsos destrutivos, mas uma tentativa, inconsciente, de recuperar uma sensação de controle? A criança pode estar lidando com sentimentos profundos de impotência, e o ato de subjugar esses seres indefesos seria uma maneira equivocada de restaurar algum poder sobre seu próprio ambiente ou sobre as emoções que não consegue dominar.

Outro aspecto a considerar é o papel da sociedade na formação de crianças que crescem em ambientes permeados por violência simbólica ou real. A exposição constante a comportamentos agressivos na mídia, nas redes sociais ou até mesmo na própria comunidade pode dessensibilizar uma mente em formação, levando-a a replicar essas ações sem a devida compreensão de suas consequências. Isso nos faz questionar o quanto a violência, muitas vezes normalizada na cultura, pode ter contribuído para que o garoto desenvolvesse um comportamento tão perturbador.

O acompanhamento psicológico, agora sendo oferecido à criança e sua família, será essencial para entender melhor as raízes desse comportamento e para evitar que episódios similares ocorram no futuro. Contudo, essa intervenção levanta outra questão: se a sociedade está preparada para identificar e tratar, de maneira adequada e preventiva, sinais de sofrimento emocional em crianças. Poderia o sistema educacional, por exemplo, desempenhar um papel mais ativo na detecção precoce de comportamentos que sugerem dificuldades emocionais e sociais?

O episódio não apenas choca pela violência em si, mas nos convida a refletir sobre a fragilidade da infância diante de um mundo que, muitas vezes, não oferece o apoio necessário para seu desenvolvimento pleno. Como podemos, enquanto sociedade, proteger essas crianças da influência negativa de ambientes desestruturados, negligência emocional e da exposição à violência?

A partir dessas reflexões, o caso sugere que, mais do que uma ação isolada, o ocorrido é um sintoma de algo maior, algo que envolve tanto o ambiente familiar quanto a sociedade. Esse cenário de brutalidade nos desafia a olhar com mais profundidade para as questões estruturais que cercam o desenvolvimento infantil, em busca de estratégias que possam oferecer suporte antes que a violência se manifeste de forma tão extrema.

INMET emite alerta de tempestade para o Oeste da Bahia: 8 cidades sob risco

Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e outros municípios da região estão sob alerta de tempestade, com ventos de até 60 km/h e possíveis alagamentos

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta de perigo potencial para tempestades em oito cidades do Oeste da Bahia, válido até as 10h desta quarta-feira (16). Entre as localidades afetadas estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, e São Desidério. Segundo o instituto, as chuvas podem atingir entre 20 a 50 mm por dia, acompanhadas de rajadas de vento de 40 a 60 km/h.

O alerta amarelo indica a possibilidade de alagamentos em áreas urbanas e queda de granizo, embora o risco de cortes no fornecimento de energia seja considerado baixo. De acordo com o Clima Tempo, o mês de outubro registrou apenas 2 mm de chuva em Formosa do Rio Preto, o que representa 4% da média esperada de 56 mm para o período.

Cidades afetadas
  • Barreiras
  • Luís Eduardo Magalhães
  • São Desidério
  • Formosa do Rio Preto
  • Santa Rita de Cássia
  • Riachão das Neves
  • Correntina
  • Santana
Orientações à população

O INMET recomenda que os moradores das áreas sob alerta tomem precauções, especialmente durante as rajadas de vento, evitando abrigar-se debaixo de árvores e estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Além disso, é importante evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada para prevenir danos causados por surtos elétricos.

Se a tempestade causar danos ou situações de risco, a população pode acionar a Defesa Civil pelo número 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. O alerta permanece em vigor até a manhã de quarta-feira. Veja o alerta aqui

Caso de Política | A informação passa por aqui

Jaques Wagner passará por cirurgia no tornozelo e se afastará do Senado por até 40 dias

Líder do governo no Senado, Wagner será submetido a um procedimento cirúrgico e deverá retornar em novembro, durante a fase decisiva da regulamentação da reforma tributária.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, será submetido a uma cirurgia no tornozelo neste fim de semana e ficará afastado de suas funções em Brasília por até 40 dias. O procedimento, considerado necessário para corrigir um problema antigo, foi anunciado pelo próprio Wagner durante a reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). “Nada de grave, mas é um defeito que precisa ser consertado antes de se tornar permanente”, declarou.

Durante o afastamento, Wagner deve participar remotamente de algumas atividades, mas não poderá estar presente fisicamente no Senado. Ele explicou que ficará “no ar” em reuniões virtuais, porém impossibilitado de comparecer em eventos presenciais. O líder governista também revelou que o governo definirá um substituto interino para a liderança nesse período.

O afastamento do senador ocorre em um momento estratégico, coincidente com o avanço das discussões sobre a regulamentação da reforma tributária. Considerado um dos principais articuladores do governo, Wagner deve retornar em meados de novembro, a tempo de participar das votações finais da reforma no Senado.

O prazo de recuperação do senador é estimado entre 30 e 40 dias, período em que o governo precisará ajustar sua articulação política no Congresso.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Número de prefeitas eleitas cresce 11% na Bahia e alcança 15% no Brasil no 1º turno das eleições de 2024

Foram eleitas 60 prefeitas na Bahia e 720 em todo o Brasil no primeiro turno. Apesar do avanço, mulheres ainda representam apenas 15% dos eleitos em comparação a 85% de homens.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – As eleições municipais de 2024 marcaram um crescimento significativo na representatividade feminina na Bahia e no Brasil. No estado, 60 prefeitas foram eleitas, um aumento de 11% em relação a 2020, quando 54 mulheres venceram. Agora, elas ocupam cerca de 14% das 417 prefeituras baianas. Em nível nacional, foram eleitas 720 mulheres, correspondendo a 15% do total de prefeitos escolhidos no primeiro turno.

Entre os municípios de médio e grande porte da Bahia, Sheila Lemos (União) foi reeleita em Vitória da Conquista com 58,83% dos votos, e Débora Regis (União Brasil) venceu em Lauro de Freitas com 59,61%. Mesmo com esse avanço, os homens ainda dominam 85% das prefeituras no estado, ocupando 357 administrações municipais.

O número de prefeitas eleitas no Brasil também cresceu em relação a 2020, quando o percentual de mulheres eleitas era de 12,1%. No entanto, o número de prefeitas ainda está abaixo da proporção de mulheres na população brasileira, que é de 51,5%, segundo o Censo de 2022 do IBGE.

A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) revelou que 15% das candidaturas para prefeituras em 2024 foram de mulheres, o maior percentual já registrado desde o ano 2000. Além disso, 154.344 mulheres se candidataram a prefeitas, vice-prefeitas ou vereadoras, representando 34% das candidaturas, enquanto os homens corresponderam a 66%.

Em termos percentuais, estados como Roraima (26,7%), Rio Grande do Norte (25,6%) e Paraíba (24,4%) lideram a presença feminina nas prefeituras. Em números absolutos, São Paulo e Minas Gerais, com 67 prefeitas cada, seguidos pela Bahia com 60, ocupam as primeiras posições no ranking.

A política de cotas eleitorais, que exige ao menos 30% de candidaturas femininas por partido, foi apontada como uma das responsáveis pelo aumento. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segue enfrentando fraudes ligadas a candidaturas fictícias, com novas regras para identificar e punir irregularidades.

Lista de prefeitas eleitas na Bahia em 2024:

  • Angical – Quinha (Avante) – 44,92%
  • Antas – Essioneide de Rani (PP) – 82,80%
  • Aporá – Carine De Ataíde (Avante) – 52,46%
  • Aracatu – Braulina (PV) – 57,37%
  • Araci – Keinha (PDT) – 61,51%
  • Arataca – Ferlú (PSD) – 60,55%
  • Banzaê – Patrícia (PT) – 59,38%
  • Boninal – Celeste (PT) – 57,33%
  • Cachoeira – Eliana (PT) – 40,81%
  • Canarana – Marleide Oliveira (PT) – 56,36%
  • Cansanção – Vilma Gomes a Mamãe (MDB) – 73,51%
  • Carinhanha – Chica Do PT (PT) – 47,22%
  • Conceição do Almeida – Renata (PSD) – 62,04%
  • Conceição de Jacuípe – Tania Yoshida (PSD) – 55,45%
  • Cotegipe – Professora Beatriz (PT) – 50,18%
  • Dário Meira – Mari (PP) – 75,22%
  • Glória – Vilma Negromonte (PP) – 55,63%
  • Governador Mangabeira – Manuela (PP) – 56,46%
  • Ibicaraí – Dra Monalisa (União Brasil) – 61,45%
  • Ibirapuã – Carla Chacara (PP) – 65,99%
  • Ipiaú – Laryssa Dias (PP) – 57,40%
  • Irará – Nassara (MDB) – 53,84%
  • Itapitanga – Glis Dórea (Avante) – 59,84%
  • Itatim – Daiane (PSD) – 68,00%
  • Iuiú – Valdinha (PSD) – 54,22%
  • Jacobina – Valdice (PMB) – 46,86%
  • Jaguaquara – Edione Agostinone (PT) – 66,72%
  • Laje – Jaci Reis (PSD) – 51,58%
  • Lamarão – Pró Ninha (PT) – 51,48%
  • Lauro de Freitas – Débora Regis (União Brasil) – 59,61%
  • Lençóis – Vanessa Senna (PSD) – 82,44%
  • Livramento de Nossa Senhora – Joanina (PSB) – 68,45%
  • Macarani – Selma Souto (PSD) – 63,15%
  • Maiquinique – Valéria Silveira (PV) – 53,42%
  • Matina – Olga Gentil (PSD) – 62,31%
  • Monte Santo – Silvania Matos (PSB) – 64,09%
  • Morro do Chapéu – Juliana Araújo (PDT) – 70,28%
  • Mortugaba – Cássia (PSB) – 60,91%
  • Mucugê – D Ana (PSB) – 75,78%
  • Mundo Novo – Ana Paula (PSD) – 50,54%
  • Muritiba – Rose (PSD) – 64,39%
  • Nilo Peçanha – Jacque (Podemos) – 52,17%
  • Nordestina – Eliete De Ito (PSD) – 50,65%
  • Nova Viçosa – Luciana (União Brasil) – 68,32%
  • Pé de Serra – Zeide (União Brasil) – 52,12%
  • Piritiba – Leandra Belitardo (Solidariedade) – 51,48%
  • Poções – Dona Nilda (PCdoB) – 53,80%
  • Ponto Novo – Doutora Fabiane (PSD) – 80,94%
  • Presidente Tancredo Neves – Quinha (Avante) – 50,38%
  • Ribeira do Amparo – Teti Britto (MDB) – 57,29%
  • Salinas da Margarida – Professora Mara (PSD)
  • São Sebastião do Passé – Nilza da Mata (PSD) – 64,94%
  • Sento Sé – Giselda Carvalho (PT) – 68,60%
  • Taperoá – Kitty Guimarães (Avante) – 68,54%
  • Teolândia – Rosa (Avante) – 56,35%
  • Ubaitaba – Gracinha Viana (Avante) – 51,04%
  • Uibaí – Aidinha (PSD) – 58,17%
  • Uruçuca – Magnolia Barreto (União Brasil) – 59,72%
  • Várzea Nova – Daiane (PCdoB) – 52,15%
  • Vitória da Conquista – Sheila Lemos (União Brasil) – 58,83%
Caso de Política | A informação passa por aqui

Lançamento de “Kiriris” destaca a cultura audiovisual em Barreiras

Foto: Ôpa Conteúdo

O curta-metragem “Kiriris” estreia em 17 de outubro de 2024, às 19h30, celebrando a resistência dos povos indígenas em Barreiras

O aguardado lançamento de “Kiriris” ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 17 de outubro de 2024, às 19h30, no Centro Cultural de Barreiras, celebrando não apenas a produção audiovisual local, mas também a resistência cultural dos povos indígenas. O curta-metragem, dirigido por Gustavo Ribeiro, sócio proprietário da produtora Ôpa Conteúdo!, explora a luta dos povos originários por sua sobrevivência em meio às ameaças territoriais.

A trama, estrelada pela jovem atriz mirim Indyohanny Batista, traz à tona a batalha dos povos indígenas para preservar suas terras e sua cultura. “É emocionante ver o projeto ganhar vida e a reação do público. O filme traz uma mensagem poderosa que precisa ser ouvida”, comentou Gustavo Ribeiro. O filme já gera expectativas sobre sua participação em festivais e concursos.

Cena impactante de “Kiriris”, retratando a luta dos povos indígenas pela preservação de suas terras e cultura | Ôpa Conteúdo

O foco principal de “Kiriris” é a resistência dos povos indígenas e sua luta para manter viva sua identidade em um cenário de constante redução de território. A cacique Rosivania Batista, uma das principais proponentes do projeto, destacou a importância do filme: “‘Kiriris’ não é apenas um filme, é uma forma de resistência e um meio de dar voz ao nosso povo”.

A produção foi viabilizada pelo edital da Lei Paulo Gustavo, uma vitória significativa para a Aldeia Kiriri. Gustavo Ribeiro reforçou a importância do apoio: “Agradecemos ao Governo Federal e à Prefeitura de Barreiras por apoiar a cultura e aplicar o edital em nosso município. Juntos, conseguimos contar uma história que é nossa”.

O processo de filmagem incluiu dinâmicas de integração conduzidas pelo professor de teatro Ramon Sousa, que ajudaram o elenco a se conectar profundamente com a narrativa. “Essas atividades foram essenciais para construir um ambiente colaborativo e autêntico”, afirmou Gustavo.

Kiriris” mostra a resistência dos povos indígenas em uma narrativa visualmente rica e cheia de simbolismo | Ôpa Conteúdo

Além da exibição presencial no Centro Cultural de Barreiras, o filme também será lançado no YouTube, ampliando o acesso ao público de outras regiões. A entrada para a estreia será gratuita, garantindo que todos possam participar dessa experiência cinematográfica.

A estreia de “Kiriris” fortalece a cultura audiovisual da região e promove uma reflexão sobre a identidade e os desafios enfrentados pelos povos indígenas. A narrativa promete sensibilizar e engajar o público, com uma história poderosa e envolvente.

Indyohanny Batista, atriz mirim revelação de “Kiriris”, estreia com atuação emocionante no curta sobre resistência indígena | Foto: Ôpa Conteúdo

A atuação de Indyohanny Batista, em sua estreia como protagonista, já é vista como uma revelação no cenário artístico. Sua performance em uma história tão rica em simbolismo é apontada como um dos destaques do filme.

Os organizadores estão confiantes no impacto que o filme terá no público. “Estamos ansiosos para compartilhar essa história e esperamos que todos se sintam parte dela”, concluiu Rosivania Batista, reforçando o clima de expectativa para o lançamento.

Momento de tensão em “Kiriris”, onde a protagonista enfrenta os desafios que ameaçam seu território ancestral | Ôpa Conteúdo

Kiriris” vai além de um simples curta-metragem: ele é um manifesto de resistência cultural e reafirma o papel transformador da arte. A obra coloca Barreiras em destaque no cenário audiovisual baiano, refletindo a força da cultura local e sua capacidade de tocar corações.

Após Audiência Pública, PLOA de 2025 começa a tramitar na Câmara de Barreiras com orçamento de R$ 912 milhões

Proposta prevê investimentos em saúde, educação e urbanismo, além de R$ 94 milhões para encargos especiais, que incluem pagamento de dívidas

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Câmara Municipal de Barreiras deu início à tramitação do Projeto de Lei 018/2024, que trata do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o exercício de 2025. O documento, apresentado após a Audiência Pública realizada na última quinta-feira, 10 de outubro, prevê um orçamento total de R$ 912.144.200,00 para o próximo ano.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) é um instrumento legal que define as receitas e despesas do município para o ano seguinte, organizando os recursos públicos de acordo com as prioridades estabelecidas pela administração. De acordo com a legislação, a votação da PLOA deve ocorrer até o final do exercício legislativo, em dezembro, para que o orçamento entre em vigor no início de 2025.

Entre os maiores investimentos previstos, destacam-se as áreas de Educação, com um orçamento de R$ 285.530.431,74 (31,30% do total), e Saúde, que receberá R$ 242.667.997,60 (26,61% do total). O setor de Urbanismo receberá a parcela de R$ 92.233.107,59, representando 10,11% do orçamento.

Por outro lado, os menores montantes de recursos estão destinados à Habitação (R$ 430.000,00, ou 0,05%), Saneamento (R$ 128.000,00, ou 0,01%) e Direitos e Cidadania (R$ 368.525,00, ou 0,04%).

Outro ponto de destaque na PLOA é a alocação de R$ 94.375.800,00 (10,35% do orçamento) na rubrica de Encargos Especiais. Essa categoria geralmente cobre despesas extraordinárias e o pagamento de dívidas públicas, incluindo amortizações, juros e outros encargos financeiros.

O valor gasto com os Encargos Especiais, são maiores que os destinados para Habitação, Assistência Social, Agricultura, Desportos e Lazer, Direito e Cidadania, Gestão Ambiental juntos e Segurança Pública juntos.

A seguir, confira a distribuição detalhada dos valores e os percentuais previstos por pasta em relação ao total do orçamento:

Caso de Política | A informação passa por aqui

Hospital do Oeste promove roda de conversa com Dra. Alba Dias no Outubro Rosa

Evento na UNACON incentiva prevenção ao câncer de mama, destacando a importância do autocuidado e do diagnóstico precoce

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – No mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, o Hospital do Oeste (HO) realiza uma roda de conversa com a Dra. Alba Dias, médica especialista, em 15 de outubro de 2024. O evento ocontecerá na recepção da UNACON, unidade referência no tratamento oncológico, às 14h30. A atividade faz parte das ações do Outubro Rosa, que reforça a necessidade de prevenção e diagnóstico precoce da doença, incentivando a população a se cuidar, se tocar e se amar.

A programação visa sensibilizar as mulheres da região oeste sobre a importância do autocuidado, com foco na detecção precoce, fator essencial para o sucesso do tratamento do câncer de mama. O evento é promovido pelas Obras Sociais Irmã Dulce e conta com o apoio do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) do hospital.

As inscrições para participar da roda de conversa são gratuitas e podem ser feitas diretamente no hospital ou por meio de contato com a UNACON. Além de receber orientações da Dra. Alba Dias, as participantes terão a oportunidade de tirar dúvidas e obter informações sobre a saúde feminina.

O evento integra o movimento “Pare! Se cuide, se toque, se ame”, lema do Outubro Rosa que busca salvar vidas por meio da conscientização e da prevenção.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Reposição de estoque do Aquífero Guarani é insuficiente, mostra estudo

Problema causa preocupação em áreas de grande produção agrícola

Agência Brasil – Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Geociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro percebeu que a reposição de águas do Aquífero Guarani está abaixo do necessário para garantir a manutenção da quantidade disponível no reservatório, que se estende por áreas do Sul e Sudeste do país, além de Paraguai, Uruguai e Argentina. O reservatório atende 90 milhões de pessoas, sendo responsável pela manutenção do nível de rios e lagos em algumas áreas do interior paulista durante o período de seca.

Em entrevista à Agência Brasil, o pesquisador Didier Gastmans, do Centro de Estudos Ambientais da Unesp Rio Claro, explicou que a pesquisa buscou entender a importância da chuva na entrada de águas novas no aquífero, nas áreas de afloramento (superfície), e que foi possível confirmar esse papel. Ele acompanha o tema desde 2002, em seu doutorado, e todas as pesquisas desde então apontam que os efeitos de superexploração do reservatório são constantes, contínuos e tem piorado com a mudança de distribuição das chuvas na área de afloramento, que alimenta o aquífero. O problema causa preocupação em áreas de grande produção agrícola e população, como Ribeirão Preto, no norte paulista, onde os primeiros efeitos são sentidos desde a década de 1990. “Agora começou a aumentar muito o número de poços e isso começa a dar sinais em diversas regiões do interior”, disse Gastmans.

O geólogo afirmou que os indícios de superexploração estão claros no monitoramento dos poços e do nível dos reservatórios, atingindo aqueles próximos das regiões de afloramento, que têm níveis de dois a três metros mais baixos, em média, mas também os grandes poços de exploração para indústria e agronegócio, nos quais o rebaixamento atinge médias de 60 a 70 metros em dez anos. Nessa dinâmica “a água tem uma determinada profundidade no poço e vai baixando, o que demanda poços mais profundos e bombas mais potentes. Na porção oeste (do estado de São Paulo) a gente fala de grandes produtores e sistemas para abastecimento público. Pequenos produtores já sentem esse impacto em algumas regiões próximas da área de afloramento”, esclareceu.

Esse rebaixamento dos níveis chega, em determinados pontos, a até 100 metros, considerável até para as dimensões do Aquífero, que tem níveis com 450 metros de espessura do reservatório, chegando a até 1 quilômetro de profundidade. A maior parte do consumo do Guarani é para o abastecimento urbano, e ao menos 80% dela se concentram no estado de São Paulo.

Um dos fatores que preocupa no curto prazo é que a chuva nas regiões de superfície, a partir das quais há recarga no aquífero, são muito concentradas, situação na qual apenas uma pequena parcela de chuva infiltra para o subsolo e ocorre um escoamento maior e infiltra menos. Também há impacto do aumento da evaporação nas áreas de superfície, causado pelo aumento da média de temperatura nas regiões.

Gastmans criticou a falta de um conjunto claro de ações por parte dos órgãos públicos, afirmando que a primeira ação necessária é conhecer os usuários. “É necessária a implantação de um sistema de monitoramento em tempo quase real, para conhecer e dimensionar os atendimentos e as políticas de curto e médio prazo”. O segundo é consorciar água subterrânea e água superficial, para usar de maneira integrada de acordo com a disponibilidade sazonal. “Também se faz necessário pensar no planejamento futuro: sempre se fala em desenvolvimento, mas os gestores parecem ignorar que não existe desenvolvimento plenamente sustentável, pois todo desenvolvimento tem um impacto e essas pessoas precisam começar a se antecipar aos problemas”. O pesquisador da Unesp defendeu ainda a necessidade de pensar no uso de águas de melhor qualidade para abastecimento público e de águas de menor qualidade para outros usos, como irrigação de áreas extensas do setor sucroalcooleiro e de cítricos e uso industrial.

Procurada pela reportagem, a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) informou que monitora todos os estudos relacionados à recarga do Aquífero Guarani e dos demais corpos d’água do estado. Segundo o órgão “a gestão do aquífero é realizada de maneira integrada com outros recursos hídricos, visando garantir o equilíbrio entre as demandas de uso e a preservação ambiental”. A maior parte da captação de água no estado de São Paulo se concentra em fontes superficiais (rios e lagos), sendo a captação em poços profundos, que acessam o Aquífero Guarani, a menor parcela do total dos recursos hídricos. “Toda captação de água no estado está sujeita à outorga, concedida somente após criteriosa análise técnica”.

Origem das águas

A pesquisa conduzida pela Unesp, com o apoio da Fapesp, agência paulista de amparo à pesquisa, usou o monitoramento de isótopos estáveis de hidrogênio e oxigênio como marcadores para identificar a origem das águas que compõem o reservatório, o que permitiu perceber as áreas de superfície que colaboram para a manutenção dos níveis do Aquífero Guarani. Também usaram um processo de datação com isótopos dos gases criptônio e hélio para datar a água de alguns poços, o que permitiu detectar idades variando de 2.600 anos, em Pederneiras, até 127 mil anos em Bebedouro, 230 mil anos em Ribeirão Preto e 720 mil anos no Paraná.

A pesquisa How much rainwater contributes to a spring discharge in the Guarani Aquifer System: insights from stable isotopes and a mass balance model pode ser acessada aqui.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Programa de ‘Fiscalização Preventiva Integrada na Bacia do Rio São Francisco’ é finalista do Prêmio Innovare

Em 2024 premiação destacará uma prática dentre todas as inscrições recebidas que melhor representa o tema ‘Meio ambiente e Sustentabilidade’

MPBA – O Programa de Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) é finalista da 21a edição do Prêmio Innovare do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A premiação identifica e divulga  práticas que contribuam para o aprimoramento da Justiça no Brasil.  Nesta edição, o Prêmio Innovare destacará uma prática dentre todas as inscrições recebidas que melhor represente o tema meio ambiente e sustentabilidade.

Desde sua criação, a FPI, que envolve uma atuação integrada de diversas instituições públicas, busca proteger o meio ambiente, fiscalizar irregularidades e promover ações educativas em prol do desenvolvimento sustentável.

“A FPI é uma iniciativa responsável por autuações em casos de desmatamento ilegal, exploração irregular de recursos hídricos, caça predatória e poluição de rios. Ao longo de décadas, o programa ganhou destaque não apenas pela capacidade de reprimir infrações ambientais, mas também por seu caráter educativo, pela garantia da escuta e defesa das comunidades tradicionais, focado em conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação ambiental”, destacou o coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Ceama), promotor de Justiça Augusto César Matos.  

A coordenadora do programa, promotora de Justiça Luciana Khoury, celebrou a conquista.

“Este é um grande reconhecimento do trabalho conjunto realizado por todas as 95 instituições parceiras e da dedicação de todos os seus integrantes que atuam nos estados da Bacia do Rio São Francisco. Há uma agregação dos diversos ramos do Ministério Público, diversos promotores de Justiça, procuradores da República e do Trabalho e servidores, ultrapassando fronteiras para exercer essa missão com resultados significativos de proteção desse grande patrimônio ambiental nacional”, declarou Luciana Khoury. 

Sobre a FPI

Criada em 2002, a FPI do São Francisco na Bahia é um programa coordenado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Em Alagoas teve início em 2014, em 2016 em Sergipe, em 2017 em Minas Gerais e em 2018 chegou ao estado de Pernambuco, coordenado pelos Ministérios Públicos dos estados e Ministério Público Federal. 

A iniciativa tem como objetivo melhorar a qualidade ambiental da bacia e a qualidade de vida dos povos da Bacia . Nesse sentido, são feitas ações de fiscalização em todas as áreas que possam impactar a saúde do Velho Chico. Com perfil socioeducador, a FPI realiza também atividades de educação ambiental nas comunidades, escolas e feiras livres; eventos de regularização de empreendimentos; entrevistas em rádios locais e imprensa em geral; e outras iniciativas de conscientização da importância do rio São Francisco. Em 2020, o programa foi premiado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) como o maior indutor de políticas públicas e, com as diversas temáticas que atua, contribui para a implementação dos 17 ODS.

Segundo a coordenadora geral do programa, a promotora de Justiça Luciana Khoury, “ser finalista de um prêmio tão relevante como o Innovare é um grande estímulo para que possamos seguir cada vez apresentando mais e melhores resultados, integrando órgãos públicos, instituições, entidades não governamentais, comitês de bacia,  movimentos sociais, povos e comunidades tracionais por mais justiça socioambiental na Bacia”.

Saiba os partidos que mais elegeram vereadores no Brasil em 2024

MDB lidera com folga, mas partidos de direita como PL e Republicanos registram crescimento expressivo nas câmaras municipais

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O MDB manteve a liderança nas eleições de 2024 como o partido que mais elegeu vereadores no Brasil. A legenda conquistou 8.109 cadeiras, consolidando sua posição histórica de hegemonia nas câmaras municipais e registrando um aumento de 757 postos em relação às eleições de 2020.

O PP aparece em segundo lugar, com 6.947 vereadores eleitos, seguido de perto pelo PSD, que alcançou 6.622 cadeiras. O PSD, criado em 2011, tem se firmado como uma das principais forças políticas municipais, consolidando sua presença legislativa nas cidades.

Uma das surpresas desta eleição foi o crescimento do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que elegeu 4.957 vereadores, um salto significativo comparado aos 3.463 vereadores eleitos em 2020. O Republicanos também registrou um aumento expressivo, conquistando 2.068 cadeiras a mais que na eleição anterior, totalizando 4.642 vereadores.

Já no campo da esquerda, o PT reverteu a tendência de queda registrada em 2020, elegendo 3.127 vereadores – um crescimento em relação aos 2.667 eleitos naquele ano. No entanto, o PSOL teve um pequeno recuo, elegendo 80 vereadores, 13 a menos do que em 2020.

Por outro lado, partidos tradicionais como o PSDB e o Cidadania sofreram grandes perdas. O PSDB perdeu 1.397 cadeiras em comparação com 2020, caindo para 3.002 vereadores. Já o Cidadania teve uma queda ainda mais acentuada, passando de 1.582 para apenas 437 vereadores eleitos em 2024.

Esses números refletem um realinhamento político no Brasil, com a direita consolidando sua força nas câmaras municipais e a esquerda lutando para recuperar espaço, especialmente diante do crescimento expressivo do bolsonarismo nas bases locais.

Caso de Política | A informação passa por aqui