Jaques Wagner passará por cirurgia no tornozelo e se afastará do Senado por até 40 dias

Líder do governo no Senado, Wagner será submetido a um procedimento cirúrgico e deverá retornar em novembro, durante a fase decisiva da regulamentação da reforma tributária.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, será submetido a uma cirurgia no tornozelo neste fim de semana e ficará afastado de suas funções em Brasília por até 40 dias. O procedimento, considerado necessário para corrigir um problema antigo, foi anunciado pelo próprio Wagner durante a reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). “Nada de grave, mas é um defeito que precisa ser consertado antes de se tornar permanente”, declarou.

Durante o afastamento, Wagner deve participar remotamente de algumas atividades, mas não poderá estar presente fisicamente no Senado. Ele explicou que ficará “no ar” em reuniões virtuais, porém impossibilitado de comparecer em eventos presenciais. O líder governista também revelou que o governo definirá um substituto interino para a liderança nesse período.

O afastamento do senador ocorre em um momento estratégico, coincidente com o avanço das discussões sobre a regulamentação da reforma tributária. Considerado um dos principais articuladores do governo, Wagner deve retornar em meados de novembro, a tempo de participar das votações finais da reforma no Senado.

O prazo de recuperação do senador é estimado entre 30 e 40 dias, período em que o governo precisará ajustar sua articulação política no Congresso.

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Número de prefeitas eleitas cresce 11% na Bahia e alcança 15% no Brasil no 1º turno das eleições de 2024

Foram eleitas 60 prefeitas na Bahia e 720 em todo o Brasil no primeiro turno. Apesar do avanço, mulheres ainda representam apenas 15% dos eleitos em comparação a 85% de homens.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – As eleições municipais de 2024 marcaram um crescimento significativo na representatividade feminina na Bahia e no Brasil. No estado, 60 prefeitas foram eleitas, um aumento de 11% em relação a 2020, quando 54 mulheres venceram. Agora, elas ocupam cerca de 14% das 417 prefeituras baianas. Em nível nacional, foram eleitas 720 mulheres, correspondendo a 15% do total de prefeitos escolhidos no primeiro turno.

Entre os municípios de médio e grande porte da Bahia, Sheila Lemos (União) foi reeleita em Vitória da Conquista com 58,83% dos votos, e Débora Regis (União Brasil) venceu em Lauro de Freitas com 59,61%. Mesmo com esse avanço, os homens ainda dominam 85% das prefeituras no estado, ocupando 357 administrações municipais.

O número de prefeitas eleitas no Brasil também cresceu em relação a 2020, quando o percentual de mulheres eleitas era de 12,1%. No entanto, o número de prefeitas ainda está abaixo da proporção de mulheres na população brasileira, que é de 51,5%, segundo o Censo de 2022 do IBGE.

A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) revelou que 15% das candidaturas para prefeituras em 2024 foram de mulheres, o maior percentual já registrado desde o ano 2000. Além disso, 154.344 mulheres se candidataram a prefeitas, vice-prefeitas ou vereadoras, representando 34% das candidaturas, enquanto os homens corresponderam a 66%.

Em termos percentuais, estados como Roraima (26,7%), Rio Grande do Norte (25,6%) e Paraíba (24,4%) lideram a presença feminina nas prefeituras. Em números absolutos, São Paulo e Minas Gerais, com 67 prefeitas cada, seguidos pela Bahia com 60, ocupam as primeiras posições no ranking.

A política de cotas eleitorais, que exige ao menos 30% de candidaturas femininas por partido, foi apontada como uma das responsáveis pelo aumento. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segue enfrentando fraudes ligadas a candidaturas fictícias, com novas regras para identificar e punir irregularidades.

Lista de prefeitas eleitas na Bahia em 2024:

  • Angical – Quinha (Avante) – 44,92%
  • Antas – Essioneide de Rani (PP) – 82,80%
  • Aporá – Carine De Ataíde (Avante) – 52,46%
  • Aracatu – Braulina (PV) – 57,37%
  • Araci – Keinha (PDT) – 61,51%
  • Arataca – Ferlú (PSD) – 60,55%
  • Banzaê – Patrícia (PT) – 59,38%
  • Boninal – Celeste (PT) – 57,33%
  • Cachoeira – Eliana (PT) – 40,81%
  • Canarana – Marleide Oliveira (PT) – 56,36%
  • Cansanção – Vilma Gomes a Mamãe (MDB) – 73,51%
  • Carinhanha – Chica Do PT (PT) – 47,22%
  • Conceição do Almeida – Renata (PSD) – 62,04%
  • Conceição de Jacuípe – Tania Yoshida (PSD) – 55,45%
  • Cotegipe – Professora Beatriz (PT) – 50,18%
  • Dário Meira – Mari (PP) – 75,22%
  • Glória – Vilma Negromonte (PP) – 55,63%
  • Governador Mangabeira – Manuela (PP) – 56,46%
  • Ibicaraí – Dra Monalisa (União Brasil) – 61,45%
  • Ibirapuã – Carla Chacara (PP) – 65,99%
  • Ipiaú – Laryssa Dias (PP) – 57,40%
  • Irará – Nassara (MDB) – 53,84%
  • Itapitanga – Glis Dórea (Avante) – 59,84%
  • Itatim – Daiane (PSD) – 68,00%
  • Iuiú – Valdinha (PSD) – 54,22%
  • Jacobina – Valdice (PMB) – 46,86%
  • Jaguaquara – Edione Agostinone (PT) – 66,72%
  • Laje – Jaci Reis (PSD) – 51,58%
  • Lamarão – Pró Ninha (PT) – 51,48%
  • Lauro de Freitas – Débora Regis (União Brasil) – 59,61%
  • Lençóis – Vanessa Senna (PSD) – 82,44%
  • Livramento de Nossa Senhora – Joanina (PSB) – 68,45%
  • Macarani – Selma Souto (PSD) – 63,15%
  • Maiquinique – Valéria Silveira (PV) – 53,42%
  • Matina – Olga Gentil (PSD) – 62,31%
  • Monte Santo – Silvania Matos (PSB) – 64,09%
  • Morro do Chapéu – Juliana Araújo (PDT) – 70,28%
  • Mortugaba – Cássia (PSB) – 60,91%
  • Mucugê – D Ana (PSB) – 75,78%
  • Mundo Novo – Ana Paula (PSD) – 50,54%
  • Muritiba – Rose (PSD) – 64,39%
  • Nilo Peçanha – Jacque (Podemos) – 52,17%
  • Nordestina – Eliete De Ito (PSD) – 50,65%
  • Nova Viçosa – Luciana (União Brasil) – 68,32%
  • Pé de Serra – Zeide (União Brasil) – 52,12%
  • Piritiba – Leandra Belitardo (Solidariedade) – 51,48%
  • Poções – Dona Nilda (PCdoB) – 53,80%
  • Ponto Novo – Doutora Fabiane (PSD) – 80,94%
  • Presidente Tancredo Neves – Quinha (Avante) – 50,38%
  • Ribeira do Amparo – Teti Britto (MDB) – 57,29%
  • Salinas da Margarida – Professora Mara (PSD)
  • São Sebastião do Passé – Nilza da Mata (PSD) – 64,94%
  • Sento Sé – Giselda Carvalho (PT) – 68,60%
  • Taperoá – Kitty Guimarães (Avante) – 68,54%
  • Teolândia – Rosa (Avante) – 56,35%
  • Ubaitaba – Gracinha Viana (Avante) – 51,04%
  • Uibaí – Aidinha (PSD) – 58,17%
  • Uruçuca – Magnolia Barreto (União Brasil) – 59,72%
  • Várzea Nova – Daiane (PCdoB) – 52,15%
  • Vitória da Conquista – Sheila Lemos (União Brasil) – 58,83%
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Lançamento de “Kiriris” destaca a cultura audiovisual em Barreiras

Foto: Ôpa Conteúdo

O curta-metragem “Kiriris” estreia em 17 de outubro de 2024, às 19h30, celebrando a resistência dos povos indígenas em Barreiras

O aguardado lançamento de “Kiriris” ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 17 de outubro de 2024, às 19h30, no Centro Cultural de Barreiras, celebrando não apenas a produção audiovisual local, mas também a resistência cultural dos povos indígenas. O curta-metragem, dirigido por Gustavo Ribeiro, sócio proprietário da produtora Ôpa Conteúdo!, explora a luta dos povos originários por sua sobrevivência em meio às ameaças territoriais.

A trama, estrelada pela jovem atriz mirim Indyohanny Batista, traz à tona a batalha dos povos indígenas para preservar suas terras e sua cultura. “É emocionante ver o projeto ganhar vida e a reação do público. O filme traz uma mensagem poderosa que precisa ser ouvida”, comentou Gustavo Ribeiro. O filme já gera expectativas sobre sua participação em festivais e concursos.

Cena impactante de “Kiriris”, retratando a luta dos povos indígenas pela preservação de suas terras e cultura | Ôpa Conteúdo

O foco principal de “Kiriris” é a resistência dos povos indígenas e sua luta para manter viva sua identidade em um cenário de constante redução de território. A cacique Rosivania Batista, uma das principais proponentes do projeto, destacou a importância do filme: “‘Kiriris’ não é apenas um filme, é uma forma de resistência e um meio de dar voz ao nosso povo”.

A produção foi viabilizada pelo edital da Lei Paulo Gustavo, uma vitória significativa para a Aldeia Kiriri. Gustavo Ribeiro reforçou a importância do apoio: “Agradecemos ao Governo Federal e à Prefeitura de Barreiras por apoiar a cultura e aplicar o edital em nosso município. Juntos, conseguimos contar uma história que é nossa”.

O processo de filmagem incluiu dinâmicas de integração conduzidas pelo professor de teatro Ramon Sousa, que ajudaram o elenco a se conectar profundamente com a narrativa. “Essas atividades foram essenciais para construir um ambiente colaborativo e autêntico”, afirmou Gustavo.

Kiriris” mostra a resistência dos povos indígenas em uma narrativa visualmente rica e cheia de simbolismo | Ôpa Conteúdo

Além da exibição presencial no Centro Cultural de Barreiras, o filme também será lançado no YouTube, ampliando o acesso ao público de outras regiões. A entrada para a estreia será gratuita, garantindo que todos possam participar dessa experiência cinematográfica.

A estreia de “Kiriris” fortalece a cultura audiovisual da região e promove uma reflexão sobre a identidade e os desafios enfrentados pelos povos indígenas. A narrativa promete sensibilizar e engajar o público, com uma história poderosa e envolvente.

Indyohanny Batista, atriz mirim revelação de “Kiriris”, estreia com atuação emocionante no curta sobre resistência indígena | Foto: Ôpa Conteúdo

A atuação de Indyohanny Batista, em sua estreia como protagonista, já é vista como uma revelação no cenário artístico. Sua performance em uma história tão rica em simbolismo é apontada como um dos destaques do filme.

Os organizadores estão confiantes no impacto que o filme terá no público. “Estamos ansiosos para compartilhar essa história e esperamos que todos se sintam parte dela”, concluiu Rosivania Batista, reforçando o clima de expectativa para o lançamento.

Momento de tensão em “Kiriris”, onde a protagonista enfrenta os desafios que ameaçam seu território ancestral | Ôpa Conteúdo

Kiriris” vai além de um simples curta-metragem: ele é um manifesto de resistência cultural e reafirma o papel transformador da arte. A obra coloca Barreiras em destaque no cenário audiovisual baiano, refletindo a força da cultura local e sua capacidade de tocar corações.

Reposição de estoque do Aquífero Guarani é insuficiente, mostra estudo

Problema causa preocupação em áreas de grande produção agrícola

Agência Brasil – Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Geociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro percebeu que a reposição de águas do Aquífero Guarani está abaixo do necessário para garantir a manutenção da quantidade disponível no reservatório, que se estende por áreas do Sul e Sudeste do país, além de Paraguai, Uruguai e Argentina. O reservatório atende 90 milhões de pessoas, sendo responsável pela manutenção do nível de rios e lagos em algumas áreas do interior paulista durante o período de seca.

Em entrevista à Agência Brasil, o pesquisador Didier Gastmans, do Centro de Estudos Ambientais da Unesp Rio Claro, explicou que a pesquisa buscou entender a importância da chuva na entrada de águas novas no aquífero, nas áreas de afloramento (superfície), e que foi possível confirmar esse papel. Ele acompanha o tema desde 2002, em seu doutorado, e todas as pesquisas desde então apontam que os efeitos de superexploração do reservatório são constantes, contínuos e tem piorado com a mudança de distribuição das chuvas na área de afloramento, que alimenta o aquífero. O problema causa preocupação em áreas de grande produção agrícola e população, como Ribeirão Preto, no norte paulista, onde os primeiros efeitos são sentidos desde a década de 1990. “Agora começou a aumentar muito o número de poços e isso começa a dar sinais em diversas regiões do interior”, disse Gastmans.

O geólogo afirmou que os indícios de superexploração estão claros no monitoramento dos poços e do nível dos reservatórios, atingindo aqueles próximos das regiões de afloramento, que têm níveis de dois a três metros mais baixos, em média, mas também os grandes poços de exploração para indústria e agronegócio, nos quais o rebaixamento atinge médias de 60 a 70 metros em dez anos. Nessa dinâmica “a água tem uma determinada profundidade no poço e vai baixando, o que demanda poços mais profundos e bombas mais potentes. Na porção oeste (do estado de São Paulo) a gente fala de grandes produtores e sistemas para abastecimento público. Pequenos produtores já sentem esse impacto em algumas regiões próximas da área de afloramento”, esclareceu.

Esse rebaixamento dos níveis chega, em determinados pontos, a até 100 metros, considerável até para as dimensões do Aquífero, que tem níveis com 450 metros de espessura do reservatório, chegando a até 1 quilômetro de profundidade. A maior parte do consumo do Guarani é para o abastecimento urbano, e ao menos 80% dela se concentram no estado de São Paulo.

Um dos fatores que preocupa no curto prazo é que a chuva nas regiões de superfície, a partir das quais há recarga no aquífero, são muito concentradas, situação na qual apenas uma pequena parcela de chuva infiltra para o subsolo e ocorre um escoamento maior e infiltra menos. Também há impacto do aumento da evaporação nas áreas de superfície, causado pelo aumento da média de temperatura nas regiões.

Gastmans criticou a falta de um conjunto claro de ações por parte dos órgãos públicos, afirmando que a primeira ação necessária é conhecer os usuários. “É necessária a implantação de um sistema de monitoramento em tempo quase real, para conhecer e dimensionar os atendimentos e as políticas de curto e médio prazo”. O segundo é consorciar água subterrânea e água superficial, para usar de maneira integrada de acordo com a disponibilidade sazonal. “Também se faz necessário pensar no planejamento futuro: sempre se fala em desenvolvimento, mas os gestores parecem ignorar que não existe desenvolvimento plenamente sustentável, pois todo desenvolvimento tem um impacto e essas pessoas precisam começar a se antecipar aos problemas”. O pesquisador da Unesp defendeu ainda a necessidade de pensar no uso de águas de melhor qualidade para abastecimento público e de águas de menor qualidade para outros usos, como irrigação de áreas extensas do setor sucroalcooleiro e de cítricos e uso industrial.

Procurada pela reportagem, a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) informou que monitora todos os estudos relacionados à recarga do Aquífero Guarani e dos demais corpos d’água do estado. Segundo o órgão “a gestão do aquífero é realizada de maneira integrada com outros recursos hídricos, visando garantir o equilíbrio entre as demandas de uso e a preservação ambiental”. A maior parte da captação de água no estado de São Paulo se concentra em fontes superficiais (rios e lagos), sendo a captação em poços profundos, que acessam o Aquífero Guarani, a menor parcela do total dos recursos hídricos. “Toda captação de água no estado está sujeita à outorga, concedida somente após criteriosa análise técnica”.

Origem das águas

A pesquisa conduzida pela Unesp, com o apoio da Fapesp, agência paulista de amparo à pesquisa, usou o monitoramento de isótopos estáveis de hidrogênio e oxigênio como marcadores para identificar a origem das águas que compõem o reservatório, o que permitiu perceber as áreas de superfície que colaboram para a manutenção dos níveis do Aquífero Guarani. Também usaram um processo de datação com isótopos dos gases criptônio e hélio para datar a água de alguns poços, o que permitiu detectar idades variando de 2.600 anos, em Pederneiras, até 127 mil anos em Bebedouro, 230 mil anos em Ribeirão Preto e 720 mil anos no Paraná.

A pesquisa How much rainwater contributes to a spring discharge in the Guarani Aquifer System: insights from stable isotopes and a mass balance model pode ser acessada aqui.

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Saiba os partidos que mais elegeram vereadores no Brasil em 2024

MDB lidera com folga, mas partidos de direita como PL e Republicanos registram crescimento expressivo nas câmaras municipais

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O MDB manteve a liderança nas eleições de 2024 como o partido que mais elegeu vereadores no Brasil. A legenda conquistou 8.109 cadeiras, consolidando sua posição histórica de hegemonia nas câmaras municipais e registrando um aumento de 757 postos em relação às eleições de 2020.

O PP aparece em segundo lugar, com 6.947 vereadores eleitos, seguido de perto pelo PSD, que alcançou 6.622 cadeiras. O PSD, criado em 2011, tem se firmado como uma das principais forças políticas municipais, consolidando sua presença legislativa nas cidades.

Uma das surpresas desta eleição foi o crescimento do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que elegeu 4.957 vereadores, um salto significativo comparado aos 3.463 vereadores eleitos em 2020. O Republicanos também registrou um aumento expressivo, conquistando 2.068 cadeiras a mais que na eleição anterior, totalizando 4.642 vereadores.

Já no campo da esquerda, o PT reverteu a tendência de queda registrada em 2020, elegendo 3.127 vereadores – um crescimento em relação aos 2.667 eleitos naquele ano. No entanto, o PSOL teve um pequeno recuo, elegendo 80 vereadores, 13 a menos do que em 2020.

Por outro lado, partidos tradicionais como o PSDB e o Cidadania sofreram grandes perdas. O PSDB perdeu 1.397 cadeiras em comparação com 2020, caindo para 3.002 vereadores. Já o Cidadania teve uma queda ainda mais acentuada, passando de 1.582 para apenas 437 vereadores eleitos em 2024.

Esses números refletem um realinhamento político no Brasil, com a direita consolidando sua força nas câmaras municipais e a esquerda lutando para recuperar espaço, especialmente diante do crescimento expressivo do bolsonarismo nas bases locais.

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Bolsonaristas aprovam pacote que limita STF, mas Lira deve travar avanço na Câmara

Propostas que restringem poderes do STF avançam na CCJ, mas enfrentam resistência de Arthur Lira, que busca evitar confronto com o Judiciário.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (9), um conjunto de medidas que visam limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre elas, duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que restringem decisões monocráticas dos ministros e permitem ao Congresso suspender deliberações da Corte consideradas como extrapolando suas funções. A ofensiva, liderada por parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrentará, no entanto, uma barreira: Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, que deve impedir o avanço das propostas.

Lira, que se aproxima do fim de seu mandato à frente da Casa, em fevereiro de 2025, tem pouco interesse em ampliar o desgaste com o STF. Além de ser conhecido por sua habilidade pragmática em costurar acordos e evitar crises institucionais, Lira entende que, com o curto prazo restante de sua presidência, uma escalada de tensão entre os poderes pode comprometer sua capacidade de manobra política. Ele precisará do apoio tanto do Judiciário quanto de outros setores da política para futuras articulações, inclusive caso decida por novos voos em sua carreira política.

Outro fator que pesa contra o avanço do pacote é a questão jurídica. Ministros do STF já expressaram preocupações com a legitimidade das PECs, alegando que, segundo a Constituição Federal, qualquer alteração nas regras do Judiciário deve ser proposta pelo próprio Poder, e não pelo Legislativo. Este “vício de origem” representa um obstáculo quase intransponível para as PECs, uma vez que sua aprovação, mesmo se levada adiante, enfrentaria inevitável contestação na Corte, que poderia declarar sua inconstitucionalidade. Esse cenário abriria uma nova crise institucional, um terreno que Lira, estrategicamente, parece evitar a todo custo.

A aprovação dessas propostas na CCJ ocorre em um contexto delicado. O STF, liderado por ministros como Flávio Dino, está imerso em uma série de ações que ampliam o controle sobre a transparência de emendas parlamentares, como as RP8 e RP9. As emendas RP8 referem-se às emendas apresentadas pelas comissões permanentes do Congresso, com foco em projetos de interesse coletivo. Já as emendas RP9, conhecidas como “orçamento secreto”, permitem ao relator-geral do Orçamento distribuir recursos públicos de maneira menos transparente, sem identificação clara dos beneficiários. Essa falta de clareza na destinação dos recursos das RP9 levantou preocupações de abusos e corrupção, e o STF suspendeu temporariamente seu uso. Lira, ao bloquear o avanço de propostas que limitam os poderes da Corte, evita inflamar ainda mais as tensões geradas por esses embates sobre a alocação de emendas.

Análise política e consequências

Ao bloquear o andamento do “pacote anti-STF”, Lira reafirma seu papel de negociador que, mais do que servir a uma base bolsonarista radicalizada, busca manter as pontes entre os poderes. Essa estratégia poderá preservar sua influência e evitar atritos desnecessários com o STF, crucial para qualquer presidente da Câmara que almeje relevância futura. No entanto, ao fazer isso, Lira também corre o risco de perder apoio de setores mais extremistas dentro de sua base, que pressionam por uma postura mais combativa contra o Judiciário.

As consequências desse movimento serão sentidas tanto no curto quanto no longo prazo. No imediato, uma tensão abafada entre Legislativo e Judiciário será mantida sob controle, ao menos até o fim da atual legislatura. No entanto, a pressão da ala bolsonarista para avançar com medidas contra o STF pode continuar crescendo, especialmente diante de um Congresso mais polarizado. Se Lira ceder a essas pressões, o Brasil poderá enfrentar uma crise de governabilidade mais profunda, com reflexos negativos sobre a estabilidade política e institucional do país.

Em resumo, Lira está diante de um equilíbrio delicado: ao barrar o avanço do pacote, ele preserva a estabilidade momentânea, mas pode enfraquecer seu capital político junto a um segmento importante de sua base de apoio.

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Primeiro turno das eleições registra 515 prisões por crimes eleitorais em todo o país

Com mais de 2.600 crimes eleitorais registrados, boca de urna e compra de votos lideram as ocorrências; 22 candidatos foram presos

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O primeiro turno das eleições municipais de 2024 foi marcado por 515 prisões e 2.618 crimes eleitorais em todo o Brasil, de acordo com o balanço parcial divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) às 19h30 deste domingo (6). Entre os detidos, 22 eram candidatos flagrados cometendo crimes eleitorais.

A prática de boca de urna liderou as infrações, com 1.057 registros. Em seguida, vieram os casos de compra de votos e corrupção eleitoral, que somaram 423 ocorrências. Outros crimes relatados incluíram propaganda eleitoral irregular (309), violação do sigilo do voto (203) e desobediência às ordens da Justiça Eleitoral (64).

As autoridades também apreenderam mais de R$ 520 mil em dinheiro, 47 veículos usados para transporte irregular de eleitores e 28 armas de fogo. As operações de fiscalização contaram com o apoio das polícias estaduais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança Pública.

O balanço final das ocorrências será divulgado na manhã desta segunda-feira (7), trazendo um panorama completo das irregularidades e prisões realizadas durante o pleito.

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Debate eleitoral na TV Oeste destaca a preparo de Tito, a fragilidade de Otoniel Teixeira e a mágoa de Danilo

Foto de Gabriel Pires/TV Oeste

Na noite de quinta-feira (3), o debate eleitoral promovido pela TV Oeste reuniu os candidatos à Prefeitura de Barreiras: Tito (PT), Danilo Henrique (PP) e Otoniel Teixeira (UB). Realizado em um formato dinâmico e interativo, o evento consistiu em quatro blocos de perguntas, onde cada candidato teve a oportunidade de questionar os adversários e defender suas propostas

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A reportagem do Caso de Política recebeu um convite da TV Oeste para participar de uma coletiva de imprensa com os três candidatos antes do início do debate que questionou Otoniel Teixeira, Danilo Henrique e Tito sobre as suas expectativas para o debate foram basicamente as mesmas, indicando inicialmente um clima de tranquilidade e de apresentação de propostas.

Porém, com um clima quente e de disputa prevista entre Danilo e Otoniel com uma série de trocas de farpas de ambos os lados, o Caso de Política perguntou ao candidato Danilo se o mesmo pretendia manter o tom elevado nas críticas ao atual governo municipal e ao candidato Otoniel Teixeira durante o debate. Ele respondeu: “Nesse debate de hoje? Muito pelo contrário! Eu sou o único candidato que elogia toda a gestão que já passou. Faço questão de elogiar e reconhecer, agora, o que tem que melhorar é a saúde, a educação, a desigualdade social, a cesta básica. Isso eu discuto, isso não é crítica, isso é uma constatação.”

A seguir, a reportagem do Caso de Política insistiu na pergunta:

Mas os candidatos estão trocando farpas na campanha oficial de vocês. Como que vai ser o tom hoje?”

Danilo respondeu:

Nunca ataquei ninguém! Minha campanha nunca atacou ninguém, muito pelo contrário. Ele (Otoniel) atacou meu avô o tempo todo, atacou a minha esposa, que está ali e está sendo processada por ele, me atacou o tempo todo. Tanto que eu ganhei um direito de resposta, porque não estou só atacando. Mas é isso que vai ser esse debate.”

O aguardado debate começou com um sorteio que definiu a ordem das perguntas. Danilo Henrique foi o primeiro a questionar Otoniel Teixeira sobre a mobilidade urbana, enfatizando a urgência de melhorias no trânsito e indagando sobre os recursos destinados à construção de uma ponte. “Candidato, o dinheiro da ponte está na conta? Qual é o saldo?” perguntou Danilo.

Otoniel Teixeira respondeu vagamente, destacando sua experiência como presidente da Câmara e a importância da mobilidade na cidade.

“Quando fui presidente da Câmara, fiz a maior economia e deixei recursos para construir essa ponte”, afirmou, explicando que a obra visa melhorar o trânsito e beneficiar a saúde pública.

Danilo, em sua réplica, foi incisivo:

“Candidato Otoniel, se não existe o dinheiro na conta, como você pretende ser prefeito? Você falhou como secretário.” A acusação de falta de fiscalização provocou uma reação imediata de Otoniel, que se defendeu afirmando: “A responsabilidade é do prefeito atual. O dinheiro economizado é para garantir a obra que beneficiará nossa cidade.”

A performance de Tito (PT) se destacou durante o debate, especialmente quando Otoniel o escolheu para responder sobre a educação em Barreiras.

“Candidato Tito, qual seu plano para a educação do nosso município?”, questionou Otoniel.

Tito aproveitou a oportunidade para criticar a atual gestão, destacando que Barreiras ocupa a 17ª posição entre os 417 municípios que possuem mais de 100 mil habitantes em termos de IDEB.

“A atual administração não cuidou da qualidade da educação e muito menos dos servidores públicos. Com relação aos precatórios do FUNDEB eles não foram utilizados corretamente e como deveriam, esses recursos deveriam ser utilizados para a valorização da educação e reconhecimento dos profissionais da educação”, disse. Ele propôs a formação contínua de professores e a implantação gradual de tempo integral nas escolas, enfatizando a necessidade de uma educação de qualidade e valorização dos servidores.

Na réplica, Otoniel defendeu os avanços da atual gestão, citando a aquisição de novos ônibus escolares e reformas em escolas, mas Tito foi firme em sua tréplica:

“Embora tenha havido investimentos, o dinheiro foi mal aplicado, e a cidade precisa de uma gestão competente. Os recursos dos precatórios do FUNDEB deveriam ser aplicados na educação e no reconhecimento dos professores, e isso não foi feito.”

Na sequência, Tito fez sua pergunta a Danilo Henrique, destacando a negligência do atual governo em relação às obras de drenagem, que resultam em alagamentos frequentes. Danilo se comprometeu a criar bacias de contenção e a investir em pavimentação. Porém, Tito argumentou que a solução requer parcerias com os governos estadual e federal, apontando para as dificuldades financeiras do município, que podem chegar a R$ 1 bilhão em dívidas contraídas.

O debate foi encerrado com os candidatos fazendo considerações finais. A troca de farpas e a exposição das fragilidades de Otoniel Teixeira foram evidentes, enquanto Tito se destacou por suas propostas claras e preparo político, deixando uma impressão positiva em sua trajetória no debate. O evento, marcado pela intensa discussão sobre os problemas da cidade, promete um cenário eleitoral acirrado em Barreiras, com as eleições se aproximando rapidamente no próximo domingo, 6 de outubro.

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TV Oeste barra participação de Davi Schmidt no debate eleitoral após decisão judicial

Candidato do Novo em Barreiras critica exclusão em vídeo nas redes sociais após vitória em primeira instância; emissora recorreu e derrubou direito à participação no debate

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A TV Oeste derrubou a decisão que havia garantido a participação de Davi Schmidt, candidato a prefeito de Barreiras pelo Partido Novo, no debate eleitoral previsto para a noite desta quinta-feira (03/09). Schmidt, que havia conquistado o direito de participar do evento em primeira instância, foi impedido de comparecer após a emissora recorrer da decisão, sustentada por uma nova interpretação da Justiça de Barreiras e do Ministério Público.

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o candidato apareceu com uma fita na boca, protestando contra o ocorrido.

“Gente, vocês não sabem o que aconteceu com o debate. Enquanto tem candidato aí que foge do debate, eu entrei na Justiça para participar do debate da TV Oeste e ganhamos a ação em primeira instância. Mas recorreram da decisão do Ministério Público e da Justiça de Barreiras, retirando o nosso direito democrático de participar”, desabafou.

A participação de candidatos em debates é regulada pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), que estabelece que apenas candidatos de partidos com representação superior a nove deputados federais têm a participação garantida. Candidatos de partidos com menor representatividade podem ser incluídos, mas a decisão cabe à emissora, desde que seja assegurada a presença de 2/3 dos candidatos aptos.

Com a exclusão de Davi Schmidt, a TV Oeste optou por seguir a regulamentação, utilizando a prerrogativa legal para definir os participantes do debate.

De acordo com as informações do Portal da Câmara dos Deputados o partido Novo tem apenas 3 deputados federal, sendo 1 do Rio Grande do Sul, 1 por Santa Catarina e 1 pelo Estado de São Paulo.

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Programa Voa Brasil vende 10 mil passagens a R$ 200 em dois meses

Número corresponde a 0,34% dos 3 milhões de bilhetes disponibilizados

Agência Brasil – O programa Voa Brasil comercializou cerca de 10,4 mil passagens para 68 destinos brasileiros desde que foi lançado, no fim de julho. O programa permite a compra de bilhetes a R$ 200 cada trecho, mais o valor da taxa de embarque.

O Voa Brasil é destinado a aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), independente da faixa de renda e que não tenham viajado nos últimos 12 meses.

Nesta fase inicial, a quantidade de passagens vendidas corresponde a cerca de 0,34% dos 3 milhões de bilhetes que foram disponibilizados a 23 milhões de aposentados. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), responsável pelo programa, o programa está em fase inicial e em plena expansão.

Desde o lançamento, a plataforma do Voa Brasil na internet já recebeu mais de 150 mil acessos de aposentados”, informou o Ministério à Agência Brasil.

O programa não conta com subsídio do governo federal para a aquisição de passagens aéreas, funcionando com base na liberdade de oferta das companhias aéreas parceiras.

Principais destinos

Nestes 58 dias de Voa Brasil, os destinos mais procurados foram São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Cerca de 45% dos voos do programa foram para o Sudeste e 40% para o Nordeste.

O município mais procurado pelos aposentados do INSS foi São Paulo, com 2.918 passagens adquiridas por aposentados vindos de 47 municípios. A cidade do Rio de Janeiro foi o segundo destino mais procurado, com a venda de 963 bilhetes, recebendo passageiros de 25 cidades.

No Nordeste, Fortaleza (CE) foi a cidade mais procurada pelos beneficiários do programa (922 passagens). De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, um em cada quatro bilhetes vendidos para a região no primeiro mês de funcionamento do Voa Brasil foi para aeroportos cearenses, sendo que os mais procurados foram os da capital, Fortaleza; Juazeiro do Norte, no sul do estado; e Jericoacoara, distrito do município de Jijoca, no litoral oeste do Ceará.

No Nordeste também, o Recife figura na quarta posição e foi a opção de destino de 775 passagens do Voa Brasil.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), responsável pelo programa de inclusão social da aviação civil, entende que o fato de haver procura por quase 70 destinos domésticos mostra que os aposentados têm procurado também cidades que não são grandes centros urbanos. “O Voa Brasil permite que o aposentado encontre tarifas baixas para visitar seus parentes ou cidades turísticas, fora do período de temporada”.

Como comprar

O Voa Brasil tem voos para todos os estados, alguns operados por mais de uma companhia aérea. Para acessar o sistema, é preciso ter conta perfil nível ouro ou prata no portal único de serviços digitais do governo federal, o gov.br.

Após o acesso, o sistema verifica se há oferta disponível nas companhias aéreas participantes. Caso não encontre voo para a cidade desejada, os interessados podem pesquisar por um município próximo ou em datas alternativas para a próxima viagem.

A dica do MPor é buscar a ida e a volta por empresas diferentes, para aumentar a possibilidade de encontrar passagens nas datas desejadas. Outra recomendação é planejar as viagens com antecedência e dar preferência a dias de menor procura, como de terça a quinta-feira, e períodos de baixa temporada, entre março e junho ou agosto e novembro.

O benefício é pessoal e intransferível, ou seja, apenas o titular poderá realizar a viagem. O limite de R$ 200 por trecho não inclui as tarifas de embarque cobradas no momento do pagamento. Os valores das tarifas de embarque variam conforme o aeroporto.

As passagens adquiridas pelo Voa Brasil dão direito a uma bagagem de mão (de até 10 quilos) e uma bolsa ou mochila pequena.

Voa Brasil

A estratégia do programa de Voa Brasil se baseia no aproveitamento de assentos disponíveis em voos com baixa ocupação e permite às companhias aéreas ajustar suas ofertas conforme a demanda. São as companhias aéreas que definem os trechos e a quantidade de assentos a serem disponibilizados dentro do programa.

As opções de pagamento são definidas pela companhia emissora das passagens aéreas, assim como os pedidos de reembolso. Em caso de cancelamento do bilhete, após a realização do pagamento a R$ 200 por trecho, não haverá restituição do valor.

O Ministério de Portos e Aeroportos esclarece que o governo federal não realiza o gerenciamento sobre rotas, datas, horários e assentos a serem ofertados pelas companhias aéreas no âmbito do programa. O governo federal também não pede para que seja feito pagamento via PIX no momento da compra.

A expectativa do Ministério de Portos e Aeroportos é lançar a segunda etapa do Voa Brasil no primeiro semestre de 2025, para incluir na lista estudantes de instituições de ensino público.