Agência do Grande ABC desenvolve projeto estratégico para impulsionar setor industrial em Ribeirão Pires

Nova estratégia busca impulsionar a maturidade digital e a produtividade das indústrias da região

Repórter ABC – Na data de hoje, a Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC se uniu ao lançamento do ambicioso projeto “Jornada de Transformação Digital”, voltado para fortalecer o setor industrial de Ribeirão Pires. Este projeto tem como meta principal impulsionar a maturidade digital e elevar a produtividade das empresas participantes.

O evento, realizado em colaboração com a Prefeitura de Ribeirão Pires através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda, teve lugar no plenário da Câmara Municipal. Essa iniciativa conjunta, em parceria com o SENAI, CIESP, FIESP e SEBRAE, tem como foco as micro, pequenas e médias indústrias, oferecendo a participação de forma inteiramente gratuita para empresas com faturamento de até 8 milhões de reais.

A “Jornada de Transformação Digital” pretende otimizar a maturidade digital e impulsionar a produtividade das empresas envolvidas. No contexto específico de Ribeirão Pires, há 143 indústrias elegíveis para participar do projeto, com 30 delas já inscritas. O programa se desdobra em oito etapas de consultorias sem custos, cada uma direcionada a indústrias em diferentes estágios tecnológicos.

A Secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda, Marli Silva, expressou sua aprovação ao projeto, enxergando seus benefícios para as indústrias da localidade. “Esse grupo representa cerca de 23% da economia de Ribeirão Pires e a nossa grande preocupação é garantir que a cidade esteja em sintonia com o desenvolvimento contínuo de nossas indústrias”, afirmou.

O Presidente da Agência, Aroaldo da Silva, enfatizou a necessidade desta iniciativa para o desenvolvimento regional. “Estamos testemunhando grandes transformações recentemente, como a reestruturação das cadeias globais de valor, e o debate em torno da digitalização é fundamental para concebermos o desenvolvimento não apenas da cidade, mas também da região, do estado e do país. Abordar essa discussão sobre transformação digital é estar em compasso com as mudanças que estamos experimentando”, comentou.

Para ingressar nesse projeto, é necessário se cadastrar por meio do link: https://jornadadigital.sp.senai.br/. Essa parceria se insere como parte das ações voltadas ao crescimento econômico da Estância Turística de Ribeirão Pires.

Vereador Paulo César propõe e Câmara aprova projeto para incentivar doação de cabelos a pacientes em tratamento de câncer

A campanha será realizado anualmente durante a semana que antecede o Dia Nacional de Combate ao Câncer, em 27 de novembro, com o objetivo de sensibilizar a população sobre a importância desse gesto de solidariedade

Repórter ABC |Luís Carlos Nunes – Aprovado pela Câmara Municipal da Estância Turística de Ribeirão Pires, o Projeto de Lei N.º 0104/2023, de autoria do Vereador Paulo César Ferreira, traz à tona a instituição da Campanha de incentivo à doação de cabelos para indivíduos afetados pela alopecia decorrente de quimioterapia. Este programa, proposto pelo vereador, será realizado anualmente durante a semana que antecede o Dia Nacional de Combate ao Câncer, em 27 de novembro, com o objetivo de sensibilizar a população sobre a importância desse gesto de solidariedade.

O Projeto, de iniciativa do Vereador Paulo César Ferreira, tem como objetivo criar uma rede de apoio e solidariedade, onde parte do cabelo doado será utilizado por organizações e entidades para a confecção de perucas destinadas a pessoas carentes ou de baixa renda que enfrentam o tratamento de câncer. Este ato visa não somente restabelecer a autoestima dos pacientes, mas também reforçar a importância do apoio mútuo em meio aos desafios desencadeados pela doença.

O câncer é uma enfermidade multifacetada, podendo acometer indivíduos de todas as idades, gêneros e classes sociais. Diversos tipos de câncer são identificados, afetando homens e mulheres de formas distintas. A queda de cabelo, conhecida como alopecia, é uma das consequências mais comuns da quimioterapia, especialmente em tratamentos mais intensos.

Perucas, nesse contexto, representam não apenas uma cobertura física, mas uma forma de resgatar a autoconfiança e a beleza perdida durante o tratamento. Muitas vezes, a aquisição desses acessórios é inviável para pacientes devido aos custos elevados, e é aí que a doação de cabelo se torna um gesto impactante.

Além de incentivar a doação, o Projeto de Lei proposto pelo Vereador Paulo César Ferreira visa conscientizar a população sobre os tipos de câncer mais comuns, seus tratamentos disponíveis pelo SUS e a importância de oferecer suporte a quem enfrenta a batalha contra a doença.

Dessa forma, a iniciativa solidária proporciona um ciclo de benefícios mútuos, proporcionando esperança, força e autoconfiança tanto para os doadores quanto para aqueles que recebem as perucas. Aprovado pela Câmara Municipal, este projeto, idealizado pelo Vereador Paulo César Ferreira, assume relevância significativa e deve ser avaliado com atenção por todos os envolvidos.

Juiz responsável por soltura de Lula na disputa pela 13ª Vara Federal de Curitiba

Repórter ABC – O magistrado Danilo Pereira Júnior, conhecido por assinar o alvará de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2019, emerge como um dos principais concorrentes para assumir a 13ª Vara Federal de Curitiba, renomada por concentrar os emblemáticos processos da operação Lava Jato. Seu favoritismo se deve à sua experiência como o juiz mais antigo no rol de candidatos. O juiz realizou sua inscrição para ser remanejado, porém, a análise e decisão sobre a candidatura ficam a cargo da Corte Administrativa do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Dentre os postulantes à vaga, estão nomes como Bianca Georgia Cruz Arenhart, Fabio Nunes Martino, Alexandre Arnold, Sandro Nunes Vieira, Leandro Cadenas Prado, Gustavo Chies Cignachi e Diego Viegas Véras, cujas candidaturas também aguardam avaliação da corte administrativa do TRF-4. A nomeação do novo responsável pela 13ª Vara Federal de Curitiba será aguardada com expectativa, dada a relevância dos processos ali sediados e o histórico de Pereira Júnior no cenário jurídico.”

Brasil alcança marca recorde de 87,2% da população conectada à internet em 2022, indica IBGE

161,6 milhões de brasileiros navegaram na web ao longo de 2022, um aumento de quase 3% em relação ao ano anterior

Repórter ABC – Os números divulgados pelo IBGE revelam um cenário de avanço notável no acesso à internet em todo o Brasil, atingindo um patamar inédito de 87,2% da população em 2022. Os dados, provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), destacam um crescimento constante do acesso, abrangendo todas as faixas etárias.

Com um total de 161,6 milhões de brasileiros navegando na web ao longo de 2022, um aumento de quase 3% em relação ao ano anterior, 93,4% desses usuários estiveram conectados diariamente. Esse índice, que demonstra um uso frequente e consistente da internet, representa um salto significativo em comparação com os 84,7% de 2021.

Um ponto de destaque na pesquisa é o aumento expressivo do acesso à internet por parte da população com 60 anos ou mais, apesar de ainda registrar a menor taxa entre os grupos etários. O incremento de 4,6 pontos percentuais nessa faixa etária reflete a crescente facilidade de uso e a disseminação da tecnologia no cotidiano, conforme apontado pelo analista do IBGE, Gustavo Geaquinto.

No que diz respeito às regiões do país, o Centro-Oeste se destaca com o maior percentual de usuários, impulsionado pelo Distrito Federal, que atinge a marca de 96,6%. Enquanto o Norte e o Nordeste, embora tenham apresentado as maiores expansões em 2021 e 2022, continuam registrando os menores resultados, com incrementos de 6,1 p.p. e 5,1 p.p., respectivamente.

Outro dado relevante é a presença da internet em 91,5% dos domicílios em 2022, representando um aumento de 1,5 ponto percentual em relação a 2021. Na área rural, 72,7% dos domicílios estavam conectados, enquanto nas áreas urbanas o índice foi um pouco maior, atingindo 89,4%.

Quanto aos dispositivos de acesso, o telefone móvel, celular ou smartphone, lidera o ranking com 98,9% de utilização, seguido pela TV, que alcançou 47,5%. Enquanto a televisão vem ampliando sua presença – saindo de 11,3% em 2016 para 47,5% em 2022 – o uso de microcomputadores e tablets vem decrescendo.

Pela primeira vez, a pesquisa analisou a frequência do uso da internet, revelando que 93,4% dos brasileiros a utilizavam como parte de suas atividades diárias. A região com menor índice de frequência diária foi o Norte, enquanto o Centro-Oeste liderou com o maior índice. Estes dados refletem a crescente integração da internet no cotidiano dos brasileiros e a evolução constante do acesso digital em todo o país.

Sucuri expele ovos para tentar fugir de incêndio e morre queimada ao lado do ninho no Pantanal

Repórter ABC – Uma sucuri foi encontrada morta junto com seus ovos após ter sido queimada por causa de um incêndio que atingiu no começo de outubro uma fazenda próxima ao Parque Estadual Encontro das Águas e se alastra há 20 dias no Pantanal mato-grossense. O Parque é localizado entre os municípios de Barão de Melgaço e Poconé, a 250 quilômetros (km) de Cuiabá (MT) e é conhecido por ter a maior concentração de onças-pintadas do mundo. Os incêndios que atingem o Pantanal devastaram mais de 258.425 hectares, sendo 730 focos de incêndio nas últimas duas semanas, informou na última sexta-feira (20) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Laboratório De Aplicações De Satélites Ambientais – UFRJ (LASA).

De acordo com o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto Silva, diferente dos mamíferos, as serpentes não cuidam dos filhotes e não têm vínculo parental. A serpente deixou os ovos fora do corpo antes de morrer para poder ficar mais leve e tentar fugir do fogo. “As serpentes tem o sentido da visão muito ruim, quando elas percebem o fogo, as chamas já estão muito perto. A sucuri não bota ovos, mas na agonia da morte, ela expeliu os ovos antes da hora e antes dos filhotes estarem prontos”. O relato foi publicado no portal G1.

Outra localidade que também sofre com incêndios é o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí. O fogo se espalhou na semana passada no interior da Bahia, em região próxima à divisa com o Piauí. A Serra das Confusões é a maior reserva natural da caatinga e o maior parque do tipo na Região Nordeste.

2023 deve ser o mais quente dos últimos 125 mil anos, afirmam cientistas

Sputnik – Este ano é “praticamente certo” que será o mais quente em 125 mil anos, disseram cientistas da União Europeia nesta quarta-feira (8), depois que dados mostraram que o mês de outubro foi o mais quente do mundo nesse período.

O mês passado superou o recorde de temperatura de outubro de 2019, por uma margem de 0,4 grau Celsius, disse a vice-diretora do Serviço de Monitoramento das Mudanças Climáticas do Copernicus (C3S, na sigla em inglês), Samantha Burgess, da UE, descrevendo a anomalia de temperatura de outubro como “muito extrema”.

De acordo com o C3S, o calor é o resultado das contínuas emissões de gases de efeito estufa provenientes da atividade humana, combinadas com o aparecimento neste ano do padrão climático El Niño — que aquece as águas superficiais no leste do oceano Pacífico.

Globalmente, a temperatura média do ar à superfície em outubro foi de 1,7 grau Celsius mais quente do que no mesmo mês de 1850-1900, que o serviço Copernicus define como o período pré-industrial. Esta é a razão pela qual seria “praticamente certo” afirmar que 2023 superou o recorde de 2016, passando a ser o ano mais quente já registrado, afirmou o C3S em comunicado.

O conjunto de dados do Copernicus remonta a 1940, “quando combinamos os nossos dados com os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas [IPCC, na sigla em inglês], podemos dizer que este é o ano mais quente dos últimos 125 mil anos”, disse Burgess à agência Reuters.

A outra única vez antes de outubro que um mês quebrou o recorde de temperatura por uma margem tão grande foi em setembro de 2023. “Setembro realmente nos surpreendeu. Então, depois do mês passado, é difícil determinar se estamos em um novo estado climático. Mas agora os registros continuam caindo e estão me surpreendendo menos do que há um mês”, disse Burgess.

Apesar de os países estabelecerem metas cada vez mais ambiciosas para reduzir gradualmente as emissões, até agora isso não aconteceu. As emissões globais de CO2 atingiram um nível recorde em 2022.

Intrigas Políticas: o jogo oculto dos progressistas em Ribeirão Pires e as incertezas de Gabriel Roncon

Roncon não tem sua posição tão consolidada quanto desejaria no Progressistas

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Os meandros políticos de Ribeirão Pires estão em ebulição com os movimentos do partido Progressistas. Gabriel Roncon, uma peça-chave no tabuleiro, firmou um pacto em setembro com o atual presidente estadual do partido, o deputado federal, Maurício Neves. Aparentemente, esse acordo era para ser a fundação de seu domínio, mas os bastidores sugerem um enredo que está longe de ter um vencedor definitivo.

O enredo se complica com a presença de outros grupos de interesse que pairam sobre o partido. Conluios, estratégias enevoadas e alianças obscuras parecem ser a ordem do dia, lançando o panorama político em um turbilhão. Esses grupos, cada qual com seus objetivos resguardados, manipulam por trás das cortinas, interferindo diretamente nas jogadas dentro do Progressistas.

Roncon, apesar do compromisso com o presidente, não tem sua posição tão consolidada quanto desejaria. Sua cadeira parece estar longe de ser um trono seguro, levando a questionamentos sobre sua permanência e influência no partido.

As manobras políticas e acordos nos bastidores do partido pintam um quadro instável e incerto para Roncon e seus colegas partidários. O desdobramento dessas negociações pode alterar o rumo dos Progressistas em Ribeirão Pires, criando um clima de mistério e incerteza que, sem dúvida, reserva inúmeras reviravoltas.

Andreza Araújo perde espaço no governo após Guto sinalizar com abafador

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – O prefeito Guto Volpi encaminhou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei nº 055/2023, propondo uma abrangente reorganização nas responsabilidades das secretarias municipais. Uma das mudanças mais marcantes é a redefinição do papel da Secretária Andreza Araújo, que teve suas atribuições consideravelmente reduzidas, sendo transferidas para o Gabinete do Prefeito, especificamente na área de Desenvolvimento Urbano e Habitação.

A justificativa formal destaca a necessidade de maior proximidade do prefeito com essas áreas, visando aprimorar a eficiência na gestão municipal. Contudo, nos bastidores, informações não oficiais sugerem que essa decisão reflete a perda significativa de espaço administrativo e de poder por parte de Andreza Araújo. Relatos indicam conflitos com vereadores, chegando ao ponto de ameaças de revelações constrangedoras durante sessões na Câmara Municipal. As ameaças seriam de revelar lambanças e outros atos inconfesáveis.

A proposta é apresentada em meio a controvérsias relacionadas à desapropriação de uma área próxima ao Jardim Iramaia, onde Araújo é acusada de agir de maneira questionável, ameaçando desalojar 211 famílias, resultando em alegações de desrespeito a acordos judiciais.

Interpretações indicam que o prefeito, ao realizar essa reorganização, está buscando não apenas a eficiência na administração, mas também uma estratégia para restringir consideravelmente o espaço administrativo e de poder de Andreza Araújo.

A Proposta que chegou ao parlamento em regime de urgência, foi aprovado pelos vereadores. Agora é aguardar os desdobramentos com atenção, observando os impactos no cenário político e administrativo de Ribeirão Pires.

Desafios e incertezas no avanço das obras do Terminal Rodoviário de Ribeirão Pires

Atrasos, falta de segurança e mudanças causam desconforto na população

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – As obras de modernização do Terminal Rodoviário de Ribeirão Pires, iniciadas em maio de 2022, enfrentam obstáculos significativos, mantendo a comunidade em suspense quanto à conclusão do projeto. Até o momento, a entrega permanece sem previsão clara, gerando críticas à gestão municipal.

O atraso na revitalização do terminal destaca um desafio para a administração local, resultando em um espaço que permanece em estado de abandono. Relatos da população apontam para a falta de segurança, presença de mau cheiro e ausência notável de funcionários municipais na área.

A segurança nos arredores do Terminal Rodoviário é outro ponto crítico. Residentes relatam desconforto ao aguardar o ônibus na região, destacando a sensação de vulnerabilidade devido à falta de iluminação e alterações no tempo de espera causadas pelas obras.

A mudança nos pontos de ônibus durante as obras é alvo de críticas, com moradores apontando a falta de comunicação sobre as mudanças.

A Prefeitura de Ribeirão Pires informa que as obras estão dentro do prazo estabelecido, sem especificar a data de conclusão e ignorando as críticas sobre a falta de funcionários. O prefeito Guto Volpi havia inicialmente prometido a entrega em setembro, justificando o atraso devido às chuvas.

A presença de uma placa do governo estadual na obra levanta incertezas, com o prazo de 32 meses para a conclusão estendendo-se até dezembro de 2024.

Com um investimento total de R$ 5 milhões, a execução da obra está a cargo da empresa MThomaz Engenharia, vencedora da licitação, com R$ 4,5 milhões provenientes do Estado (Dadetur – Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos) e cerca de R$ 500 mil de contrapartida da prefeitura.

Um conflito letal também para os jornalistas

Por Sergio Ferrari – Nas últimas três semanas de outubro, mais de trinta jornalistas perderam a vida enquanto faziam reportagens na Faixa de Gaza. O conflito, com o corolário de dezenas de milhares de vítimas, não exclui os trabalhadores da imprensa. Para a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), organização com sede em Bruxelas, na Bélgica, que reúne mais de 600 mil comunicadores de 140 países, é essencial que os protagonistas desse novo conflito respeitem o direito à informação (https://www.ifj.org/es/sala-de-prensa/noticias/detalle/category/comunicados-de-prensa/article/palestina-al-menos-veintitres-periodistas-muertos-en-gaza).“Respeitar a segurança dos jornalistas em Gaza”

Durante sua recente visita à Suíça, o jornalista francês Anthony Bellanger, atual secretário-geral da FIJ, confirmou desde Berna, Lausanne e Genebra o apelo feito pela FIJ, em 13 de outubro, à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que também trata das grandes questões relacionadas à informação. “Os trabalhadores da mídia em áreas de conflito armado devem ser tratados e protegidos como civis e ser autorizados a realizar seu trabalho sem interferências”, disse Bellanger. Ele antecipou os esforços que sua organização está fazendo junto à UNESCO para obter um apoio solidário excepcional que permita aos jornalistas palestinos comprar coletes à prova de balas, capacetes e equipamentos de primeiros socorros. O pedido também inclui os meios para estabelecer uma casa de imprensa em Khan Younes, Gaza, para permitir que jornalistas estrangeiros baseados no Cairo e que entrem através de Rafah desempenhem adequadamente suas funções profissionais no terreno.

Há poucos dias, a FIJ instou os protagonistas do conflito “a fazerem todo o possível para proteger jornalistas e profissionais da mídia”. E lembrou que “há um interesse intenso (e uma grande preocupação) em todo o mundo sobre esse conflito; mas que as pessoas só serão capazes de entender o que realmente está acontecendo se os jornalistas tiverem condições de fazer seu trabalho”.

Segundo a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, Israel “sufoca o jornalismo em Gaza” (https://www.rsf-es.org/palestina-israel-asfixia-al-periodismo-en-gaza/). Seu secretário-geral, Christophe Deloire, condenou o bloqueio midiático que Israel está tentando impor e disse que “o jornalismo é o antídoto para a desinformação que está se espalhando com particular força nessa região”.Face à situação dramática vivida por mulheres e homens da imprensa nessa área do Oriente Médio, a FIJ emitiu, em 2 de novembro, uma nova declaração de posição com a assinatura personalizada de mais de 70 dos seus sindicatos e associações membros de vários continentes. Reitera a “profunda preocupação com a situação de todos os jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação que cobrem o conflito”. E ressalta que essa situação se torna mais premente “depois que Israel anunciou, em 27 de outubro, que não garantiria a segurança dos jornalistas em Gaza” (https://www.ifj.org/es/sala-de-prensa/noticias/detalle/category/comunicados-de-prensa/article/global-call-israel-must-commit-to-protecting-journalists).

“Rejeitamos esta política e exigimos que os ministros e comandantes militares israelitas cumpram o direito internacional”, sublinha a FIJ, lembrando que, desde o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro, e no momento em que escrevo, 29 jornalistas palestinos, quatro israelitas e um jornalista libanês foram mortos, e que muitos outros (palestinos e israelitas) ficaram feridos ou desaparecidos.

Em seu comunicado, a FIJ pede a Israel “que cumpra plenamente o Direito Internacional Humanitário e a legislação internacional sobre os Direitos Humanos e atue para impedir a prática de qualquer crime contemplado no direito internacional sobre DDHH, incluindo os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio, bem como a incitação à sua prática”. Recorda que o artigo 79 da Convenção de Genebra estabelece que “em zonas de guerra, os jornalistas devem ser tratados como civis e protegidos como tais, desde que não participem das hostilidades”. A FIJ exige respeito por este artigo, cuja contravenção constituiria um crime de guerra, e exige a normalização dos sistemas de comunicação em Gaza. Especificamente, o acesso à Internet, que, muitas vezes, não está disponível, o que “viola o direito humano fundamental de procurar, receber e transmitir informações e ideias através de qualquer meio e independentemente de fronteiras”.

Uma guerra também informativa

A comunicação de cifras sobre o número de vítimas e o impacto do conflito fazem parte dessa guerra na Faixa de Gaza, que já é tão dramática quanto global. O próprio presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, opinou na polêmica sobre a veracidade dos dados sobre mortes e feridos (https://cnnespanol.cnn.com/2023/10/27/funcionarios-palestinos-publican-nombres-muertos-gaza-trax/). A guerra de informação inerente a esse conflito já se instalou e, sem jornalistas no terreno, desaparecem as fontes verdadeiras e a divulgação de informação objetiva.Na última segunda-feira de outubro, as Nações Unidas informaram que “à medida que a ajuda tão necessária começa a chegar a Gaza, a guerra pela verdade está se intensificando à medida que as mídias sociais alimentam narrativas contraditórias sobre a situação” (https://news.un.org/es/story/2023/10/1525307).A ONU News afirmou que “após os ataques do Hamas em 7 de outubro contra Israel, continua a circular desinformação prejudicial sobre o conflito em curso, o que pode ter consequências perigosas no terreno”. E ressaltou a necessidade de informações de fato verdadeiras: “Embora a desinformação possa ser o resultado da disseminação acidental de falsidades, ela também pode ser o resultado da disseminação intencional por agentes estatais. No caso de um conflito armado, por exemplo, para influenciar a opinião pública ou a política, e pode afetar todas as áreas do desenvolvimento, desde a paz e a segurança até a ajuda humanitária”.Com os olhos de todo o mundo na passagem fronteiriça de Rafah, no Egito, a partir de 22 de outubro, imagens de comboios que finalmente conseguiram entrar em Gaza carregados de ajuda humanitária inundaram as redes sociais. Ao mesmo tempo, diz a ONU News, que a desinformação se multiplicou sobre o que esses caminhões continham e também sobre como essa ajuda chegou ao seu destino, um enclave sitiado de 363 quilômetros quadrados onde vivem 2,3 milhões de pessoas, das quais 1,4 milhão foram deslocadas pelas hostilidades.A própria ONU deu exemplos de mentiras que circularam como informações verdadeiras. Entre outras, ela e algumas de suas organizações subsidiárias na região, como a Agência de Refugiados Palestinos (UNRWA, em inglês), “estavam vendendo sacos de trigo a preços exorbitantes em Gaza”. Nada poderia estar mais longe da verdade, já que a UNRWA continua a fornecer pão aos deslocados em seus abrigos e vem distribuindo gratuitamente farinha de trigo para aumentar a produção em cerca de 16 padarias. Essa agência apoia refugiados palestinos desde 1950 e continua sendo a principal agência de ajuda humanitária das Nações Unidas em Gaza (https://www.unrwa.org/). Por sua vez, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) garantiu farinha gratuita para outras 23 padarias na zona de conflito.”As mentiras viajam muito mais rápido do que os fatos verdadeiros”, disse recentemente Melissa Fleming, subsecretária-geral da ONU para Comunicações Globais. “Mais uma vez”, de acordo com Fleming, “a névoa da guerra está impulsionando a disseminação do ódio e de mentiras na internet, resultando em erros perigosos com consequências reais em tempo real”. A alta funcionária da ONU apontou que, “nesse sentido, o discurso de ódio e a desinformação, já generalizados, inundam as redes sociais, distorcendo percepções e aumentando o risco de mais violência”. E ressaltou “a importância de obter notícias de fontes confiáveis e redobrar os esforços para que as Nações Unidas imponham suas próprias barreiras contra a disseminação de conteúdos nocivos” (https://melissa-fleming.medium.com/a-wartime-case-for-information-integrity-aa35bd2941cf).

Para combater a desinformação e promover o que as Nações Unidas chamam de “integridade da informação”, suas agências estão intervindo para fornecer dados verdadeiros e corrigir notícias falsas prejudiciais, entrando em contato diretamente com a mídia e relatando em suas plataformas digitais sobre o que está acontecendo no terreno em Gaza.

A ética acima de tudo

Em 19 de outubro, doze dias após o início do conflito em Gaza, a FIJ lembrou aos jornalistas em geral e seus membros em particular a necessidade de respeitar os princípios profissionais afirmados pela Carta Mundial de Ética para Jornalistas (https://www.ifj.org/es/quien/reglas-y-politica/carta-mundial-de-etica-para-periodistas).

“Informações não verificadas, vídeos sem fontes e imagens de redes sociais: a guerra entre o Hamas e Israel é também uma guerra de comunicação”, denunciou recentemente a Federação Internacional do setor, reiterando que os princípios profissionais do jornalismo devem ser absolutamente respeitados. “O dever do jornalismo”, enfatizou, “é fornecer informações de interesse público”.

Já naquelas primeiras horas do conflito, a FIJ lembrou ao mundo uma verdade dolorosa: que “a guerra da comunicação é intensa e que cada lado defende a sua verdade“. Proibidos de trabalhar na Faixa de Gaza – nada menos do que uma gigantesca prisão a céu aberto para civis palestinos –, muitos jornalistas estrangeiros usam com muita frequência fontes secundárias ou fontes “oficiais” de cada lado, mas sem poder verificar sua veracidade. Segundo a FIJ, “isso acontece em detrimento dos cidadãos, cujo um dos direitos fundamentais é estar bem informado”. “Nenhum outro conflito nos tempos modernos”, conclui a FIJ, “provou ser tão letal para os trabalhadores da mídia em um período tão curto de tempo”.

Tradução: Rose Lima