A Ilusão da verdade nas pesquisas eleitorais: quando o vento sopra de origem oculta

Imagem da internet

Em tempos de eleições, a sabedoria popular não se deixa enganar, discernindo entre ilusões e realidades ao escolher os rumos da cidade

Luís Carlos Nunes – “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão da verdade.” Em tempos de eleições, essa frase de autor desconhecido ecoa com um significado profundo, especialmente quando observamos o cenário político de Barreiras, onde as pesquisas eleitorais surgem como ventos inesperados, sem uma origem clara, mas com o poder de moldar percepções e influenciar decisões.

Essas pesquisas, que parecem brotar do solo árido da desconfiança, ganham vida nas sombras, alimentando um descrédito que se espalha como neblina sobre a população. Como em uma tempestade de areia, a visão se turva, e o que antes era claro se transforma em incerteza. Quem nunca se perguntou se os números apresentados refletem a realidade ou se são apenas ecos distorcidos de intenções ocultas?

É como se um maestro invisível regesse uma sinfonia de incertezas, onde as notas de cada resultado eleitoral desafiam a lógica e a razão. De repente, surgem índices que apontam para caminhos que ninguém havia traçado, valores que contradizem o sentir popular, e percentagens que se assemelham a miragens no deserto da desinformação.

Recentemente, um determinado candidato a prefeito, temeroso pelo resultado de uma pesquisa, chegou a ingressar na Justiça para impedir a sua divulgação. O levantamento, cheio de erros grotescos e uma análise superficial que em nada refletiu a realidade local, foi, após decisão judicial, acolhido como fato indiscutível. O destaque dado pelo referido candidato, no entanto, deixou de citar dados sobre a rejeição na área da saúde, a percepção da corrupção na cidade, entre outros dados relevantes que deveriam ter sido considerados.

Será que há uma mão oculta, uma força que manipula esses números como marionetes em um teatro de sombras, buscando se apoderar dos cofres municipais? Como um pescador lança sua rede em águas turvas, há aqueles que lançam pesquisas, esperando capturar a confiança dos desavisados, embalando-os em uma falsa sensação de segurança ou desespero.

Há nos bastidores e corredores da justiça uma intensa disputa por impugnações. Levantamentos que supostamente são favoráveis a candidato A são sumariamente alvo de judicialização por B e C, e vice versão, curioso não?

A ilusão da verdade se faz presente quando essas pesquisas, sem origem clara e sem metodologia comprovada, são apresentadas como se fossem oráculos infalíveis. A verdade, então, se torna um conceito elástico, moldado ao sabor de interesses inconfessos, onde o conhecimento verdadeiro é substituído por uma versão conveniente da realidade.

Ainda que pleitos anteriores, com suas próprias características e outros cargos em disputa, possam indicar uma tendência, é muito difícil mudar as fidelidades que já vêm sendo demonstradas nas urnas, ou não? Neste cenário, a população é convidada a caminhar sobre um campo minado de incertezas, onde cada passo pode ser guiado por informações manipuladas.

Vale ressaltar a sabedoria popular, que não se deixa enganar tão facilmente. Em sua essência, o povo sabe discernir o que é real do que é ilusão, escolhendo com clareza quais rumos deseja para sua cidade, seja na saúde, educação, assistência social ou em qualquer outra esfera vital para o desenvolvimento local.

A ignorância é uma coisa; podemos combatê-la com educação e esclarecimento. Mas a ilusão da verdade é mais perigosa, pois nos faz crer que estamos bem informados, quando na realidade estamos sendo conduzidos por um fio invisível, preso às mãos de quem detém o poder de criar e destruir narrativas.

Em Barreiras, onde as pesquisas eleitorais surgem sem aviso, é preciso cautela. Não podemos nos deixar seduzir pela miragem que elas representam. Em tempos onde a verdade pode ser uma construção efêmera, o desafio é maior: discernir entre o que é real e o que é ilusão, entre o que é conhecimento verdadeiro e o que é apenas uma sombra projetada na parede da caverna.

A verdadeira sabedoria reside em questionar, em não aceitar cegamente o que nos é apresentado. Pois, assim como o vento, as pesquisas podem soprar de qualquer direção, mas cabe a cada um de nós decidir se nos deixaremos ser levados ou se firmaremos os pés no chão da realidade, buscando a verdade que não se dobra às vontades de outrem.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Governo prevê salário-mínimo de R$ 1.509 e crescimento de 2,64% do PIB em 2025. Veja proposta

O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional o projeto de lei do Orçamento para 2025, que prevê um aumento de 6,87% no salário-mínimo, chegando a R$ 1.509. O valor reflete a aplicação da nova regra de correção automática, que considera a inflação e o crescimento do PIB. O piso salarial nacional hoje é de R$ 1.412.

Veja a proposta enviada pelo governo

Se for confirmado, o reajuste do salário-mínimo será aplicado a partir de janeiro, no salário que o trabalhador recebe em fevereiro. O valor definitivo, porém, só será conhecido em dezembro, com a divulgado o INPC de novembro, que serve de referência para a correção. O valor final do salário-mínimo em 2025 pode ficar maior caso o INPC até lá suba mais que o esperado. Com base na inflação acumulada de dezembro de 2023 e novembro de 2024, o governo enviará uma mensagem modificativa ao Congresso no início de dezembro.

O orçamento também destaca investimentos em áreas como saúde, com a previsão de R$ 241,61 bilhões, e educação, com R$ 200,49 bilhões. Os valores estão acima dos pisos previstos pela Constituição, de 15% da receita corrente líquida no caso da saúde e de 18% da receita líquida de impostos no caso da educação. Durante a vigência do teto de gastos, os dois mínimos constitucionais eram corrigidos pelo limite de 2016 corrigidos pela inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com o arcabouço fiscal, voltaram os limites antigos, calculados como percentuais da RCL e da RLI.

A proposta teve alterações em relação às estimativas de crescimento econômico para o próximo ano na comparação com os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que tramita desde abril. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 foi reduzida de 2,8%, na LDO, para 2,64% no projeto de lei orçamentária (PLOA).

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como índice oficial de inflação, subiu, de 3,1% para 3,3% para o próximo ano. Outros parâmetros foram revisados. A proposta do Orçamento prevê que a Taxa Selic (juros básicos da economia) encerrará 2025 com média de 9,61% ao ano, contra projeção de 8,05% ao ano que constava na LDO. A previsão para o dólar médio subiu de R$ 4,98 para R$ 5,19.

Bolsa Família

Em relação às políticas sociais, o texto destina R$ 167,2 bilhões ao Bolsa Família em 2025. Segundo o texto, está previsto o atendimento de 20,9 milhões de famílias no próximo ano com o benefício mínimo de R$ 600, acrescido do adicional de R$ 150 para cada criança de até seis anos e do adicional de R$ 50 para nutrizes e gestantes e para cada membro da família entre sete e 18 anos incompletos.

O projeto de lei do orçamento de 2025 prevê ainda R$ 38,9 bilhões para as emendas parlamentares impositivas. O valor é 3,46% maior que o deste ano.

Investimentos

Para impulsionar a economia, o governo destinará R$ 74,3 bilhões para investimentos em obras públicas e infraestrutura. O valor equivale ao piso de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estabelecido pelo novo arcabouço fiscal.

Do total a ser investido com recursos do Orçamento, R$ 60,9 bilhões virão do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além desse montante, o PAC terá R$ 166,6 bilhões de investimentos de estatais federais, que têm um orçamento próprio, também encaminhado nesta sexta ao Congresso.

Superávit

A proposta do governo prevê um pequeno superávit primário de R$ 3,7 bilhões, equivalente a 0,03% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas). O valor, no entanto, desconsidera o pagamento de R$ 44,1 bilhões em precatórios atrasados.

Caso os precatórios (dívidas judiciais com sentença definitiva) entrassem no cálculo, o Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – teria deficit primário de R$ 40,4 bilhões (0,33% do PIB) em 2025. No fim de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu a exclusão do cálculo da meta de resultado primário os pagamentos de precatórios parcelados por uma emenda constitucional de 2021.

O resultado primário representa o deficit ou superavit nas contas do governo sem os juros da dívida pública. Enviado ao Congresso em abril, o projeto da LDO de 2025 estabelece resultado primário zero (nem deficit nem superavit) para o próximo ano, com o orçamento seguindo essa meta. O novo arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, podendo variar entre 0,25 de deficit e 0,25 de superavit em 2025.

Meta fiscal

Para cumprir a meta de zerar o deficit, a mensagem presidencial enviada com o projeto de lei prevê que o governo continuará com medidas que busquem revisar benefícios fiscais à população mais rica. O governo também continuará a revisar gastos. Na última quarta-feira (28), os ministérios da Fazenda e do Planejamento detalharam as medidas para diminuir os gastos obrigatórios em R$ 26 bilhões no próximo ano.

Em relação às receitas, a mensagem presidencial citou medidas em votação ou já aprovadas pelo Congresso. Os destaques são a Medida Provisória 1.227, enviada em junho, que limita o aproveitamento de benefícios fiscais e obriga as empresas a detalharem à Receita Federal os incentivos utilizados, e a Lei 14.873/2024, que limitou as compensações tributárias, devoluções de tributos supostamente pagos a mais pelas empresas.

O texto também destaca leis que entraram em vigor no ano passado, mas que continuarão a aumentar a arrecadação em 2025, como a restituição do voto de desempate a favor do governo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e a recuperação de créditos tributários por meio do mecanismo de transações tributárias, negociações especiais entre o governo e empresas devedoras.

A proposta orçamentária também prevê que as despesas do governo federal crescerão 2,5% acima da inflação em 2025. A expansão equivale ao teto de 2,5% de crescimento real (acima da inflação) definido pelo novo arcabouço fiscal.

O marco fiscal permite que as despesas cresçam acima da inflação, dentro de uma banda entre 0,6% e 2,5%. O percentual de crescimento real (acima da inflação) está atrelado às receitas. Isso porque o novo marco fiscal estabelece que os gastos aumentem até 70% da alta real das receitas nos 12 meses terminados em junho do ano anterior ao do orçamento. Para 2025, o período de cálculo da inflação valerá entre julho de 2023 e junho de 2024.

Como o projeto do orçamento prevê crescimento de 5,78% das receitas acima da inflação no próximo ano, o aumento real das despesas, ao aplicar o percentual de 70% do crescimento das receitas, ficaria em 4,04%. O novo teto limita a expansão a 2,5%.

Em valores absolutos, a proposta prevê R$ 2,908 trilhões para as receitas primárias de 2025, o equivalente a 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Por sua vez, as despesas primárias totais do governo central estão projetadas em R$ 2,386 trilhões (19,3% do PIB). (Com informações da Agência Brasil)

“Pandemia” de bets avançou mais rápido que surto da covid-19 no Brasil

Pesquisa mostra que jogo aumenta ansiedade e altera humor

Agência Brasil – Vinte e cinco milhões de pessoas passaram a fazer apostas esportivas em plataformas eletrônicas nos sete meses iniciais de 2024, de janeiro a julho, uma média de 3,5 milhões por mês. Para se ter uma ideia dessa velocidade, o intervalo de tempo é maior do que o que o coronavírus levou para contagiar o mesmo número de pessoas no Brasil – 11 meses, entre 26 de fevereiro de 2020 e 28 de janeiro de 2021.

Em cinco anos, o número de brasileiros que apostaram nas chamadas bets chegou a 52 milhões. Do total, 48% são considerados novos jogadores – apostaram nos primeiros sete meses deste ano. Os dados fazem parte de pesquisa de opinião do Instituto Locomotiva, aplicada entre os dias 3 e 7 de agosto. O hábito de tentar a sorte nas plataformas eletrônicas atinge uma população no Brasil do mesmo tamanho do número de habitantes da Colômbia e superior à de países como Coreia do Sul, Espanha e Argentina.

O levantamento traçou um perfil dos apostadores de bets. Cinquenta e três por cento são homens e 47% são mulheres. Quatro de cada dez jogadores têm entre 18 e 29 anos; 41% estão na faixa etária de 30 a 49 anos; e 19% têm 50 anos ou mais. Oito de cada dez são pessoas das classes CD e E; e dois de cada dez são classe A ou B.

Sete de cada dez apostadores costumam jogar pelo menos uma vez ao mês. Sessenta por cento dos que já ganharam a aposta usam ao menos parte do valor do prêmio para tentar nova jogada. Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a facilidade de fazer aposta nos celulares à mão, o apelo publicitário das bets patrocinando times e campeonatos brasileiros, e a dinâmica do jogo são atrativos das plataformas de jogos online.

A pessoa aposta em quem vai fazer o gol, se o gol será feito no primeiro ou no segundo tempo, como ficará a tabela do Campeonato Brasileiro, se alguém vai tomar cartão vermelho ou não… Essa lógica faz com que alguma coisa o sujeito ganhe. No final ele perde mais do que ganha, mas essa sensação de ganho é uma sensação muito forte na cabeça dele. E isso acaba permeando esse imaginário de que está sempre ganhando”, diz o presidente do Instituto Locomotiva.

Nome sujo

O Instituto Locomotiva também verificou que 86% das pessoas que apostam têm dívida e que 64% estão negativados na Serasa. Do universo de pessoas endividadas e inadimplentes no Brasil, 31% jogam nas bets. “Quando uma pessoa endividada opta por apostar, muitas vezes na perspectiva de sair do endividamento, nós temos alguma coisa errada nisso”, pondera Renato Meirelles.

A situação econômica ajuda a entender por que “ganhar dinheiro” é a principal razão apontada para fazer apostas esportivas online (53%) – acima de “diversão/entretenimento/prazer” (22%); “emoção e adrenalina” (10%); “passar o tempo” (7%); “curiosidade” (6%); e “aliviar o estresse” (2%).

Meirelles considera o fenômeno das apostas esportivas eletrônicas “uma pandemia” com efeitos sobre a saúde mental. A pesquisa levantou informações e opiniões sobre o impacto psicológico das apostas. Sessenta e sete por cento dos entrevistados conhecem pessoas que “estão viciadas em apostas esportivas”.

Estado emocional

Entre os entrevistados, há quem acredite que o jogo aumente a ansiedade (51%); cause mudanças repentinas de humor (27%); possa gerar estresse (26%) e sentimento de culpa (23%). Quanto aos entrevistados que fazem apostas online, seis de cada dez admitem que a prática afeta o estado emocional e causa sentimentos negativos como ansiedade (41%); estresse (17%) e culpa (9%).

O relatório da pesquisa assinala descontrole entre parte dos apostadores. Segundo os dados, 45% dos entrevistados jogadores admitem que as apostas esportivas “já causaram prejuízos financeiros”, 37% dizem ter usado “dinheiro destinado a outras coisas importantes para apostar online” e 30% afirmaram ter “prejuízos nas relações pessoais”.

Mas também são apontados sentimentos positivos como emoção (54%); felicidade (37%) e alívio (11%). Para 42%, as apostas esportivas online “são uma forma de escapar de problemas ou emoções negativas.”

A pesquisa do Instituto Locomotiva entrevistou 2.060 pessoas, com 18 anos ou mais, de 142 cidades de todo o país. O levantamento foi feito entre os dias 3 e 7 de agosto, por meio de telefone em plataforma de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais em um intervalo de confiança de 95%.

O crescimento de apostadores a partir de janeiro deste ano ocorreu após a sanção da Lei 14.790/2023, que regulamentou a atividade das bets no Brasil. Atualmente, o Ministério da Fazenda analisa 113 pedidos de regulamentação das plataformas de aposta online.

Brasil, Austrália e Inglaterra: veja países onde Musk tem atritos

Multibilionário é proprietário da rede social X

Agencia Brasil – Controlada pelo multibilionário Elon Musk, a rede social X, o antigo Twitter, tem colecionado atritos com autoridades de diversos países, desde o Brasil, até a Austrália, a Inglaterra, o bloco da União Europeia (UE), a Venezuela, entre outros.

Enquanto na UE, no Brasil e na Austrália, Musk apela à retórica da “liberdade de expressão” irrestrita, na Índia e na Turquia, a plataforma X tem acatado decisões judiciais com suspensões de conteúdos e de perfis sem denunciar suposta “censura”. Na Índia, a plataforma excluiu das redes um documentário da mídia inglesa BBC crítico ao primeiro-ministro do país asiático, Narendra Modi.

Sede da plataforma X, no centro de São Francisco, na Califórnia – Reuters/Carlos Barria

No Brasil, Musk fechou o escritório da plataforma X e tem evitado prestar contas à Justiça brasileira. Ele é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das milícias digitais que apura a atuação de grupos que supostamente se organizaram nas redes para atacar o STF, seus membros e a eleição brasileira de 2022.

A especialista em direito digital Bruna Santos, gerente de Campanhas Global na Digital Action, destacou que, desde que assumiu a plataforma, Musk tem desmontado os setores da companhia de regulação de conteúdo.

Brasília (DF) 29/08/2024 – Bruna Santos, especialista em direito digital e gerente de Campanhas Global na Digital Action

Foto: Bruna Santos/Arquivo Pessoal

Musk tem se demonstrado mais refratário em países onde se tentou regular a internet de uma maneira um pouco mais efetiva, como caso da Austrália, onde estão discutindo a remuneração de conteúdo de jornalismo. Ou no caso do Brasil, onde a Suprema Corte está bastante ativa e tinha, até abril deste ano, uma discussão sobre uma possível nova regulação de plataformas digitais”, afirmou.

Representante da Coalizão por Direitos na Rede, Bruna acrescentou que, por outro lado, a plataforma tem colaborado com governantes que têm alinhamento com os posicionamentos do empresário, lembrando ainda que a monarquia da Arábia Saudita é um dos acionistas da plataforma.

[A plataforma] segue tomada por conteúdos ilegais. Conteúdos que fazem apologia a drogas e que também falam sobre pornografia. Isso demonstra muito que, desde a entrada do Musk, o Twitter tem aplicado essa visão política de uma liberdade de expressão absoluta, não abrindo para nenhum tipo de discussão sobre eventual ilegalidade ou dano gerado por conteúdos a terceiros”, destacou a especialista em direito digital.

No Brasil, a liberdade de expressão tem limites. A legislação proíbe, por exemplo, defender ideologias nazistas ou racistas, incentivar golpe de Estado, incentivar a animosidade entre as Forças Armadas e outras instituições, fazer apologia a crimes ou ameaçar pessoas.

União Europeia
O bilionário Elon Musk, proprietário da rede social X – Reuters/David Swanson

Na União Europeia (UE), a primeira investigação contra uma plataforma digital com base na Lei de Serviços Digitais (DSA), aberta em dezembro de 2023, foi contra a rede social X por falta de transparência e por suposta disseminação de desinformação.

Em julho deste ano, a Comissão Europeia emitiu conclusões preliminares afirmando que a plataforma está violando as leis locais. O relatório diz que a verificação de contas da rede é enganosa porque qualquer um pode se inscrever para obter status de “verificado”, desde que pague por isso.

Há evidências de atores maliciosos motivados abusando da ‘conta verificada’ para enganar os usuários”, disse a comissão. A verificação ocorre quando um usuário recebe um identificador – o “selo azul” – que, em tese, fornece maior confiabilidade ao usuário.

Se a rede social for declarada culpada por violar as regras da União Europeia, a plataforma pode sofrer multas de até 6% do faturamento anual da companhia, entre outras medidas.

Em resposta, o bilionário acusou o órgão regulador do bloco europeu. “A Comissão Europeia ofereceu a X um acordo secreto ilegal: se censurássemos discretamente a fala sem contar a ninguém, eles não nos multariam”, disse.

Austrália

A rede social X também teve atritos com as autoridades australianas. O primeiro-ministro do país, Anthony Albanese, chamou Musk de “bilionário arrogante, que pensa que está acima da lei”.

O atrito ocorreu porque a rede social X se negou a acatar decisões judiciais para remover conteúdos violentos e considerados extremistas, como o vídeo de um atentado à faca contra um bispo que circulava nas redes, e que estariam estimulando o ódio e mais violência, segundo as autoridades do país.

Na rede social, Musk voltou a acusar as ordens judiciais de censura. “O comissário de censura australiano está exigindo proibições globais de conteúdo”, disse o bilionário.

Turquia

O megaempresário não age da mesma forma em todos os países. Na Turquia, a rede tem removido conteúdos e perfis a pedido de autoridades sem que, por isso, o governo seja acusado de censura.

Em maio de 2023, a plataforma suspendeu perfis e conteúdos após ordens judiciais às vésperas da eleição presidencial que reelegeu Recep Tayyip Erdogan. “Em resposta ao processo legal e para garantir que o Twitter continue disponível para o povo da Turquia, tomamos medidas para restringir o acesso a alguns conteúdos na Turquia hoje”, informou a plataforma.

Perguntado por um jornalista sobre o motivo de ter atendido ao pedido das autoridades turcas sem questionar, Musk respondeu: “A escolha é restringir totalmente o Twitter ou limitar o acesso a alguns tweets. Qual deles você quer?”.

Em setembro de 2023, a Reuters informou que o presidente turco e a Tesla – fábrica de automóveis elétricos de Musk – negociavam a instalação de uma planta da companhia no país.

Índia

Na Índia, em janeiro de 2023, a plataforma removeu conteúdos relacionados a um documentário da BBC que relata a repressão contra a minoria mulçumana no estado de Gujarat, quando o atual primeiro-ministro Modi governava a província. Estima-se que mais de mil pessoas tenham sido assassinadas.

Em entrevista à própria BBC depois, Musk disse não ter conhecimento do caso específico. “As regras na Índia sobre o que pode aparecer nas mídias sociais são bastante rígidas e não podemos ir além das leis do país”, disse Musk, de acordo com informações divulgadas pela Reuters.

Inglaterra

Nas últimas semanas, Musk ainda entrou em atrito com autoridades inglesas no contexto dos protestos da extrema-direita que atacaram residências e comércios de imigrantes após uma notícia falsa associar um assassinato a imigrantes. Sobre o tema, Musk comentou que uma “guerra civil é inevitável” no país europeu.

O ministro da Justiça do Reino Unido, Heidi Alexander, criticou o empresário classificando como “inaceitáveis” seus comentários, reacendendo o debate e as cobranças para a aplicação de regras para as plataformas digitais, informou a Reuters.

A rede social X tem sido acusada de impulsionar conteúdos anti-imigrantes na internet, o que teria alimentado a violência da extrema-direita.

A especialista em direito digital Bruna Santos avaliou que a plataforma não removeu conteúdos que estavam incitando o caos no Reino Unido e continuou permitindo postagens chamando novos atos violentos contra imigrantes.

Tem uma falta de escrutínio dos conteúdos hoje em dia no Twitter que pode ter tornado a plataforma como um dos principais lugares para a disseminação de conteúdo relacionado ao que estava acontecendo no Reino Unido”, explicou.

Mulheres poderão se alistar no serviço militar aos 18 anos

Decreto foi publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial

Mulheres que queiram se alistar no serviço militar poderão fazê-lo voluntariamente no ano em que completar 18 anos de idade. Decreto publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial da União autoriza a admissão, a partir do próximo ano, quando deverão ser estabelecidos os municípios onde haverá o alistamento feminino pelo plano geral de convocação.

De acordo com as diretrizes estabelecidas, a apresentação voluntária de mulheres poderá ser feita no período de janeiro a junho do ano em que elas alcançam a maioridade. Antes, só podiam ingressar nas Forças Armadas as profissionais admitidas nos cursos de formação de suboficiais e de oficiais.

Com a mudança, após o alistamento voluntário, elas passarão ainda pelas etapas de seleção, que incluem a inspeção de saúde e a incorporação, que começa com um ato oficial e termina com a conclusão de um curso de instrução para o exercício das funções gerais básicas.

A desistência do processo é admitida até o ato de incorporação. Após essa etapa, o serviço militar passa a ser de cumprimento obrigatório e a militar fica sujeita aos deveres e penalidades previstos na legislação, como aplicação de multas e retenção do certificado de serviço militar.

As selecionadas serão incorporadas de acordo com as necessidades das Forças Armadas e o período de serviço militar inicial, com duração de 12 meses, pode ser prorrogado de acordo com critérios definidos pelas Forças Armadas.

Assim como os homens convocados ou voluntários que se alistam, as mulheres não terão estabilidade no serviço militar e passarão a compor a reserva não remunerada das Forças Armadas após serem desligadas do serviço.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Incêndios em SP têm origem humana e atingem áreas agropecuárias, revela estudo

Mais de 80% dos focos de calor identificados no estado de São Paulo entre 22 e 24 de agosto ocorreram em regiões dedicadas à agropecuária, segundo levantamento do Ipam.

Da EBC, editado por Caso de Política – Entre os dias 22 e 24 de agosto, o estado de São Paulo registrou 2,6 mil focos de calor, dos quais 81,29% foram identificados em áreas ocupadas pela agropecuária. Esses dados, revelados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) nesta terça-feira (27), evidenciam a gravidade dos incêndios na região.

O monitoramento, realizado a partir de imagens de satélites e informações da Rede MapBiomas, mostrou que 44,45% dos focos ocorreram em áreas de cultivo de cana-de-açúcar. Outros 19,99% surgiram em regiões classificadas como “mosaicos de usos”, onde não é possível distinguir entre pastagens e agricultura. Pastagens propriamente ditas concentraram 9,42% dos incêndios, enquanto silvicultura e outras culturas agrícolas, como soja e citrus, somaram 7,43%.

A vegetação nativa também foi significativamente impactada, com 16,77% dos focos concentrados em áreas de formações florestais. Cidades como Pitangueiras, Altinópolis e Sertãozinho, todas próximas a Ribeirão Preto, concentraram 13,31% dos registros, apontando para um padrão de concentração geográfica.

Na sexta-feira, 23 de agosto, o estado de São Paulo registrou mais focos de calor do que todos os estados da Amazônia juntos, uma situação crítica destacada pelo Ipam. O uso de satélites revelou colunas de fumaça surgindo a cada 90 minutos durante a manhã, com um aumento dramático no número de focos, passando de 25 para 1.886 em poucas horas.

Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam, o cenário é alarmante e atípico, comparável ao “Dia do Fogo” de 2019, quando incêndios provocados devastaram grandes áreas na Amazônia. Alencar destacou que o fenômeno atual em São Paulo é semelhante, com uma cortina de fumaça se formando rapidamente, sugerindo uma ação coordenada.

Wolnei Wolff, secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, afirmou que 99,9% dos incêndios foram causados por ação humana, e 31 inquéritos já foram abertos para investigar possíveis incêndios criminosos. Imagens de satélite estão sendo usadas para identificar as causas e responsáveis pelos focos de calor.

Apesar da chuva no domingo (25), que ajudou a reduzir os focos de incêndio, Wolff enfatizou que a situação ainda requer vigilância. Cerca de 500 homens do Exército e aeronaves especiais estão mobilizados para combater os incêndios remanescentes.

Ao longo do fim de semana, 56 municípios paulistas relataram terem sido afetados pelos incêndios. No entanto, o reconhecimento oficial de situação de emergência ainda depende da publicação de decretos locais, seguidos de comunicação ao governo estadual.

Raoni Rajão, do Ministério do Meio Ambiente, classificou os incêndios como uma “situação anômala”, destacando o aumento repentino de focos em áreas distantes umas das outras. Ele reforçou que a produção agrícola é prejudicada pelos incêndios, não beneficiada, e que as investigações continuam para esclarecer as causas dessa onda de incêndios no estado.

Caso de Política | A informação passa por aqui

TSE recebe em média uma denúncia de propaganda irregular por minuto

Nos últimos dez dias, o aplicativo Pardal, disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recebeu mais de 14 mil denúncias de irregularidades na propaganda eleitoral, o que dá, em média, uma denúncia por minuto

Agência Brasil – A propaganda eleitoral começou oficialmente no dia 16 de agosto e deve seguir uma série de regras estabelecidas em resolução pelo TSE, seja nas ruas ou na internet, em especial no que diz respeito às redes sociais e utilização de ferramentas de Inteligência Artificial, por exemplo.

A maior parte das denúncias, até o momento, cerca da metade, diz respeito a campanhas para o cargo de vereador. A maioria foi no estado de São Paulo (2.891), seguido por Minas Gerais (1.605), Pernambuco (1.603) e Rio Grande do Sul (1.271).

O aplicativo Pardal – disponível para celulares com sistemas operacionais Android ou iOS (Apple) – existe desde 2012, sendo aprimorado desde então. “A principal novidade para este ano é o uso da ferramenta para denunciar desvios nas campanhas eleitorais na internet”, informou o TSE.

Poder de polícia

A ideia do aplicativo é contribuir com o poder de polícia da Justiça Eleitoral, que pode determinar a retirada de circulação de qualquer propaganda irregular. Segundo o TSE, todas as denúncias são encaminhadas a um juiz eleitoral responsável para que tome providências.

Após fazer a denúncia, o eleitor recebe um número de protocolo e pode acompanhar o andamento por meio do Pardal Web. Qualquer pessoa que flagrar alguma irregularidade pode denunciá-la à Justiça Eleitoral por meio do aplicativo.

A Agência Brasil destacou as principais irregularidades relativas à propaganda eleitoral. O eleitor deve ficar atento.

Além do Pardal, o TSE disponibiliza também o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), que pode ser acionado para denúncias não relacionadas necessariamente à propaganda, como casos de desinformação, ameaças e incitação à violência, perturbação ou ameaça ao Estado Democrático de Direito, irregularidades no uso de Inteligência Artificial (IA), comportamentos ou discursos de ódio e recebimento de mensagens irregulares.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Governo Federal amplia Vale-Gás para 20 milhões de famílias até 2025

Programa “Gás para Empregar” prevê R$ 96 bilhões em investimentos e aquecimento da indústria nacional

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O governo federal planeja ampliar o programa Vale-Gás para beneficiar 20 milhões de famílias até dezembro de 2025, anunciou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nesta segunda-feira (26). A medida visa garantir o fornecimento de botijões de gás de cozinha, conhecidos como GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), a um número maior de brasileiros em situação de vulnerabilidade.

Silveira também destacou que o programa “Gás para Empregar”, lançado pelo governo, pretende impulsionar o mercado de gás natural, biometano e plantas de fertilizantes, com uma expectativa de arrecadar R$ 85 bilhões e atrair investimentos de R$ 96 bilhões.

Durante uma solenidade após a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o ministro afirmou que o Brasil está se posicionando como protagonista na economia verde global, com o gás natural desempenhando um papel crucial na transição energética devido à sua menor emissão de poluentes em comparação a outras fontes fósseis.

As ações previstas buscam não apenas aumentar a oferta e reduzir o preço do gás no país, mas também estimular a reativação da indústria nacional, que depende fortemente desse insumo estratégico. “Vamos reaquecer a nossa indústria intensiva nacional”, afirmou Silveira.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Estudo revela: Bolsa Família impulsiona jovens a superar barreiras sociais

Pesquisa aponta que jovens da primeira geração do programa alcançam situação econômica superior à dos pais

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Um estudo abrangente realizado por diversas instituições, incluindo o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, a Oppen Social, o Ministério da Saúde, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a PUC-Rio e a Universidade Bocconi, na Itália, revela que o Bolsa Família teve um impacto significativo na mobilidade social de jovens que integraram a primeira geração do programa. O levantamento, que avaliou indivíduos que tinham entre 7 e 16 anos em dezembro de 2005, aponta que mais de 64% desses jovens conseguiram sair da dependência de programas sociais do governo federal mais de uma década depois.

Além disso, 45% dos participantes dessa geração conseguiram emprego formal entre 2015 e 2019, e metade deles se manteve no mercado de trabalho formal por pelo menos três anos. Esses resultados surpreenderam os próprios pesquisadores, que destacam a importância do Bolsa Família na promoção da mobilidade social, embora reconheçam que outros fatores, como a situação econômica e o desenvolvimento regional, também influenciam nesse processo.

O estudo, no entanto, evidenciou disparidades regionais. Jovens residentes no Norte e Nordeste enfrentaram maiores dificuldades para alcançar a mobilidade social em comparação com os do Sul e Sudeste. No Sul, 74% dos beneficiários iniciais saíram dos programas sociais, enquanto no Nordeste, apenas 58% conseguiram o mesmo. A pesquisa também apontou diferenças significativas de cor e gênero, com homens brancos e mais velhos tendo mais chances de superar a pobreza extrema.

Os resultados reforçam o papel do Bolsa Família na redução da pobreza e na promoção de melhores oportunidades para as gerações futuras, mas também ressaltam a necessidade de políticas complementares que abordem as desigualdades regionais e sociais ainda persistentes.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Governador do Tocantins é alvo de operação da PF por desvio de recursos de cestas básicas durante a pandemia

A ação foi autorizada pelo STJ e faz parte de uma investigação sobre o desvio de recursos públicos durante a pandemia de Covid-19

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (21) uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e faz parte de uma investigação sobre o desvio de recursos públicos através da distribuição de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.

Wanderlei Barbosa, que na época do suposto esquema era vice-governador, está sendo investigado por atos ocorridos entre 2020 e 2021. A operação, denominada Fames-19, também tem como alvos outros políticos e empresários. Ao todo, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares patrimoniais.

Segundo a PF existem fortes indícios de um esquema montado para favorecer empresas previamente selecionadas para a entrega de cestas básicas, em meio ao estado de emergência em saúde pública. De acordo com as investigações, as empresas teriam recebido o valor integral dos contratos, mas entregaram apenas uma parte dos itens acordados.

O nome da operação, Fames-19, faz referência à insegurança alimentar causada pela pandemia, com “Fames” significando “fome” em latim, e o número 19 aludindo ao ano de surgimento da Covid-19.

Caso de Política | A informação passa por aqui