Brasil terá semana de extremos com bolha de calor que pode desencadear tempestades e vendavais

A “bolha de calor” que trouxe consigo altas temperaturas eleva o risco de tempestades intensas e ventos devastadores

Repórter ABC – O calor intenso que tem predominado nos últimos dias é apenas a face inicial de uma semana que promete ser marcada por eventos climáticos extremos em todo o território nacional. A “bolha de calor” que trouxe consigo altas temperaturas agora eleva o risco de tempestades intensas e ventos devastadores.

Para além da onda de calor já registrada, a previsão da MetSul Meteorologia alerta para a possibilidade de tempestades de grande magnitude capazes de causar danos significativos e transtornos generalizados. As regiões Sudeste e Centro-Oeste estão na mira desses fenômenos, com previsão de tempestades isoladas no final da tarde, acompanhadas do perigo iminente de chuvas intensas e vendavais. A semana é categorizada como “extrema” pela MetSul devido à sua potencial severidade.

O Rio Grande do Sul, em particular, permanece sob a ameaça de grandes tempestades devido a uma instabilidade significativa que persiste no estado. A intensidade das temperaturas contribui para a criação de condições propícias a eventos climáticos extremos.

No Sul do país, espera-se um considerável aumento no volume de chuvas, elevando o risco de inundações e cheias em rios. Adicionalmente, a possibilidade de deslizamentos e quedas de barreiras cresce, sendo que temporais com vento e granizo são previstos. A instabilidade climática se estenderá ao longo da semana no Sudoeste do Paraná, ampliando os desafios enfrentados pelas comunidades locais.

Diante desse cenário de extremos, é imperativo que a população esteja alerta e tome precauções necessárias para mitigar os impactos potenciais desses eventos climáticos adversos. As autoridades também estão em estado de alerta, monitorando de perto a evolução das condições meteorológicas para a adoção de medidas preventivas e de segurança.

Santo André recebe o prêmio “Cidades Excelentes” por iniciativas de sustentabilidade

Iniciativas como Moeda Verde, usinas fotovoltaicas e Moeda Pet foram reconhecidas em etapa estadual de premiação realizada pelo Grupo Bandeirantes

No último domingo (12), Santo André conquistou o título estadual na categoria “Sustentabilidade” no Prêmio Cidades Excelentes da Band. Reconhecendo iniciativas como a Moeda Verde, usinas fotovoltaicas e o programa de Troca Pet, este reconhecimento foi concedido durante a etapa estadual dos prêmios realizados pelo Grupo Bandeirantes.

O prefeito Paulo Serra expressou imensa alegria por mais um reconhecimento, desta vez vindo do Grupo Bandeirantes. Ele enfatizou que Santo André não é apenas uma cidade inteligente, mas também um modelo de sustentabilidade. Ele destacou que a verdadeira vitória está na melhoria da qualidade de vida dos residentes da cidade. Esta comenda tem um significado especial, sendo uma honra levar este prêmio para casa em nome de todos os indivíduos que residem em nossa cidade.

Este prêmio serve como um reconhecimento para inúmeras iniciativas da Prefeitura de Santo André voltadas para a preservação do meio ambiente, alinhadas com ações de desenvolvimento sustentável e inclusão social. Com uma pontuação de 75,54, Santo André recebeu a maior nota entre os municípios paulistas com mais de 100.000 habitantes nessa categoria.

Entre essas iniciativas está o programa Moeda Verde, uma parceria entre o Fundo Social de Solidariedade e o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental (Semasa). Celebrando seu sexto aniversário neste mês, o programa troca materiais recicláveis por produtos agrícolas frescos, beneficiando 26 comunidades. Desde 2017, mais de 1.200 toneladas de resíduos foram coletadas, resultando na distribuição de cerca de 250 toneladas de alimentos.

Outra iniciativa de destaque é o projeto em andamento de instalação de um complexo de usinas fotovoltaicas pelo Departamento de Infraestrutura e Serviços Urbanos. Esse empreendimento visa gerar energia limpa, reduzindo assim as contas de eletricidade de edifícios públicos.

O programa de Troca Pet, que troca materiais recicláveis por ração para cães e gatos, também foi reconhecido. Estabelecido em 2019, é uma colaboração entre a Secretaria de Meio Ambiente, o Banco de Alimentos do Fundo Social de Solidariedade e o Semasa.

Para reforçar seu compromisso com a sustentabilidade, Santo André opera o programa “Ponto Limpo” para combater o descarte inadequado de resíduos. O Semasa engaja ativamente os cidadãos, promovendo o descarte correto de resíduos e incentivando a participação na revitalização de áreas degradadas. Além disso, a cidade hospeda projetos socioambientais como “Breshopping Sustentável” e “Gincana Ecológica”, promovidos por meio de doações nas Estações de Coleta.

Sineduc requer antecipação da 2ª parcela do 13º e do salário de dezembro

Repórter ABC – O Sineduc enviou um ofício ao prefeito Guto Volpi requisitando a antecipação do pagamento da segunda parcela do 13º salário de 2023 para a primeira semana de dezembro e também a antecipação do salário referente a esse mês.

Na carta, a presidente do Sineduc, Perla de Freitas, justificou que essa solicitação visa o benefício dos servidores e da cidade.

“A antecipação permitiria que os funcionários planejassem suas finanças de forma mais eficaz, além de poderem aproveitar melhores preços durante as compras de final de ano”.

Perla destacou ainda que essa medida poderia beneficiar o comércio local ao agilizar a circulação do dinheiro.

O sindicato ressalta a importância não apenas para os funcionários, mas para a economia local, sugerindo que essa antecipação teria um impacto positivo na estabilidade financeira individual dos trabalhadores e na dinâmica econômica da região.

Até o momento, a Prefeitura não emitiu uma declaração oficial em resposta ao pedido, mas fontes indicam que a administração está avaliando a viabilidade e os possíveis impactos dessa solicitação, considerando a situação financeira do município e os trâmites legais necessários para realizar tais adiantamentos.

Crescem os números de estupros no Brasil, em 6 meses foram 34 mil casos

No pais, acontecem 1 caso a cada oito minutos

Repórter ABC – O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou números alarmantes esta segunda-feira, revelando um aumento de 14,9% nos casos de estupro no Brasil durante o primeiro semestre deste ano. Isso representa 1 caso a cada 8 minutos, marcando um recorde na série histórica iniciada em 2019 pelo FBSP.

Os dados divulgados revelam que, além dos estupros, os feminicídios e homicídios femininos também apresentaram um crescimento de 2,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 722 mulheres vítimas de feminicídio, e 1.902 assassinatos registrados como homicídios no período.

Para o FBSP, esses números refletem a falha contínua do Estado em proteger meninas e mulheres no país, destacando um contraponto à redução da violência letal em outros crimes no mesmo período.

Isabela Sobral, supervisora do núcleo de dados do FBSP, destaca a importância da Lei Maria da Penha para prevenir esses crimes, ressaltando a necessidade de implementação efetiva das medidas protetivas de urgência. Segundo ela, a falta de uso dessas ferramentas é um fator crítico, evidenciado pelo fato de muitas vítimas de feminicídio não possuírem medidas protetivas.

Sobral enfatiza a urgência na capacitação das forças policiais para um atendimento adequado e a identificação precisa de casos de feminicídio nos registros policiais. Ela aponta disparidades na classificação do crime entre diferentes estados, enfatizando a necessidade de uma abordagem unificada e eficaz.

O relatório do FBSP também ressalta a subnotificação dos casos de estupro, indicando que o número de 34 mil pode ser significativamente maior devido ao medo, falta de compreensão do crime ou situações em que as vítimas são incapazes de reportar o abuso.

Estudos recentes do IPEA demonstram que apenas 8,5% dos estupros são registrados pelas polícias e 4,2% pelos sistemas de informação da saúde. Com base nesses números, estima-se que cerca de 425 mil mulheres e meninas foram vítimas de violência sexual nos primeiros seis meses de 2023.

Sobral destaca que a maioria dos autores de estupros são conhecidos das vítimas, e muitas dessas vítimas são vulneráveis. Do total de casos de estupro registrados no primeiro semestre deste ano, 74,5% foram de estupro de vulneráveis, ou seja, envolvendo vítimas menores de 14 anos ou incapazes de consentir.

Os números revelados pelo FBSP apontam para uma situação alarmante e um desafio contínuo para o Brasil no combate à violência sexual e à proteção das mulheres e meninas em todo o país

Guto Volpi organiza desfile de Natal ao custo de R$ 135.000,00 por uma única apresentação

O evento natalino terá uma única apresentação de no máximo 2 horas

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – A Prefeitura de Ribeirão Pires, por meio do processo licitatório nº 118/2023, planeja alocar R$ 135.000,00 para um desfile natalino. Este evento minuciosamente detalhado no documento suscita dúvidas sobre a destinação de recursos públicos diante das necessidades prementes do município.

Com propostas recebidas e abertura no mesmo dia, em 16/11/2023, a rapidez do processo licitatório merece atenção. A programação do desfile, planejado para apresentar doze carros temáticos e envolver 40 figurantes, bem como uma equipe multifuncional, sinaliza um evento de duas horas, entre 18:00 e 20:00 horas.

Segundo ainda, o desfile terá uma única apresentação e está programado para acontecer no dia 08 de dezembro de 2023 em um circuito de no máximo 05 quilometros.

Essa rápida execução do processo licitatório ressalta a importância de examinar se a quantia considerável destinada a um evento temporário está alinhada com as reais carências da cidade. Num cenário onde áreas cruciais como saúde, assistência medicamentosa e infraestrutura urbana frequentemente sofrem com a falta de investimentos, a destinação de uma verba significativa para um evento sazonal suscita dúvidas.

Assim, a gestão estratégica dos recursos municipais torna-se crucial diante das demandas urgentes. A discussão sobre a distribuição de recursos públicos em eventos festivos em detrimento de áreas prioritárias, como saúde e infraestrutura, se faz essencial para o bem-estar da comunidade.

Sargento Simões e Nova Era articulam aprovação de contas de Átila rejeitadas pelo TCE

Sargento Simões e Zé Carlos Nova Era estão em campanha por aprovação de contas rejeitadas pelo TCE

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Sargento Simões, do PL, emerge como a figura-chave na articulação para a aprovação das contas rejeitadas do ex-prefeito Atila Jacomussi, atual deputado estadual. Nos bastidores, comenta-se sobre a possibilidade de um acordo que poderia ser desencadeado em caso da não candidatura de Atila. Especula-se que, nesse cenário, o ex-prefeito poderia direcionar seu apoio a Simões, visando à possível candidatura deste ao cargo de prefeito. Esse suposto entendimento tem gerado conjecturas sobre os movimentos políticos nos corredores da Câmara de Mauá.

A atuação proeminente de Simões, aliada a Zé Carlos Nova Era, intensifica-se na busca pelo apoio dos colegas na Câmara de Mauá. O foco principal está na revogação da decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre as contas de 2020 de Atila.

Lideranças do PT de Mauá revelaram a movimentação desses vereadores do PL, destacando inclusive o encontro da dupla com Denis Caporal, do mesmo partido, enfatizando a busca ativa por apoio entre todos os vereadores.

A votação das contas de 2020 de Atila está agendada para terça-feira (14), conforme pauta legislativa da presidência da Câmara de Mauá, aproximando-se do prazo limite para a análise das contas do Executivo pelo Legislativo.

Conforme a Constituição Federal, a decisão final sobre as contas municipais está nas mãos da Câmara, que pode optar por acatar ou rejeitar o Parecer do TCE. Atila necessita de 16 votos para evitar a desaprovação, o que representa dois terços dos votos na Casa. Isso coloca em foco a base de apoio do prefeito Marcelo Oliveira, – que em tese detém maioria no Legislativo- , que precisa garantir o suporte de apenas oito dos 23 vereadores para manter o parecer do TCE. Esta situação já é vista como um termômetro antecipado para as eleições de 2024 na região, podendo impactar diretamente a trajetória política de Atila.

Apesar do risco iminente de inelegibilidade para o próximo pleito, a rejeição das contas por si só não é determinante para excluir o ex-prefeito da corrida eleitoral. Experiências recentes, como a rejeição das contas de 2017 em 2021, não impediram Atila de concorrer e ser eleito deputado estadual.

Violência contra jornalistas fica impune em 9 em cada 10 casos

APública | Rubens Valente – Na semana passada, jornalistas de vários países se reuniram em Washington (EUA) para um evento promovido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela Unesco a fim de marcar o Dia Internacional para o Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas. De acordo com o dado alarmante repetido no evento, mais de 1.600 jornalistas foram assassinados nos últimos 30 anos e, “chocantemente”, conforme ressaltou Tawfik Jelassi, diretor-geral assistente para Comunicação e Informação da Unesco, “nove em cada dez desses crimes estão, até os dias de hoje, insolúveis, deixando seus perpetradores impunes”.

“As estatísticas de 2023”, lembrou a relatora especial para a liberdade de expressão da Organização das Nações Unidas (ONU ), Irene Khan, “serão totalmente distorcidas pelo que está a acontecer neste momento em Gaza”, em referência aos bombardeios executados pelo governo de Israel que já mataram milhares de civis na Faixa de Gaza em resposta a um ataque terrorista cometido pelo Hamas em 7 de outubro. “Lamento, não posso falar hoje sem pensar nos 21 jornalistas palestinos, nos quatro jornalistas israelenses e no jornalista libanês que foram recentemente mortos só neste mês”, disse Khan.

Jelassi disse que em Gaza foi registrada “a pior semana, em termos de violência contra jornalistas, dos últimos dez anos”. O representante da Unesco mencionou também que a Ucrânia, alvo de uma invasão militar pela Rússia, já se aproxima das taxas de homicídio de jornalistas do México, considerado o país mais letal para a profissão.

Nataliya Gumenyuk, cofundadora do Laboratório de Jornalismo de Interesse Público na Ucrânia, disse que desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, ocorreram mais de 540 crimes contra jornalistas. De um total de 68 jornalistas ucranianos mortos ao longo do conflito, dez foram assassinados no exercício da profissão. Catorze permanecem desaparecidos, incluindo Viktoria Roshchyna, premiada jornalista ucraniana e amiga de Nataliya. Outros 33 jornalistas foram sequestrados, 31 foram feridos. Mais de 200 meios de comunicação fecharam as portas, em especial nas áreas sob ocupação militar da Rússia ou sob o ataque de mísseis.

Rubens Valente/Agência Pública

Inauguração de monumento nos Estados Unidos com os nomes de 500 jornalistas vítimas de violência ao redor do mundo

Inauguração de monumento que traz os nomes dos jornalistas vítimas de violência

Desde que foi criada, em 1997, a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão, vinculada à CIDH da OEA, registrou o assassinato de 507 jornalistas nas Américas. Na quinta-feira (2), foi inaugurada uma estátua no quintal da OEA, a poucos metros do Monumento a Washington, com um livro metálico que traz os nomes das vítimas e dos países em que morreram. Lá estão citados, por exemplo, Tim Lopes, jornalista investigativo da TV Globo morto pelo narcotráfico no Rio de Janeiro, e Domingos Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado, de Cuiabá (MT), covardemente fuzilado em 2002 a mando de um bicheiro. Também está incluído o britânico Dom Phillips, assassinado no Amazonas ao lado do indigenista Bruno Pereira em junho do ano passado.

Parentes de jornalistas assassinados no exercício da profissão prestaram testemunhos aterradores. “Para nós, familiares de jornalistas assassinados ou desaparecidos, fica claro que no México não haverá justiça. O governo do México não tem interesse nem vontade de esclarecer os crimes e de atender as famílias”, disse Jorge Sánchez, filho do jornalista mexicano José Moisés Sánchez Cerezo, sequestrado e assassinado por um grupo armado em 2015. Sánchez lembrou que outro jornalista que passou a investigar o assassinato, Rubén Espinosa, também foi morto a tiros na Cidade do México. No mesmo ano, um amigo do pai de Sánchez foi executado.

Caso Pedro Palma, um assassinato impune no Rio de Janeiro

Evelien Wijkstra, diretora jurídica da organização não governamental Free Press Unlimited, contou que quatro anos atrás começou, com apoio da Repórteres Sem Fronteiras, um projeto que investigou 17 casos de jornalistas assassinados que acabaram sem solução em 16 países. A pesquisa procurou apontar o motivo do crime e qual foi o comportamento do sistema judicial. Um dos casos foi o do jornalista brasileiro Pedro Palma, cujo relatório de 32 páginas pode ser lido aqui.

Editor-chefe do jornal semanal Panorama Regional, Palma frequentemente tratava do tema da corrupção na prefeitura municipal de Miguel Pereira (RJ). Aos 47 anos, foi assassinado a tiros por sicários que se aproximaram numa motocicleta. O caso nunca foi esclarecido. A investigação independente da Free Press Unlimited apontou “atrasos excessivos e indevidos em fases cruciais da investigação oficial”, falta de transparência (por exemplo, a família de Palma só teve acesso ao inquérito nove anos depois do crime) e prejuízos à possibilidade de analisar “dados cruciais de telefones celulares”.

Wijkstra mencionou que pretende apresentar os achados da investigação, a fim de dar “os primeiros passos rumo à justiça”, para o Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas e Comunicadores, recém-criado pelo governo Lula no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). “Estamos tentando engajar as autoridades a reabrir o caso para de fato fazer justiça neste caso específico”, disse Wijkstra.

Coordenadora-executiva do observatório, a advogada Lázara Carvalho, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça do MJSP e conselheira do Innocence Project Brasil, participou do evento em Washington. Em sua palestra, contou que um dos primeiros objetivos do observatório é reconquistar a confiança dos jornalistas e comunicadores no Estado brasileiro.

“Nos últimos tempos, o Brasil mergulhou em uma noite muito, muito escura, onde os direitos humanos, a liberdade de imprensa foram combatidos com violência pelo próprio governo. O observatório é uma iniciativa muito recente, muito pequena, mas temos procurado construí-lo com a sociedade civil, com os jornalistas, com os comunicadores, e principalmente para sair do nosso lugar de conforto e ir até os territórios. Saber realmente que experiência você [jornalista] tem. Não temos respostas exatas, mas acreditamos que começamos da maneira certa, que é compartilhando, trabalhando juntos, entendendo que o observatório não é para nós, é para toda a sociedade e principalmente para que a democracia volte a ser forte no Brasil”, disse Carvalho.

A Agência Pública participou de uma mesa sobre assédio judicial, na qual este colunista mencionou recentes casos brasileiros, como a abertura de 144 processos contra o jornalista João Paulo Cuenca e processos contra a escritora e advogada Saíle Bárbara Barreto e os jornalistas José Cristian Góes e Amaury Ribeiro Júnior. Falei também do processo aberto contra mim pelo ministro do STF Gilmar Mendes a propósito do livro Operação banqueiro, de 2014, explicado em detalhes pela Pública no ano passado. Desde o início de 2022, há uma petição em curso na CIDH aberta com apoio da RFK Human Rights, Media Defence e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Falei ainda sobre os processos movidos contra a Pública, o Congresso Em Foco e o ICL Notícias pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que levaram ao banimento de reportagens que relatavam denúncias feitas pela ex-mulher do parlamentar, Jullyene Lins.

Evento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA e Unesco nos EUA
Eleições elevam preocupação com segurança dos jornalistas
O evento organizado em Washington levantou também preocupações em torno do ano que vem, quando mais de 80 países, incluindo o Brasil, vão promover eleições. “As eleições são pontos críticos, onde vemos todas as ameaças contínuas aos jornalistas serem ampliadas”, disse Irene Khan, relatora na ONU. Na semana passada, a Unesco divulgou um estudo sobre 89 eleições ocorridas em 70 países de janeiro de 2019 a junho de 2022. Foram documentados, nesses períodos eleitorais, 759 ataques individuais contra jornalistas, incluindo cinco assassinatos. Cerca de 42% dos ataques foram cometidos “por agentes da lei”.

O brasileiro Guilherme Canela, chefe do setor de Liberdade de Expressão e Segurança de Jornalistas na Unesco, disse que os “líderes políticos, mas não apenas os líderes políticos, [também] os líderes religiosos, [e] as celebridades, têm o dever, na esfera pública, de deixar claro que jornalistas e o jornalismo são essenciais para nossas democracias”.

“Quando fazem o contrário, a primeira consequência, claro, é gerar desconfiança. E, quando se cria desconfiança no jornalismo, há consequências negativas sobre vários outros aspectos, incluindo o combate à desinformação, à forma como podemos realizar eleições justas e livres e assim por diante. Os nossos dados sugerem que, quando pesquisamos, por exemplo, sobre a violência contra os jornalistas que cobrem os protestos, o discurso público contra os jornalistas está a gerar de fato violência contra eles. Contra as mulheres jornalistas e as mulheres parlamentares. Começa como uma violência online, muitas vezes relacionada com este discurso público contra as mulheres jornalistas ou contra as mulheres parlamentares, neste caso. Nossos dados mostram que não fica apenas na esfera online, embora isso já seja muito ruim. Vai para o físico.”

No discurso de abertura do evento, Luis Almagro, secretário-geral da OEA, disse que “ações criminais contra jornalistas, o assassinato de jornalistas, são a mais ultrajante forma de censura”. “Perseguição, cadeia, tortura, tantos males que fazem parte da vida dessas pessoas com consequências para a democracia. Pessoas que moram no exílio por temer por suas vidas”, disse Almagro.

“Viver com medo não é uma opção”
Pedro Vaca, relator especial para a Liberdade de Expressão da CIDH da OEA, observou que havia um contraste no evento: “jornalistas e familiares de jornalistas que buscam justiça e cessação da impunidade”, ao mesmo tempo que “é surpreendente ver como há sistemas judiciais extremamente rápidos na hora de processar jornalistas”.

Vaca ressaltou que hoje há no mundo pessoas exercendo a liberdade de expressão em função do interesse público “em prisão ou perto de serem presas, em um ambiente tão tenso que implica saírem do lugar em que estão”.

“Isso leva a uma reflexão, mais do que sobre o Poder Judiciário, [também] sobre sociedade, estado de direito e liberdade de expressão. Eu tendo a crer que há uma espécie de traição da liderança política com a própria democracia. A liderança política chega ao poder e depois ocupa e zela pelo seu próprio espaço do qual participa, mas não deixa que outros atores que pensam diferente falem ou exerçam esse direito. E assim, aos poucos, as pessoas chegam ao poder para negar direitos a outras pessoas, incluindo os jornalistas.”

Jorge Sánchez, o filho do jornalista Cerezo, assassinado no México, disse que a partir de fevereiro de 2014, quando foi morto a tiros o jornalista Gregorio Jiménez de La Cruz, no mesmo estado mexicano de Veracruz, o seu pai era indagado se também não tinha medo de morrer. “Meu pai respondia: ‘Se nós ficarmos calados, as coisas não vão mudar. Se não fizermos nada, a coisa seguirá igual. Viver com medo não é uma opção’.”

Márcio Barzi se une ao PSD de Mauá em um evento histórico para a cidade

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – O PSD de Mauá recebeu Márcio Barzi em suas fileiras em um evento que contou com a presença do presidente da sigla na cidade, Caio Carvalho, do Juiz João, pré-candidato a prefeito,  do ex-prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi, do empresário José Lourencini e de diversas lideranças locais. O encontro destacou a relevância da participação de representantes de diferentes setores políticos na tomada de decisões.

Para Caio Carvalho, presidente municipal do PSD em Mauá, a chegada de Márcio Barzi é motivo de alegria:

“Acreditamos que um partido se constrói com pessoas engajadas em fazer políticas públicas que transformem a vida da população. Agradecemos imensamente a mensagem da senadora Mara Gabrilli nesse dia tão importante. Seja muito bem-vindo e vamos juntos em busca de uma sociedade mais acessível para todos!, descatou Caio Carvalho”

A filiação de Márcio Barzi também recebeu os elogios e o apoio da senadora por São Paulo, Mara Gabrilli, por meio de uma mensagem de áudio:

“Hoje é um dia verdadeiramente especial, celebrando a filiação do meu amigo Márcio Barzi ao PSD de Mauá. É fundamental termos lideranças comprometidas com a causa das pessoas com deficiência, que defendem a acessibilidade e inclusão. A presença ativa de pessoas com deficiência na política tem o poder de transformar o cenário político, quebrando inúmeras barreiras e alterando a percepção da sociedade. Assim, expandimos a visão de mundo de todos e, mais importante, melhoramos a qualidade de vida daqueles que não têm deficiência. Márcio, desejo a você muito sucesso, prosperidade e muita luz nessa nova jornada. Seu comprometimento com a inclusão e qualidade é inspirador.”

A adesão de Márcio Barzi ao PSD de Mauá representa não apenas um reforço para o partido, mas também um passo significativo na inclusão e representatividade de diferentes setores da sociedade na esfera política local.

PT atrai prefeitos do PL. Efeito Lula impulsiona legenda para 2024

A tendência aponta para um aumento contínuo no número de prefeitos petistas até abril de 2024

Repórter ABC – O Partido dos Trabalhadores (PT) tem visto um notável crescimento em sua base, particularmente no Nordeste, após as eleições de 2022, atraindo 51 novos prefeitos provenientes de outras legendas.

Com os olhos voltados para as eleições municipais do próximo ano, o PT adotou uma postura acolhedora em relação a novas filiações, ampliando significativamente o número de prefeituras e atraindo até mesmo prefeitos do Partido Liberal (PL), associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Impulsionado pela vitória de Lula na Presidência no ano passado, o partido viu seu quadro de prefeitos expandir em 51 membros através de migrações partidárias, segundo dados dos 26 diretórios estaduais. A legenda ampliou-se de um total de 183 prefeitos eleitos em 2020 para atuais 234 gestores municipais.

O PT, aproveitando esse momento favorável, está deixando para trás a adversidade observada em 2020, quando alcançou sua menor representação, com 183 prefeitos, registrando o desempenho mais baixo desde 1996. Seu ponto alto foi em 2012, durante o mandato da presidente Dilma Rousseff, quando conquistou 644 prefeituras.

O avanço significativo do PT foi impulsionado pelos estados de Piauí, Ceará e Bahia, todos sob liderança de governadores petistas. Além disso, houve novas filiações pontuais em estados como Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

A tendência aponta para um aumento contínuo no número de prefeitos petistas até abril de 2024, prazo final para novas filiações dos políticos que disputarão as eleições.

Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí, destaca que, ao contrário dos cargos proporcionais, os prefeitos são proprietários de seus próprios mandatos, o que lhes permite migrar a qualquer momento sem sofrer punições, visto que os custos associados a essa mudança são baixos.

Houve um movimento em direção às siglas alinhadas ao presidente, especialmente em municípios mais dependentes de recursos federais. Não surpreendentemente, o maior salto em número de prefeituras ocorreu no Piauí, um estado governado pelo PT pela quinta vez, mas que, anteriormente, estava em oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

“Há uma disputa pela identidade do PT, que é muito forte em nosso estado. Temos municípios onde dois grupos opostos solicitaram filiação ao partido. Chegamos a recusar alguns pedidos”, declara João de Deus Sousa, presidente estadual da legenda.

O partido estabeleceu critérios para a filiação, aceitando apenas prefeitos que apoiaram Lula e o governador Rafael Fonteles em 2022. Prefeitos que apoiaram a oposição têm migrado para outros partidos aliados do PT no estado, principalmente PSD e MDB.

Na Bahia, estado de maior comando petista, o partido recebeu a filiação de dez novos prefeitos desde a vitória do governador Jerônimo Rodrigues no ano passado, ampliando de 32 para 42 gestores municipais.

“A demanda aumentou após as vitórias de Jerônimo e Lula. Voltou a ser ‘trend’ ser do PT, por assim dizer. Estamos lidando com isso de maneira equilibrada e madura. A porta não está fechada, mas também não está totalmente aberta”, afirma Éden Valadares, presidente estadual do PT.

Valadares relata que cerca de 50 prefeitos com mandato procuraram o partido nos últimos meses. No entanto, a maioria não atendeu aos critérios estabelecidos pela legenda para avaliar pedidos de filiação.

Esses critérios incluem a aprovação dos diretórios municipais e o compromisso de apoiar os candidatos a deputado do PT em 2026. Além disso, foram vetados indivíduos que apoiaram Bolsonaro ou ACM Neto (União Brasil), candidato derrotado ao governo nas eleições do ano passado.

Gabriel Roncon alfineta Guto Volpi ao apontar desconexão com a população

As críticas de Roncon sugerem uma reflexão sobre a postura e as práticas da atual administração municipal

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Em um recente vídeo veiculado em suas redes sociais, Gabriel Roncon lançou críticas veladas à gestão do prefeito da Estância, Guto Volpi. Em suas palavras, Roncon destacou a importância fundamental de um líder municipal estar em sintonia com as pessoas, ouvindo atentamente suas necessidades e compreendendo suas vivências.

Roncon enfatizou que a essência da política reside no contato humano e na capacidade de gerir não apenas de forma eficiente, mas também demonstrando um interesse genuíno pelas pessoas. Ele reforçou sua trajetória, ressaltando o hábito de não apenas estar presente, mas de escutar atentamente as demandas da comunidade. Para Roncon, a população detém um conhecimento ímpar dos desafios locais, sendo, portanto, uma via fundamental para a resolução dessas questões.

Contudo, o cenário apresentado por Roncon contrasta com a realidade percebida na cidade, onde, segundo suas declarações, os gestores parecem distantes da população. Descreveu um quadro em que estes se encontram isolados em ambientes confortáveis, distantes das realidades vivenciadas pela comunidade, e imersos em um universo distinto, alimentado por uma visão idealizada, tal como propagandeado.

O tom de suas críticas se torna mais incisivo ao apontar a desconexão entre a dureza da realidade enfrentada pela população e a aparente falta de interesse por parte da liderança municipal em compreendê-la. Segundo Roncon, conhecer e lidar com essa realidade demanda um apreço verdadeiro pelas pessoas, algo que, segundo suas palavras, falta àqueles que ocupam essas posições de liderança na cidade.

Embora não tenha mencionado o prefeito Guto Volpi diretamente, as críticas de Gabriel Roncon sugerem uma reflexão sobre a postura e as práticas da atual administração municipal, convidando à avaliação sobre a conexão e comprometimento dos gestores com a comunidade que representam.