Deputado do PL apresentava emendas com “valores quebrados” para facilitar rastreamento por agiota

Investigações da PF revelam que o deputado Josimar Maranhãozinho manipulou emendas para facilitar cobranças ilícitas, levantando questões sobre corrupção e a relação entre parlamentares e agiotas

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou um esquema complexo de manipulação de emendas parlamentares envolvendo o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e o agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan. As conversas rastreadas indicam que Maranhãozinho usou a técnica de “valores quebrados” ao fazer indicações de repasses ao Ministério da Saúde, para que o agiota pudesse rastrear e cobrar o pagamento junto às prefeituras beneficiadas. O objetivo era facilitar o processo de cobrança, como descrito em mensagens trocadas entre Josimar e Pacovan. Essas revelações trazem à tona o uso indevido de recursos públicos, o envolvimento de políticos com práticas ilícitas e os riscos de uma rede de corrupção orquestrada.

O esquema, segundo as investigações, ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o deputado indicava valores como R$ 1,048 milhão e R$ 4,123 milhões, ostensivamente divididos para facilitar a cobrança por parte de Pacovan. O agiota, com um histórico de financiamentos ilegais de campanhas eleitorais e de práticas de cobrança de altos juros, teve sua atividade associada a uma série de manobras que envolviam prefeituras e o direcionamento de recursos do Ministério da Saúde. Essa relação ficou evidenciada por mensagens de WhatsApp, em que Pacovan discutia com Josimar a melhor maneira de garantir o repasse e sua subsequente devolução de recursos, muitas vezes não contabilizados como emendas formais, mas com valores que poderiam ser facilmente atribuídos a interesses políticos.

Além disso, o caso revela uma possível conivência entre parlamentares e agentes fora do circuito institucional, como o empresário Pacovan, que se tornou um ponto de contato para a cobrança de “dívidas” resultantes desses repasses. Embora o repasse de emendas não fosse formalmente considerado uma irregularidade, as mensagens indicam um esquema orquestrado para garantir que os recursos fossem direcionados a interesses privados, com o conhecimento de figuras do Legislativo, como o próprio Josimar e outros membros do PL, como Pastor Gil (MA) e Bosco Costa (SE).

O deputado Maranhãozinho, que já enfrenta acusações de corrupção passiva e organização criminosa desde agosto de 2023, vê-se agora no centro de um escândalo de grandes proporções, em que sua relação com Pacovan expõe a vulnerabilidade do sistema de repasse de verbas federais, especialmente quando envolvem intermediários com interesses escusos. A investigação, ainda sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deverá passar por novos desdobramentos que podem revelar mais detalhes sobre o uso das emendas e sua relação com o financiamento de campanhas, além da utilização dos recursos públicos como moeda de troca.

O agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan: ele foi assassinado em junho de 2024. Foto: reprodução

A morte de Pacovan, em junho de 2024, em circunstâncias misteriosas, adiciona uma camada de complexidade ao caso. O agiota, que teve estreitas relações com a família de Josimar, inclusive com contratos municipais envolvendo seu posto de combustíveis, foi executado, gerando especulações sobre um possível conflito de interesses. A investigação da Polícia Civil do Maranhão aponta que sua execução pode ter relação com disputas internas no esquema de cobrança de dívidas, o que reforça a dimensão criminal de toda a operação.

Este caso coloca em evidência não apenas a corrupção de algumas figuras políticas, mas também a fragilidade das estruturas de fiscalização e controle sobre o uso de emendas parlamentares. Ao manipular valores e envolver-se com agiotas para garantir o controle sobre o destino dos recursos, Josimar Maranhãozinho e seus aliados fortalecem a impressão de que a impunidade e o favorecimento são práticas aceitas no sistema político brasileiro. As investigações em curso podem ser cruciais para revelar como essas redes de corrupção funcionam, e a extensão do envolvimento de outros atores do cenário político e empresarial.

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Anistia aos golpistas e irregularidades nas emendas PIX: o risco de mais divisão

Ao discutir a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, parlamentares buscam mais do que pacificação política: uma possível isenção para irregularidades no uso das emendas, o que poderia aprofundar ainda mais as divisões no Congresso

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A proposta de anistiar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro continua a dividir o Congresso Nacional e acirrar os debates sobre o futuro político do Brasil. Embora a justificativa oficial para essa medida seja a busca por pacificação e reconciliação, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) veem com crescente preocupação a possibilidade de que essa manobra também sirva para acobertar outras questões sensíveis, especialmente no que se refere ao uso irregular das tão comentadas emendas PIX.

Na última sexta-feira (7), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi enfático ao afirmar que os atos de vandalismo de 8 de janeiro não configuraram uma tentativa de golpe, mas sim uma manifestação extremada, deslegitimando a gravidade dos eventos e sua relação com a tentativa de subversão institucional. Por sua vez, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, também defendeu a necessidade de uma maior transparência no repasse de emendas, mas sugeriu que a criminalização de parlamentares envolvidos em processos licitatórios questionáveis fosse moderada, ampliando as dúvidas sobre a real motivação por trás desse discurso de “pacificação”.

Embora o Congresso tente justificar suas ações em nome da harmonia nacional, os ministros do STF observam que a verdadeira intenção por trás da anistia aos golpistas seria, na prática, suavizar a situação de parlamentares cujas emendas podem estar envolvidas em irregularidades. Essa tentativa de combinar a anistia política com um perdão tácito a possíveis crimes administrativos comprometeria ainda mais a transparência e a confiança nas instituições, oferecendo uma brecha perigosa para a impunidade.

A visão de que a anistia traria pacificação, como defendem alguns membros do Congresso, ignora o fato de que o perdão a esses indivíduos pode gerar um efeito oposto: mais divisão e desconfiança entre a população e as instituições. Ao permitir que figuras públicas sejam poupadas de responsabilizações sérias, especialmente por meio de emendas que podem ter sido mal geridas ou desviadas, o que se constrói é um precedente de fragilidade nas regras que sustentam a democracia. Em vez de buscar a verdade e a reparação dos danos, o movimento se parece com uma tentativa de se livrar da responsabilização sem a devida reflexão sobre os impactos sociais e políticos de tais ações.

Portanto, mais do que um gesto de unidade, a anistia aos golpistas de 8 de janeiro pode abrir um perigoso precedente para a aceitação de irregularidades na administração pública, e ao invés de pacificar o país, pode alimentar o ciclo de impunidade e desconfiança, que já prejudica profundamente a relação entre os poderes e a população.

Neste contexto, o Congresso se encontra diante de uma escolha difícil: ou reforça a confiança nas instituições, garantindo a responsabilidade por ações ilícitas e erros administrativos, ou cede à tentação de se proteger em um pacto que, mais cedo ou mais tarde, pode resultar em uma crise ainda maior.

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Tarifaço de Trump deve reduzir produção, afetar empregos e pressionar dólar no Brasil

Medida protecionista do governo americano ameaça exportações brasileiras, pressiona a indústria siderúrgica e desafia a diplomacia nacional em busca de alternativas

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre o alumínio atinge diretamente a economia brasileira. O impacto deve se refletir na produção siderúrgica, no emprego e na cotação do dólar, ampliando incertezas para a indústria nacional e exigindo reação diplomática do governo brasileiro.

Os Estados Unidos são o principal mercado do aço brasileiro, respondendo por 48% das exportações do setor. Com a sobretaxa, a indústria siderúrgica precisará redirecionar esse volume para outros países, como China e membros da União Europeia, uma tarefa desafiadora em meio ao cenário global de desaceleração econômica. Sem mercados alternativos viáveis, o setor corre risco de redução de atividade e cortes de postos de trabalho.

O encarecimento do produto brasileiro pode comprometer a competitividade da indústria nacional e pressionar o mercado interno. “O consumo de aço no Brasil não absorve esse volume, pois setores como construção civil e indústria automobilística já enfrentam um ritmo lento de recuperação”, explica o economista Rafael Passos. Para muitas siderúrgicas, a única alternativa será reduzir produção, levando a demissões e possível fechamento de unidades.

Além do impacto na indústria, a medida deve influenciar o câmbio. A restrição às exportações de aço pode diminuir a entrada de dólares no país, pressionando o real e favorecendo uma alta na moeda americana. A volatilidade cambial afeta desde o preço dos combustíveis até setores dependentes de insumos importados, como tecnologia e farmacêutica.

A decisão de Trump também altera a dinâmica do comércio internacional. A União Europeia e a Coreia do Sul já anunciaram que estudam respostas à medida, e o Brasil avalia formas de reação sem ampliar tensões com Washington. O Itamaraty sinalizou que buscará diálogo para negociar exceções, mas também analisa possíveis retaliações, como barreiras a produtos americanos.

A reciprocidade comercial emerge como um fator central. Durante a gestão Bolsonaro, o Brasil aceitou restrições ao aço em nome da manutenção da aliança com Trump, mas agora a postura do governo deve ser diferente. “O Brasil não pode se furtar a reagir. A imposição de tarifas fere a lógica da parceria econômica e exige uma resposta estratégica”, afirma Jorge Ferreira dos Santos Filho, especialista em comércio exterior.

A decisão americana também reforça a necessidade de o Brasil diversificar mercados e reduzir a dependência do aço para os EUA. O fortalecimento de acordos comerciais com Ásia e Europa pode mitigar impactos futuros e diminuir vulnerabilidades diante de oscilações políticas em Washington.

A disputa ilustra como medidas protecionistas podem gerar efeitos colaterais globais. Trump aposta no discurso de fortalecimento da indústria americana, mas a imposição de tarifas tende a encarecer insumos para fábricas locais e afetar aliados estratégicos. No Brasil, a resposta precisa equilibrar pragmatismo e firmeza, evitando prejuízos ainda maiores para a economia nacional.

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Dengue: um ano após início da imunização, procura por vacina é baixa

Das mais de 6,3 milhões de doses distribuídas, 3,2 foram aplicadas

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Um ano após o início da vacinação contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS), a procura pelo imunizante no país está bem abaixo do esperado. De fevereiro de 2024 a janeiro de 2025, 6.370.966 doses foram distribuídas. A Rede Nacional de Dados em Saúde, entretanto, indica que apenas 3.205.625 foram aplicadas em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo-alvo definido pela pasta.

A faixa etária, de acordo com o ministério, concentra o maior número de hospitalizações por dengue depois de pessoas idosas, grupo para o qual o imunizante Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, não foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O esquema vacinal utilizado pela pasta é composto por duas doses com intervalo de três meses entre elas.

Entenda

Em janeiro de 2024, 521 municípios foram inicialmente selecionados para iniciar a imunização contra a dengue na rede pública já em fevereiro. As cidades compunham 37 regiões de saúde consideradas endêmicas para a doença e atendiam a três critérios: municípios de grande porte, com mais de 100 mil habitantes; alta transmissão de dengue no período 2023-2024; e maior predominância do sorotipo 2.

Atualmente, todas unidades federativas recebem doses contra a dengue. Os critérios de distribuição, definidos pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), seguem recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI). Foram selecionadas regiões de saúde com municípios de grande porte, alta transmissão nos últimos 10 anos e/ou altas taxas de infecção nos últimos meses.

A definição de um público-alvo e de regiões prioritárias, segundo o ministério, se fez necessária em razão da capacidade limitada de fornecimento de doses pelo fabricante. A primeira remessa, por exemplo, chegou ao Brasil em janeiro do ano passado e contava com apenas cerca de 757 mil doses. A pasta adquiriu todo o quantitativo disponibilizado pelo fabricante para 2024 – 5,2 milhões de doses e contratou 9 milhões de doses para 2025.

Prioridade para o SUS

Em comunicado divulgado no ano passado, a Takeda informou a decisão de priorizar o atendimento de pedidos feitos pelo ministério para o fornecimento de doses da Qdenga. De acordo com a nota, o laboratório suspendeu a assinatura de contratos diretos com estados e municípios e limitou o fornecimento da vacina na rede privada, suprindo apenas o quantitativo necessário para que pessoas que tomaram a primeira dose completassem o esquema vacinal com a segunda dose.

“Em linha com o princípio da equidade na saúde, a Takeda está comprometida em apoiar as autoridades de saúde, portanto, seus esforços estão voltados para atender a demanda do Ministério da Saúde, conforme a estratégia vacinal definida pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações que considera faixa etária e regiões para receberem a vacina. Conforme já anunciado, temos garantida a entrega de 6,6 milhões de doses para o ano de 2024 e o provisionamento de mais 9 milhões de doses para o ano de 2025.”

Vacina

A vacina Qdenga teve o registro aprovado pela Anvisa em março de 2023. Na prática, o processo permite a comercialização do produto no Brasil, desde que mantidas as condições aprovadas. Em dezembro do mesmo ano, o ministério anunciou a incorporação do imunizante ao SUS.

Em 2024, o imunizante também foi pré-qualificado pela OMS. A entidade define a Qdenga como uma vacina viva atenuada que contém versões enfraquecidas dos quatro sorotipos do vírus causador da dengue e recomenda que a dose seja aplicada em crianças e adolescentes de 6 a 16 anos em locais com alta transmissão da doença.

A pré-qualificação é um passo importante na expansão do acesso global a vacinas contra a dengue, uma vez que torna a dose elegível para aquisição por parte de agências da ONU [Organização das Nações Unidas], incluindo o Unicef [Fundo das Nações Unidas para a Infância] e a Opas [Organização Pan-Americana da Saúde]”, avalis, à época, o diretor de regulação e Pré-qualificação da OMS, Rogerio Gaspar.

Com apenas duas vacinas contra a dengue pré-qualificadas até o momento, esperamos que mais desenvolvedores de vacinas se apresentem para avaliação, para que possamos garantir que as doses cheguem a todas as comunidades que necessitam delas”, completou. A outra dose pré-qualificada é a da Sanofi Pasteur.

Alerta

No mês passado, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) emitiu um alerta sobre a baixa procura pela vacina contra a dengue. A entidade destacou que o imunizante está disponível, atualmente, para um grupo restrito de pessoas em 1,9 mil cidades nas quais a doença é mais frequente e que apenas metade das doses distribuídas pelo ministério para estados e municípios foi aplicada.

O alerta acompanha ações recentes de prevenção e monitoramento do Ministério da Saúde e chega em um momento de preocupação por conta da detecção do sorotipo 3 da dengue em diversas localidades. O sorotipo, de acordo com o ministério, não circula no país de forma predominante desde 2008 e, portanto, grande parte da população está suscetível à infecção.

Procurada pela Agência Brasil, a pasta informou que a baixa disponibilidade para aquisição da Qdenga faz com que a vacinação não seja a principal estratégia do governo contra a doença. O ministério destacou ainda o lançamento do Plano de Ação para Redução da Dengue e Outras Arboviroses, que prevê a intensificação do controle vetorial do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.

No início de janeiro de 2025, o ministério voltou a instalar o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE), com o objetivo de ampliar o monitoramento de arboviroses no Brasil.

Números

Em 2024, o país registrou a pior epidemia de dengue, com 6.629.595 casos prováveis e 6.103 mortes por causa do vírus. Em 2025, o Painel de Monitoramento das Arboviroses já registra 230.191 casos prováveis da doença e 67 mortes confirmadas, além de 278 óbitos em investigação. O coeficiente de incidência, neste momento, é de 108 casos para cada 100 mil habitantes.

Deputados do PL são citados em investigação sobre esquema de venda de emendas, segundo PF

A Polícia Federal aponta Josimar Maranhãozinho, Bosco Costa e Pastor Gil como suspeitos de cobrar até 25% de propina sobre emendas parlamentares destinadas à saúde. O caso está sob análise do STF

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Polícia Federal identificou os deputados federais Bosco Costa (PL-SE), Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) como suspeitos de estarem envolvidos em um esquema de venda de emendas parlamentares. A investigação, que analisa a negociação de recursos para a área da saúde, revela que os parlamentares cobravam até 25% de propina sobre os valores destinados. O processo está atualmente sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com as investigações, Josimar Maranhãozinho, considerado uma figura de destaque no Maranhão, é apontado como o líder do esquema. Aliado do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ele tem uma trajetória política que inclui o cargo de prefeito de Maranhãozinho e deputado estadual antes de chegar à Câmara em 2019. Sua esposa, Detinha (PL-MA), também é deputada federal.

Pastor Gil, membro da bancada evangélica, tem uma ligação estreita com a Assembleia de Deus, onde atuou por duas décadas. Ele iniciou sua carreira política em 2018 e rapidamente se alinhou com Josimar. Nas redes sociais, Pastor Gil aparece frequentemente ao lado de figuras como Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, aliado próximo do ex-presidente.

Bosco Costa, o parlamentar com mais experiência entre os citados, está em seu quarto mandato como deputado federal. Sua trajetória inclui cargos administrativos no governo de Moita Bonita (SE) e uma passagem pela Assembleia Legislativa de Sergipe.

Troca de mensagens entre deputados mostra Josimar Maranhãozinho orientando colega a evitar encontros que poderiam ser filmados – Foto: Reprodução

As investigações tiveram início em 2020 no Maranhão, com a Polícia Federal obtendo imagens de Josimar Maranhãozinho manuseando grandes quantias de dinheiro, supostamente oriundo do desvio de emendas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou que os deputados teriam negociado uma propina de R$ 1,66 milhão em troca da liberação de R$ 6,67 milhões para um município maranhense. Conversas obtidas pela PF mostram os parlamentares discutindo a divisão dos valores e agendando encontros com autoridades.

O ministro Cristiano Zanin, relator do caso no STF, liberou a denúncia para julgamento na Primeira Turma da Corte. Pastor Gil se declarou confiante em sua inocência e aguarda a decisão do Supremo, enquanto os outros parlamentares não comentaram as acusações até o momento.

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Danilo Henrique inicia ofensiva para manter traçado original da FIOL beneficiando Barreiras, Luís Eduardo e São Desidério

Liderança política no Oeste da Bahia assume protagonismo na mobilização contra a mudança do traçado da ferrovia e pressiona governo federal para evitar prejuízos à Bahia.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A possível mudança no traçado da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) desencadeou uma forte reação na Bahia, e à frente dessa articulação está Danilo Henrique, liderança política no Oeste baiano. Determinado a impedir que o entroncamento ferroviário seja deslocado de Figueirópolis (Tocantins) para Mara Rosa (Goiás), Danilo Henrique tem liderado um movimento estratégico para pressionar o governo federal e garantir que a FIOL contemple Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e São Desidério, consolidando a Bahia como eixo logístico fundamental para o escoamento da produção agroindustrial.

A diferença entre os projetos é clara. O traçado original, atualmente em execução, conecta Figueirópolis diretamente a Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, beneficiando diretamente a logística e o escoamento da produção agrícola no Oeste da Bahia. Já a proposta defendida pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, altera o trajeto, desviando a FIOL para Mara Rosa (Goiás), excluindo Barreiras e a região Oeste do traçado principal e causando impacto negativo na economia baiana.

Com sua postura ativa, Danilo Henrique está mobilizando prefeitos, empresários e lideranças políticas regionais para fortalecer a pressão sobre Brasília. Ele tem articulado reuniões com gestores municipais, além de buscar apoio de parlamentares baianos para reforçar a importância de manter a FIOL conectada ao Porto Sul, em Ilhéus. Segundo ele, a Bahia não pode assistir passivamente ao avanço de articulações de outros estados que buscam se beneficiar da alteração.

O que está em jogo é o futuro da logística baiana. Não podemos permitir que Goiás ou Tocantins levem para si um projeto que, historicamente, pertence à Bahia. A FIOL foi pensada para favorecer nossa produção, e qualquer mudança compromete diretamente nossa competitividade. A região Oeste da Bahia é o maior produtor agrícola do norte e nordeste do país e este peso deve ser levado em consideração”, enfatizou Danilo Henrique.

A mudança no traçado, defendida pelo ministro dos Transportes, já causou reações em Tocantins, onde o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a bancada federal se mobilizam para reverter a alteração. Goiás, por outro lado, vê na proposta uma chance de se consolidar como novo polo ferroviário. Para Danilo Henrique, no entanto, a Bahia precisa reagir com força e coesão para evitar um prejuízo histórico.

Ao lado dos prefeitos Tony Linhares (São Desidério) e Júnior Marabá (Luís Eduardo Magalhães), Danilo Henrique tem liderado reuniões estratégicas para organizar uma frente política robusta. Ele também critica a falta de posicionamento da bancada baiana no Congresso, alertando para o risco de a Bahia ser atropelada pelas articulações de estados concorrentes.

Não podemos esperar que decidam por nós. A FIOL é um patrimônio estratégico da Bahia, e nossa bancada federal precisa entender a urgência desse debate. O Tocantins já está mobilizado. E a Bahia?”, questiona Danilo Henrique.

A alteração proposta pelo governo federal adicionaria um custo extra de R$ 2 bilhões ao projeto e mudaria a logística de escoamento da produção agroindustrial, desviando o fluxo de carga que originalmente seguiria para Ilhéus. O plano deverá ser apresentado ao presidente Lula nas próximas semanas, e Danilo Henrique intensificou sua articulação para garantir que a Bahia não perca essa disputa.

Com discurso firme e ação coordenada, Danilo Henrique busca fortalecer a luta pela manutenção da FIOL na região. Mais do que um embate técnico, a decisão sobre o traçado da ferrovia se tornou uma disputa política, e o líder progressista do Oeste baiano quer garantir que a Bahia não saia prejudicada nessa batalha.

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Lula entrega obras de saneamento e abastecimento de água na Bahia e anuncia novos investimentos

Obras incluem ampliação de sistemas de captação e esgotamento sanitário, com mais de R$ 574 milhões em recursos federais e estaduais

Caso de Política com Agência Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta sexta-feira (7), da entrega de obras de saneamento e abastecimento de água em municípios da Bahia, dentro do Programa Água Para Todos, que integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos, que ultrapassam R$ 574 milhões, visam ampliar a infraestrutura hídrica no estado, reduzindo os impactos da estiagem e garantindo abastecimento para a população.

Durante evento em Paramirim, no sertão baiano, Lula assinou a ordem de serviço para a construção da Barragem do Rio da Caixa, com orçamento de R$ 123,1 milhões. A obra pretende aumentar a segurança hídrica da região e beneficiar pequenos produtores rurais.

“Ninguém vive sem água, mas também ninguém vive sem comida. Vamos garantir água para irrigação e comida de qualidade para vocês”, declarou o presidente.

Em Bom Jesus da Lapa, o governo entregou a primeira fase do sistema integrado de abastecimento da Adutora da Fé, que recebeu R$ 47 milhões em investimentos. A estrutura transporta água do Rio São Francisco até a cidade. Além disso, foi autorizada a contratação da segunda etapa do projeto, que terá 95,2 quilômetros de extensão e R$ 258,7 milhões em recursos para beneficiar comunidades de Riacho de Santana, Igaporã e outras 53 localidades rurais.

Outro projeto entregue foi a ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Paramirim. Iniciado em 2011, o sistema foi readequado e recebeu R$ 26,5 milhões da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O novo sistema atende cerca de 20 mil habitantes.

Por fim, foi assinada a ordem de serviço para o projeto de captação de água do Canal do Sertão Baiano, no trecho Salitre. A estrutura terá 10,6 quilômetros de extensão e um investimento de R$ 118,8 milhões para levar água do Rio São Francisco a municípios como Tourão/Poções, Itapicuru, Jacuípe e Vaza-Barris.

Com essas iniciativas, o governo federal busca ampliar o acesso à água no semiárido baiano, garantindo melhorias para a população e reforçando o combate aos impactos da seca na região.

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Aliados preveem Bolsonaro condenado até o fim do ano e descartam anistia no STF

Defesa do ex-presidente aposta em manobras políticas, mas julgamento pode ser acelerado para evitar impacto nas eleições de 2026

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Aliados de Jair Bolsonaro (PL) projetam que o Supremo Tribunal Federal (STF) busque uma condenação do ex-presidente até dezembro deste ano, impedindo que o caso se estenda para o período eleitoral de 2026. A estimativa leva em conta o ritmo dos julgamentos recentes da Corte e a pressão para que a decisão não interfira na disputa presidencial.

Bolsonaro foi indiciado em novembro do ano passado pela Polícia Federal sob acusações de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, crimes que podem levar a uma pena de até 28 anos de prisão. Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa o relatório final da investigação e deve apresentar a denúncia formal ainda em fevereiro.

A partir da acusação, o processo avançará para a Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino, que avaliará se há elementos suficientes para a abertura de uma ação penal. A expectativa nos bastidores é de que a denúncia seja aceita por unanimidade. Se o cronograma for seguido conforme as projeções dos aliados mais cautelosos do ex-presidente, o julgamento poderá ocorrer entre outubro e dezembro de 2025, com possibilidade de Bolsonaro recorrer antes de uma eventual ordem de prisão.

Apesar das movimentações no Congresso para aprovar um projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, a proposta não deve prosperar. Mesmo que avance entre parlamentares alinhados a Bolsonaro, a avaliação interna do grupo é que o STF derrubaria a medida rapidamente. “A anistia não sobrevive 15 dias no Supremo”, admitiu um interlocutor bolsonarista.

Diante desse cenário, aliados do ex-presidente apostam em estratégias para adiar ao máximo o desfecho do caso. No entanto, a avaliação predominante entre juristas é de que, caso a condenação ocorra, o STF poderá impor restrições imediatas, impactando diretamente o futuro político de Bolsonaro.

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Governo Federal amplia recursos para a saúde na Bahia em R$ 200 milhões

Medida tem o objetivo de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado e integra o Pacto Bahia pela Saúde para melhorar os serviços especializados em hospitais e unidades estaduais, além de garantir mais recursos para o atendimento à população

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (05/02), a ampliação dos repasses destinados à saúde pública da Bahia em R$ 200 milhões, reforçando o compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. A medida, oficializada pela Portaria GM/MS nº 6.594, de 4 de fevereiro de 2025, foi publicada no Diário Oficial da União e tem efeito retroativo a janeiro deste ano. Os recursos serão direcionados ao limite financeiro de Média e Alta Complexidade (MAC) da Bahia, garantindo o fortalecimento dos serviços especializados em hospitais e unidades de saúde geridas pelo Governo do Estado.

Este incremento financeiro faz parte da contribuição do Governo Federal ao Pacto Bahia pela Saúde, uma iniciativa coordenada pelo governo estadual que une os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e diversas entidades para regionalizar e qualificar os serviços de saúde prestados à população baiana.

Para a secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, a ampliação dos recursos reflete a sensibilidade do presidente Lula e da Ministra da Saúde, Nísia Trindade, em relação às necessidades da população baiana. “Esse gesto reforça a parceria entre os governos estadual e federal, garantindo mais assistência e dignidade para os baianos”, afirmou Santana.

A portaria determina que os recursos sejam transferidos de maneira regular e automática do Fundo Nacional de Saúde para o Fundo Estadual de Saúde da Bahia, proporcionando previsibilidade financeira para a gestão dos serviços de saúde. Os recursos fazem parte do programa orçamentário Atenção à Saúde da População para Procedimentos de Média e Alta Complexidade, vinculado ao Ministério da Saúde.

Além do incremento federal, o governador Jerônimo Rodrigues anunciou, no dia 4 de fevereiro, um pacote de investimentos de R$ 2,07 bilhões para fortalecer a saúde pública nos municípios baianos. Os recursos serão destinados à ampliação da infraestrutura de saúde, com destaque para a construção de novas maternidades, unidades básicas de saúde (UBS), centros de reabilitação e unidades de atenção psicossocial. Também está prevista a expansão do Telessaúde e o reforço na assistência farmacêutica.

As prefeituras que aderirem ao Pacto Bahia pela Saúde assumem o compromisso de fortalecer suas redes de atendimento, assegurando a eficiência da atenção primária, da regulação e da execução de serviços contratualizados com qualidade. O repasse federal agora anunciado reforça o contínuo avanço da saúde pública na Bahia, garantindo a sustentabilidade e a ampliação da assistência hospitalar e ambulatorial de Média e Alta Complexidade.

Com a ampliação financeira, a Bahia se consolida como referência nacional na regionalização da saúde pública, buscando assegurar um atendimento mais qualificado e eficaz para sua população.

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União Brasil celebra manutenção de Nunes Marques na relatoria da Overclean

Decisão de Barroso frustra PF e mantém investigação sobre desvios na Bahia com ministro nomeado por Bolsonaro

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Caciques do União Brasil comemoraram a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que manteve com o ministro Nunes Marques a relatoria da Operação Overclean. A investigação apura desvios de verbas de emendas parlamentares na Bahia e irregularidades em contratos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), com um prejuízo estimado de R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos.

A Polícia Federal havia solicitado a redistribuição do caso para o ministro Flávio Dino, que conduz investigações sobre o uso de emendas parlamentares. No entanto, Barroso rejeitou o pedido, alegando que não há conexão direta entre os casos e que a relatoria deve permanecer com Nunes Marques, sorteado inicialmente para o processo. A decisão foi respaldada por pareceres técnicos da Secretaria Judiciária do STF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a livre distribuição da ação.

A investigação foi remetida ao STF após suspeitas recaírem sobre um deputado federal, garantindo-lhe prerrogativa de foro. A operação já identificou um sofisticado esquema de corrupção, no qual empresas de fachada e laranjas eram utilizadas para fraudar contratos públicos e lavar dinheiro oriundo de emendas parlamentares e convênios. Em 2024, suspeitos do esquema movimentaram R$ 825 milhões apenas em contratos firmados com órgãos públicos.

Entre os principais alvos da investigação estão políticos e empresários que operavam o esquema de desvios. Os empresários Alex Rezende Parente e Fábio Rezende Parente são apontados como articuladores do esquema, juntamente com José Marcos de Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”. Empresário do ramo de limpeza urbana, Moura operava contratos em 17 estados e fazia parte do diretório e da executiva nacional do União Brasil, partido liderado por ACM Neto. Registros mostram que ele esteve na Câmara dos Deputados ao menos 27 vezes em dois anos, participando de reuniões na liderança da sigla.

Além de Moura, no setor público a PF mira Lucas Lobão, ex-coordenador do DNOCS na Bahia durante o governo Bolsonaro, e Rafael Guimarães de Carvalho, atual coordenador do órgão no estado, acusado de favorecer empresas em contratos superfaturados. Também estão sob investigação Francisquinho Nascimento, vereador de Campo Formoso e primo do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), e Flávio Henrique de Lacerda Pimenta, servidor da Secretaria de Educação de Salvador.

Durante as diligências, foram apreendidos mais de R$ 3 milhões em espécie, 23 carros de luxo, três barcos, três aeronaves, seis imóveis de alto padrão, além de relógios e joias. Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

Diante do avanço da investigação, a cúpula do União Brasil discute a possível expulsão de José Marcos de Moura do partido, na tentativa de se desvincular do escândalo. O desfecho da disputa judicial gerou reações políticas, sobretudo entre lideranças da sigla, que viram na manutenção de Nunes Marques um alívio. O ministro, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sido alvo de críticas por decisões alinhadas à ala conservadora e por posições que, em alguns casos, beneficiam investigados ligados ao centrão.

Nos bastidores, a decisão de Barroso é interpretada como um revés para a PF, que esperava ampliar o escopo das investigações sob a condução de Dino. A Operação Overclean segue em andamento, com desdobramentos que podem atingir novas figuras políticas ligadas ao esquema.

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