Deputado acusa escola de promover “magia afro” em aula optativa, e projeto de lei propõe liberar cultos religiosos nas escolas

Discussão sobre ensino religioso em escolas públicas reacende debate sobre a laicidade do Estado e a liberdade de expressão cultural

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Uma postagem do deputado distrital Pastor Daniel de Castro (PP) acusando uma professora do Centro Educacional do Lago (CEL), em Brasília, de incitar “rituais de magia e religião afro” em uma disciplina optativa gerou polêmica. O parlamentar afirmou que a professora estaria “fazendo rituais de magia em sala de aula” e a denunciou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), acusando-a de “incitar crianças a falar nomes de deuses de religiões africanas”. No entanto, a disciplina em questão é uma eletiva sobre História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, facultativa aos alunos e que integra conhecimentos aprovados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O vídeo do deputado nas redes sociais, onde ele alega que a prática “incute religião afro nas crianças” e que “isso é um crime”, foi amplamente criticado pela comunidade escolar, que reagiu com uma nota de repúdio do CEL. A nota destaca que a acusação “fere o direito de expressão cultural e religiosa” garantido pela Constituição, e aponta a medida como um possível caso de intolerância religiosa, diante do histórico de perseguições a religiões de matriz africana no Brasil.

A deputada Missionária Michele Collins quer permitir que alunos ou escolas realizem atos religiosos, como cultos e leituras bíblicas, independentemente de serem iniciativa dos próprios estudantes ou convocados pela escola

Essa polêmica se desenrola no contexto de um projeto de lei protocolado na Câmara pela deputada Missionária Michele Collins (PP-PE), que propõe liberar cultos religiosos em escolas públicas e privadas em todo o Brasil. A proposta visa permitir que alunos ou escolas realizem atos religiosos, como cultos e leituras bíblicas, independentemente de serem iniciativa dos próprios estudantes ou convocados pela escola.

Para Collins, “o Estado Laico deve proteger, e não excluir, a liberdade religiosa”, mas o projeto ignora o princípio da laicidade, essencial para garantir a neutralidade das instituições de ensino. Se aprovado, poderá abrir brechas para a imposição religiosa em um ambiente que, por definição constitucional, deve ser neutro e plural.

A questão central é a manutenção da laicidade do Estado, que deve assegurar um espaço público livre de privilégios religiosos, onde o conhecimento cultural e histórico seja transmitido sem favorecimento ou imposição de crenças. A laicidade é frequentemente confundida com ateísmo, mas, na verdade, representa a neutralidade necessária para a paz social e o respeito à pluralidade. O estudo da história e da cultura, incluindo as mitologias grega e romana, com referências a divindades, há muito integra o currículo escolar, sendo tratado como patrimônio cultural e histórico, sem acusações de “incitação a cultos pagãos”. Entretanto, a abordagem de culturas africanas e indígenas, muitas vezes, recebe reações de repúdio e é tratada com desconfiança, revelando o preconceito contra essas tradições.

Ao permitir manifestações religiosas em instituições públicas, como propõe o projeto, o Estado corre o risco de abrir espaço para favoritismos e para a imposição de determinadas crenças, um retrocesso em direção ao sectarismo. A preservação do Estado Laico não é apenas uma proteção jurídica, mas uma salvaguarda da liberdade e do respeito às diversidades culturais e religiosas que compõem a sociedade brasileira.

Ao contrário do que sugere a proposta, permitir uma religião específica em ambiente escolar público não amplia a liberdade religiosa; pelo contrário, restringe a pluralidade ao favorecer uma perspectiva em detrimento das outras. O ambiente escolar deve permanecer um espaço de aprendizado diverso e inclusivo, onde o ensino de diferentes culturas e religiões seja tratado com o respeito e a imparcialidade exigidos pela Constituição.

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PEC da Segurança Pública: Governo Lula propõe novas competências à PRF e ampliação de poderes federais

Proposta apresentada no Palácio do Planalto visa integrar forças e atribuir papel de polícia ostensiva à PRF, com vistas ao combate mais amplo ao crime organizado

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Na última quinta-feira, 31 de outubro, o governo federal apresentou aos governadores a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, que busca atualizar as políticas de segurança no Brasil ao incluir o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição e ampliar as atribuições das forças de segurança nacionais. A medida visa fortalecer o combate ao crime organizado, que passou a atuar não apenas de forma local, mas também de maneira interestadual e transnacional. Entre os principais pontos, destacam-se a concessão de competências de policiamento ostensivo à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a atualização das competências da Polícia Federal (PF), permitindo a ambas atuação mais abrangente na repressão de organizações criminosas.

A reunião contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e de governadores convidados, entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, que confirmou presença. Já Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, recusou o convite. Durante o evento, Lewandowski explicou os objetivos da PEC, destacando que a proposta não centralizará os sistemas estaduais, mas integrará informações e protocolos para maior eficiência no combate ao crime.

Principais mudanças e a inclusão do SUSP

Um dos pontos centrais da PEC é a constitucionalização do SUSP, com a meta de padronizar dados, informações e procedimentos operacionais, como boletins de ocorrência e certidões de antecedentes criminais. Segundo o Ministério da Justiça, atualmente há 27 modelos diferentes de documentação nos estados, o que dificulta o controle e a eficácia das investigações. A integração proposta, no entanto, não exigirá que os estados abandonem suas plataformas próprias, nem prevê o aumento do efetivo policial.

Além disso, a PEC atualiza o papel da Polícia Federal, permitindo sua atuação mais incisiva em crimes ambientais e contra milícias e organizações criminosas com atuação interestadual e internacional. A PRF, por sua vez, ampliaria seu escopo, passando a patrulhar não apenas rodovias, mas também ferrovias e hidrovias federais. O objetivo é facilitar o monitoramento de rotas usadas pelo tráfico de drogas e outras mercadorias ilícitas.

Transformação da PRF em polícia ostensiva federal

Um dos pontos mais debatidos foi a proposta de transformar a PRF em uma força de polícia ostensiva federal, o que gerou críticas de alguns governadores. Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, afirmou que a medida representa uma “interferência” na autonomia estadual para gestão da segurança pública. Lewandowski, no entanto, argumentou que o reforço federal evitaria, por exemplo, casos como os ataques de 8 de janeiro, em Brasília, quando as sedes dos Três Poderes foram depredadas. “Com uma Polícia Ostensiva Federal, teríamos feito nossa própria defesa”, afirmou o ministro.

A atuação ostensiva da PRF, contudo, já provocou controvérsias. Em fevereiro deste ano, 23 agentes da PRF e 16 policiais militares foram indiciados por homicídio e tortura após uma operação em Varginha (MG), em 2021, contra uma quadrilha de assaltos a banco, resultando em 16 mortes.

Impactos e perspectivas no Congresso

Além de integrar forças e padronizar o sistema de segurança, a PEC propõe alterações nos artigos 21, 22, 23, 24 e 144 da Constituição, ampliando o poder da União para estabelecer diretrizes gerais de segurança pública e penitenciária, sem, no entanto, modificar a autonomia dos estados. A PEC também constitucionaliza o Fundo Nacional de Segurança Pública e Política Penitenciária, assegurando recursos para políticas de combate ao crime organizado.

A PEC ainda não tem data para tramitação no Congresso, mas o governo federal prevê desafios. A gestão petista optou por deixar a proposta em análise na Casa Civil até o fim das eleições municipais, evitando que o tema influenciasse a campanha eleitoral.

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Quem será enganado: PT ou PL? Acordo com Hugo Motta para presidência da Câmara gera expectativa de traição

Imagem: Edição Caso de Política

Apoio simultâneo ao nome de Hugo Motta pelo PT e PL levanta suspeitas sobre promessas divergentes feitas para agradar ambos os lados; expectativa por desfecho revela disputa de interesses na Câmara dos Deputados

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O cenário na Câmara dos Deputados ganhou novos contornos com a decisão do União Brasil de apoiar Hugo Motta (Republicanos-PB) como candidato à presidência da casa. Com a retirada de Elmar Nascimento, principal concorrente, o caminho ficou aberto para Motta consolidar alianças com o PL, PP, MDB, Republicanos, Podemos e PT, que juntos somam 312 votos – bem acima dos 257 necessários para garantir sua vitória.

A surpresa é o alinhamento entre PT e PL em torno de Motta, apesar das suas divergências históricas. Esse apoio mútuo nos leva a considerar a possibilidade de que promessas de bastidores estejam em jogo, e que uma das partes pode sair “enganada”. Para o PL, a aposta parece estar na aprovação de pautas sensíveis, como o PL da Anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de estado no dia 8 de janeiro de 2022, o que explica a confiança expressa pela deputada Caroline De Toni (PL-SC) no futuro presidente. Por outro lado, o PT, com o aval de sua presidente Gleisi Hoffmann, demonstra segurança de que o projeto de anistia não será levado adiante, assegurando o compromisso dos votos petistas ao nome de Motta.

É evidente que Arthur Lira, atual presidente da Câmara, exerce controle firme sobre as articulações internas e figura como peça fundamental no avanço de Motta. A aliança improvável entre PL e PT, aparentemente costurada com promessas diferentes para ambos, expõe as complexidades da governabilidade e a tensão latente sobre quem, ao final, será verdadeiramente beneficiado caso Motta assuma a presidência.

O desfecho revelará qual das legendas sairá satisfeita – e qual delas se verá traída – com o resultado dessa costura pragmática.

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União Brasil realiza evento “Prefeito de Sucesso” para capacitar novos gestores em Brasília

Prefeitos eleitos participam de capacitação em gestão pública e recebem orientações sobre transição e planejamento estratégico para os mandatos de 2025

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O partido União Brasil, que elegeu 578 prefeitos nas eleições municipais de 2024, promove, em parceria com a Fundação Índigo, o evento “Prefeito de Sucesso” nos dias 6 e 7 de novembro, em Brasília. A iniciativa reúne 150 gestores eleitos para capacitação, com foco no aprimoramento da administração pública municipal. O evento contará com a presença de lideranças políticas do partido, como ACM Neto, Bruno Reis, Ronaldo Caiado e Antonio de Rueda, além de especialistas renomados na área de gestão pública.

O primeiro dia do encontro será dedicado a 100 prefeitos de primeiro mandato, com ênfase no processo de transição municipal e nas responsabilidades fiscais exigidas pelo cargo. Entre os prefeitos baianos que confirmaram presença, destacam-se Sheila Lemos (Vitória da Conquista), Otoniel Nascimento Teixeira (Barreiras), Murillo Ferreira Viana (Coribe), Débora Regis dos Santos Filha (Lauro de Freitas), Monalisa Gonçalves Tavares (Ibicaraí) e Bruno Reis (Salvador).

No segundo dia, além dos gestores estreantes, outros 50 prefeitos com experiência na administração pública participarão de treinamentos em planejamento estratégico e administração de programas municipais. O evento trará ainda palestras sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, equilíbrio financeiro e administração pública eficaz, ministradas por especialistas como o consultor Mauro Ricardo e o secretário da Casa Civil de Salvador, Luiz Carrera.

Além da capacitação, o encontro marca o lançamento do Guia de Transição e Planejamento Estratégico, material desenvolvido pela Fundação Índigo para apoiar os novos prefeitos na condução dos primeiros passos de suas gestões. O guia oferece uma abordagem prática para a estruturação de uma administração municipal baseada em metas e planejamento de longo prazo.

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DPVAT em 2025: Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Bahia e Sergipe retomam cobrança do imposto

Governadores aprovam volta do seguro obrigatório; decisão visa garantir indenizações para vítimas de trânsito, mas enfrenta resistência em outros estados

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Cinco estados brasileiros – Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Bahia e Sergipe – aprovaram a retomada da cobrança do DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres) para o próximo ano, após a extinção do seguro em 2020. A medida visa restaurar o pagamento de indenizações para vítimas de acidentes de trânsito e seus familiares, ressarcindo em casos de morte, invalidez ou despesas médicas.

O retorno, no entanto, não é uma decisão unânime: outros governadores afirmaram que não pretendem aderir à cobrança, avaliando que o novo DPVAT pode pressionar o orçamento da população. Nesses estados, motoristas terão que emitir o boleto diretamente, pois o imposto não estará incluído nos processos de licenciamento e IPVA locais.

Entre os governadores que aprovaram a volta do DPVAT estão Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo; Carlos Brandão (PSB), do Maranhão; João Azevêdo (PSB), da Paraíba; Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia; e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe.

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Mudanças no FGTS e Seguro-Desemprego levam Marinho a ameaçar demissão e coloca ajuste fiscal do governo Lula em xeque

Ministro do Trabalho endurece discurso e coloca em risco aliança com equipe econômica em meio à pressão por cortes no seguro-desemprego, abono salarial e FGTS

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, deixou claro nesta quarta-feira (30) que sua permanência no governo depende da preservação de benefícios trabalhistas essenciais, como a multa rescisória do FGTS e o seguro-desemprego. O posicionamento firme surge em resposta à possibilidade de cortes na área social, medida que está sendo avaliada pela equipe econômica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como parte de um pacote para equilibrar as contas públicas.

Questionado sobre sua reação caso as mudanças avancem, Marinho afirmou:

“Se eu for agredido, é possível [que eu saia]. Uma decisão sem minha participação em um tema meu é uma agressão”.

A fala expressa o incômodo do ministro com os estudos conduzidos pela equipe econômica, dos quais ele diz não ter participado, e destaca a tensão entre o Ministério do Trabalho e a Fazenda. A equipe econômica estaria considerando reformulações no seguro-desemprego e no abono salarial, além de revisar a multa do FGTS em casos de demissão sem justa causa.

Em uma entrevista sobre os dados do Caged, Marinho enfatizou que a proposta não foi levada ao conhecimento dos ministros.

“As áreas técnicas têm a obrigação de estudar, mas não é de bom comportamento vazar estudos não autorizados pelo ministro titular”, criticou, ao mencionar que qualquer alteração nesses temas trabalhistas exigiria seu aval, e não descartou entregar o cargo caso os cortes se concretizem sem sua aprovação.

Marinho, aliado de longa data de Lula desde os tempos de sindicalismo em São Bernardo do Campo, reforçou que só permanecerá no governo caso a integridade dos benefícios trabalhistas seja mantida. “Se nunca discutiu comigo, [a mudança] não existe. Eu sou o responsável pelo tema de trabalho no governo, a não ser que o governo me demita”, enfatizou.

Enquanto o governo de Lula enfrenta o desafio de conter o aumento das despesas obrigatórias para alcançar o prometido déficit zero em 2024, setores do mercado financeiro pressionam por medidas fiscais mais incisivas. Entre as ações em análise pela equipe econômica estão a reformulação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e cortes nos subsídios, e até o momento, o único eixo confirmado foi o pente-fino nos programas sociais, que espera recuperar R$ 26 bilhões. Restam ainda três eixos pendentes, que envolvem integração de políticas públicas, modernização das vinculações e revisão de subsídios da União, medidas que esbarram em forte resistência dos aliados do presidente Lula.

O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, já indicou que um “alinhamento” entre governo e Congresso será essencial para garantir o reequilíbrio fiscal, mas a necessidade de cortar despesas sociais para alcançar tal meta coloca o governo em um dilema: acomodar as exigências do mercado financeiro sem desagradar sua base de apoio popular. Como resposta, Marinho avisa que está preparado para defender seu território, ainda que isso signifique romper com a equipe econômica.

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Apoio do PL a Hugo Motta amplia negociações entre Lira e Lula para sucessão na Câmara

 

Em um cenário de alianças inusitadas, o apoio do PL ao candidato de Lira gera tensões internas no PT, que enfrenta o desafio de conciliar interesses sobre temas polêmicos como a anistia aos golpistas de 8 de janeiro

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), indicado por Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara, obteve um apoio estratégico do Partido Liberal (PL), sigla de Jair Bolsonaro, na disputa pelo comando da Casa. Em uma decisão que surpreendeu até parlamentares mais experientes, o líder do PL, Altineu Côrtes (RJ), anunciou o apoio do partido a Motta, selando uma aliança que inclui, de forma inédita, tanto o PT de Lula quanto o PL de Bolsonaro em torno de um único nome.

No entanto, a adesão do PT ao candidato de Lira veio acompanhada de controvérsias. A pauta mais sensível envolve o PL da Anistia, que prevê perdão aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Parte da bancada petista manifesta resistência à tramitação do projeto, que segue para uma comissão especial após decisão de Lira. Integrantes do PT exigiam que Hugo assumisse o compromisso de não pautar a anistia caso eleito, condição não atendida pelo candidato. Enquanto isso, o PL pressiona pela aprovação da proposta, que também já foi formalmente apresentada como prioridade ao parlamentar.

A base aliada de Lula vê o apoio do PT a Hugo Motta como um movimento inevitável, necessário para evitar a perda de espaços estratégicos na composição da Mesa Diretora e em comissões temáticas. Parlamentares petistas argumentam que a exclusão de Hugo dos compromissos do partido representaria um risco de isolamento no Congresso e poderia enfraquecer a coesão da base governista.

O próprio Lula, ao se reunir com lideranças do PT nesta semana, incluindo a presidente do partido Gleisi Hoffmann, sinalizou que não interferiria diretamente na decisão, mas solicitou que a sucessão na Câmara não prejudique a tramitação de pautas de interesse do Executivo, como a regulamentação da reforma tributária. Esse projeto, que avançou no plenário com a condução de Lira, é visto como essencial para o governo.

Outros nomes, como Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antonio Brito (PSD-BA), também se apresentam na disputa, ambos líderes de partidos com representantes no governo. Em resposta ao apoio a Motta, Nascimento criticou duramente Lira, acusando-o de agir como “líder do governo Bolsonaro” em sua primeira gestão e de impor consensos artificiais à Câmara.

A aliança entre PL, PT e Lira, mesmo que frágil, coloca Hugo Motta em vantagem e aponta para um alinhamento estratégico que visa reduzir disputas no Congresso. Entretanto, temas como a anistia aos golpistas e o controle da pauta legislativa expõem divisões internas na base aliada, sinalizando que a eleição para a presidência da Câmara pode ter consequências políticas de longo alcance tanto para Lula quanto para Lira.

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Eleições 2026: Lideranças do PT receiam que Lula não dispute reeleição

Com Lula potencialmente fora da disputa, nomes de peso como Rodrigo Pacheco (PSD) e João Campos (PSB) emergem como alternativas, impulsionando debates sobre o futuro da esquerda em 2026

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A incerteza sobre a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026 já está provocando movimentações dentro do PT e de partidos aliados. Embora Lula mantenha expressiva popularidade, a especulação sobre uma eventual saída do presidente da corrida eleitoral coloca o Partido dos Trabalhadores diante do desafio de buscar novos nomes que consigam manter a coesão da esquerda em um cenário político cada vez mais polarizado.

O nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), é um dos mais discutidos entre os aliados do PT, conforme fontes internas. Com uma trajetória marcada pela moderação, Pacheco poderia atrair eleitores tanto da base progressista quanto de setores mais conservadores, oferecendo uma alternativa à imagem polarizada de Lula.

Outro nome que vem ganhando força é o do prefeito de Recife, João Campos (PSB), cujo histórico político e imagem jovem podem ajudar a renovar a representação da esquerda junto ao eleitorado. Campos tem 30 anos, porém nasceu em 26 de novembro de 1993 e de acordo com o artigo 78 da Constituição Federal “São condições de elegibilidade à Presidência da República ser brasileiro nato e maior de trinta e cinco anos”.

Dados recentes de aprovação popular, como os divulgados pelo Datafolha e pela Quaest, refletem um cenário em que, embora 51% dos eleitores aprovem o governo, 45% o desaprovam, um quadro que deixa dúvidas quanto à capacidade de Lula em manter a popularidade até 2026. Caso o presidente opte por encerrar sua trajetória na vitória de 2022, o PT poderia enfrentar não só uma perda de cadeiras no Congresso, mas também a possibilidade de ver a Presidência nas mãos de uma gestão de direita nos próximos anos, segundo análises de lideranças petistas.

As incertezas sobre a candidatura de Lula acendem, assim, um alerta sobre a chamada “lulodependência” da esquerda. Sem um nome que reúna o carisma e a trajetória do ex-presidente, a coalizão de esquerda precisará redefinir seus rumos em busca de uma unidade capaz de competir em 2026.

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Gilmar Mendes anula todas as sentenças de Sergio Moro contra José Dirceu na Lava Jato

Ministro do STF estende entendimento de suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que já havia beneficiado o presidente Lula, às condenações de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, anulou todas as condenações impostas ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no âmbito da Operação Lava Jato. A decisão amplia o alcance do entendimento firmado pela 2ª Turma do STF, que anteriormente havia declarado o ex-juiz Sergio Moro suspeito em processos que envolviam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estendendo essa suspeição também às ações contra Dirceu.

Ex-ministro da casa Civil, José Dirceu

As condenações anuladas somavam 23 anos de prisão, com penas por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagem indevida, que haviam sido aplicadas pelo então juiz Sergio Moro em 2016. Em sua decisão, Mendes reforçou que a imparcialidade de Moro, questionada em processos contra Lula, também comprometeria a validade das sentenças proferidas contra outros réus no mesmo contexto judicial.

A medida é vista como um marco na reavaliação de decisões tomadas na Lava Jato, especialmente aquelas conduzidas por Moro em Curitiba. Em maio de 2018, Dirceu foi preso após ter o último recurso negado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que manteve as condenações em votação unânime. A anulação, agora decretada por Gilmar Mendes, abre espaço para uma reinterpretação jurídica que poderá influenciar outros processos da operação.

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PT enfrenta encolhimento na Grande SP e perde relevância política no Estado

Com apenas quatro prefeituras conquistadas em 2024, partido do presidente Lula vê redução drástica de eleitorado e influência

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O Partido dos Trabalhadores (PT), historicamente forte na Grande São Paulo e berço político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encolheu nas eleições municipais de 2024, conquistando apenas quatro prefeituras em todo o estado. Apesar de ter lançado candidaturas em 144 municípios paulistas, o PT obteve vitórias somente em Mauá, Matão, Santa Lúcia e Lucianópolis — cidades pequenas e com baixo peso eleitoral. Em Diadema, outra de suas tradicionais bases, o partido sofreu uma derrota importante, com o prefeito José de Filippi Jr. perdendo a reeleição para Taka Yamauchi (MDB).

O declínio de seu eleitorado foi expressivo. Em 2020, as prefeituras petistas no estado somavam quase 900 mil eleitores. Neste ano, o número caiu para 393 mil, mesmo mantendo a quantidade de prefeituras. Em cidades como Araraquara e Diadema, o PT já não conseguiu manter seu espaço, cedendo-o para localidades de menor relevância política, como Santa Lúcia e Lucianópolis, que possuem, somadas, apenas 8.661 eleitores.

Estratégia na capital paulista falha e PT recua

Em São Paulo, o PT abriu mão de lançar candidatura própria à prefeitura pela primeira vez, optando por apoiar Guilherme Boulos (PSOL), com Marta Suplicy como vice. A aliança buscava captar votos nas áreas periféricas da zona sul, onde o PT historicamente era forte. Contudo, a estratégia não deu o retorno esperado. Boulos foi derrotado pelo atual prefeito Ricardo Nunes (MDB), que venceu com 59,35% dos votos válidos. O resultado frustra a tentativa de articulação na capital, que pretendia consolidar uma frente de esquerda unida.

A perda da Grande São Paulo e o peso da Lava Jato

O PT perdeu força no estado de São Paulo desde 2016, ano marcado pelo avanço da operação Lava Jato e pelas condenações de lideranças petistas, incluindo o próprio Lula, que enfrentou prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Grande São Paulo, onde o partido nasceu e se consolidou nos anos 1980, refletiu as consequências do desgaste político: a sigla preservou apenas a prefeitura de Mauá, com Marcelo Oliveira reeleito, enquanto Diadema e outras bases tradicionais foram perdidas.

A redução das prefeituras no cinturão industrial simboliza o desmonte de um legado de décadas. Em 1982, o PT fez história ao eleger Gilson Menezes como prefeito de Diadema, seu primeiro grande feito na política municipal. Ao longo dos anos, o partido expandiu sua influência nas cidades operárias de São Bernardo do Campo e Santo André, tendo como expoentes Luiz Marinho e Celso Daniel, respectivamente. Hoje, no entanto, o partido encontra dificuldades em reconquistar o eleitorado.

O retorno de Lula ao Planalto e o impacto nas eleições locais

Nem a volta de Lula à presidência, em janeiro de 2023, foi suficiente para alavancar o PT nas eleições municipais. O presidente optou por uma participação discreta no pleito, evitando interferências diretas para não prejudicar alianças no Congresso, além de relatar cansaço e preocupações com segurança. A postura discreta, porém, não ajudou o desempenho do partido no estado que sempre foi um de seus maiores redutos.

O quadro atual mostra que o PT, mesmo após o retorno de Lula ao Planalto, enfrenta o desafio de reestruturar suas bases e recuperar sua imagem. A perda significativa de influência nas prefeituras paulistas aponta para a necessidade de o partido revisitar suas estratégias eleitorais e se reconectar com o eleitorado de um estado que, outrora, foi central para sua trajetória e expansão política.

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