Cerrado Summit discute futuro da agricultura regenerativa e ações pré-COP30 em Luís Eduardo Magalhães

Fotos: Luís Carlos Nunes

Encontro estratégico em Luís Eduardo Magalhães reúne líderes e especialistas para acelerar práticas sustentáveis no Bioma Cerrado, preparando o terreno para a COP30 e o futuro da agricultura regenerativa

Caso de Política | Luís Carlos Nunes –

Com o objetivo de consolidar o Cerrado como protagonista na agenda de sustentabilidade global e impulsionar a agricultura regenerativa, o Cerrado Summit foi aberto nesta terça-feira (15), em Luís Eduardo Magalhães, Oeste da Bahia. O evento marca uma etapa preparatória para a COP30, reunindo autoridades, especialistas e produtores para debater políticas públicas, financiamento e métricas que viabilizem a transição para práticas mais sustentáveis no bioma.

Desde as primeiras falas, ficou evidente a convergência em torno da necessidade urgente de articulação entre os setores público e privado, com foco em soluções inovadoras que aliem produção agrícola, preservação ambiental e segurança alimentar. A importância estratégica do Cerrado na mitigação dos riscos climáticos e no abastecimento global foi amplamente destacada.

O evento, que antecede a COP30, reuniu autoridades, especialistas nacionais e internacionais e produtores

O encontro ocorre no auditório da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), no Complexo Bahia Farm Show, e é promovido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em parceria com a Aiba e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

Entre as autoridades presentes, estiveram o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do MAPA, Pedro Alves Corrêa Neto; o secretário de Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo; os prefeitos de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá, e de Barreiras, Otoniel Teixeira; o presidente da Aiba, Moisés Schmidt; a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa; Marcelo Behar, conselheiro sênior do World Business Council for Sustainable Development; e Shalini Unnikrishnan, líder global de impacto social do Boston Consulting Group.

As falas das lideranças presentes – a seguir – traçaram diagnósticos e visões sobre os desafios e as oportunidades para a consolidação da agricultura regenerativa no Cerrado, sinalizando caminhos para a formulação de um plano de ação que deverá ser apresentado até a realização da COP30, em Belém.

Moisés Schmidt, presidente da AIBA

  

Não se discute o futuro do Bioma Cerrado fora de onde ele efetivamente está”, Moisés Schmidt

“A escolha de Luís Eduardo Magalhães para sediar este evento não foi por acaso. Não se discute o futuro do Bioma Cerrado fora de onde ele efetivamente está. Queremos mostrar ao mundo que o agronegócio praticado nesta região é comprometido com a sustentabilidade e vem adotando, cada vez mais, práticas de agricultura regenerativa para garantir o equilíbrio e a preservação do Cerrado.”

Arthur Ramos, Boston Consulting Group

1/4 da produção mundial de soja vem desse quase continente que a gente tem aqui”, Arthur Ramos

“É muito importante estar in loco, presente, para ver a pujança do Cerrado. Tem que lembrar que 1/4 da produção mundial de soja vem desse quase continente que a gente tem aqui. Agradeço à AIBA e ao Ministério da Agricultura e Pecuária pela parceria super importante para fazer esse tema evoluir e crescer. Acelerar essa landscape regenerativa é um desafio enorme que queremos trazer aqui para todos.”

Shalini Unnikrishnan, Boston Consulting Group

Uma luz que pode ser emulada, que pode ser copiada’ em todo o mundo”, Shalini Unnikrishnan

“Começamos esta jornada há alguns anos, por causa da necessidade de transformar o sistema alimentar agrícola globalmente. Não é apenas uma questão do Cerrado, é uma questão global, na qual este lugar em que estamos agora tem a oportunidade de ser uma luz que pode ser emulada, que pode ser copiada, e que outros, em todo o mundo, podem se inspirar.”

Marcelo Behar, World Business Council for Sustainable Development

O diálogo entre formuladores de política pública, produtores rurais, áreas de finanças e áreas de ciência”, Marcelo Behar

“Estamos com todos os principais atores na sala, fundamentais para avançarmos do modelo atual, que já é muito eficiente. O Brasil é uma potência global em agricultura e agora pode expandir ainda mais e se tornar a potência global em agricultura regenerativa e fazer com que nós sejamos a primeira nação do mundo a ser carbono positiva. Para isso, precisamos do diálogo entre formuladores de política pública, produtores rurais, áreas de finanças e áreas de ciência, conectados, montando uma nova realidade.”

Júnior Marabá, prefeito de Luís Eduardo Magalhães

Quando se discute sobre produção, muito se discute também sobre sustentabilidade”, Júnior Marabá

“Luís Eduardo Magalhães vem ocupando um protagonismo muito importante a nível nacional e a Precop simboliza isso. Quando se discute sobre produção, muito se discute também sobre sustentabilidade. E a Aiba representa isso muito bem.”

Pedro Neto, secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura (MAPA)

Tirar uma discussão sobre agricultura regenerativa de grandes centros de negócios e trazer para uma área produtiva”, Pedro Neto

“A intenção do Ministério da Agricultura, que foi aceita pelos realizadores do evento, foi tirar uma discussão sobre agricultura regenerativa, sobre paisagens regenerativas de grandes centros de negócios etc., e trazer para uma área produtiva. O Cerrado brasileiro é ainda uma fronteira agrícola em expansão que, assim como a Amazônia, é um bioma bastante sensível e que está nas grandes discussões mundiais quando se fala de sustentabilidade.”

Pablo Barrozo, Secretário de Agricultura do Estado da Bahia

Melhorar o diálogo do governo do estado com relação à outorga de água, com relação às autorizações de supressão vegetal, e com relação à melhoria do nosso sistema de energia”, Pablo Barrozo

“A proximidade da COP30, que será realizada nos impõe um momento de reflexão e ação. A agenda climática global está mais presente do que nunca. O Brasil, como potência agroambiental, tem oportunidade e responsabilidade de demonstrar que é possível produzir conservando, restaurar enquanto gera renda e liderar pelo exemplo. Temos o compromisso de melhorar o diálogo do governo do estado com relação à outorga de água, com relação às autorizações de supressão vegetal, e com relação à melhoria do nosso sistema de energia.”

O Cerrado Summit é o primeiro “Acelerador de Paisagens” promovido pela Aliança para Ação Regenerativa nas Paisagens (AARL), com o objetivo de construir um plano de ação concreto até a COP30, que será realizada em Belém no segundo semestre. O encontro tem como pilares o financiamento da transição, métricas de monitoramento e avaliação (MMRV) e políticas públicas voltadas ao Cerrado. A programação do evento se estende até o dia 16 de abril, com painéis, debates e apresentações sobre os temas centrais da agricultura regenerativa e o futuro do Bioma Cerrado.

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ABAPA participa do I fórum das mulheres agroparceiras do oeste baiano

Cada dia mais, as mulheres ocupam posições de liderança no agro: inovam, decidem e transformam o setor com sua visão estratégica e dedicação. Por ser considerada uma liderança feminina inspiradora, a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) Alessandra Zanotto Costa, foi convidada a integrar, na sexta-feira (14), a primeira edição do Fórum das Mulheres Agroparceiras do Oeste Baiano, no Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (SPRLEM), na Bahia.

O evento foi uma realização do SPRLEM, em parceria com a Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) e a CNA. Personalidades regionais e nacionais, como a ex-ministra e atual senadora, Tereza Cristina, a influencer Camilla Teles, e a vice-presidente da Faeb, Carminha Missio, também participaram da programação.

Com a ex-ministra, as entidades do agro se reuniram para debater demandas como a atualização do preço mínimo do algodão, hoje defasado, e pedir o apoio de Tereza Cristina em questões ligadas à segurança jurídica do setor.

As mulheres sempre tiveram um papel fundamental no agronegócio, mas hoje estamos assumindo mais espaços de decisão, influenciando o desenvolvimento sustentável e inovador do setor. Momentos como este são essenciais para fortalecer nossa presença e inspirar novas gerações”, destacou.

Para a presidente da Abapa, um dos instrumentos capazes de permitir a entrada e ascensão das mulheres nos espaços de liderança e decisão é a governança. “É necessário que, na governança das empresas e instituições, haja oportunidades para as mulheres alcançarem esses espaços de comando. Na Abapa, isso foi primordial para que eu chegasse à presidência”, conta Alessandra, para quem a capacitação é outra prioridade.

Alessandra defendeu a capacitação de mulheres e a implementação de programas voltados à liderança. Ela citou como exemplo o trabalho desenvolvido pela Abapa em seu Centro de Treinamento e Tecnologia. “Nós, mulheres, somos feitas, sim, de coragem, resiliência e força, mas é preciso se capacitar para sentar-se ao lado de pessoas que, eventualmente, têm mais poder do que você. Dentro da associação, temos um CT, que, desde 2010, já capacitou mais de três mil mulheres e, desde 2021, oferece turmas específicas exclusivamente para o público feminino. Esse é um exemplo de oportunidade que podemos criar dentro das entidades, para que mais mulheres possam não só se capacitar, mas também galgar espaços de decisão”, acredita.

Com o lema “Mulheres no agro: conectando gerações, inspirando o futuro”, o evento trouxe outros painéis na programação. Um deles foi dedicado à senadora e ex-ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina, que se disse honrada com o convite para participar do Fórum. “As mulheres desempenham um papel fundamental nas cadeias produtivas e na construção de soluções sustentáveis em todas as regiões do Brasil. Quero, cada vez mais, ajudar outras mulheres a ampliarem seus horizontes e a buscarem um futuro mais igualitário e participativo”, ressaltou a senadora.

Integraram painéis, também, a consultora Marielly Biff, que abordou o tema da sucessão familiar; a CEO da FarmCom, Camila Telles, que conversou com o público presente sobre inovação e comunicação no agro; e a presidente da Associação De olho no Material Escolar, Andreia Barnabé, que destacou a importância da educação na formação de novas gerações.

Pautas estratégicas

Durante o evento, a presidente da Abapa esteve reunida com a senadora Tereza Cristina para pleitear questões fundamentais para a cotonicultura brasileira, tais como, o reajuste do valor mínimo da arroba para R$ 125,00 na safra 2025/2026, garantindo maior competitividade e sustentabilidade ao setor. “O valor atual não reflete os desafios enfrentados pelo setor, especialmente diante do aumento dos custos de produção e da necessidade de manter investimentos em tecnologia e sustentabilidade”, pontua Alessandra Zanotto Costa. A simplificação ao acesso à irrigação também foi um dos temas aventados. “O algodão da Bahia depende diretamente dessa técnica para mitigar os riscos climáticos e garantir produtividade. Assim como ocorre com outras culturas essenciais, a irrigação deve ser tratada como uma atividade fundamental, sem entraves que possam comprometer sua adoção”, afirma.

Segurança jurídica do setor

Durante o evento, a Abapa também levou à senadora Tereza Cristina preocupações com a segurança jurídica do setor agropecuário. Em especial, a questão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743, que, ao visar combater o desmatamento ilegal e os incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, pede a suspensão imediata dos Cadastros Ambientais Rurais (CAR) de propriedades identificadas com desmatamento ilegal pelos sistemas do PRODES e DETER. O ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, determinou que a União se manifestasse sobre esse pedido no prazo de 10 dias úteis.

A Abapa defendeu que qualquer decisão sobre o CAR deve ser baseada em uma análise técnica criteriosa, garantindo o direito de defesa dos produtores.

“Sem uma investigação adequada, o produtor pode ser condenado sem direito à ampla defesa, o que compromete sua segurança jurídica, o acesso a financiamentos e a capacidade de exportar seus produtos. Não defendemos a impunidade para infratores, mas sim, o direito à presunção da inocência, garantido por lei”, concluiu Alessandra Zanotto Costa.

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