Brasileiros fogem de trabalho escravo em Mianmar e denunciam rede internacional de tráfico humano

O tráfico humano para exploração laboral ganha nova face na era digital, com redes criminosas aliciando vítimas por promessas fraudulentas de emprego no exterior

Caso de Política com Agência Brasil – Dois brasileiros conseguiram escapar de um esquema de trabalho escravo em Mianmar, na Ásia, após meses de tortura e exploração. Luckas Viana dos Santos, 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, 26, foram iludidos por promessas de emprego na Tailândia, mas acabaram sequestrados e forçados a trabalhar em um esquema de fraudes online sob a vigilância de criminosos armados. As informações são da Agência Brasil.

O Itamaraty confirmou que os brasileiros receberam assistência da Embaixada de Bangkok, na Tailândia, e que os trâmites para a repatriação estão em andamento. No entanto, os familiares das vítimas denunciam a omissão das autoridades brasileiras e creditam o resgate à ação de uma organização não-governamental.

A armadilha e o cativeiro

Luckas Viana havia deixado o Brasil há mais de um ano e trabalhado nas Filipinas e na Tailândia antes de aceitar uma proposta de emprego que oferecia um salário de R$ 8 mil. Segundo sua mãe, Cleide Viana, de 62 anos, ele foi capturado em outubro do ano passado ao ser levado de carro sob a promessa de que trabalharia no norte tailandês. O trajeto, porém, terminaria em Myawaddy, região de Mianmar dominada por milícias e marcada pela guerra civil.

Eu perguntava em códigos se estava tudo bem, e ele dava sinais de que não. Depois, os criminosos cortaram nossa comunicação em dezembro”, contou Cleide.

Phelipe de Moura Ferreira teve um destino similar. Após trabalhar em vários países da Ásia e do Oriente Médio, ele também foi atraído por uma proposta na Tailândia em novembro de 2024. Seu pai, Antônio Carlos Ferreira, 56, revelou que o filho enviava mensagens por perfis falsos, descrevendo a rotina exaustiva de 15 horas diárias de trabalho e as agressões sofridas sempre que não atingiam as metas impostas pelos sequestradores.

A fuga arriscada e o resgate

O plano de fuga incluiu cerca de 80 pessoas que também estavam aprisionadas. A ideia era percorrer dois quilômetros até um rio que faz fronteira com a Tailândia. No entanto, o grupo foi capturado por uma das milícias locais e brutalmente espancado. A esperança ressurgiu quando o Exército Democrático Karen Budista (DKBA), um dos grupos armados que atuam na região, aceitou negociar a libertação deles com o governo tailandês.

Foi um alívio. Já estava perdendo a esperança”, disse Antônio ao receber a notícia de que o filho havia cruzado a fronteira.

A negligência das autoridades

Os familiares criticam a postura do governo brasileiro, alegando que o Itamaraty se limitou a afirmar que estava em contato com as autoridades de Mianmar. “Contato não adianta, precisava pressionar. Se deixasse nas mãos de Mianmar, eles nunca saíriam de lá”, desabafou Antônio.

A fuga, segundo ele, só foi possível graças à ONG The Exodus Road, que atua no combate ao tráfico humano. A entidade mobilizou governos e a imprensa internacional, pressionando a Tailândia e a China a agirem. Como resposta, o governo tailandês cortou a energia no local onde a quadrilha operava, forçando os criminosos a ceder.

Trabalho escravo na era digital

A história de Luckas e Phelipe revela uma nova face do trabalho escravo na modernidade. Ao contrário do que ocorria no passado, em que vítimas eram exploradas em lavouras ou fábricas clandestinas, os esquemas atuais envolvem o uso de tecnologia para enganar e explorar trabalhadores em golpes online.

Segundo especialistas, a região do Sudeste Asiático se tornou um epicentro do tráfico humano para esse tipo de atividade. Organizações criminosas utilizam redes sociais e sites de empregos para atrair vítimas, especialmente de países em crise econômica. Uma vez aliciadas, essas pessoas são impedidas de sair, submetidas a jornadas exaustivas e ameaçadas com violência.

O papel do governo brasileiro

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que vinha acompanhando o caso desde outubro de 2024 e que a Embaixadora Maria Laura da Rocha cobrou esforços do governo de Mianmar durante reunião realizada em janeiro deste ano. O Itamaraty também destacou que mantém campanhas de conscientização sobre os riscos do tráfico humano e que oferece guias informativos sobre ofertas suspeitas de emprego no exterior.

Para as famílias das vítimas, no entanto, essas ações são insuficientes diante da gravidade do problema. “Enquanto não houver uma ação mais rápida e firme, mais brasileiros vão cair nessa armadilha”, alertou Cleide Viana.

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PPP do Hospital Municipal de Barreiras: uma aposta arriscada que poderia ter sido evitada

Enquanto a prefeitura aposta na Parceria Público-Privada para gerir o Hospital Municipal, alternativas como a federalização e a criação de um hospital universitário são ignoradas. A decisão de Otoniel Teixeira mantém a conta para o município e compromete o controle sobre a saúde pública

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Enquanto a gestão municipal de Barreiras promove na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, um roadshow para atrair investidores para a Parceria Público-Privada (PPP) do Hospital Municipal, surge uma questão essencial: essa é realmente a melhor solução para a saúde pública da região?

O roadshow é uma apresentação itinerante realizada para divulgar projetos a potenciais investidores, buscando atrair recursos e parcerias. No caso da PPP do hospital, a prefeitura leva o projeto a instituições financeiras e empresários para demonstrar sua viabilidade econômica e tentar garantir o interesse do setor privado. Vendida como uma grande inovação pela administração Otoniel Teixeira, a PPP, na prática, mantém o ônus sobre os cofres municipais, terceiriza a administração e transfere riscos para o próprio município.

Previsto para ter seis módulos e 150 leitos, distribuídos em áreas de emergência, clínica médica adulta e pediátrica, obstétrica, psiquiátrica, cirúrgica e ambulatorial, o hospital ocuparia cerca de 13 mil metros quadrados de área construída. No entanto, apesar dos R$ 40 milhões já investidos, o progresso tem sido mínimo, gerando preocupação entre os cidadãos e profissionais de saúde

Otoniel herdou essa proposta de seu padrinho político, o ex-prefeito Zito Barbosa, sem considerar alternativas que poderiam trazer benefícios mais duradouros para Barreiras e toda a região Oeste da Bahia. Entre essas alternativas, a federalização da unidade e sua transformação em um hospital universitário vinculado à Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) se destacaria. Com essa mudança, Barreiras teria um hospital-escola de referência, garantindo atendimento público qualificado e permanente, além de formação acadêmica e pesquisa científica na área da saúde.

A insistência na PPP como única solução ignora que o financiamento continuará saindo dos cofres municipais, enquanto a administração privada buscará lucro, muitas vezes em detrimento da qualidade e universalidade do atendimento. Diferentemente de um hospital universitário, que poderia ser sustentado com recursos federais, a parceria público-privada cria um modelo onde a prefeitura continua sendo a principal financiadora, mas perde o controle direto sobre a gestão e a prestação dos serviços.

O prefeito Otoniel Teixeira enaltece a PPP como um avanço, destacando a “modernização” dos serviços de saúde. No entanto, experiências semelhantes pelo Brasil mostram que esse tipo de contrato pode resultar em custos elevados para o município sem necessariamente melhorar a qualidade ou a ampliação do atendimento. Além disso, o discurso de “eficiência” e “celeridade” ignora que a dependência de investidores e concessionárias pode comprometer a continuidade e a acessibilidade do serviço público a longo prazo.

Barreiras e toda a região Oeste da Bahia se beneficiariam muito mais de um hospital municipal público bem estruturado, capaz de atender às demandas locais sem a intermediação de interesses privados. Um hospital universitário federalizado, além de ser sustentado pela União, fortaleceria a rede de ensino e a capacitação profissional, formando médicos e especialistas para atuar na própria região. Do ponto de vista econômico, garantiria estabilidade financeira ao município, evitando gastos excessivos com contratações privadas e assegurando investimentos contínuos. No âmbito social, representaria um salto de qualidade na prestação de serviços de saúde, promovendo atendimento público com mais estrutura e suporte científico.

A grande questão é: por que insistir na PPP se há alternativas mais seguras e vantajosas? A resposta pode estar na política, onde promessas de inovação e modernidade frequentemente servem para justificar modelos de gestão que beneficiam poucos e oneram muitos. Otoniel e sua equipe podem continuar promovendo a ideia da PPP como a solução definitiva, mas o tempo dirá se essa escolha foi feita pensando no bem-estar da população ou nos interesses do mercado.

E como diz o velho ditado: quem entrega o hospital ao mercado pode acabar precisando de senha para ser atendido.

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Júnior Marabá, ouça ao menos este conselho de Oziel

“Lá em Brasília, a coisa não é fácil pra deputado de primeiro mandato.”

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ex-prefeito de Luís Eduardo Magalhães e ex-deputado federal Oziel Oliveira, que conhece bem os dois lados do balcão, disse esta frase a este repórter por volta de 2011, logo após assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados. A declaração, quase um lamento, soava como a constatação de quem trocou o poder da caneta pelo jogo das emendas, articulações e negociações.

A lembrança vem a calhar agora que Júnior Marabá, jovem prefeito bem avaliado na região, é ventilado como possível candidato a deputado federal em 2026. Se decidir encarar a empreitada, terá de renunciar no meio do segundo mandato e deixar para trás a autonomia de quem, com uma assinatura, coloca projetos em prática sem precisar disputar espaço com outros 512 deputados – muitos deles verdadeiros “Cardeais” do Congresso, que há anos conhecem os atalhos e detêm as chaves do cofre.

Oziel falava por experiência própria. Como prefeito, bastava um despacho para as coisas acontecerem; já na Câmara, descobriu que um deputado iniciante precisa de paciência, jogo de cintura e disposição para mendigar recursos em meio a um plenário onde poucos têm voz e muitos se contentam em levantar a mão quando os caciques mandam.

“Temos que lutar por emenda e benefícios”, confessou na época, deixando claro que o peso do cargo nem sempre vem acompanhado de influência imediata.

A possível candidatura de Marabá pode ser tentadora, mas Brasília não é para amadores. Ali, um deputado municipalista, por mais bem-intencionado que seja, corre o risco de passar os primeiros anos batendo na porta de ministérios e líderes partidários, esperando que lhe sobre algo na partilha do orçamento.

Se for mesmo seguir esse caminho, talvez seja prudente ao menos ouvir o conselho de Oziel. Afinal, uma coisa é mandar; outra bem diferente é implorar.

E como diz o velho ditado: quem troca a chave da prefeitura por um crachá pode acabar decorando os corredores sem nunca entrar no gabinete certo.

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Delmah Pedra faz pronunciamento emocionado sobre drogas, políticas públicas e projetos sociais em Barreiras

A parlamentar cobrou mais ações contra as drogas e apresentou projeto de lei para incentivo a entidades sociais

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Na sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira (11), a vereadora Delmah Pedra (PSD) utilizou a tribuna para tratar de questões cruciais para a comunidade barreirense. Ela destacou a luta contra as drogas, a necessidade de políticas públicas mais eficazes e o fortalecimento das entidades sociais, além de apresentar uma moção de pesar pela trágica morte de Luciene Freire Santiago, conhecida como Fernanda, vítima do abuso de substâncias psicoativas.

Visivelmente emocionada, a vereadora iniciou seu pronunciamento lembrando que o problema das drogas vai além das estatísticas e se reflete nas vidas que são ceifadas por essa dura realidade. Fernanda, uma mulher de 49 anos, teve sua vida interrompida pelo vício, mas, como destacou Delmah, ela não era apenas mais um número.

“Fernanda era uma mulher cheia de sonhos, com uma história que se cruzou com a nossa comunidade e com os nossos projetos sociais”, afirmou a parlamentar.

A vereadora ressaltou que, apesar de buscar ajuda em instituições como o Instituto Nova Vida e de participar de programas sociais, Fernanda não conseguiu vencer seu vício. A morte prematura dela, segundo Delmah Pedra, evidencia a fragilidade do sistema de apoio e a urgência em tornar os programas de prevenção e tratamento mais acessíveis e efetivos.

“A memória de Fernanda deve ser um alerta, para que mais vidas não sejam perdidas dessa maneira”, enfatizou.

Além de criticar a abordagem limitada de políticas de repressão, Delmah Pedra propôs a implementação de políticas públicas mais amplas, que envolvam educação, saúde mental e apoio contínuo para os indivíduos em processo de recuperação. A vereadora ressaltou a importância de fortalecer a rede de apoio àqueles que lutam contra o vício e de garantir o envolvimento de toda a sociedade no combate às drogas.

Com mais de 30 anos de dedicação ao trabalho social, Delmah apresentou um projeto de lei que visa isentar entidades sem fins lucrativos do pagamento de taxas de alvará e localização. A proposta, segundo ela, tem o objetivo de fortalecer instituições essenciais que enfrentam dificuldades financeiras para manter suas atividades.

“Se queremos uma sociedade mais justa e acolhedora, precisamos apoiar essas entidades”, destacou.

A vereadora também abordou questões locais, como a situação precária do bairro da Rua Holanda, que já gerou várias indicações de outros vereadores. Ela apelou ao prefeito Otoniel Teixeira para que tome medidas eficazes para resolver os problemas de infraestrutura do bairro e atender às demandas da população. Além disso, Delmah Pedra destacou a importância da reforma da Praça 24 Horas, uma área central em Barreiras, que precisa de melhorias urgentes, especialmente na infraestrutura dos banheiros.

Ao final de seu pronunciamento, Delmah Pedra reiterou seu compromisso com Barreiras e a importância da união entre os vereadores e a administração municipal para transformar as demandas da população em ações concretas. Ela pediu o apoio dos colegas para que as propostas apresentadas possam avançar e concluiu seu discurso com um agradecimento a todos os presentes.

Durante a sessão, foi ainda apresentada uma moção de pesar pela morte de Fernanda, em uma homenagem à vítima e a todos que lutam contra os desafios impostos pelas drogas.

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“Se o prefeito não tomar as providências, nós tomamos de outro jeito”, afirma Presidente da Câmara de Barreiras

Yure Ramon declara que não tolerará mais desrespeito e exige ação imediata do Executivo Municipal

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Durante a sessão da Câmara Municipal de Barreiras na noite desta terça-feira (11), o presidente da Casa, Yure Ramos, fez duras críticas ao comportamento de um assessor do prefeito, que, segundo o parlamentar, teria atacado verbalmente o vereador Allan do Allanbick. A fala do presidente foi uma cobrança por respeito à instituição e aos vereadores, com um claro recado ao Executivo Municipal.

Presidente se posiciona contra desrespeito aos vereadores e cobra ação do prefeito

Yure Ramon iniciou seu pronunciamento reafirmando seu compromisso com a Câmara e com os 19 vereadores, destacando a seriedade com que exerce a presidência da Casa.

“Quando eu assumi ser presidente da Câmara, eu assumi um compromisso com essa casa, com o povo, com 19 vereadores, por cada um desses vereadores”, disse. Contudo, ele não poupou críticas aos ataques que, segundo ele, membros do governo vêm direcionando aos parlamentares.

O presidente falou com veemência sobre a importância de se respeitar a honra e a dignidade de cada vereador.

“Eu jamais aceitarei nenhuma ofensa a qualquer vereador dessa casa”, declarou, fazendo referência ao próprio período de eleição da presidência, quando, segundo ele, sofreu ataques pessoais. “Eu levei nome aqui de macaco, de traidor. E levei nome aqui de ex-secretárias de governo, mas tem que defender mesmo para poder tem que falar mal para poder defender seu emprego. Tem que defender”, afirmou.

Além de criticar o que considerou uma atitude desrespeitosa de alguns membros do governo, Yure Ramon apelou à reflexão sobre a importância do cargo de vereador.

“Cada um de nós está aqui eleito pelo povo, mas cada um desses vereadores, acima de tudo, é pai e mãe de família, é filho. Essas palavras deferidas aqui a certos vereadores, fere muito e fere a família”, disse, destacando a responsabilidade que os parlamentares têm para com a sociedade barreirense.

Yure Ramon também se dirigiu diretamente ao prefeito Otoniel Teixeira manifestando a expectativa de que ele compartilhe de sua visão e tome as devidas providências.

“Creio eu que o prefeito não comunga com essas coisas e que não vai permitir que esse tipo de atitude continue”, comentou.

O presidente aproveitou a oportunidade para elogiar a postura do ex-prefeito Zito Barbosa, que, segundo ele, sempre demonstrou respeito pela Câmara e seus membros, mesmo diante de críticas à sua administração.

Naquele momento que as pessoas me xingavam, o prefeito a todo momento não faça isso em respeito ao vereador”, relatou.

Além disso, Yure Ramon anunciou que a Casa tomará medidas legais contra qualquer tipo de ataque verbal a seus membros. “O setor jurídico dessa casa está autorizado a tomar providências contra qualquer print ou áudio que denigra a imagem de um vereador”, afirmou. Ele ressaltou que, em casos de desrespeito, um ofício será encaminhado ao prefeito, que terá que tomar ações imediatas. Caso contrário, a Câmara tomará outras medidas.

“Se o prefeito não quiser tomar as providências, nós tomamos de outro jeito”, argumentou.

Finalizando seu pronunciamento, o presidente fez questão de reafirmar seu compromisso com o respeito e a integridade dos vereadores.

Esteja certo de que estarei aqui zelando pelo direito e integridade de cada um de vocês”, disse, antes de encerrar sua fala com um agradecimento àqueles presentes na sessão.

A postura firme de Yure Ramon reforça o clima tenso na política local e a pressão sobre a gestão municipal para garantir o respeito à Câmara e a seus membros, especialmente diante de ataques que, segundo o presidente, comprometem a dignidade dos vereadores e a imagem da instituição.

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João Felipe propõe projeto para enfrentar violência contra idosos em Barreiras

Durante sessão da Câmara, o vereasdor denunciou a falta de políticas públicas para idosos e criticou a gestão municipal. Outros temas como revitalização do Centro Histórico e infraestrutura também foram debatidos.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão da Câmara de Vereadores de Barreiras na noite desta terça-feira (11) teve como destaque a apresentação de um projeto de lei do vereador João Felipe (PCdoB) voltado para o enfrentamento à violência contra idosos. Segundo o parlamentar, a população idosa vítima de agressões e maus-tratos não tem a quem recorrer no município, diferentemente de crianças e adolescentes, que contam com a atuação do Conselho Tutelar.

Hoje, quando se trata da violência contra crianças e adolescentes, recorremos ao Conselho Tutelar. Mas e os idosos? O que tem sido feito por eles no município de Barreiras?”, questionou Felipe, ressaltando a inatividade do programa Idade Viva, que deveria prestar apoio a essa população. O vereador cobrou a reativação de políticas municipais voltadas aos idosos e afirmou que o projeto apresentado busca criar mecanismos de proteção e assistência para essas vítimas.

Centro Histórico abandonado

Outro ponto abordado por João Felipe foi o estado de abandono do Centro Histórico de Barreiras. O parlamentar criticou a falta de investimento na região e denunciou a existência de três ordens de serviço assinadas para revitalização, mas que nunca saíram do papel. Para ele, a situação exige soluções urgentes, como a melhoria na coleta de lixo e na segurança local.

Enquanto a revitalização não acontece, precisamos ao menos garantir o básico: uma coleta de lixo eficiente, policiamento constante e um código de postura para bares e restaurantes, evitando a poluição sonora e desordem”, pontuou.

Para buscar soluções concretas, o vereador solicitou a realização de uma audiência pública no próximo dia 17 de fevereiro, com a presença do Ministério Público, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e secretarias municipais. O objetivo é ouvir os comerciantes da região e traçar um plano de ação para a requalificação do Centro Histórico.

Infraestrutura precária nas comunidades rurais

João Felipe também expôs a precariedade da infraestrutura nas comunidades rurais, especialmente em Palmeiras, onde falta energia elétrica, água encanada e estradas adequadas. Ele relatou que moradores enfrentam dificuldades diárias, incluindo a necessidade de caminhar 12 km para ter acesso a transporte.

É inacreditável que, em pleno século XXI, ainda tenhamos comunidades sem energia elétrica e sem água. O prefeito precisa tratar essa questão como prioridade, pois ele nasceu nessa região e conhece a realidade local”, afirmou.

Críticas à saúde e falta de transparência

Outro tema abordado pelo vereador foi a situação da saúde pública em Barreiras. Segundo ele, há falta de exames laboratoriais, médicos especialistas e trabalhadores na construção do hospital municipal. Além disso, João Felipe denunciou a omissão da Secretaria de Saúde em fornecer informações sobre as obras paralisadas da Unidade Básica de Saúde da Vila dos Funcionários.

Solicitei informações sobre a obra do posto de saúde e sequer fui respondido. Isso é um desrespeito ao papel do vereador. Se for necessário, entrarei com um mandado de segurança para garantir o meu direito de fiscalizar”, declarou.

Ao longo da sessão, João Felipe reforçou que sua atuação não busca agradar a administração municipal, mas sim garantir melhorias para a população. Ele criticou a tentativa de invisibilizar seu trabalho nas redes oficiais da prefeitura e afirmou que continuará cobrando soluções para os problemas da cidade, independentemente do reconhecimento público por parte do governo municipal.

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Farpas floreadas e denúncias veladas marcam embate entre vereadoras em sessão da Câmara de Barreiras

Sessão legislativa desta terça-feira (11) foi palco de embate tenso entre as vereadoras Dicíola (União Brasil) e Carmélia da Mata (PP), com insinuações sobre favorecimentos e cobranças incisivas ao prefeito

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O plenário da Câmara de Barreiras se tornou um palco de embate político na noite desta terça-feira (11), quando as vereadoras Dicíola (União Brasil) e Carmélia da Mata (PP) protagonizaram uma troca de farpas marcada por insinuações e denúncias veladas. O tom do debate variou entre a polidez parlamentar e um maquiavelismo sutil, deixando no ar questionamentos sobre eventuais irregularidades e a condução do governo municipal.

Dicíola abriu as falas abordando a necessidade de fiscalização não apenas do Executivo, mas também dos próprios parlamentares. Citando o regimento interno da Casa, frisou que a função fiscalizadora se estende à atuação dos vereadores e da Mesa Diretora. Embora tenha adotado um tom didático e sem citar nomes, a menção à necessidade de fiscalização interna deixou implícita uma possível crítica ao comportamento de alguns parlamentares.

Não é um papel agradável, porque a gente não quer de maneira alguma entrar em colisão com nenhum vereador, mas também é parte nossa fazer a fiscalização do nosso trabalho”, afirmou Dicíola que ao finalizar sua fala, cravou os olhos na direção da Mesa Diretora, gesto que, ainda que silencioso, conferiu peso às suas palavras e sugeriu que seu recado possuía destinatários específicos dentro da própria Casa.

A ponderação, no entanto, serviu como estopim para a reação de Carmélia da Mata, que assumiu a tribuna na sequência.

Em um discurso contundente, Carmélia ampliou o escopo das críticas, mirando diretamente o prefeito e, de forma indireta, respondendo à insinuação da colega. A vereadora do PP atacou a condução do governo municipal, afirmando que a cidade está “sem rumo” e acusando o gestor de omissão enquanto os problemas da administração se acumulam.

Prefeito, aterrize, o povo de Barreiras não pode pagar o preço pela sua falta de ação. Se o senhor não consegue governar, tenha humildade e peça ajuda, mas não fuja da responsabilidade. Porque a população está cansada de desculpas”, disparou.

Ao longo do discurso, Carmélia elevou o tom ao apontar supostas irregularidades na nomeação de dirigentes escolares, sugerindo que algumas aprovações ocorreram sem que os indicados tivessem participado das etapas obrigatórias do processo seletivo. O direcionamento da fala pareceu, então, deslocar-se de uma crítica exclusivamente ao Executivo para uma provocação direta à colega parlamentar que a antecedeu.

Vamos fiscalizar os vereadores que têm casa alugada, vamos fiscalizar os vereadores que têm emprego, indicação de diretor”, alfinetou Carmélia, deixando no ar questionamentos que podem ressoar – quem sabe- dentro da própria Casa de leis. Carmélia afirmou em sua fala ter as cópias do Diário Oficial do Município que confirmam as suas falas.

O clima tenso instaurado no plenário refletiu um embate que, embora travado com aparente polidez, trouxe subtextos que podem ecoar nos bastidores políticos. Ao final da sessão, o silêncio que se impôs no ambiente serviu como um indício de que as palavras ditas – e as não ditas – terão desdobramentos nos próximos capítulos da política barreirense.

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Assessores não têm salvo-conduto para ataques: Câmara se une em defesa de Allan do Allambick

Após ofensas em grupo de WhatsApp, vereadores repudiam comportamento do assessor Neimar Mármore, que pode enfrentar sanções administrativas e judiciais

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O assessor do prefeito de Barreiras, Neimar Mármore, transformou um debate sobre o Carnaval em um ataque pessoal ao vereador Allan do Allambick, expondo sua postura incompatível com o serviço público. Em mensagens enviadas a um grupo de WhatsApp, Neimar usou expressões ofensivas contra o vereador, classificando-o como “baderneiro” e dirigindo xingamentos de baixo calão.

A reação foi imediata. Durante a sessão legislativa da Câmara de Barreiras, na noite desta terça-feira (11), parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, Yure Ramon, a vice-presidente da Casa, Carmélia da Mata, a 2ª Secretária Graça Melo e demais parlamentares presentes, repudiaram a conduta e exigiram providências.

Allan do Allambick, empresário do setor de eventos e líder do bloco de Carnaval que leva seu nome, rebateu as acusações de Neimar e destacou sua preocupação em evitar qualquer problema durante a festividade. Antes da realização do evento, ele enviou um advogado ao local para verificar as condições e esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, garantindo que tudo estivesse dentro da legalidade. O profissional chegou a conversar com a mãe de Neimar Mármore, buscando assegurar que a festa ocorresse sem transtornos.

Na tribuna, Allan também relatou uma conversa que teve diretamente com o prefeito Otoniel Teixeira sobre o caso. Segundo o vereador, ele não pretendia sair no Carnaval de Barreiras em 2025, mas, após receber um convite, decidiu conversar com o prefeito. Durante o diálogo, questionou:

“Prefeito, posso acreditar que nada de mal vai acontecer a mim?”. Em resposta, Otoniel disse sim, garantindo a sua integridade.

O vereador também expôs a gravidade das ofensas proferidas por Neimar Mármore, afirmando que o assessor do prefeito lhe chamou de “um filho da…” e ainda o mandou “ir tomar no c…”.

Ouça abaixo um dos áudios ofensivos:

A vice-presidente da Câmara, Carmélia da Mata, sugeriu que a Casa emitisse uma nota de repúdio contra Neimar Mármore, enfatizando que o assessor, além de desrespeitar um parlamentar, também ofendeu o próprio governo ao atacar um evento autorizado pela Secretaria de Cultura.

“Nós, enquanto vereadores, representamos o povo e temos o dever de defender o respeito e a seriedade no debate público. Não podemos permitir que assessores usem seus cargos para ataques pessoais contra quem trabalha pela cidade”, afirmou Carmélia.

Graça Melo reforçou essa visão, apontando que o bloco de Allan possuía aval oficial para a realização do evento e criticando a postura do assessor.

“A discussão política precisa ser pautada pelo respeito. Quando um assessor usa seu cargo para promover ataques gratuitos, ele compromete a credibilidade do próprio governo que representa”, disse a vereadora.

Já o presidente da Câmara, Yure Ramon, foi além e determinou que o setor jurídico da Casa reúna provas para encaminhar o caso à justiça.

“Nenhum vereador será desrespeitado sem que as devidas providências sejam tomadas”, declarou.

Neimar Mármore, ao usar seu cargo para atacar um representante eleito, pode incorrer em diversas sanções. No âmbito administrativo, o assessor pode ser advertido, suspenso ou até exonerado, caso o prefeito Otoniel Teixeira decida agir com o rigor esperado para o caso. Já na esfera judicial, ele pode responder por injúria e difamação, passíveis de penalidades que vão de multas a detenção, dependendo do entendimento da Justiça.

A resposta da Câmara, através de seu presidente Yure Ramon, demonstra que o respeito institucional é inegociável. O episódio expõe a necessidade de condutas mais éticas dentro do serviço público, especialmente entre aqueles que ocupam cargos de confiança. A permanência de Neimar Mármore no governo dependerá agora da postura que o prefeito adotará diante dos fatos.

Além disso, em meados de agosto do ano passado, Neimar Mármore foi denunciado à Justiça por supostamente utilizar seu tempo de trabalho como servidor público para promover ataques políticos nas redes sociais. Na época, a vereadora Carmélia da Mata denunciou que servidores da Secretaria de Agricultura e Tecnologia recebiam salários elevados para desqualificar opositores e prometeu levar o caso ao Ministério Público.

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Pesquisa Atlas/Intel indica Lula como favorito em todos os cenários para 2026

Levantamento mostra o presidente liderando contra diferentes candidatos da direita, incluindo Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como favorito para a eleição presidencial de 2026 em todos os cenários simulados pela pesquisa Atlas/Intel, divulgada nesta terça-feira (11). O levantamento, realizado entre 27 e 31 de janeiro, entrevistou 3.125 pessoas por meio de questionário online geolocalizado e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No cenário que repete os principais nomes da eleição de 2022, Lula lidera com 44% das intenções de voto, contra 40,6% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente está inelegível. Simone Tebet (MDB) aparece com 4,9%, e Ciro Gomes (PDT), com 4,5%. Apesar da inelegibilidade de Bolsonaro, seu nome ainda figura como principal alternativa da direita, refletindo sua influência sobre o eleitorado conservador.

A pesquisa também testou cenários em que a direita lança outros nomes. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula venceria por 41,1% a 26,2%. Nessa disputa, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), aparece com 5,9%, seguido pelo cantor Gusttavo Lima (5,6%), Simone Tebet (4,1%), o senador Sergio Moro (3,3%), o coach Pablo Marçal (2,4%), a ministra Marina Silva (1,4%) e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (0,9%).

Em outro cenário, com Eduardo Bolsonaro (PL) como principal candidato da direita, Lula venceria por 40% a 24,2%. Ronaldo Caiado cresceria para 7,5%, enquanto Gusttavo Lima teria 5,2%. Tebet (4,4%), Moro (4,2%), Marçal (3,4%), Marina (2,2%) e Leite (1,5%) completam a lista.

Os números reforçam a dificuldade da oposição em encontrar um nome competitivo fora da influência bolsonarista. Enquanto Tarcísio de Freitas é visto como uma alternativa viável dentro do espectro conservador, Eduardo Bolsonaro demonstra a força do nome da família entre os eleitores da direita. A presença de Gusttavo Lima na pesquisa ilustra a busca por figuras populares fora da política tradicional, estratégia já explorada com sucesso por outsiders como Donald Trump nos Estados Unidos.

Com um cenário ainda indefinido e a direita fragmentada entre diferentes possibilidades, a pesquisa sugere que Lula mantém vantagem significativa para 2026. No entanto, a corrida eleitoral ainda está distante, e a construção de candidaturas pode redefinir o equilíbrio de forças nos próximos anos.

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O cerco à educação e o projeto autoritário de Trump e da extrema-direita

Cortes em disciplinas críticas, ataques a professores e um revisionismo histórico crescente fazem parte de uma estratégia global da extrema-direita para minar o pensamento crítico e consolidar narrativas autoritárias

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O recém-eleito vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, ao evocar Richard Nixon em seu discurso, reviveu uma ideia sombria: “Os professores são os nossos inimigos.” Essa afirmação, carregada de simbolismo, se encaixa no movimento mais amplo da extrema-direita global, que busca enfraquecer a educação como pilar do pensamento crítico. No Brasil, esse projeto ganha contornos nítidos, com cortes na carga horária das disciplinas de Ciências Humanas e o fortalecimento de uma visão revisionista da História.

O Governo do Estado de São Paulo recentemente promoveu uma reestruturação educacional que reduziu significativamente a carga horária de disciplinas como Geografia, Sociologia, Filosofia e História. O objetivo parece claro: enfraquecer as bases do pensamento crítico. Geografia, para que a população perca a noção de seu espaço e contexto. Sociologia, para impedir uma visão crítica sobre a sociedade. Filosofia, para desestimular o questionamento da realidade. Mas há uma exceção: a História, que teve seu tempo ampliado. Não qualquer História, mas uma versão revisionista, alinhada ao projeto da extrema-direita, como ocorre com Viktor Orbán na Hungria, agora exportado para os EUA e, por consequência, com impacto global.

A estratégia não é inédita. Na Alemanha, a extrema-direita insiste em reescrever o passado, tentando convencer que o nazismo foi um movimento de esquerda. No Brasil, a ditadura militar é romantizada, apresentada como um período “brando” e necessário. Tudo isso se insere em um contexto maior: a extrema-direita depende do negacionismo para sobreviver. O primeiro grande negacionismo foi o climático, evidenciado já no discurso de posse de Donald Trump, quando defendeu a expansão da exploração de combustíveis fósseis. Mas não parou aí. O revisionismo histórico se tornou peça-chave para deslegitimar avanços democráticos e ressuscitar discursos autoritários.

O Brasil já experimentou ataques diretos à educação com a retórica vazia da “Escola Sem Partido”, um projeto que, sob o pretexto de neutralidade, visava censurar professores e restringir debates em sala de aula. Universidades e educadores se tornaram alvos frequentes, acusados de doutrinação ideológica, enquanto o real objetivo era fragilizar a formação de cidadãos críticos. Esse mesmo modelo se desenha agora com o corte seletivo das disciplinas e a imposição de uma História fabricada sob medida para legitimar um projeto autoritário.

O que está em jogo, portanto, não é apenas a estrutura curricular, mas o próprio direito de pensar. Uma sociedade privada da Geografia perde a noção de sua realidade; sem Sociologia, não compreende seus próprios desafios; sem Filosofia, se torna incapaz de questionar as respostas que recebe. Mas, com uma História moldada sob interesses políticos, essa mesma sociedade pode ser conduzida ao passado, em vez de aprender com ele.

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