Fake News invadem redes: rumores envolvem Elon Musk, Alexandre de Moraes e compra falsa da CNN

Publicações distorcem ações de Musk e inflacionam polêmicas com o STF

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Uma onda de desinformação circula intensamente nas redes sociais desde o início de novembro, distorcendo fatos sobre o empresário Elon Musk. As fake news mais recentes afirmam que Musk teria ameaçado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e comprado a CNN. Embora a publicação de Musk com mensagem sobre Moraes seja verídica, as especulações sobre a aquisição da CNN não têm nenhum respaldo.

A suposta ameaça a Alexandre de Moraes, publicada em 29 de agosto, trouxe uma imagem do ministro com a legenda: “Um dia, Alexandre, essa foto de você na prisão será real. Marque as minhas palavras”. Embora verídica, a postagem foi amplamente explorada e distorcida em novos compartilhamentos, com alegações de que Musk teria reiterado a ameaça recentemente. Até o momento, Musk não comentou publicamente sobre a interpretação da postagem em questão.

No cenário real, Alexandre de Moraes ordenou o desbloqueio do X no Brasil em 8 de outubro, após a plataforma pagar aproximadamente R$ 29 milhões em multas por descumprir ordens judiciais. A plataforma esteve bloqueada desde 30 de agosto, quando o STF decidiu pela suspensão em resposta ao não cumprimento de diversas determinações legais e ao uso de manobras para contornar o bloqueio.

Para retomar as operações no Brasil, a rede de Musk precisou quitar uma multa de R$ 10 milhões pelo uso de subterfúgios para operar durante dois dias de bloqueio, R$ 18,3 milhões por descumprimento de ordens judiciais, e R$ 300 mil em multas dirigidas à representante local da plataforma.

Na decisão de desbloqueio, o ministro Alexandre afirmou que a plataforma deveria seguir rigorosamente as normas brasileiras e respeitar a soberania nacional. A determinação incluiu uma crítica à plataforma, que, sob alegação de defender a liberdade de expressão, relutou em atender às ordens da Justiça brasileira e de seu próprio representante local, criando um “ambiente de total impunidade”, segundo Moraes.

Desmentindo a suposta compra da CNN

Outro boato que tem ganhado força nas redes sociais é o de que Musk teria adquirido a CNN. A falsa informação foi repercutida por ninguém menos que o presidente argentino, Javier Milei, durante um discurso, onde alegou que a linha editorial da emissora, supostamente sob controle de Musk, favoreceria a agenda de Donald Trump, recém-eleito presidente dos Estados Unidos.

A origem da falsa compra está em uma publicação humorística do site SpaceXMania, conhecido por satirizar Musk e suas empresas. Mesmo sem fundamento real, a afirmação foi tomada como verdade por Milei, e repercutiu amplamente entre seus apoiadores e nas redes argentinas. Milei divulgou um segundo vídeo desmentindo a informação.

No Brasil, essa desinformação ganha corpo nas redes sociais, especialmente de pessoas ligadas ao ex-presidenteJair Bolsonaro.

De acordo com checagem feita pela Agência Aos Fatos, a CNN até o momento, segue operando sob o conglomerado Warner Bros. Discovery, sem qualquer envolvimento com Musk.

Milei, um aliado próximo de Trump, será provavelmente o primeiro chefe de Estado a ser recebido pelo novo presidente norte-americano, em um encontro já agendado para breve. No entanto, a situação econômica da Argentina e o crescimento da pobreza, que atinge 52,9% da população, demandam atenção urgente do presidente argentino, apesar de suas declarações sobre uma suposta superação da recessão.

Esse caso reforça a necessidade de cautela ao consumir informações compartilhadas nas redes e destaca o impacto das fake news no debate público.

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Parlamentos do G20 se unem para enfrentar desigualdade e crise climática em abertura do P20

Fotos: Mário Agra/Câmara dos Deputados

Em evento na Câmara dos Deputados, lideranças políticas destacam a necessidade de soluções colaborativas e ações conjuntas para enfrentar os desafios globais, como fome, desigualdade e mudanças climáticas, com foco na igualdade de gênero e no desenvolvimento sustentável

Caso de Política com Agência Câmara – Na manhã desta quinta-feira (7), a 10ª Cúpula de Presidentes dos Parlamentos do G20 (P20) foi aberta com um apelo por respostas conjuntas aos problemas globais, como fome, desigualdade e crise climática. O evento, que ocorre no Plenário Ulysses Guimarães da Câmara dos Deputados, reúne autoridades políticas de diversos países para discutir soluções urgentes para crises interconectadas que afetam o planeta.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que assumiu a liderança do P20 em outubro do ano passado, durante a presidência indiana, fez questão de ressaltar a importância do papel dos parlamentos no enfrentamento dessas questões. “Devemos promover medidas que aumentem a presença feminina nas esferas de poder, assegurando que a diversidade se reflita nas decisões globais,” destacou Lira. Ele também reafirmou o compromisso do Legislativo brasileiro com a transição energética e a regulamentação do mercado de carbono, priorizando uma agenda verde.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), compartilhou da visão de que os desafios globais são tão amplos que exigem uma abordagem coletiva. “A fome, a pobreza, a transição energética e as mudanças climáticas são questões indissociáveis. Devemos tratá-las de forma integrada para garantir soluções eficazes,” afirmou. Ele reforçou que a governança global e a cooperação entre países são fundamentais para superar as crises contemporâneas.

Tulia Ackson: Parlamentos devem buscar o desenvolvimento sustentável

Tulia Ackson, presidente da União Interparlamentar (UIP), também reforçou a necessidade de ação conjunta frente aos problemas transnacionais. Para ela, a população mundial vive um momento decisivo, com as metas de desenvolvimento sustentável da ONU para 2030 cada vez mais distantes. “A pandemia e a crise climática agravaram a situação, empurrando milhões para a pobreza extrema e ampliando a fome no mundo,” disse, destacando que, em 2023, a crise climática afetou um bilhão de pessoas, aumentando sua vulnerabilidade social e econômica.

Ackson defendeu que os parlamentos devem ser agentes de mudança, pressionando por um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo. A preocupação com a igualdade de gênero também foi um ponto central das discussões. A presidente da UIP pediu uma maior participação das mulheres nas tomadas de decisão e, para isso, sugeriu que futuras edições do P20 incluam reuniões dedicadas exclusivamente às parlamentares.

Em 2023, essa proposta ganhou forma com a realização da primeira reunião de mulheres parlamentares do P20, realizada em Maceió (AL), que gerou a “Carta de Alagoas”. A iniciativa, inédita, sublinha o comprometimento com a igualdade de gênero e com o avanço das questões sociais e ambientais de forma integrada.

Lira, Pacheco e Ackson também destacaram a necessidade de que os parlamentos cumpram um papel fiscalizador sobre os governos de seus países, garantindo maior transparência nas ações e criando um ambiente de estabilidade e paz para a implementação das mudanças necessárias. A solenidade contou ainda com a presença da secretária-geral das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha, que enfatizou a relevância do trabalho colaborativo entre parlamentos para enfrentar os desafios globais de forma eficaz.

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Escola da zona norte da capital de SP fica no top 3 entre as melhores do mundo em 2024

Escola Estadual Deputado Pedro Costa, de São Paulo, foi a única representante brasileira na final da premiação

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Escola Estadual Deputado Pedro Costa, de São Paulo, ficou entre as três melhores escolas do mundo na categoria Colaboração Comunitária. O anúncio da escola vencedora do World’s Best School Prizes 2024 (Prêmio Melhores Escolas do Mundo, na tradução) foi divulgado nesta quinta-feira (24). A unidade de ensino, localizada na zona norte da capital paulista, atende a 300 alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental e foi a única representante brasileira na etapa final da premiação.

O anúncio foi acompanhado pelo secretário da Educação, Renato Feder.

“Essa é uma escola com um time que nos dá muito orgulho e todos os alunos estão de parabéns e, por tudo isso, devemos comemorar esse feito”, diz.

A escola, que oferece ensino integral, conquistou a marca graças às suas iniciativas, como o clube de xadrez e as aulas de atletismo, que envolvem estudantes, familiares, educadores e a comunidade local.

Temos muito a comemorar, nós somos a melhor escola do Brasil neste ano e estamos emocionados. O nosso legado é fazer uma educação para nossos alunos, sempre transformar a educação para que eles tenham o melhor. A gente já é vitorioso e todo dia na Pedro Costa é uma festa e hoje é a culminância dessa festa, com as crianças felizes, brincando e alegres por terem chegado onde chegamos”, comenta a diretora da escola, professora Janaína Freire.

As atividades se unem às iniciativas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para os anos iniciais e a unidade de ensino tem registrado avanços em indicadores educacionais, como o Saeb (de 222,2 em 2021 para 246,4 em 2023), o Saresp (de 213,65 em 2022 para 228,65 em 2023) e o Idesp (de 5,23 em 2022 para 6,18 em 2023).

Para implementar as iniciativas que levaram a EE Deputado Pedro Costa ao top 3 entre as melhores escolas do mundo, a unidade contou com o apoio da ONG Parceiros da Educação, que se dedica a impulsionar a qualidade da educação básica em São Paulo. Este suporte inclui capacitações em gestão escolar, formação para a equipe de professores, suporte com materiais didáticos e melhoria na infraestrutura escolar.

O modelo de atuação da Parceiros da Educação na Escola Estadual Deputado Pedro Costa e em mais de 60 outras unidades estaduais de SP se baseia em quatro pilares: gestão, pedagógico, infraestrutura e envolvimento da família e comunidade.

Ensino profissionalizante a alunos de baixa renda

Na final do prêmio, outra unidade latinoamericana, o Colégio María de Guadalupe, em Buenos Aires, na Argentina, foi anunciada como a Melhor Escola do Mundo. A escola desenvolve projetos de ensino profissionalizante para alunos de baixa renda, com a oferta de bolsas de trabalho após a conclusão do Ensino Médio, entre outras ações.

No Estado de São Paulo, uma iniciativa que segue padrão semelhante à da escola argentina foi lançada neste ano pela Secretaria da Educação. Além da ampliação do número de matrículas no Ensino Médio Técnico para 2025, a partir do ano que vem, os estudantes desse modelo de ensino terão acesso ao programa BEEM (Bolsa Estágio Ensino Médio). Por meio do programa, os estudantes serão encaminhados ao trabalho em empresas na sua área de formação, e receberão até R$ 1.000 em bolsas de estágio.

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Rússia propõe criação de bolsa de grãos para o Brics

Plano visa reduzir interferências externas e criar alternativa ao mercado ocidental de commodities

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Rússia sugeriu a criação de uma bolsa de negociação de grãos entre os países do Brics, durante a 16ª cúpula do grupo, realizada em Kazan, Rússia. A proposta faz parte de um esforço mais amplo para construir alternativas às instituições financeiras ocidentais, como a CBOT, uma das maiores bolsas agrícolas do mundo, sediada nos Estados Unidos.

O presidente russo, Vladimir Putin, destacou que a iniciativa busca proteger os mercados nacionais de interferências externas, especulações e da criação artificial de escassez alimentar. Além disso, mencionou a possibilidade de expansão da bolsa para outras commodities essenciais, o que poderia fortalecer a autonomia do bloco em um cenário global de multipolaridade econômica.

O Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, reforça sua aposta em consolidar um contraponto à influência das economias ocidentais, em especial dos EUA, União Europeia e Reino Unido. O grupo, ampliado em 2023 com a inclusão de novos membros como Egito, Etiópia e Arábia Saudita, agora delibera sobre a entrada de outros países, como Vietnã, Turquia e Nigéria, reafirmando seu papel crescente na geopolítica mundial.

Putin também citou a criação de uma plataforma de investimentos mútuos entre os membros, que impulsionaria o desenvolvimento econômico das nações do Sul Global. O encontro reforçou o apelo por reformas nas instituições de Bretton Woods, com maior representação de países em desenvolvimento e emergentes nas posições de liderança.

A proposta russa, entretanto, ocorre em um contexto de desafios para o grupo, como a decisão do Brasil de vetar a entrada da Venezuela e Nicarágua no bloco. A busca por novas alternativas segue como uma resposta direta à crescente pressão das economias ocidentais sobre países não alinhados ao seu modelo econômico.

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Lançamento de “Kiriris” destaca a cultura audiovisual em Barreiras

Foto: Ôpa Conteúdo

O curta-metragem “Kiriris” estreia em 17 de outubro de 2024, às 19h30, celebrando a resistência dos povos indígenas em Barreiras

O aguardado lançamento de “Kiriris” ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 17 de outubro de 2024, às 19h30, no Centro Cultural de Barreiras, celebrando não apenas a produção audiovisual local, mas também a resistência cultural dos povos indígenas. O curta-metragem, dirigido por Gustavo Ribeiro, sócio proprietário da produtora Ôpa Conteúdo!, explora a luta dos povos originários por sua sobrevivência em meio às ameaças territoriais.

A trama, estrelada pela jovem atriz mirim Indyohanny Batista, traz à tona a batalha dos povos indígenas para preservar suas terras e sua cultura. “É emocionante ver o projeto ganhar vida e a reação do público. O filme traz uma mensagem poderosa que precisa ser ouvida”, comentou Gustavo Ribeiro. O filme já gera expectativas sobre sua participação em festivais e concursos.

Cena impactante de “Kiriris”, retratando a luta dos povos indígenas pela preservação de suas terras e cultura | Ôpa Conteúdo

O foco principal de “Kiriris” é a resistência dos povos indígenas e sua luta para manter viva sua identidade em um cenário de constante redução de território. A cacique Rosivania Batista, uma das principais proponentes do projeto, destacou a importância do filme: “‘Kiriris’ não é apenas um filme, é uma forma de resistência e um meio de dar voz ao nosso povo”.

A produção foi viabilizada pelo edital da Lei Paulo Gustavo, uma vitória significativa para a Aldeia Kiriri. Gustavo Ribeiro reforçou a importância do apoio: “Agradecemos ao Governo Federal e à Prefeitura de Barreiras por apoiar a cultura e aplicar o edital em nosso município. Juntos, conseguimos contar uma história que é nossa”.

O processo de filmagem incluiu dinâmicas de integração conduzidas pelo professor de teatro Ramon Sousa, que ajudaram o elenco a se conectar profundamente com a narrativa. “Essas atividades foram essenciais para construir um ambiente colaborativo e autêntico”, afirmou Gustavo.

Kiriris” mostra a resistência dos povos indígenas em uma narrativa visualmente rica e cheia de simbolismo | Ôpa Conteúdo

Além da exibição presencial no Centro Cultural de Barreiras, o filme também será lançado no YouTube, ampliando o acesso ao público de outras regiões. A entrada para a estreia será gratuita, garantindo que todos possam participar dessa experiência cinematográfica.

A estreia de “Kiriris” fortalece a cultura audiovisual da região e promove uma reflexão sobre a identidade e os desafios enfrentados pelos povos indígenas. A narrativa promete sensibilizar e engajar o público, com uma história poderosa e envolvente.

Indyohanny Batista, atriz mirim revelação de “Kiriris”, estreia com atuação emocionante no curta sobre resistência indígena | Foto: Ôpa Conteúdo

A atuação de Indyohanny Batista, em sua estreia como protagonista, já é vista como uma revelação no cenário artístico. Sua performance em uma história tão rica em simbolismo é apontada como um dos destaques do filme.

Os organizadores estão confiantes no impacto que o filme terá no público. “Estamos ansiosos para compartilhar essa história e esperamos que todos se sintam parte dela”, concluiu Rosivania Batista, reforçando o clima de expectativa para o lançamento.

Momento de tensão em “Kiriris”, onde a protagonista enfrenta os desafios que ameaçam seu território ancestral | Ôpa Conteúdo

Kiriris” vai além de um simples curta-metragem: ele é um manifesto de resistência cultural e reafirma o papel transformador da arte. A obra coloca Barreiras em destaque no cenário audiovisual baiano, refletindo a força da cultura local e sua capacidade de tocar corações.

Brasil, Austrália e Inglaterra: veja países onde Musk tem atritos

Multibilionário é proprietário da rede social X

Agencia Brasil – Controlada pelo multibilionário Elon Musk, a rede social X, o antigo Twitter, tem colecionado atritos com autoridades de diversos países, desde o Brasil, até a Austrália, a Inglaterra, o bloco da União Europeia (UE), a Venezuela, entre outros.

Enquanto na UE, no Brasil e na Austrália, Musk apela à retórica da “liberdade de expressão” irrestrita, na Índia e na Turquia, a plataforma X tem acatado decisões judiciais com suspensões de conteúdos e de perfis sem denunciar suposta “censura”. Na Índia, a plataforma excluiu das redes um documentário da mídia inglesa BBC crítico ao primeiro-ministro do país asiático, Narendra Modi.

Sede da plataforma X, no centro de São Francisco, na Califórnia – Reuters/Carlos Barria

No Brasil, Musk fechou o escritório da plataforma X e tem evitado prestar contas à Justiça brasileira. Ele é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das milícias digitais que apura a atuação de grupos que supostamente se organizaram nas redes para atacar o STF, seus membros e a eleição brasileira de 2022.

A especialista em direito digital Bruna Santos, gerente de Campanhas Global na Digital Action, destacou que, desde que assumiu a plataforma, Musk tem desmontado os setores da companhia de regulação de conteúdo.

Brasília (DF) 29/08/2024 – Bruna Santos, especialista em direito digital e gerente de Campanhas Global na Digital Action

Foto: Bruna Santos/Arquivo Pessoal

Musk tem se demonstrado mais refratário em países onde se tentou regular a internet de uma maneira um pouco mais efetiva, como caso da Austrália, onde estão discutindo a remuneração de conteúdo de jornalismo. Ou no caso do Brasil, onde a Suprema Corte está bastante ativa e tinha, até abril deste ano, uma discussão sobre uma possível nova regulação de plataformas digitais”, afirmou.

Representante da Coalizão por Direitos na Rede, Bruna acrescentou que, por outro lado, a plataforma tem colaborado com governantes que têm alinhamento com os posicionamentos do empresário, lembrando ainda que a monarquia da Arábia Saudita é um dos acionistas da plataforma.

[A plataforma] segue tomada por conteúdos ilegais. Conteúdos que fazem apologia a drogas e que também falam sobre pornografia. Isso demonstra muito que, desde a entrada do Musk, o Twitter tem aplicado essa visão política de uma liberdade de expressão absoluta, não abrindo para nenhum tipo de discussão sobre eventual ilegalidade ou dano gerado por conteúdos a terceiros”, destacou a especialista em direito digital.

No Brasil, a liberdade de expressão tem limites. A legislação proíbe, por exemplo, defender ideologias nazistas ou racistas, incentivar golpe de Estado, incentivar a animosidade entre as Forças Armadas e outras instituições, fazer apologia a crimes ou ameaçar pessoas.

União Europeia
O bilionário Elon Musk, proprietário da rede social X – Reuters/David Swanson

Na União Europeia (UE), a primeira investigação contra uma plataforma digital com base na Lei de Serviços Digitais (DSA), aberta em dezembro de 2023, foi contra a rede social X por falta de transparência e por suposta disseminação de desinformação.

Em julho deste ano, a Comissão Europeia emitiu conclusões preliminares afirmando que a plataforma está violando as leis locais. O relatório diz que a verificação de contas da rede é enganosa porque qualquer um pode se inscrever para obter status de “verificado”, desde que pague por isso.

Há evidências de atores maliciosos motivados abusando da ‘conta verificada’ para enganar os usuários”, disse a comissão. A verificação ocorre quando um usuário recebe um identificador – o “selo azul” – que, em tese, fornece maior confiabilidade ao usuário.

Se a rede social for declarada culpada por violar as regras da União Europeia, a plataforma pode sofrer multas de até 6% do faturamento anual da companhia, entre outras medidas.

Em resposta, o bilionário acusou o órgão regulador do bloco europeu. “A Comissão Europeia ofereceu a X um acordo secreto ilegal: se censurássemos discretamente a fala sem contar a ninguém, eles não nos multariam”, disse.

Austrália

A rede social X também teve atritos com as autoridades australianas. O primeiro-ministro do país, Anthony Albanese, chamou Musk de “bilionário arrogante, que pensa que está acima da lei”.

O atrito ocorreu porque a rede social X se negou a acatar decisões judiciais para remover conteúdos violentos e considerados extremistas, como o vídeo de um atentado à faca contra um bispo que circulava nas redes, e que estariam estimulando o ódio e mais violência, segundo as autoridades do país.

Na rede social, Musk voltou a acusar as ordens judiciais de censura. “O comissário de censura australiano está exigindo proibições globais de conteúdo”, disse o bilionário.

Turquia

O megaempresário não age da mesma forma em todos os países. Na Turquia, a rede tem removido conteúdos e perfis a pedido de autoridades sem que, por isso, o governo seja acusado de censura.

Em maio de 2023, a plataforma suspendeu perfis e conteúdos após ordens judiciais às vésperas da eleição presidencial que reelegeu Recep Tayyip Erdogan. “Em resposta ao processo legal e para garantir que o Twitter continue disponível para o povo da Turquia, tomamos medidas para restringir o acesso a alguns conteúdos na Turquia hoje”, informou a plataforma.

Perguntado por um jornalista sobre o motivo de ter atendido ao pedido das autoridades turcas sem questionar, Musk respondeu: “A escolha é restringir totalmente o Twitter ou limitar o acesso a alguns tweets. Qual deles você quer?”.

Em setembro de 2023, a Reuters informou que o presidente turco e a Tesla – fábrica de automóveis elétricos de Musk – negociavam a instalação de uma planta da companhia no país.

Índia

Na Índia, em janeiro de 2023, a plataforma removeu conteúdos relacionados a um documentário da BBC que relata a repressão contra a minoria mulçumana no estado de Gujarat, quando o atual primeiro-ministro Modi governava a província. Estima-se que mais de mil pessoas tenham sido assassinadas.

Em entrevista à própria BBC depois, Musk disse não ter conhecimento do caso específico. “As regras na Índia sobre o que pode aparecer nas mídias sociais são bastante rígidas e não podemos ir além das leis do país”, disse Musk, de acordo com informações divulgadas pela Reuters.

Inglaterra

Nas últimas semanas, Musk ainda entrou em atrito com autoridades inglesas no contexto dos protestos da extrema-direita que atacaram residências e comércios de imigrantes após uma notícia falsa associar um assassinato a imigrantes. Sobre o tema, Musk comentou que uma “guerra civil é inevitável” no país europeu.

O ministro da Justiça do Reino Unido, Heidi Alexander, criticou o empresário classificando como “inaceitáveis” seus comentários, reacendendo o debate e as cobranças para a aplicação de regras para as plataformas digitais, informou a Reuters.

A rede social X tem sido acusada de impulsionar conteúdos anti-imigrantes na internet, o que teria alimentado a violência da extrema-direita.

A especialista em direito digital Bruna Santos avaliou que a plataforma não removeu conteúdos que estavam incitando o caos no Reino Unido e continuou permitindo postagens chamando novos atos violentos contra imigrantes.

Tem uma falta de escrutínio dos conteúdos hoje em dia no Twitter que pode ter tornado a plataforma como um dos principais lugares para a disseminação de conteúdo relacionado ao que estava acontecendo no Reino Unido”, explicou.

OMS divulga lista de 33 vírus e bactérias com potencial de desencadear uma nova pandemia

Caso de Política com OMS – A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista de 33 vírus e bactérias que possuem potencial para desencadear uma nova pandemia, resultado do trabalho de mais de 200 cientistas que analisaram cerca de 1.650 espécies. A lista inclui patógenos conhecidos no Brasil, como os vírus da dengue e Zika, além de subtipos do vírus influenza A e a bactéria que causa a peste.

O grupo de cientistas considerou a forma de transmissão, o acesso a tratamentos e o nível de virulência dos patógenos. A lista de “patógenos prioritários” não indica que todos esses agentes infecciosos se tornarão pandemias, mas aponta a necessidade de priorização em pesquisas para evitar possíveis impactos na saúde pública.

“O processo de priorização ajuda a identificar lacunas críticas de conhecimento que precisam ser abordadas com urgência”, destaca Ana Maria Henao Restrepo, uma das cientistas responsáveis pelo relatório, em declaração à revista Nature.

Lista dos patógenos com potencial pandêmico:

  • Mammarenavirus lassaense (Febre de Lassa)
  • Vibrio cholerae (cólera)
  • Yersinia Pestis (peste)
  • Shigella dysenteriae (disenteria)
  • Salmonella não-tifoide
  • Klebsiella pneumoniae (superbactéria)
  • Sarbecovírus (incluindo SARS-CoV-2)
  • Merbecovírus (MERS)
  • Vírus de Marburg
  • Vírus Ebola
  • Vírus Sudão
  • Vírus Zika
  • Vírus dengue
  • Vírus da febre amarela
  • Orthohantavirus sinnombreense
  • Orthohantavirus hantanense
  • Vírus da febre hemorrágica da Crimeia-Congo
  • Influenza A (H1, H2, H3, H5, H6, H7, H10)
  • Vírus Nipah
  • Bandavirus dabieense
  • Vírus de Coxsackie
  • Orthopoxvirus variola (varíola)
  • Vírus da Mpox (anteriormente, varíola dos macacos)
  • Vírus Chikungunya
  • Alphavirus venezuelan
  • Lentivírus humimdef1
  • Patógeno da Doença X

A OMS destacou a importância de revisões periódicas na lista de patógenos, especialmente devido a fatores como mudanças climáticas e desmatamento, que aumentam o risco de zoonoses. Além disso, pela primeira vez, a OMS criou uma segunda lista de “patógenos protótipos”, que são agentes infecciosos modelo, como o vírus Vaccinia, para o desenvolvimento de novas terapias e vacinas.

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Slogan racista da extrema direita francesa choca: ‘Dar futuro às crianças brancas’

Frase prega racismo e xenofobia

Caso de Política com UOL – Recentemente, a extrema direita francesa tem provocado polêmica ao levantar questões sobre a dupla nacionalidade dos franceses e a capacidade do presidente Emmanuel Macron de liderar as Forças Armadas do país. Apesar de o cartaz polêmico na pequena região da França não ser diretamente ligado ao movimento de Le Pen, ele expõe a perda de qualquer constrangimento na divulgação de mensagens racistas.

O Partido de França, fundado por Carl Lang, ex-membro e secretário-geral do partido de Marine Le Pen, afirmou em seu site que o cartaz foi “um verdadeiro sucesso” e que “o estoque está esgotado”. O partido elogia seus ativistas por assumirem riscos para exibir slogans ofensivos e radicais em toda a França. Após a polêmica, o partido decidiu retirar o cartaz, mas promete substituí-lo por outro com um novo apelo à “remigração”, ou seja, a expulsão de estrangeiros. “Que eles regressem para a África!”, será a mensagem do novo cartaz.

Pierre-Nicolas Nups, candidato que lidera o grupo na região, assumiu a autoria da mensagem. Segundo ele, trata-se de “uma mensagem de esperança para a nossa juventude e nada mais”. Nups afirmou que qualquer interpretação diferente seria “maliciosa”. Em 2017, ele foi condenado a seis meses de prisão suspensa e cinco anos de inelegibilidade por incitação ao ódio homofóbico.

A prefeitura da cidade de Neuves-Maisons entrou com um processo por “provocação à discriminação e ao ódio”. Pascal Schneider, prefeito da cidade, declarou: “Esta não é uma manifestação política, é uma manifestação sectária, que demoniza e estigmatiza”.

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Dia Mundial da Biodiversidade: reflexão e ação necessária para preservar a vida no planeta

Alagamento no Rio Grande do Sul, imagem da web

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Neste 22 de maio, enquanto o mundo celebra o Dia Mundial da Biodiversidade, a urgência da preservação ambiental é ressaltada após os recentes alagamentos que assolaram o Rio Grande do Sul e a Bahia. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1993, a data serve como um chamado à reflexão e à ação em prol da conservação da diversidade biológica que sustenta a vida no planeta.

Os alagamentos que ocorreram recentemente no Rio Grande do Sul e na Bahia destacam a vulnerabilidade dos ecossistemas diante das mudanças climáticas. Além dos prejuízos humanos e materiais, as enchentes também afetam diretamente a biodiversidade, causando danos irreparáveis aos habitats naturais e colocando em risco a sobrevivência de espécies animais e vegetais.

No Brasil, país que abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, os desafios ambientais são evidentes. O desmatamento na Amazônia e no Cerrado, somado às enchentes e outros eventos climáticos extremos, exacerbam a crise da biodiversidade. A perda de habitats naturais e a degradação dos ecossistemas comprometem não apenas a saúde dos biomas, mas também a qualidade de vida das comunidades locais e a economia do país.

Diante desse cenário preocupante, a implementação de políticas públicas eficazes e o cumprimento de acordos internacionais tornam-se ainda mais urgentes. O Brasil, como signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), tem a responsabilidade de adotar medidas que promovam a conservação e o uso sustentável da biodiversidade. No entanto, os recentes eventos climáticos extremos destacam a necessidade de uma abordagem mais ampla e integrada, que considere não apenas a proteção dos ecossistemas, mas também a adaptação às mudanças climáticas e a redução do risco de desastres naturais.

Apesar dos desafios, os recentes alagamentos também apresentam oportunidades para repensar nossa relação com o meio ambiente e promover práticas mais sustentáveis. Investimentos em infraestrutura verde, como a restauração de áreas degradadas e a conservação de áreas úmidas, podem contribuir para reduzir o impacto de futuros eventos climáticos extremos e proteger a biodiversidade. Além disso, a transição para uma economia mais verde e resiliente pode gerar empregos, promover o desenvolvimento econômico e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.

Neste Dia Mundial da Biodiversidade, é fundamental reconhecer a importância da conservação da diversidade biológica e a urgência de agir para proteger os ecossistemas do planeta. Diante dos desafios ambientais globais e nacionais, é hora de unir esforços e trabalhar juntos para garantir um futuro onde a biodiversidade seja valorizada e protegida. Somente assim poderemos garantir a saúde do planeta e o bem-estar das futuras gerações.

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13 de Maio de 1888: A Lei Áurea realmente libertou os escravizados?

Repórter Brasil – Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, o historiador Flávio Muniz analisou detalhadamente a Lei Áurea de 13 de maio de 1888, que oficialmente aboliu a escravidão no Brasil.

Muniz contextualizou o papel crucial do Rio de Janeiro e do Paço Imperial nesse evento histórico, destacando a assinatura da lei pela Princesa Isabel como regente em nome de seu pai, o Imperador D. Pedro II.

Muniz comparou a Lei Áurea com outras legislações abolicionistas ao redor do mundo, como o Abolition Act britânico de 1833, a Lei espanhola de 1880 em Cuba e a Décima Terceira Emenda dos EUA.

Ele levantou questões críticas sobre a efetividade da Lei Áurea, destacando as limitações impostas aos ex-escravizados após a abolição, incluindo exclusão política e social.

Muniz ofereceu uma compreensão profunda sobre o significado histórico do 13 de maio de 1888 e os desafios enfrentados pelos afrodescendentes após a promulgação da lei, situando-a em um contexto global de lutas pela emancipação e pelos direitos civis.

Para quem se interessa pelo assunto ou quer saber mais, segue o vídeo abaixo: