Intolerância Religiosa: MP denuncia mulher que associou tragédia no RS à “macumba”

Michele Dias Abreu é investigada pelo Ministério Público por crime de intolerância religiosa após comentários ofensivos nas redes sociais

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Michele Dias Abreu está sendo denunciada pelo Ministério Público (MP) por um grave crime de intolerância religiosa. A influenciadora digital associou a tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul às religiões de matriz africana em suas redes sociais. Em uma publicação de 5 de maio, que rapidamente se tornou viral, Michele afirmou:

“O estado do Rio Grande do Sul é o estado com maior número de terreiros de macumba. Alguns profetas já estavam anunciando algo que iria acontecer devido à ira de Deus. As pessoas estão brincando, misturando aquilo que é santo, e Deus não divide sua honra com ninguém.”

De acordo com Metrópoles, a postagem de Michele gerou grande repercussão, alcançando mais de 3 milhões de visualizações. A reação negativa do público foi imediata, levando a influenciadora a privar suas redes sociais. No entanto, o dano já estava feito, e a resposta do Ministério Público foi rápida e contundente.

Repercussão e Ação do Ministério Público

A promotoria enfatizou que as declarações de Michele Dias Abreu são um exemplo claro de intolerância religiosa, um comportamento que não pode ser tolerado em uma sociedade plural e democrática. Associar uma tragédia a práticas religiosas específicas não só fomenta o preconceito como também incita o ódio contra grupos religiosos minoritários.

Impacto da Intolerância Religiosa

As religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, têm uma história longa e rica no Brasil, contribuindo significativamente para a diversidade cultural do país. Infelizmente, seus praticantes ainda enfrentam discriminação e violência devido a preconceitos enraizados na sociedade. Comentários como os de Michele Dias Abreu perpetuam estigmas e fomentam um ambiente de hostilidade e exclusão.

Diversas organizações de direitos humanos e líderes religiosos condenaram as declarações de Michele.

“Essa atitude é inadmissível. Precisamos combater todas as formas de intolerância e garantir que todas as religiões sejam respeitadas,” afirmou Maria das Graças Silva, representante do Centro Nacional de Direitos Humanos.

A denúncia do Ministério Público serve como um alerta sobre a necessidade de promover a educação e a conscientização sobre a importância do respeito à diversidade religiosa. É crucial que a sociedade entenda que a liberdade religiosa é um direito fundamental garantido pela Constituição Brasileira, e qualquer forma de discriminação baseada na crença religiosa é inaceitável.

A atitude de Michele Dias Abreu não é apenas um caso isolado de intolerância religiosa; ela reflete um problema mais amplo que ainda precisa ser resolvido na sociedade brasileira. Condenar e penalizar esses atos é um passo essencial para construir uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todas as pessoas possam praticar suas crenças sem medo de discriminação ou represália.

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Bahia alcança a menor taxa de analfabetismo do Nordeste

Entre os anos de 2010 e 2022 a redução foi de quase 18%

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O número de pessoas não alfabetizadas na Bahia diminuiu quase 18% entre 2010 e 2022, conforme dados do Censo 2022 do IBGE. Em todos os grupos etários, a taxa de analfabetismo apresentou queda, sendo mais acentuada entre indivíduos com 65 anos ou mais. A Bahia agora possui a menor taxa de analfabetismo da região Nordeste.

A pesquisa indica uma redução em todos os municípios baianos e em todos os recortes étnico-raciais. Para combater o analfabetismo entre adultos, a Secretaria de Educação do Estado (SEC) tem implementado iniciativas como o Projeto Estadual Paulo Freire, que alfabetiza jovens, adultos e idosos nas redes municipais de educação. Este programa é realizado em parceria com universidades estaduais e investe na formação de professores e educadores sociais.

Outro projeto relevante é o “Sim, Eu Posso”, lançado em junho de 2023 em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com o objetivo de erradicar o analfabetismo, o projeto visa alfabetizar em curto período.

Além disso, o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem cerca de 125 mil pessoas matriculadas em 1025 escolas, abrangendo 403 dos 417 municípios baianos. Desde 2023, 44 novas escolas foram inauguradas e 38 foram ampliadas e modernizadas, com foco na qualidade da educação.

O governo baiano também investe em um modelo de Educação antirracista e em escolas específicas para populações indígenas, com 7.360 estudantes matriculados para o ano letivo de 2024. Recentemente, uma lei reestruturou a carreira dos professores indígenas, demonstrando o compromisso com a valorização dos docentes e gestores indígenas.

Taxa de Alfabetização no Brasil: 93% da População Adulta é Alfabetizada

No Brasil, 93% da população com 15 anos ou mais é alfabetizada, segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE. Dos 163 milhões de brasileiros nesta faixa etária, 151,5 milhões sabem ler e escrever, enquanto 11,4 milhões ainda são analfabetos.

A tendência de aumento da alfabetização é clara ao longo dos censos. Em 1940, apenas 44% da população era alfabetizada. Em 1980, esse percentual subiu para 74,5% e, em 2022, alcançou 93%. A universalização do ensino fundamental nos anos 1990 e a transição demográfica contribuíram significativamente para essa melhoria.

A taxa de analfabetismo varia conforme a faixa etária. Em 2022, a menor taxa (1,5%) foi registrada no grupo de 15 a 19 anos, enquanto o grupo de 65 anos ou mais apresentou a maior taxa (20,3%), refletindo a dívida educacional histórica do país.

Disparidades étnico-raciais também persistem. Entre pessoas de cor ou raça branca, a taxa de analfabetismo foi de 4,3%, enquanto entre pretos, pardos e indígenas, as taxas foram de 10,1%, 8,8% e 16,1%, respectivamente. Em termos de gênero, as mulheres apresentaram melhores índices de alfabetização (93,5%) em comparação aos homens (92,5%).

Regionalmente, o Sul lidera com a maior taxa de alfabetização (96,6%), seguido pelo Sudeste (96,1%). O Nordeste, embora tenha apresentado aumento, continua com o menor percentual (85,8%). No Norte, a taxa subiu para 91,8%, enquanto no Centro-Oeste, atingiu 94,9%.

A população indígena registrou uma taxa de alfabetização de 85% em 2022, com a taxa de analfabetismo caindo de 23,4% em 2010 para 15,1% em 2022. A redução foi mais significativa na região Norte e entre faixas etárias específicas, como de 35 a 44 anos e 55 a 64 anos.

Esses dados destacam os avanços e os desafios na educação no Brasil, evidenciando a necessidade de políticas públicas contínuas e eficazes para alcançar a plena alfabetização e reduzir as disparidades existentes.

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Parte da tragédia no Rio Grande do Sul foi causada por ação humana

Entre as ações, pesquisador cita construções em áreas de alagamento

Agência Brasil – O professor Roberto Reis, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), disse, nessa quarta-feira (15), que parte da tragédia que atingiu 446 municípios gaúchos foi causada pela ação do homem, que construiu em locais onde não deveria construir, em áreas de alagamento, e não fez as manutenções corretas nos diques de contenção e nas barreiras anti-alagamento. Acrescentou que essas obras, feitas nos anos 1970, nunca receberam manutenção adequada.

A culpa da enchente é do planeta. Mas a culpa da tragédia é dos administradores do estado e das cidades”.

Em entrevista à Agência Brasil, Reis afirmou que Porto Alegre é área de várzea, de confluência de rios na beira do Lago Guaíba, que alaga sempre que tem enchente.

É natural. A gente é que não deveria ter construído na área que alaga periodicamente”.

Segundo o professor, a cada dois ou três anos há alagamentos em Porto Alegre só que, desta vez, foi extremamente severo. “Nunca foi tão alto”. Ele explicou que não há como evitar que haja cheias no Guaíba.

Mas que haja enchente, há como evitar, fazendo bem feito os diques de contenção e tudo o mais”. A manutenção ou reconstrução dos diques e barragens nos rios do estado é a saída apontada pelo professor da PUCRS para evitar que novas tragédias voltem a ocorrer.

Reis lembrou que em setembro do ano passado, o estado enfrentou grande enchente.

Aí se viu que as comportas e parte dos diques não estavam funcionando. Era hora de ter arrumado. Foi uma mega-enchente. A grande veio agora. Deveríamos ter arrumado tudo de setembro para cá. Espero que desta vez aprendam, porque o custo está sendo muito alto”.

Na avaliação de Roberto Reis, chuva em excesso, causada por mudança climática, é fenômeno natural. “A cada tempo, há chuvas extremas que causam enchentes”, completou. Desta vez, contudo, ocorreu no estado a enchente mais forte de toda a história, que ele atribui, em parte, à mudança climática causada pelo excesso de gás carbônico na atmosfera. “Essa é a parte natural do evento”. O resto, para ele, é ação do homem.

Volume de chuvas

De acordo com o professor Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o que está provocando a grande cheia no Lago Guaíba é, basicamente, um volume muito grande de chuvas que cai na bacia do Guaíba desde o final de abril e início de maio. Essa precipitação atingiu níveis recordes, registrando, em alguns locais, até 800 milímetros.

O professor Paiva explicou à Agência Brasil que, no primeiro momento, houve cheias bem rápidas nos rios da serra, onde existem vales mais encaixados em que os volumes de água correm rapidamente e os rios se elevam com rapidez e grande amplitude.

Há casos de 20 metros de elevação em menos de um dia. Isso causou muita destruição, por exemplo, no Vale do Taquari, de novo”.

Essa região sofreu grandes enchentes em setembro de 2023.

Rodrigo Paiva acrescentou que esse volume de água chega depois à região de planície, onde se espalha pelas várzeas e escoa mais lentamente. “Por isso, demora alguns dias entre a chuva na bacia hidrográfica e todo esse escoamento chegar a Porto Alegre, ao Lago Guaíba”. Desde o dia 5 de maio, observou-se um nível muito elevado do rio, atingindo recorde de 5,3 metros.

Além do corpo d’água bem grande do Lago Guaíba, tem a Laguna dos Patos, destacou o professor da UFRGS. Pelo fato de esses corpos d’água terem área superficial grande, eles estão sujeitos aos ventos.

Quando a gente tem um vento sul, isso ainda pode promover um represamento dessa água e uma elevação da ordem de 20 centímetros, ou até mais, se o vento for muito forte. Isso também ajuda um pouco na cheia do Lago Guaíba, embora o fator principal seja o grande volume das chuvas”.

Duração

Outra característica do evento é a duração, disse Rodrigo Paiva. A longa duração para baixar o nível do lago é associada à dificuldade de a água escoar nesses rios de planície, o Jacuí especialmente. “A água fica muito parada naquelas várzeas”. O professor do IPH comentou que, por outro lado, é interessante porque, se não houvesse as várzeas, o volume de água que vem das montanhas chegaria muito mais rapidamente à Grande Porto Alegre e, talvez com mais força e mais amplitude.

Se não houvesse essas várzeas, que já atuam como um reservatório natural que atenua as cheias, talvez o nível da água tivesse subido em Porto Alegre muito mais e mais rápido também”.

As consequências seriam também piores, admitiu o professor. Porque a região metropolitana de Porto Alegre está em área muito baixa, afetando cidades como Eldorado e Canoas.

As consequências seriam maiores. A inundação é grande, a profundidade, em alguns locais, atinge um metro ou dois metros, mas não há tanta velocidade da água. Já no vale, no Rio Taquari, como a profundidade é maior e é mais inclinado, a ação da água é mais destrutiva, capaz de destruir residências, arrastar coisas”, salientou Paiva.

Senado aprova PL sobre adaptação a mudanças climáticas

Modificado, texto segue para nova avaliação na Câmara dos Deputados

Caso de Política com Agência Senado – Em meio à tragédia que atinge o Rio Grande do Sul, o Senado aprovou nesta quarta-feira (15) o projeto de lei que estabelece regras gerais para a formulação de planos de adaptação às mudanças climáticas (PL 4.129/2021). O projeto prevê que o governo federal elabore um plano nacional de adaptação à mudança do clima em articulação com estados e municípios e aponta algumas diretrizes. Como foi aprovado na forma de um texto alternativo, o projeto retorna à Câmara dos Deputados.

De iniciativa da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o projeto foi aprovado pela manhã na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após acordo negociado entre o governo e a oposição no Plenário na terça-feira (14).

Diferentemente da terça-feira (14), o projeto avançou sem intensas discussões nesta quarta. A votação foi simbólica. Líder do Governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi o relator do projeto na CCJ e autor do texto final aprovado. Antes, a proposta passou pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Pode-se afirmar que o evento catastrófico que observamos no Rio Grande do Sul é resultado da responsabilidade compartilhada entre os maiores emissores de GEE [gases do efeito estufa] mundiais, sobretudo a partir de combustíveis fósseis, ao longo da série histórica desde o início do período industrial. Seria ingênuo acreditar que esse desastre foi causado apenas pela ação humana dentro do território brasileiro”, disse no parecer.

Contrário à proposta, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apontou que “o projeto não traz efeito prático”.

“É uma elaboração de diretrizes. [..]. Vendo aqui a redação final, a gente entende a boa intenção da autora. Acho que não há o efeito prático que alguns estão esperando. A discussão mais profunda sobre as coisas concretas que nós podemos fazer para avançarmos nessa linha de adaptação e convivência com essas condições climáticas extremas que acontecem em alguns locais pode ficar para outro projeto,” disse.

O que prevê o texto

Pelo projeto, as medidas de adaptação à mudança do clima serão elaboradas por órgão federal competente em articulação com as três esferas da Federação (União, estados e municípios) e os setores socioeconômicos, garantida a participação social dos mais vulneráveis aos efeitos adversos dessa mudança e dos representantes do setor privado.

Uma emenda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aprovada na CCJ para “garantir efetiva participação do setor empresarial na formulação e implementação do plano nacional de adaptação”.

O plano e suas ações e estratégias deverão ter como base “evidências científicas, análises modeladas e previsões de cenários, considerando os relatórios científicos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)”.

Planos locais

A proposta prevê que o plano nacional deverá indicar diretrizes para a elaboração de planos estaduais e municipais, assim como estabelecer ações e programas para auxiliar os entes federados na formulação dos seus próprios documentos. Essa implementação poderá ser financiada pelo Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. A medida foi uma das sugestões incluídas pelo relator na Comissão de Meio Ambiente (CMA), Alessandro Vieira (MDB-SE).

O texto alternativo também estabelece que as ações deverão ser avaliadas, monitoradas e revisadas a cada quatro anos. No projeto original, esse prazo era de cinco anos. Os planos deverão ainda ser integrados à Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei 12.608, de 2012) e à Estratégia Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas. 

Apesar da existência de um Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, o país carece de uma legislação que estabeleça diretrizes gerais a todos os entes da Federação para a elaboração e revisão de seus planos de adaptação, além de incentivá-los a elaborar e implementar tais planos”, apontou Alessandro ao recomendar a aprovação do texto.

Diretrizes

O PL 4.129/2021 abrange as diretrizes gerais a serem seguidas pelos órgãos do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) nos planos para reduzir a vulnerabilidade do país em relação à mudança do clima. O objetivo é complementar a Lei 12.187, de 2009, que estabeleceu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).

Entre as diretrizes gerais para o enfrentamento das mudanças climáticas estão “o enfrentamento dos efeitos atuais e esperados das alterações climáticas; a criação de instrumentos econômicos, financeiros e socioambientais que permitam a adaptação dos sistemas naturais, humanos, produtivos e de infraestrutura; e a integração entre as estratégias locais, regionais e nacionais de redução de danos e ajuste às mudanças”.

Além disso, as ações de adaptação devem estar ligadas aos planos de redução de emissão dos gases de efeito estufa. A proposta também torna obrigatório o alinhamento dessas estratégias ao Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assinado em 1992.

Prioridades

A proposta prioriza as áreas de infraestrutura urbana e direito à cidade e de infraestrutura nacional. Nesses campos, estão inclusos a segurança alimentar e hídrica, a saúde, a educação e estruturas de comunicações, energia, transportes e águas.

No setor agropecuário, o texto prevê estímulos à adaptação do setor ao Plano ABC, que integra a PNMC e é voltado à economia de baixa emissão de carbono na agricultura. Tais estímulos deverão envolver investimentos em pesquisa ou na implementação de práticas e tecnologias ambientalmente adequadas.

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Em entrevista, governador do RS insinua que doações de outros estados prejudicam comércio local

Foto: Reprodução / YouTube BandNews

O reerguimento desse comércio fica dificultado, na medida que você tem uma série de itens que estão vindo de outros lugares”, disse Eduardo Leite.

Caso de Política com informações da Bande News – Em meio a uma crise devastadora causada por enchentes no Rio Grande do Sul, que já afetaram 446 municípios, resultaram em 149 mortos e deixaram 538.245 pessoas desalojadas, o governador Eduardo Leite (PSDB) fez uma declaração polêmica. Ao agradecer a solidariedade dos brasileiros, Leite insinuou que as doações de outros estados poderiam prejudicar o comércio local.

Quando você tem um volume tão grande de doações físicas chegando ao estado, há um receio que nós já observamos em outras situações, em outras circunstâncias, sobre o impacto que isso terá no comércio local”, afirmou o governador em entrevista à Rádio Band News FM. “O reerguimento desse comércio fica dificultado, na medida que você tem uma série de itens que estão vindo de outros lugares também do país”, pontuou.

A fala de Eduardo Leite pode ser interpretada como uma insensibilidade diante da crise humanitária que assola o estado. Em um momento em que milhares de pessoas perderam tudo e dependem da solidariedade nacional para sobreviver, priorizar o impacto econômico local pode parecer desconectado da urgência da situação. Essa postura pode ser vista como uma tentativa de proteger interesses comerciais em detrimento do bem-estar imediato dos cidadãos mais afetados.

É verdade que a recuperação econômica das áreas afetadas é crucial para o futuro do estado. Pequenos comerciantes e empresários locais estão entre os mais atingidos pelas enchentes e precisam de apoio para se reerguer. No entanto, a sugestão de que as doações físicas possam ser prejudiciais neste momento de crise pode ser considerada míope e inadequada. A prioridade deve ser, acima de tudo, a sobrevivência e o alívio imediato das vítimas.

Adotar uma abordagem humanista significa colocar as necessidades das pessoas em primeiro lugar. A ajuda que vem de outros estados representa um ato de solidariedade e empatia que deve ser valorizado, não desencorajado. As doações são essenciais para garantir que as necessidades básicas dos desabrigados sejam atendidas, proporcionando-lhes dignidade e esperança em um momento de desespero.

Em vez de criticar as doações, o governo poderia focar em maneiras de integrar esse apoio à recuperação econômica local. Parcerias com o comércio local para a distribuição de doações ou a criação de vouchers que permitam às pessoas comprar diretamente dos comerciantes locais são exemplos de medidas que poderiam beneficiar tanto a população necessitada quanto a economia local.

A declaração do governador Eduardo Leite levanta questões importantes sobre como equilibrar a necessidade urgente de ajuda humanitária com a recuperação econômica a longo prazo. No entanto, em um momento de crise tão severa, a ênfase deve ser claramente colocada no apoio às vítimas. A postura do governo precisa refletir uma abordagem mais sensível e integrada, valorizando a solidariedade nacional enquanto busca soluções práticas para revitalizar o comércio local.

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80 milhões de brasileiros estão expostos a crises como do RS, diz ministra do Meio Ambiente

Caso de Política com informações do Canal Meio A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em uma entrevista reveladora ao canal Meio, alertou para a situação crítica enfrentada por 80 milhões de brasileiros, que representam cerca de 37,89% da população do país, vivendo em 1.942 municípios sob constante ameaça de eventos climáticos extremos.

Marina descreveu a magnitude do desafio enfrentado, destacando a necessidade de um plano abrangente de prevenção para essas áreas vulneráveis, que ela comparou a uma “UTI climática”. No entanto, ela ressaltou que a implementação efetiva desse plano requer um esforço conjunto e um novo paradigma jurídico, enfatizando a importância do diálogo com o Congresso Nacional.

A ministra também abordou o impacto devastador das enchentes no Rio Grande do Sul, destacando que esses eventos trágicos têm potencial para despertar uma consciência renovada sobre a urgência das mudanças climáticas. Marina caracterizou essa experiência como uma “pedagogia do luto”, enfatizando as perdas de vidas, econômicas e simbólicas associadas a esses desastres.

Além disso, Marina destacou a gravidade das fake news durante esses eventos catastróficos, salientando como a disseminação de informações falsas prejudicou os esforços de socorro e apoio às vítimas. Para ela, as fake news representam não apenas uma distorção da verdade, mas um roubo da decência e da confiança.

Enquanto o governo federal toma medidas para auxiliar as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, incluindo ajuda financeira e a suspensão temporária do pagamento da dívida do estado com a União, a situação continua crítica, com o nível do rio Guaíba atingindo novos recordes e tremores de terra sendo sentidos em algumas regiões devido às fortes chuvas e enchentes.

Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestruturas e a Agência Nacional de Águas, o nível do Guaíba voltou a atingir o patamar dos cinco metros nesta segunda-feira (13/05), chegando a 5,05 metros. A projeção da Defesa Civil é chegar a 5,6 metros nos próximos dias, batendo um novo recorde. A máxima das cheias no Guaíba ocorreu no domingo, quando a água atingiu 5,33 metros, ultrapassando os 4,75 metros da enchente de 1941.

A entrevista completa entre Marina Silva e os representantes do canal Meio oferece insights valiosos sobre os desafios enfrentados e a necessidade urgente de ações coordenadas para lidar com os impactos crescentes das mudanças climáticas no Brasil.

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Lula anuncia auxílio de R$ 5 mil para famílias desabrigadas e apoio bilionário para recuperação do RS

Caso de Política com informações da Agência Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que estará presente no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, 15 de maio, para anunciar medidas de auxílio financeiro direto às famílias atingidas pelas enchentes no estado. O anúncio será parte dos esforços do governo federal para apoiar a recuperação das comunidades afetadas pelas recentes catástrofes naturais.

Medidas de Apoio Emergencial

Após uma reunião virtual com o governador do Rio Grande do Sul, o presidente Lula afirmou que o governo federal enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei para suspender a dívida do estado com a União por três anos, permitindo um aporte significativo de recursos para a reconstrução da infraestrutura, estimado em R$ 11 bilhões.

Além disso, está em discussão a criação de um auxílio emergencial, semelhante ao adotado durante a pandemia de COVID-19, para apoiar especialmente as pessoas desempregadas e afetadas pelas enchentes.

Convocação Ministerial e Compromisso de Reconstrução

O presidente convocou uma reunião ministerial extraordinária para debater medidas de apoio às vítimas das enchentes, com especial atenção às famílias desabrigadas, que atualmente somam quase 80 mil pessoas. Lula reafirmou o compromisso do governo em não descansar até que o Rio Grande do Sul esteja recuperado e suas comunidades reassentadas.

Nova Medida Provisória de Apoio Financeiro

 

Em resposta às necessidades emergenciais, o governo publicou uma nova medida provisória no Diário Oficial da União, disponibilizando R$ 12,1 bilhões em crédito extraordinário para o enfrentamento das consequências das chuvas e enchentes no estado. Esses recursos serão direcionados para ações emergenciais, como distribuição de alimentos, reposição de medicamentos e garantia de atendimento nos serviços de saúde.

Ampla Abordagem de Recuperação

Os recursos da medida provisória também serão destinados à reconstrução da infraestrutura rodoviária, investimentos em segurança pública e apoio às microempresas e pequenos empreendimentos afetados pelas catástrofes. Além disso, foram anunciadas antecipações de benefícios sociais, como Bolsa Família e Auxílio gás, e a liberação de parcelas extras do seguro-desemprego.

Engajamento Nacional e Prioridades Humanitárias

Com a ampliação do crédito para o Rio Grande do Sul, o governo federal está comprometido em destinar recursos significativos para enfrentar as consequências dos desastres naturais no estado, totalizando um aporte de R$ 60 bilhões. O presidente Lula enfatizou a importância de uma resposta ágil e coordenada para garantir que as necessidades humanitárias das comunidades afetadas sejam atendidas com urgência e eficácia.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes

General protesta contra fake news: ‘É desleal e atrapalha todo o trabalho’

Em reunião da Sala de Situação instalada no RS, o o General de Brigada Marcelo Zucco também participou da apresentação de balanço das mais de mil horas de voo para ações de resgate

Desde o início das operações de socorro à população atingida pelas fortes chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul já foram realizadas mais de mil horas de voo. A informação foi divulgada durante a 9ª reunião da Sala de Situação, coordenada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, nesta segunda-feira (13).

O trabalho de domingo a domingo das equipes federais no estado, com profissionais atuando por 24 horas, segue sob a coordenação do comando militar do Sul, o general de Brigada Marcelo Zucco, destacou que as notícias falsas, fabricadas de modo enganoso para viralizar em redes sociais, têm colocado em risco a proteção e o salvamento de vidas. O assunto já foi tratado em reunião na semana passada e voltou a ser destacado.

As fakes news acabam atrapalhando muito, porque paramos de fazer o que estamos fazendo para tentar responder a um vídeo montado de forma a tentar enganar a população. Quando botes, viaturas param para abastecer, eles filmam para dizer que os equipamentos estão parados. Isso é desleal, lamentável e atrapalha todo o trabalho”, sinalizou o general.

Em resposta, o ministro Rui Costa voltou a destacar que o Governo Federal já tomou providências, e reforçará o combate às notícias mentirosas. “Vamos dar sequência ao conjunto de ações individualizando essas pessoas. Não adianta apelo por educação, apelo humanitário, porque esses propagadores não entendem isso. Querem exatamente promover o caos e vão ser responsabilizados por tamanha irresponsabilidade”, afirmou Costa.

O 14º dia desde que os temporais começaram no Rio Grande do Sul é de mais alerta. Os dados meteorológicos apresentados na Sala de Situação alertam para mais chuvas na noite desta segunda, seguindo pela madrugada de terça-feira. As condições climáticas foram discutidas na reunião e os órgãos do Governo Federal seguem monitorando o tempo todo para avaliar eventuais ações a serem adotadas in loco.

Planos emergenciais

No Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, foram apresentados e aprovados 179 planos de trabalho pelos municípios atingidos, que representam o repasse de R$ 124 milhões. Estão em análise, até o momento desta publicação, outros 67 planos, que têm custo de R$ 97 milhões. A determinação do Governo Federal é analisar esses documentos em 24horas. Ao todo, 147 municípios enviaram planos e estes já foram aprovados.

Hospitais de Campanha

O número de atendimentos nos 8 Hospitais de Campanha instalados no estado já passa de 1.800. A maior parte das pessoas atendidas nas instalações montadas pelo Governo Federal foi na unidade que está no município de Estrela, com mais de 676 atendimentos já realizados.

Doações internacionais

As doações internacionais podem ser entregues nos consulados, embaixadas ou delegações oficiais. Contudo, para países que fazem fronteira com o Brasil, o caminho de doações de pessoas físicas pode ser através de Alfândegas e Inspetorias da Receita Federal na fronteira terrestre, órgãos que cuidarão do encaminhamento desses suprimentos.

Por Casa Civil

Novo aumento do rio Guaíba pode superar pico anterior, prevê hidrologia

Projeção aponta nível de até 5,50 metros, 20 centímetros acima

Agência Brasil – Os cenários previstos neste domingo (12) pelo Instituto de Ciências Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirmam o repique da cheia do Rio Guaíba, com nova elevação de níveis para acima de 5 metros (m). O valor do nível máximo a ser atingido entre segunda e terça-feira (14) depende de ocorrência das chuvas adicionais previstas e do vento sul forte, podendo alcançar em torno de 5,50 metros, o que supera o pico de 5,30 metros registrados na semana passada. Às 9h deste domingo, os níveis do Guaíba continuavam elevados, em torno de 4,65 m.

O recorde de 5,30 metros ocorreu no último domingo (5). Desde então, foi iniciada redução lenta na quarta-feira (8) até 4,56 m no sábado (11). Entre o sábado (11) e este domingo (12), o Rio Guaíba apresenta sinal de repique com elevação de 10 centimetros.

De acordo com o instituto da UFRGS, até sexta-feira (10), os rios afluentes do Guaíba apresentavam lenta redução em níveis elevados (Jacuí, Sinos, Gravataí) ou moderados (baixo Taquari). Nas últimas 24 e 48 horas, ocorreu precipitação significativa de 100 milímetros (mm) ou mais em grande região, cobrindo grande parte das bacias do Taquari, Sinos, Caí e Jacuí. A resposta com subida para níveis elevados é observada no Taquari, Cai, Sinos e Jacuí. Há previsão de mais de 100 mm em ampla faixa na metade norte do Rio Grande do Sul, cobrindo essas bacias, principalmente nas próximas 24 horas.

Além disso, a previsão é de vento sul mais intenso, podendo chegar a 50 quilômetros por hora (km/h) na Lagoa dos Patos na segunda (13) e terça-feira (14).

Áreas de risco

Tendo em vista a elevada duração prevista da cheia, bem como seu repique, o Instituto de Ciências Hidráulicas recomenda a manutenção do estado de atenção a todas as áreas de risco, incluindo aquelas em que a inundação teve redução; atenção especial à população afetada; e ações imediatas para reestabelecimento de infraestruturas e manutenção de serviços essenciais, como o saneamento básico.

A previsão foi liderada pelos professores Fernando Fan e Rodrigo Paiva e pelo mestrando Matheus Sampaio do Instituto de Pesquisa Hidráulicas (IPH) da UFRGS em conjunto com a empresa RHAMA Analysis.

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Surtos de dengue têm ligação com aumento de temperatura de oceano; entenda

Um recente estudo publicado na revista Science destaca uma preocupante correlação entre o aumento da temperatura do oceano Índico e o aumento de surtos de dengue em diferentes partes do mundo. Os pesquisadores analisaram dados de casos de dengue e registros de temperatura oceânica ao longo de três décadas, identificando uma associação direta entre o aquecimento das águas e o aumento da incidência da doença.

A pesquisa, liderada por Huaiyu Tian, do Centro para Mudança Global e Saúde Pública da Universidade Normal de Pequim, ressalta a importância de compreender como as mudanças climáticas podem influenciar a propagação de doenças transmitidas por vetores, como a dengue. Tian observa que, dada a falta de vacinas amplamente eficazes e tratamentos específicos para a dengue, a modelagem e a pesquisa de previsão desempenham um papel crucial no combate à doença.

Os dados analisados abrangem casos anuais de dengue em 46 países do Sudeste Asiático e do continente americano, bem como informações mensais de incidência da doença em 24 países, incluindo o Brasil, entre 2014 e 2019. Os resultados revelam que o aumento das temperaturas oceânicas está correlacionado com um aumento nos casos de dengue, com destaque para o Índice do Aumento da Temperatura do Oceano Índico (IOBW), que mostrou uma influência significativa nos surtos.

Ao contrário de estudos anteriores que se concentraram principalmente nas temperaturas locais, esta pesquisa adotou uma abordagem mais ampla, considerando as mudanças climáticas globais e seu impacto nas temperaturas locais em várias regiões do mundo. Isso é fundamental para entender melhor os padrões de propagação da dengue e desenvolver estratégias eficazes de prevenção e resposta a surtos.

A análise ressalta que o aquecimento do oceano Índico tem um impacto global nas dinâmicas climáticas locais, criando condições favoráveis para a reprodução e propagação dos mosquitos transmissores da dengue. Essa descoberta é particularmente relevante para regiões tropicais, como o Brasil, onde a dengue é endêmica e onde a incidência da doença pode aumentar significativamente em resposta ao aquecimento das águas.

Embora os resultados do estudo forneçam insights valiosos, os pesquisadores destacam a necessidade de validar essas conclusões e considerar outros fatores, como medidas de controle de vetores e vacinação em massa, para aprimorar a capacidade preditiva do modelo e garantir uma resposta eficaz a futuros surtos de dengue.

DCM