Chá de Outono com Escritores: Evento celebra Dia Mundial do Livro em Ribeirão Pires

O evento é uma oportunidade para conhecer a produção literária local, tomar chá e trocar experiências

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – No próximo dia 23/04, data em que se comemora o Dia Mundial do Livro, o Centro Histórico e Literário Ricardo Nardelli será palco de um encontro literário em Ribeirão Pires. O evento, intitulado “Chá de Outono com Escritores”, reunirá autores da cidade para uma tarde de conversas e trocas literárias.

A iniciativa é uma oportunidade para os escritores locais se encontrarem e discutirem sobre suas obras, além de trocar experiências e dicas de escrita. O evento é aberto ao público e todos que trabalham ou se interessam por literatura são bem-vindos.

O Centro Histórico e Literário Ricardo Nardelli é um espaço cultural importante na cidade, que tem como objetivo promover a literatura e a cultura em geral. O local fica na avenida Miguel Prisco, 286, no centro de Ribeirão Pires, e o evento está marcado para as 15 horas.

O Chá de Outono com Escritores promete ser um momento especial para a comunidade literária de Ribeirão Pires, que poderá se reunir em um ambiente acolhedor para celebrar a arte da escrita e o Dia Mundial do Livro.

Marcio Bertucci assume a Secretaria de Esportes em Mauá

Márcio Bertucci assume a Secretaria de Esporte de Mauá e já se mostra preparado para liderar a pasta com dedicação e expertise. Com formação em Educação Física, Gestão Pública e especialização pela Federação Paulista e Confederação Brasileira de judô, Márcio conta com mais de 20 anos de experiência na administração pública, tendo atuado em diversos órgãos e esferas governamentais, incluindo a Câmara dos Deputados, a Assembleia Legislativa e órgãos municipais e estaduais.

Sua última atuação pública foi como Gerente de Saúde na Secretaria de Saúde da cidade de Mauá, onde coordenou uma equipe multiprofissional e demonstrou sua habilidade em liderança e gestão de equipes. Além disso, Márcio também se envolve em projetos sociais na cidade, como fundador da Associação Amigo é Pra Essas Coisas, e já foi candidato a vereador pelo partido Podemos, alcançando a suplência com 1328 votos e assumindo uma cadeira de vereador.

“Estou muito satisfeito em assumir este desafio como Secretário de Esporte de Mauá”, disse Márcio. “Eu amo a minha cidade e farei o máximo para entregar um esporte de qualidade e eficiente para todos. Com vontade, dedicação e trabalho em equipe, tenho certeza de que podemos alcançar grandes resultados.”

A nomeação de Márcio para liderar a Secretaria de Esporte mostra o comprometimento da prefeitura de Mauá em investir no setor esportivo e garantir que os moradores tenham acesso a uma ampla gama de atividades e programas esportivos. Com sua vasta experiência na administração pública e habilidades em liderança e gestão de equipes, espera-se um avanço significativo na promoção da saúde, bem-estar e integração social por meio do esporte.

Proposta que permite a expropriação de imóveis em casos de trabalho escravo avança no Congresso

A tramitação de um projeto de lei que permite a expropriação de imóveis em que for constatada a exploração de trabalho escravo avançou no Congresso Nacional na última semana. O PL 5.970/2019, proposto pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), estabelece que propriedades urbanas e rurais onde houver trabalho em condições análogas à escravidão poderão ser expropriadas somente após o trânsito em julgado de sentença penal ou trabalhista. A expropriação implica a perda do bem pelo proprietário, sem direito a indenização do Estado, diferentemente do que ocorre nos casos de desapropriação.

A falta de regulamentação da lei que prevê a expropriação de imóveis onde há trabalho escravo tem impedido a aplicação desse tipo de punição aos criminosos. Apenas nos primeiros três meses deste ano, o Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 1.127 trabalhadores em condições análogas à escravidão, o maior número para o período desde 2008.

O aumento se deve à retomada da fiscalização intensiva por parte da força-tarefa de combate ao trabalho escravo, cuja ação ficou prejudicada nos quatro anos do governo Bolsonaro.

O projeto de lei também prevê que qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência da exploração de trabalho em condições análogas às de escravo será confiscado e se reverterá ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O texto caracteriza como trabalho em condições análogas às de escravo a submissão a trabalho forçado, adoção de medidas para reter o trabalhador no local de trabalho, atividade em condições degradantes e sujeição a uma jornada exaustiva.

A aprovação unânime na Comissão de Direitos Humanos do Senado é um importante avanço para a regulamentação do artigo 243 da Constituição Federal, que também prevê a expropriação de propriedades nas quais se localizem culturas ilegais de plantas psicotrópicas. Espera-se que o Congresso Nacional se sensibilize e aprove a lei, contribuindo significativamente para o enfrentamento desse tipo de crime cometido muitas vezes com violência, contra crianças, jovens, mulheres, adultos e idosos.

Nenhum apostador acerta as seis dezenas da Mega-Sena no Concurso 2.583

Quina e quadra premiam ganhadores em sorteio realizado em São Paulo, os prêmio foram de R$ 58.015,77 e R$ 1.116,44

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Na noite deste sábado, 15 de abril, foi realizado o sorteio do Concurso 2.583 da Mega-Sena em São Paulo, e nenhum apostador conseguiu acertar as seis dezenas sorteadas, que foram: 02, 20, 27, 30, 52 e 57.

Entretanto, houve 51 acertadores da quina, que receberão o prêmio de R$ 58.015,77 cada um, e 3.786 ganhadores da quadra, que levarão o prêmio de R$ 1.116,44.

O prêmio para o próximo sorteio da Mega-Sena, que está programado para a noite de quarta-feira, 19 de abril, também em São Paulo, está estimado em R$ 16 milhões.

As apostas para a Mega-Sena podem ser feitas em qualquer casa lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal, até às 19h do dia do sorteio. Vale lembrar que a Mega-Sena é uma das loterias mais populares do Brasil e oferece prêmios milionários para os seus apostadores.

Investigação reduz circulação de conteúdo violento na internet, diz pesquisadora

Enquanto alguns extremistas removem conteúdo violento de plataformas de jogos online para evitar identificação, jovens anos se reúnem em comunidades de ódio que disseminam conteúdo para incentivar a radicalização

De acordo com a pesquisadora Michele Prado, as investigações realizadas contra grupos que incentivam ataques a escolas e outras formas de violência têm apresentado resultados positivos na redução da circulação desse tipo de conteúdo na internet.

A pesquisadora, faz parte do Monitor do Debate Político no Meio Digital da Universidade de São Paulo (USP) e monitora grupos que promovem e incentivam ataques desde 2020, observa que apesar de algumas contas suspensas terem sido recriadas, os extremistas têm restringido o acesso aos conteúdos, deixando as contas privadas ou retirando os conteúdos do ar em plataformas de jogos online.

Para Michele, diminuir o acesso a conteúdos que incitam à violência é uma forma eficaz de reduzir o risco de ataques. Ela está trabalhando em um relatório para ajudar a embasar as ações do Ministério da Justiça nesse sentido e defende a criação de um banco de dados com as impressões digitais de conteúdos que já tenham sido apontados como incitadores de violência.

Essa medida permitiria que uma plataforma com compromisso de evitar a disseminação desses conteúdos pudesse derrubá-los sem a necessidade de denúncia de usuários.

Segundo a pesquisadora, as comunidades extremistas que promovem a violência reúnem jovens entre 10 e 25 anos de idade, que se relacionam por afinidade com temas como a misantropia, misoginia e antissemitismo. Esses jovens se dedicam tanto à produção quanto à disseminação de conteúdos inspiracionais e instrucionais que incentivam a radicalização e a violência. A pesquisadora destaca que alguns desses indivíduos distribuem o conteúdo ideológico ligado à extrema direita mundial e, muitas vezes, sabem de antemão dos atentados.

As mensagens distribuídas por esses grupos também são disseminadas por meio de redes sociais e usam uma estética chamada fashwave, que remete à década de 1980 e tem sido uma marca da extrema direita em diversas partes do mundo, incluindo entre os apoiadores do ex-presidente norte-americano Donald Trump. Michele Prado enfatiza que a redução da circulação desse tipo de conteúdo na internet é fundamental para diminuir o potencial de novos atentados e promover um ambiente mais seguro e pacífico.

PMs e GCMs são aplaudidos ao libertarem reféns de roubo a salão de beleza

Equipes fez ação heroica, se esquiva de disparos e consegue deter dois dos envolvidos

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – No sábado (15), a Polícia Militar realizou uma ação heroica ao libertar reféns de um roubo em andamento na Rua Sócrates, no Jardim Marajoara, em São Paulo. De acordo com relatos, três suspeitos entraram em um salão de beleza e fizeram algumas pessoas reféns. A equipe do 22º BPM/M foi rapidamente acionada e interveio prontamente no local.

Dois dos envolvidos foram detidos após confronto com os policiais militares e uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Durante a ação, os criminosos chegaram a atirar contra as equipes policiais, que conseguiram se esquivar dos disparos. Uma viatura da PM e outra da GCM foram alvejadas pelos bandidos.

Apesar do confronto, nenhuma das vítimas ou policiais saíram feridos. Infelizmente, um dos suspeitos não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. O terceiro envolvido conseguiu fugir do local. A polícia apreendeu uma pistola e uma das motocicletas utilizadas pelos criminosos.

A ação da Polícia Militar foi aplaudida pelos populares presentes no local, que reconheceram a importância do trabalho das forças de segurança. A ocorrência foi encaminhada para o 98º Distrito Policial (DP), onde será investigada. A rapidez e efetividade da ação da polícia foi crucial para evitar possíveis danos maiores e garantir a segurança dos reféns e policiais envolvidos.

Obras de artista plástico expostas em Ribeirão Pires são retiradas após três meses de exibição

Caminhões são vistos retirando 35 obras de Lúcio Bittencourt da cidade

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Neste sábado (15), começou a retirada das 35 esculturas em aço inox do artista plástico Lúcio Bittencourt, que ficaram expostas por três meses na cidade de Ribeirão Pires, no entorno do Centro de Exposições. A exposição, intitulada “Imagens do Aço”, foi totalmente gratuita e levou arte aos moradores e visitantes da cidade e começou a ser organização ao final de dezembro de 2022.

Caminhões foram vistos nos locais carregando as peças artísticas. Nas redes sociais, alguns internautas lamentaram e comentaram a retirada das esculturas.

Acompanhe abaixo alguns comentários feitos:

Nos debates na rede social, houve aqueles que apontaram a sua obra preferida e até teceram “críticas aos críticos” que não apoiavam a exposição:

A cidade de Ribeirão Pires mantém o Museu Aberto de Arte Contemporânea (MAAC), criado em 2011, que possui um acervo de mais de 120 obras de diversos artistas, incluindo Maurício Chaer, Adélio Sarro e Claudio Martucci. O museu leva a arte para diferentes pontos da cidade e abrange várias manifestações artísticas, como a arte modernista, o concretismo e o grafite.

Uma experiência única: a importância das artes visuais

As artes visuais desempenham um papel crucial na sociedade, proporcionando uma forma de comunicação visual que transcende as barreiras culturais e linguísticas. Além disso, as artes visuais expressam ideias e emoções que muitas vezes não podem ser descritas com palavras, tornando-se uma ferramenta poderosa para a expressão humana.

Em Ribeirão Pires, a presença de um museu a céu aberto acrescenta uma riqueza imaterial à cidade. Ao oferecer um espaço público de qualidade onde as pessoas podem desfrutar de arte e cultura gratuitamente, o museu a céu aberto contribui para a promoção da diversidade cultural e da inclusão social.

Ao experimentar e interagir com obras de arte em um ambiente ao ar livre, os visitantes do museu a céu aberto em Ribeirão Pires têm a oportunidade de desenvolver uma relação mais íntima com as obras de arte, apreciando-as de uma forma única e pessoal. Isso cria uma experiência enriquecedora que pode gerar uma conexão mais profunda com a cultura local e com a história da cidade.

Além disso, a presença do museu a céu aberto em Ribeirão Pires pode ter impactos econômicos positivos, atraindo turistas para a cidade para desfrutar da exposição de arte. Esse aumento no fluxo de visitantes pode gerar novas oportunidades de negócios, aumentando a economia local.

Portanto, a existência de um museu a céu aberto em Ribeirão Pires não apenas contribui para a promoção da arte e da cultura, mas também acrescenta uma riqueza imaterial à cidade, proporcionando uma experiência única e enriquecedora para seus cidadãos e visitantes.

Desarmamento civil: a chave para implantar uma cultura de paz no Brasil

Desmistificando o mito do “povo armado jamais será escravizado”

Luís Carlos Nunes – Hoje, vamos discutir uma frase que tem gerado bastante polêmica no Brasil: “É preciso desarmar a população e implantar uma cultura de paz no Brasil”. Vamos analisar essa frase com cuidado e entender os seus significados.

Primeiramente, desarmar a população significa retirar as armas de fogo que estão em posse dos cidadãos comuns. Isso é importante porque a posse de armas pode gerar muitos problemas, como a violência e a insegurança pública. Quando a população é armada, há um risco maior de ocorrerem conflitos, brigas e homicídios. Por isso, muitas pessoas defendem o desarmamento.

Mas, existem exceções a essa regra. Algumas pessoas, como aquelas que estão em situação de risco, podem obter armas de fogo para se protegerem. Além disso, alguns profissionais, como policiais e militares, precisam de armas para exercerem suas funções de forma segura e eficiente. No entanto, é importante que essas pessoas sejam preparadas e treinadas para lidarem com as armas de fogo de forma responsável.

A frase “um povo armado jamais será escravizado” é bastante conhecida, mas não é verdadeira. Na verdade, uma população armada pode gerar ainda mais violência e caos. Além disso, o monopólio do uso da força deve ser exercido pelo Estado, e não pelos indivíduos. Isso é importante para manter a segurança e a ordem na sociedade.

O filósofo Jean-Jacques Rousseau afirmava que “o homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se acorrentado”. Essa frase mostra que a liberdade do indivíduo é limitada pelas leis e normas da sociedade em que vive. Por isso, é importante que as pessoas entendam que a posse de armas de fogo deve ser restrita apenas a pessoas preparadas e treinadas.

Outro filósofo importante, Thomas Hobbes, afirmava que o homem é o lobo do homem. Essa frase mostra que, sem a lei e a ordem, a sociedade pode se tornar violenta e caótica. Por isso, é importante que o Estado tenha o monopólio do uso da força e que as armas de fogo sejam restritas apenas a pessoas preparadas e treinadas.

Como já disse o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, “quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Ou seja, a posse indevida de armas pode levar as pessoas a enxergarem o mundo como um lugar perigoso e a se tornarem mais agressivas e violentas.

Outro grande filósofo, o grego Aristóteles, afirmava que “a violência, mesmo bem-intencionada, acaba sempre mal”. Essa frase é uma verdade absoluta, pois a violência gera mais violência e só piora os conflitos.

Portanto, é fundamental que a população entenda que a cultura de paz é a melhor forma de vivermos em harmonia e segurança, e que a posse de armas de fogo deve ser restrita a pessoas preparadas e capacitadas. Lembre-se sempre que o bom humor, a reflexão, a serenidade, o respeito e a empatia são ingredientes essenciais para lidar com assuntos tão polêmicos como esse. Vamos deixar a cultura da violência para trás!

Lula visita Abu Dhabi para firmar acordos e destacar investimentos de R$ 12 bi na Bahia

Em sua última escala na Ásia, Lula visita Abu Dhabi e estreita laços com o país árabe

Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, foi a última escala da viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Ásia, onde assinou acordos de cooperação com o país árabe. A visita ao palácio do emir de Abu Dhabi, xeique Mohammed bin Zayed al-Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos, foi marcada por um protocolar espetáculo de hinos, bandas e militares com espadas.

Mas o destaque da visita foi o anúncio de um investimento de R$ 12 bilhões, de grande porte, na Bahia, por parte do fundo financeiro de Abu Dhabi Mubadala Capital, controlador da refinaria de Mataripe, privatizada em 2021. O governador Jeronimo Rodrigues, integrante da comitiva, assinou um memorando de entendimento entre o estado e o fundo empresarial, comprometendo-se a investir na produção de diesel verde e de querosene de aviação sustentável, a partir da carnaúba e do dendê. Esse investimento deve gerar trabalho e renda para a região.

Enquanto o mundo muçulmano vive o período do Ramadan, Lula e sua comitiva foram recebidos pelo xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan em Abu Dhabi, onde também foi realizada a assinatura de acordos de cooperação entre os países.

Apesar de esperar um gesto mais concreto em relação à Amazônia por parte de um país que vive da riqueza ecologicamente incorreta do petróleo e que sediará a grande conferência sobre o clima no fim do ano, a visita serviu para a importante aproximação política com um líder bastante influente no mundo árabe.

Neste domingo (16), antes de embarcar de volta ao Brasil, Lula ainda visitará uma mesquita. Mas o saldo positivo dessa viagem está na aproximação política e nos investimentos promissores na Bahia.

Parques naturais do Brasil não têm água, banheiro nem estrutura para turistas, aponta estudo do Instituto Semeia

Os principais desafios são a falta recursos humanos, financeiros e a carência de estrutura para a visitação, aponta pesquisa do Instituto Semeia

Instituto Semeia – Com um rico e diversificado patrimônio natural, os parques brasileiros reúnem atrativos como fauna, flora e trilhas para a sociedade. No entanto, os profissionais que atuam na gestão desses espaços enfrentam grandes desafios para fazer com que eles sejam, de fato, reconhecidos e apropriados pela população.

É o que revela a 6ª edição do Diagnóstico do Uso Público em Parques Brasileiros: A Perspectiva da Gestão, que contou com a participação de 371 parques, ou seja, 73% dos registrados no Cadastro Nacional das Unidades de Conservação (CNUC), abrangendo esferas administrativas nacional, estadual e municipal. Segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Semeia, organização sem fins lucrativos que atua em prol da valorização das unidades de conservação do país, para os profissionais que atuam no cotidiano dessas áreas, os principais desafios são a falta recursos humanos, financeiros e a carência de estrutura para a visitação.

“Os parques possuem diversos atrativos naturais. Porém, a pesquisa revela que a concretização da experiência dos visitantes para vislumbrar essa riqueza esbarra em desafios de infraestrutura e gestão enfrentados pela administração desses espaços. Vale lembrar que a conexão das pessoas com a natureza compreende uma das missões dos nossos parques”, afirma Mariana Haddad, Coordenadora de Conhecimento no Instituto Semeia e responsável pela realização da pesquisa.

A pesquisa constatou que 58% dos parques não possuem estrutura de apoio à visitação ou a estrutura é precária e não atende às necessidades básicas. Mesmo entre os parques onde há estrutura de apoio, uma parcela significativa dos profissionais ligados à gestão desses espaços declara que a manutenção é inadequada (29%).

Em grande parte dos parques, faltam itens básicos como banheiros (46%), bebedouros (56%) e centro de visitantes (56%). Entre os itens de infraestrutura mínima considerados, as trilhas apresentam maior disponibilidade, estando presentes em 84% das unidades.

Já a avaliação sobre os dois pontos principais de qualquer gestão, recursos financeiros e humanos, releva uma situação ainda mais crítica. A maioria (62%) discorda que tenha à sua disposição o necessário em termos de dinheiro e pessoal para realizar as suas atividades.

“As parcerias são uma importante ferramenta à disposição dos gestores para contornar os desafios de infraestrutura, gestão dos parques, e oferecer melhores serviços aos visitantes. O importante é que não sejam vistas como um fim em si mesmo nem como substitutas do órgãos gestores, que precisam ser fortalecidos e capacitados para gerir adequadamente esses instrumentos.””, diz Fernando Pieroni, diretor-presidente do Instituto Semeia.

Segundo a pesquisa, independentemente da modalidade e contrato firmado, 76% dos parques já possuem ao menos uma parceria com atores tais como: universidades, instituto de pesquisa, terceiro setor, empresas e/ou entidades privadas, associação de amigos, entre outros.

Entre os respondentes há uma constatação de que as parcerias com empresas, entidades privadas e/ou terceiro setor melhoram aspectos funcionais de sua administração. No caso da “gestão em geral”, essa percepção é reconhecida por 72% dos participantes. Na opinião de 80%, melhora também a conservação da natureza, e quase 60% concordam que otimiza o atendimento aos usuários.

“A avaliação geral sobre as parcerias é positiva. Mesmo os parques que não possuem qualquer modalidade de parceria, sinalizam expectativas de melhoria. Para que esses objetivos sejam alcançados, é primordial que todo o ciclo de planejamento e implementação desses projetos leve em consideração a participação dos atores interessados”, explica Mariana Haddad.

No que tange ao fortalecimento dos órgãos gestores, a maior parte já conta com profissionais qualificados e experientes: 59% atuam há mais de 6 anos na área de parques. Outro dado importante é que 73% têm formação focada em gestão de parques, incluindo temas como uso público, pesquisa, fiscalização, planejamento e gestão de conflitos.

Potencial ainda não explorado

Na visão dos entrevistados, os principais atrativos que os parques oferecerem à população possibilitam o contato com a natureza: flora (84%), fauna (70%) e trilhas (75%).

Entre as principais atividades disponíveis estão: observação de fauna, caminhadas de até um dia, piquenique e banho de mar/cachoeira/lago. Entretanto, considerando 26 atividades e a vocação do parque para desenvolvê-las, em apenas 4 há uma proporção maior da presença da atividade do que o potencial para sua implantação. A observação da fauna, por exemplo, já está presente em 60% dos parques e vista como vocação para outros 37%.

Para as demais 22 atividades, os parques relatam uma proporção maior de vocação para desenvolvê-las do que a existência de um aproveitamento efetivo. É o caso de atividades mais complexas, pois demandam requisitos de segurança e constante manutenção de estruturas, como tirolesa, presente em apenas 3% das unidades, mas vista como vocação em 59%.

Sobre a pesquisa

O objetivo principal do Diagnóstico do Uso Público em Parques Brasileiros: A Perspectiva da Gestão é mapear a situação da visitação nos parques naturais brasileiros a partir da perspectiva dos profissionais que atuam no cotidiano dessas áreas –principalmente gestoras e gestores. O levantamento é realizado pelo Instituto Semeia desde 2012 e passou a ser realizado bianualmente a partir de 2019.

O universo amostral compreende os parques naturais brasileiros registrados no CNUC – Cadastro Nacional das Unidades de Conservação, no 2° semestre de 2021. Esta edição contou com a participação de 73% dos parques do CNUC, e teve uma boa representatividade nas esferas administrativas (nacional, estadual e municipal), biomas, estados e regiões brasileiras. O período de coleta de dados foi de 20/06/2022 a 29/09/2022.

Os aspectos mapeados pela pesquisa estão relacionados à visitação, disponibilidade de recursos humanos, financeiros, a situação dos instrumentos específicos relacionados à gestão dos parques (plano de manejo, regularização fundiária, conselho consultivo e regularização fundiária), a existência e as expectativas com as parcerias e contratos que apoiam a administração desses espaços.

Sobre o Instituto Semeia

Criado em 2011, o Instituto Semeia é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos. Com sede em São Paulo (SP), trabalha para transformar áreas protegidas em motivo de orgulho para brasileiras e brasileiros. Atua nacionalmente no desenvolvimento de modelos de gestão e projetos que unam governos, sociedade civil e iniciativa privada na conservação ambiental, histórica e arquitetônica de parques públicos e na sua transformação em espaços produtivos, geradores de emprego, renda, e oportunidades para as comunidades do entorno, sem perder de vista sua função de provedores de lazer, bem-estar e qualidade de vida. São pilares de sua atuação: a geração e sistematização de conhecimento sobre a gestão de unidades de conservação; o compartilhamento de informações por meio de publicações e eventos; a implementação e o acompanhamento de projetos com governos de todos os níveis, como forma de testar e consolidar modelos eficientes e que possam ser replicados no país.