Encontro reunirá chefes de Estado e autoridades de países-membros do bloco para debater cooperação e desenvolvimento
Caso de Política com Agência Brasil – O Rio de Janeiro foi confirmado como sede da Cúpula dos Líderes do Brics em 2025. O evento ocorrerá nos dias 6 e 7 de julho, consolidando a cidade como um dos principais palcos da diplomacia global. O anúncio foi feito neste sábado (15), após reunião entre o prefeito Eduardo Paes, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e representantes do governo federal no Palácio da Cidade, em Botafogo.
A escolha do Rio não ocorre por acaso. Apenas um ano após ter recebido a Cúpula do G20, a capital fluminense se projeta novamente no cenário internacional como ponto estratégico para negociações multilaterais. Além dos chefes de Estado e ministros dos países do Brics, o evento reunirá representantes da sociedade civil e do setor empresarial, reforçando a agenda de cooperação econômica e diplomática do bloco.
“A gente se sente muito orgulhoso de representar todos os brasileiros com as belezas da nossa cidade, com seus desafios, ninguém é ingênuo, inocente aqui. Mas é uma cidade muito especial, que a gente tem muito orgulho. Rio mais uma vez capital do mundo, com G20 no ano passado, agora Brics e quem sabe eu não consigo a assinatura do decreto presidencial de Rio capital honorária do Brasil”, afirmou Eduardo Paes em vídeo publicado nas redes sociais ao lado do chanceler Mauro Vieira.
Com a presidência rotativa do Brics sob comando do Brasil desde 1º de janeiro, o encontro no Rio simboliza uma oportunidade de fortalecer laços entre os países-membros, que atualmente incluem Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã. O chanceler Mauro Vieira destacou a importância do evento para o avanço das relações internacionais.
“Receberemos os chefes de Estado dos 20 países que integram o Brics nas categorias de membros plenos e parceiros em que vamos tomar decisões importantes para o desenvolvimento desses países, para a cooperação e para a melhoria das condições de vida dos habitantes desses países. Mais uma vez o Rio de Janeiro será palco de uma importantíssima reunião internacional”, afirmou Vieira.
Para coordenar as ações relacionadas ao evento, a prefeitura criou o Comitê Rio Brics, que ficará responsável pelo “Calendário Brics Rio”, reunindo iniciativas e atividades até o fim de 2025. Além disso, o comitê participará de fóruns e comissões em nível nacional e internacional, acompanhando debates estratégicos sobre economia, desenvolvimento sustentável e inovação.
A Cúpula do Brics promete ser um marco na agenda diplomática do Brasil em 2025, fortalecendo sua posição no bloco e ampliando o protagonismo do Rio de Janeiro como polo de grandes eventos internacionais.
Caso de Política com SEAP – Com o objetivo de promover a reintegração social dos reeducandos, o Conjunto Penal de Barreiras entregou hortaliças, legumes e verduras para instituições de acolhimento social, reafirmando o compromisso com a solidariedade e o apoio a quem mais precisa
Caso de Política com SEAP – Na última quinta (13) e sexta-feira (14), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), por meio do Conjunto Penal de Barreiras (CPB), realizou uma significativa ação de doação de alimentos, destacando-se como mais um passo em direção à reintegração dos reeducandos e à promoção de solidariedade no oeste baiano.
Foram entregues 711 quilos de hortaliças, legumes e verduras, entre eles abóbora, cenoura, alface, cebolinhas, acelga, pimenta, quiabo e feijão, que foram cultivados nas hortas dentro do próprio Conjunto Penal. O trabalho, desenvolvido pelos internos, não se limitou apenas ao cultivo. Eles também foram responsáveis pela organização dos kits de doação, garantindo que os alimentos fossem preparados de forma eficiente para atender às duas entidades de acolhimento social que receberam os produtos.
Essas instituições são cadastradas no programa Bahia Sem Fome, do Governo do Estado, que visa apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar e social. A ação reforça o compromisso da Seap em promover não só a reintegração dos reeducandos ao convívio com a sociedade, mas também contribuir de maneira significativa para a melhoria das condições de vida de muitas famílias que enfrentam dificuldades.
Além de fornecer uma alimentação saudável para as pessoas acolhidas, a doação simboliza um passo importante no processo de ressocialização dos internos, que, ao participar de atividades produtivas, adquirem habilidades e desenvolvem um senso de responsabilidade social.
A medida ainda destaca a importância do envolvimento das unidades prisionais em ações comunitárias, criando uma conexão entre os reeducandos e a população, e colaborando para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Apesar da queda nas vendas de gasolina, o Brasil viu aumento significativo na comercialização de etanol, diesel e GLP, refletindo mudanças nas preferências do consumidor e a ampliação da oferta de biocombustíveis
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O Brasil comercializou mais de 133 bilhões de litros de combustíveis líquidos automotivos em 2024, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume total representou uma dinâmica mista no mercado de combustíveis, com aumentos em alguns setores e quedas em outros, quando comparado ao ano anterior.
Dentre os combustíveis mais vendidos, a gasolina C (mistura de gasolina com etanol anidro) foi o principal produto, com 44,19 bilhões de litros comercializados. Porém, essa categoria apresentou uma leve retração de 4% em relação ao ano passado. Por outro lado, o etanol hidratado combustível teve uma performance impressionante, com um aumento de 33,4% nas vendas, somando 21,66 bilhões de litros, o que reflete a crescente demanda por combustíveis mais sustentáveis.
O diesel B, que inclui a mistura de biodiesel, também registrou crescimento de 2,6%, alcançando 67,25 bilhões de litros comercializados. Este aumento se deve, em parte, à recente elevação do teor de biodiesel no diesel, que passou de 12% para 14% ao longo do ano.
Durante o Seminário de Avaliação do Mercado de Combustíveis 2025, realizado de forma híbrida no Rio de Janeiro, a ANP divulgou esses números, destacando o papel fundamental do setor no abastecimento nacional. O evento, que contou com a participação de agentes de mercado e outros stakeholders, também abordou o cenário de importações e produção local.
Em termos de produção nacional, a gasolina A (pura) representou 90% da oferta interna, com os 10% restantes sendo supridos por importações. No caso do diesel A, a dependência de importações foi maior, atingindo cerca de 25% do total consumido.
O mercado de gás também apresentou crescimento. O GLP (gás liquefeito de petróleo) teve um aumento de 2,2% nas vendas, com 7,57 milhões de metros cúbicos comercializados, sendo que as importações corresponderam a 25% das vendas totais. Esse cenário de crescimento também se refletiu no biodiesel, cujas vendas subiram de 7,34 bilhões de litros em 2023 para 8,96 bilhões de litros em 2024.
A ANP ainda revelou que, no total, 131.278 agentes foram regulados no setor de abastecimento no país em 2024, entre eles 44.678 postos de combustíveis e 58.283 revendas de GLP, além de distribuidores e produtores de lubrificantes. Esses dados evidenciam a robustez e a complexidade do setor energético brasileiro.
Corte fixa quantia de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes e reforça que consumo continua sendo infração administrativa
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, nesta sexta-feira (14), a decisão que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal, estabelecendo o limite de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes. A medida, definida em julgamento finalizado em julho do ano passado, foi reafirmada no plenário virtual, onde recursos protocolados pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público de São Paulo foram rejeitados.
O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, votou pela manutenção integral da decisão e foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cristiano Zanin. O julgamento será concluído às 23h59 desta sexta-feira, mas o placar já indica maioria consolidada.
Apesar da decisão, o consumo de maconha continua sendo um comportamento ilícito. A diferença está na forma de penalização. O Supremo reafirmou que o porte para uso pessoal não gera antecedentes criminais nem permite sanções penais, mas segue sujeito a consequências administrativas.
O julgamento envolveu a interpretação do Artigo 28 da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), que previa penas alternativas como advertência, serviços comunitários e cursos educativos. A decisão da Corte elimina a prestação de serviços à comunidade como medida sancionatória, mas mantém as advertências e a obrigação de participação em programas educativos. Essas medidas continuarão a ser aplicadas pela Justiça, sem repercussão penal.
A fixação da quantia de 40 gramas como critério para diferenciação entre usuários e traficantes busca padronizar a atuação da Justiça e evitar interpretações divergentes sobre a classificação de indivíduos flagrados com a droga. A Corte argumenta que a ausência desse critério gerava insegurança jurídica e contribuía para abordagens desproporcionais por parte das autoridades policiais.
A decisão também insere o Brasil em um contexto de discussão global sobre políticas de drogas, alinhando-se a países que adotam uma abordagem menos punitiva ao usuário, enquanto mantêm a repressão ao tráfico. Especialistas apontam que a medida pode contribuir para a redução da superlotação carcerária e do encarceramento de indivíduos pegos com pequenas quantidades de droga, evitando que sejam equiparados a traficantes.
Enviado da OEA ouviu oposição e ministros do STF sobre liberdade de expressão e bloqueios de redes sociais. Relatório deve abordar prisões e investigações de atos antidemocráticos
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Organização dos Estados Americanos (OEA) garantiu um “relatório sincero” sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e as medidas adotadas contra opositores do governo Lula. A declaração foi feita após uma reunião entre Bolsonaro e Pedro Vaca Villarreal, relator especial para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado à OEA. As informações são de Paulo Capelli do Metrópoles.
Pedro Vaca Villarreal, relator especial para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado à OEA
A visita de Pedro Vaca ao Brasil ocorre em meio a questionamentos sobre a liberdade de expressão e os limites da atuação do Judiciário em investigações de supostos atos antidemocráticos. O representante da OEA ouviu tanto ministros do STF, como Moraes e o presidente da Corte, Roberto Barroso, quanto parlamentares da oposição. Entre os temas debatidos, estiveram as prisões de apoiadores de Bolsonaro, bloqueios de redes sociais e alegações de censura.
Bolsonaro, que se encontrou com Vaca por cerca de 50 minutos, disse que o enviado da OEA demonstrou interesse nas queixas da oposição e que o relatório deve refletir o cenário brasileiro. O ex-presidente voltou a criticar a conduta de Moraes e acusou o magistrado de perseguir adversários políticos, justificando que as decisões judiciais se baseiam em “narrativas” e não em provas concretas.
A oposição também levou ao relator da OEA a situação dos militantes presos por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. A filha de Cleriston Pereira da Cunha, um dos detentos que morreu no Presídio da Papuda, denunciou que seu pai teria sido “torturado” enquanto esteve sob custódia do Estado.
Ministros do STF recepcionam Pedro Vaca
Por outro lado, Barroso e Moraes defenderam as medidas adotadas pelo STF, argumentando que as decisões visaram proteger a democracia diante de ameaças concretas. Entre as justificativas apresentadas, destacaram o caso do suposto plano de militares para assassinar o presidente Lula no final de 2022, atualmente sob investigação.
Além das discussões sobre as ações do Judiciário, a missão da OEA também analisou temas mais amplos, como a regulamentação de redes sociais no Brasil e os desafios para combater a desinformação. O relator levantou questionamentos sobre o Marco Civil da Internet e a possível ampliação da responsabilidade das plataformas digitais no controle de conteúdos. Também foi debatida a escalada de ataques contra jornalistas e acadêmicos promovidos por setores da direita.
O relatório produzido por Pedro Vaca deverá consolidar os diferentes pontos de vista apresentados no Brasil e poderá influenciar futuras ações internacionais sobre a liberdade de expressão no país. A expectativa é que o documento seja divulgado nos próximos meses e traga recomendações tanto ao governo quanto ao Judiciário.
Vacinação contra a dengue é ampliada para pessoas de 4 a 59 anos em nova estratégia do Ministério da Saúde
Caso de Política | Luís Carlos Nunes –O Ministério da Saúde anunciou, nesta sexta-feira (14), a ampliação temporária da faixa etária para a vacinação contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida vale exclusivamente para doses que estiverem próximas ao vencimento e permite a aplicação do imunizante em crianças a partir dos 4 anos e adultos de até 59 anos, conforme a proximidade da validade do lote.
Segundo a nota técnica enviada a estados e municípios, as vacinas com dois meses para expirar poderão ser utilizadas em pessoas de 6 a 16 anos ou realocadas para cidades ainda não contempladas. Já os imunizantes com um mês para o vencimento poderão ser aplicados na faixa etária prevista na bula da vacina, ampliando o público para 4 a 59 anos.
Atualmente, o SUS disponibiliza o imunizante apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A ampliação, segundo o ministério, é uma estratégia emergencial para evitar o desperdício de doses e ampliar a proteção contra a doença.
A recomendação também prevê que estados e municípios informem a pasta sobre a implementação da medida e garantam o registro de todas as doses aplicadas na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), permitindo o controle da segunda dose.
Baixa adesão preocupa
Apesar do envio de 6,5 milhões de doses em 2024, apenas 3,8 milhões foram aplicadas, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre os adolescentes, a baixa adesão é ainda mais preocupante: 1,3 milhão de jovens que tomaram a primeira dose não retornaram para completar o esquema vacinal.
Diante desse cenário, o ministério recomenda que estados e municípios reforcem as ações de busca ativa, mobilizando a população para garantir a imunização completa.
Expansão da vacinação
O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer a vacina contra a dengue em um sistema público universal. A imunização teve início em fevereiro de 2024, em 315 municípios, e atualmente já alcança 1.921 cidades.
A vacina foi incorporada ao SUS com base em critérios epidemiológicos, priorizando locais com maior incidência da doença. A decisão foi pactuada entre União, estados e municípios na Comissão Intergestores Tripartite (CIT).
A ampliação temporária da faixa etária reforça a tentativa de mitigar impactos da dengue no país e evitar perdas de vacinas em um cenário de aumento de casos da doença.
Inicialmente previsto para entregar 2 milhões de unidades, programa habitacional ganha nova meta e terá casas maiores para atender a classe média, afirma presidente
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta sexta-feira (14), que o governo federal ampliou a meta do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Antes planejada para alcançar 2 milhões de unidades habitacionais até o fim do mandato, a nova projeção é entregar 2,5 milhões de moradias até 31 de dezembro de 2026.
Em entrevista à Rádio Clube do Pará, Lula destacou que o governo tem buscado ampliar o escopo do programa, garantindo também habitações para a classe média, com unidades “um pouco maiores” e “com mais valor”. Segundo ele, o objetivo é enfrentar de forma definitiva o déficit habitacional do país.
A ampliação das metas foi confirmada pelo ministro das Cidades, Jader Filho, que, na última quarta-feira (12), anunciou uma nova seleção de 100 mil unidades do MCMV. Segundo o ministro, atualmente há 40 mil moradias em construção, e a previsão é que esse número chegue a 100 mil até maio. Além disso, ele ressaltou que todas as novas unidades seguirão diretrizes exigidas por Lula, incluindo varanda e bibliotecas.
Lula enfatizou a importância da moradia própria na construção de laços sociais.
“As pessoas querem um ninho permanente, para se acostumarem com os vizinhos e construírem amizades. Se você muda todo ano, nunca cria vínculos, as crianças não fazem amigos e a adaptação à escola fica difícil”, declarou.
O presidente ainda afirmou que considera o acesso à moradia e à educação como pilares fundamentais do seu governo. “Isso pra mim não é um sonho, é uma profissão de fé. Educação e moradia são duas coisas que eu carrego na alma, porque já passei por tudo isso”, disse.
Trump fala em “morte” do Brics após ameaçar países com tarifas
Agência Brasil – Em meio à ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brics, a presidência do Brasil do bloco se comprometeu a desenvolver uma plataforma que permita aos países-membros usarem suas próprias moedas para o comércio entre eles, o que poderia abrir caminho para substituir, em parte, o dólar como moeda do comércio internacional.
“De forma a cumprir o mandato estabelecido pelos líderes do Brics na Cúpula de Johanesburgo em 2023, a presidência do Brasil dará continuidade aos esforços de cooperação para desenvolver instrumentos de pagamento locais que facilitem o comércio e o investimento, aproveitando sistemas de pagamento mais acessíveis, transparentes, seguros e inclusivos”, informa o documento.
A medida contraria os interesses dos Estados Unidos, que iniciaram uma guerra comercial com a elevação de tarifas para alguns mercados e produtos, incluindo o aço e alumínio, mercadorias que o Brasil exporta para o país norte-americano.
Nessa quinta-feira (13), antes de se reunir com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que faz parte do Brics, o presidente Trump disse que o bloco estaria “morto” depois das ameaças que fez de taxar em 100% as importações dos países que substituam o dólar.
Por sua vez, o documento da presidência brasileira do Brics afirma que o “recurso insensato ao unilateralismo e a ascensão do extremismo em várias partes do mundo ameaçam a estabilidade global e aprofundam as desigualdades”.
O documento completa dizendo que “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem destacado o potencial do Brics como espaço para construção das soluções de que o mundo tanto precisa. Mais do que nunca, a capacidade coletiva de negociar e superar conflitos por meio da diplomacia se mostra crucial. Nosso agrupamento dialoga com todos e está na vanguarda dos que defendem a reforma da governança global”.
Desdolarização
Professor de ciência política da UFRGS Fabiano Mielniczuk – Fabiano Mielniczuk/Arquivo Pessoal
O professor de ciência política Fabiano Mielniczuk, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), destacou que o Brasil terá que deixar mais claro para o mundo o que significa esse tipo de mecanismo de pagamento em moeda local.
“O Brasil tem enfatizado bastante, principalmente na figura do seu Sherpa novo, o [embaixador] Maurício Lirio, que não pretende avançar no sentido da desdolarização das relações econômicas internacionais. O Brasil não quer criar atritos com os EUA. E o Brasil precisa deixar claro até que ponto a criação de mecanismos para pagamento em moeda local no âmbito do Brics representa, ou não, uma alternativa ao dólar”, ponderou.
Para especialistas consultados pela Agência Brasil, os EUA buscam preservar sua hegemonia econômica global, que tem no dólar como moeda internacional uma das suas principais vantagens. Por outro lado, os países do Brics defendem que o uso de moedas locais para o comércio traz benefícios econômicos e reduz fragilidades externas, pois os países não precisariam recorrer sempre ao dólar para o comércio exterior.
A professora de relações internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Ana Elisa Saggioro Garcia avalia que a nota do Brasil não trouxe novidades em relação ao que já vinha sendo discutido no âmbito do bloco em relação aos meios de pagamento, faltando ainda detalhar como isso seria implementado.
Professora de Relações Internacionais da UFRRJ e pesquisadora do Brics Policy Center, Ana Elisa Saggioro Garcia – Ana Elisa Saggioro Garcia/Arquivo Pessoal
“Há muito o que se fazer para enfrentar esse período Trump. Acho que se, de fato, o Brics conseguir avançar em facilitar o comércio interno dentro do bloco, à revelia das tarifas impostas, avançando nos descontos de transações de crédito e no financiamento do comércio em moedas locais, vamos ter um avanço significativo”, comentou Ana Elisa, que é pesquisadora do Brics Policy Center, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
IA e indústria
O Brasil ainda promete fortalecer a recém-criada Rede de Think Thanks sobre Finanças e a cooperação em infraestrutura, tributação e aduanas, assim como aprofundar a Parceria Brics para a Nova Revolução Industrial (PartNIR), “cujo objetivo é a diversificação e a atualização tecnológica da base industrial dos países do agrupamento”.
A regulação da Inteligência Artificial (IA) é outra agenda da presidência brasileira no Brics. Para o professor Fabiano Mielniczuk, o Brasil e os Brics precisam avançar na proteção dos dados produzidos nos países.
“Esses dados estão gerando riqueza para as big techs. O Brasil deveria focar na dimensão econômica da economia de dados que está por trás da geração de modelos de IA e não apenas regular o uso da IA. Se o viés econômico de economia de dados avançar no tratamento de IAs, aí os interesses do Sul Global vão ser atendidos”, argumentou o especialista em Brics.
FMI e Banco Mundial
No documento que detalha as prioridades da presidência brasileira, o país se comprometeu ainda a promover a defesa da reforma das instituições financeiras internacionais, em especial, do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI).
“A presidência brasileira pretende aumentar a representação dos países em desenvolvimento em posições de liderança [no FMI e Banco Mundial], refletindo melhor as contribuições das nações do Sul Global para a economia mundial, bem como objetiva trabalhar para aprimorar iniciativas como o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo de Reservas para Contingências”, diz o texto.
O Arranjo de Reservas para Contingências do Brics (CRA), criado em 2014, provê suporte para os países com recursos para casos de crises de liquidez das economias do bloco. O CRA conta com, ao menos, US$ 100 bilhões em reservas. Já o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) é o banco dos Brics, atualmente comandado pela ex-presidenta brasileira, Dilma Rousseff, que tem defendido a expansão do uso de moedas locais.
Declaração de Trump destaca tensões comerciais e geopolíticas ao mencionar a criação de uma moeda própria pelo bloco, com potencial para reconfigurar o comércio internacional
Caso de Política | Luís Carlos Nunes –O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a disparar duras ameaças contra o bloco Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), afirmando que aplicará tarifas de 100% sobre os produtos dos países do grupo caso esses avancem com a criação de uma moeda própria para transações internacionais. Trump se referiu à ideia como um “brincar com o dólar”, destacando que os membros do Brics se arrependeriam de tentar desafiar a supremacia da moeda norte-americana no comércio global.
“Eles [países do Brics] voltarão e dirão: ‘Nós imploramos para que você não faça isso’. O Brics está morto desde que mencionei [que taxaria em 100%]”, disse Trump, em uma declaração feita no Salão Oval da Casa Branca, após assinar um decreto que abre caminho para tarifas recíprocas sobre países que impõem taxas sobre produtos norte-americanos.
O decreto de Trump estabelece um plano para que os Estados Unidos cobrem tarifas mais altas sobre produtos de países que aplicam tarifas de importação sobre os bens dos EUA. A medida não será imediata, mas deve começar a ser implementada a partir de 2 de abril, com o etanol brasileiro sendo um dos exemplos de produtos que entrariam nessa mira.
Possíveis consequências políticas e econômicas para o Brics
A ameaça de Trump de taxar o Brics em 100% caso o bloco avance com a criação de sua própria moeda não é apenas uma pressão econômica, mas também um jogo geopolítico estratégico. Caso os países do Brics sigam em frente com essa proposta, poderiam enfrentar sérias repercussões. A criação de uma moeda única para transações internacionais abalaria o atual sistema financeiro global, que é fortemente dominado pelo dólar dos Estados Unidos.
Se o Brics deixar de usar o dólar, isso poderia significar uma mudança radical no comércio mundial. Em primeiro lugar, os países do bloco precisariam garantir a confiança internacional em sua nova moeda, o que envolveria uma reconfiguração significativa nas instituições financeiras globais. Os mercados financeiros seriam profundamente afetados pela mudança, com possíveis flutuações acentuadas nas taxas de câmbio e um aumento da volatilidade econômica.
Além disso, a medida teria impactos diretos nas economias dos países do Brics. Por um lado, a autonomia financeira proporcionada por uma moeda própria poderia permitir uma maior independência econômica, reduzindo a dependência de mercados ocidentais e os impactos de políticas externas dos EUA. Por outro lado, enfrentariam enormes desafios logísticos, políticos e diplomáticos ao tentar desvincular-se do sistema financeiro liderado pelos EUA, o que poderia prejudicar seus laços com países ocidentais.
A potencial ruptura do sistema de dolarização global também poderia precipitar um novo ciclo de desglobalização, onde as economias emergentes se distanciam ainda mais do capitalismo ocidental e buscam alternativas autônomas, o que levaria a uma reconfiguração do equilíbrio de poder no comércio internacional. Nesse cenário, as consequências seriam complexas e imprevisíveis, afetando tanto os países do Brics quanto os mercados globais.
Vale ressaltar que o Brics já representa um peso significativo no comércio e na economia mundial. Composto por algumas das principais economias emergentes do planeta, o bloco abriga 45,2% da população mundial e detém 24,5% das exportações globais. Além disso, sua tendência de crescimento supera a média global, com previsões de expansão robusta para a próxima década. De acordo com dados de paridade do poder de compra, o PIB do Brics já é maior do que o do G7 desde o ano passado, tornando-o uma potência econômica crescente que, se decidir desafiar o domínio do dólar, certamente provocará uma reconfiguração das relações comerciais internacionais.
Ex-presidente busca apoio internacional para suas acusações contra o ministro do STF, que estão sendo investigadas pela OEA
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu na manhã de quinta-feira (13/2) com integrantes da comitiva da Organização dos Estados Americanos (OEA) para detalhar acusações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O encontro, ocorrido em Brasília, foi liderado pelo advogado colombiano Pedro Vaca Villarreal, relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que já havia escutado tanto críticos do magistrado quanto o próprio Moraes.
Durante a conversa, que durou cerca de 50 minutos, Bolsonaro expôs sua visão de que Moraes ajustaria depoimentos, praticando pesca probatória e ordenando prisões de suspeitos sem a formalização de denúncias. O ex-presidente reforçou a tese de que o ministro conduziria uma “perseguição política” a opositores do governo, prática que, segundo ele, se concretizaria por meio de inquéritos no STF. “Ele [Vaca] se mostrou interessado no que eu falava e disse que vai fazer um relatório sincero sobre o que está acontecendo aqui no Brasil”, afirmou Bolsonaro, que se mostrou confiante quanto à seriedade da análise da OEA.
A OEA, que reúne 34 países, é financiada em grande parte pelos Estados Unidos, país comandado por Donald Trump, aliado de Bolsonaro e crítico de Moraes. Trump, conhecido por cortar recursos para ONGs e para a agência de ajuda externa USaid, é um fator relevante no contexto do relatório da OEA. A organização, que recebe cerca de 52 milhões de dólares dos Estados Unidos anualmente, tem forte incentivo para evitar qualquer ação que possa ser vista como negligente em relação às acusações contra Moraes, especialmente devido à relação de amizade de Trump com empresários como Elon Musk e Jason Miller, alvos de decisões de Moraes.
Além do relato de Bolsonaro, a visita da OEA também inclui uma série de depoimentos de outros críticos do ministro, incluindo parlamentares e manifestantes. O próprio Pedro Vaca Villarreal demonstrou surpresa com o tom das acusações, destacando que “o tom dos relatórios é realmente impressionante” e que o grupo precisaria de tempo para analisar as evidências. Um dos relatos mais impactantes foi o de Luiza Cunha, filha de Cleriston Pereira da Cunha, um manifestante que morreu após complicações de saúde enquanto estava preso na Papuda. Segundo Luiza, o pedido de soltura de seu pai foi ignorado por Moraes, o que chamou a atenção dos membros da OEA.
A conclusão do encontro com Bolsonaro será incorporada em um relatório detalhado que a OEA produzirá sobre a atuação de Moraes. A expectativa é que o documento tenha repercussões significativas, possivelmente colocando o ministro em uma posição desconfortável. A dúvida, no entanto, permanece sobre o impacto real que o relatório pode ter, com analistas aguardando para ver se ele causará uma reação significativa dentro da política brasileira ou se será mais um capítulo da tensão internacional envolvendo o STF.