Operação Overclean: PF aponta consulta de ACM Neto em indicação de Barral para secretaria em BH

Investigações da Polícia Federal indicam que ACM Neto foi consultado por empresário sobre indicação de secretário de Educação em Belo Horizonte

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, voltou a ser mencionado na Operação Overclean, desta vez em investigações relacionadas à terceira fase da operação.

Segundo a Polícia Federal, o vice-presidente nacional do União Brasil teria sido consultado pelo empresário Marcos Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, sobre a indicação de Bruno Barral para a secretaria de Educação de Belo Horizonte durante a gestão do falecido prefeito Fuad Noman.

De acordo com as investigações, Marcos Moura insistiu na indicação de Bruno Barral, que também ocupou o cargo de secretário de Educação durante a gestão de ACM Neto em Salvador. Fuad Noman, ainda em vida, teria resistido aos pedidos, chegando a oferecer o comando de outra pasta, como a de Combate à Fome.

Um trecho da decisão do ministro do STF, Kássio Nunes Marques, relator do caso que deu seguimento à investigação, detalha a suposta articulação:

“Durante a negociação, Fuad Noman pede que Marcos Moura ‘abra mão’ do governo, ao que Marcos solicita tempo para consultar Antônio Rueda (presidente do União Brasil) e ACM Neto, demonstrando a articulação política de alto nível do grupo. A conversa encerra-se em 3 de dezembro de 2024, com Marcos Moura solicitando uma reunião presencial com o prefeito.”

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Nunes Marques mantém investigação sobre esquema de desvio de emendas do “Rei do Lixo” na Bahia

STF autoriza continuidade das apurações sobre fraude que teria desviado R$ 1,4 bilhão. PF retoma perícia do material apreendido na Operação Overclean.

Caso de Política com O Globo – O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a continuidade das investigações da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares do Orçamento federal, atribuído ao empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. A decisão, que impõe sigilo total ao caso, foi tomada na quarta-feira (12), conforme informações da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

O inquérito apura fraudes em licitações e contratos de prefeituras que receberam verbas do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), a partir de emendas de parlamentares do União Brasil. As investigações chegaram ao STF em janeiro, após surgirem indícios da participação do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA). Desde então, o caso estava paralisado à espera de definição sobre o foro adequado para sua tramitação.

Com a decisão de Nunes Marques, a PF retomará a análise dos 144 dispositivos digitais apreendidos na Operação Overclean, incluindo celulares, HDs e notebooks. A expectativa é que o conteúdo desses materiais ajude a esclarecer o esquema e a identificar outros parlamentares possivelmente envolvidos.

Entre as suspeitas em torno de Elmar Nascimento, há indícios de que ele teria recebido um imóvel como pagamento de Moura. Seu primo, o vereador Francisco Nascimento, foi preso na operação e, segundo relatos, teria arremessado R$ 200 mil pela janela ao perceber a chegada dos agentes federais. Além disso, a PF interceptou um avião em Brasília carregando mochilas com dinheiro, supostamente remetido por integrantes do esquema.

As investigações apontam que o grupo criminoso teria desviado cerca de R$ 1,4 bilhão em verbas de emendas destinadas ao DNOCS, utilizando contratos fraudulentos para lavagem de dinheiro. Moura, empresário com forte atuação no setor de limpeza urbana na Bahia, era membro da Executiva Nacional do União Brasil e mantinha relações próximas com figuras influentes do partido, como Antonio Rueda e ACM Neto. Sua prisão gerou apreensão nos bastidores políticos, diante da possibilidade de um acordo de delação premiada que comprometeria lideranças com mandato.

Pouco mais de uma semana após serem detidos, Moura e outros investigados foram soltos por decisão da desembargadora Danielle Maranhão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Apesar disso, as investigações continuam e voltaram ao STF devido às menções a Elmar Nascimento.

O relatório da PF também cita Ana Paula Magalhães de Albuquerque Lima, chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo as investigações, ela teria atuado na liberação de emendas que favoreceram empresas de Moura, incluindo um repasse de R$ 14 milhões no último dia do orçamento de 2023. O montante foi autorizado pelo Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, comandado por Waldez Góes, indicado por Alcolumbre.

A Polícia Federal segue analisando as provas para avançar nas apurações sobre o esquema, que envolve figuras centrais do União Brasil e recursos federais direcionados a prefeituras pelo DNOCS.

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Vida de luxo e intrigas: a ascensão do novo presidente do União Brasil

Por Andreza Matais e Eduardo Militão, do UOL Nos últimos dois anos, foram vendidas 42 McLarens zero km no Brasil. Uma delas foi comprada pelo novo presidente do União Brasil, Antônio Rueda, 49.

O advogado também adquiriu, em quatro anos, dois Porsches, duas Mercedes, uma Land Rover além de uma casa e dois terrenos em bairro nobre de Brasília. Esses bens somam cerca de R$ 23,5 milhões, segundo levantamento do UOL.

A maioria das aquisições aconteceu a partir de 2021, quando começou a ascensão de Rueda no União Brasil.

Foi também nessa época que ele estreitou laços com pessoas influentes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o desembargador Eduardo Martins, filho do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Henrique Martins.

Rueda e Martins admitem que atuaram juntos em causas judiciais quando o filho do ministro ainda era advogado, mas dizem não se lembrar para quais clientes. Sobre as relações com o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), silêncio de ambos os lados.

O União Brasil receberá neste ano R$ 865 milhões em recursos públicos, o terceiro maior volume em fundos eleitoral e partidário, atrás apenas de PL e PT.

É Rueda quem decidirá o que fazer com o dinheiro e quanto cada candidato receberá para a campanha eleitoral deste ano.

Tal protagonismo ajuda a explicar o tamanho do poder que Rueda tem hoje em suas mãos — e isso sem jamais ter disputado uma eleição.

Antônio Rueda Imagem: Reprodução

‘Superunião’

Esse poder vai além de verbas para a eleição. O União Brasil tem os dois candidatos mais fortes para substituir Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nas presidências da Câmara e do Senado, respectivamente.

O deputado Elmar Nascimento (BA) e o senador Davi Alcolumbre (AP) podem comandar o Congresso no próximo biênio em um movimento político poucas vezes registrado na História brasileira.

Desde a redemocratização, em 1985, um mesmo partido comandou as duas Casas Legislativas simultaneamente apenas oito vezes, segundo levantamento do analista político Antonio Augusto de Queiroz para o UOL.

Coletiva de imprensa com o novo presidente do partido União Brasil, Antônio Rueda (ao centro) Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

O União também é o único partido que já tem candidato à sucessão de Lula (PT) em 2026: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A última pesquisa Genial/Quaest diz que ele tem aprovação de 86% dos eleitores no estado — é o mais bem avaliado entre os nomes de direita pesquisados.

No último mês, o UOL ouviu mais de uma dezena de pessoas e levantou informações em cartórios e órgãos oficiais para traçar o perfil do homem que controla esse arsenal.

Rompimento e traição
Rueda assumiu neste mês a presidência interina do União Brasil (fusão do PSL com o DEM) em uma disputa que virou caso de polícia.

Um dos fundadores do partido e afastado da presidência da sigla por decisão judicial, o deputado federal Luciano Bivar (PE) se diz traído por Rueda, a quem considerava como um filho. O “afilhado”, por sua vez, acusa o “padrinho” de malfeitos.

Rueda e Bivar começaram a se estranhar em 2019, quando Jair Bolsonaro (PL) deixou o PSL acusando Bivar de decidir sozinho sobre a distribuição de verbas e diretórios estaduais.

Antônio Rueda e Luciano Bivar, do União Brasil Imagem: Reprodução
Rueda ficou ao lado de Bolsonaro, de quem se aproximou há seis anos quando o ex-presidente entrou no PSL.

O distanciamento de Bivar e Rueda aumentou após a fusão com o DEM em 2021. Bivar novamente se recusou a compartilhar, desta vez com os novos parceiros, as decisões sobre recursos e diretórios.

O conflito levou Rueda a apoiar os caciques oriundos do DEM.

O rompimento ocorreu quando os novos aliados de Rueda propuseram a ele que disputasse a presidência da sigla contra Bivar. Ele aceitou, numa decisão que surpreendeu o grupo, dada a relação de pai e filho que Bivar e Rueda já tiveram.

A eleição para o comando do União seria em maio deste ano, mas, diante da resistência de Bivar em deixar o cargo, Rueda operou para afastá-lo antes disso. Para Bivar, foi uma traição.

Mesmo antes de assumir como presidente interino, Rueda já dava as cartas.

Ele colocou a irmã e o cunhado como tesoureiros e possuía uma procuração de Bivar para movimentar o dinheiro da sigla.

A família Rueda administrou quase R$ 1 bilhão (a soma dos fundos partidário e eleitoral) nas últimas eleições.

Foi uma casa de veraneio dessa irmã que pegou fogo em março, enquanto um imóvel de Rueda também era consumida pelas chamas. Ambas as propriedades ficavam em um condomínio de luxo na praia de Toquinho (PE).

O chefão do partido acusou Bivar de ser responsável pelo incêndio. O caso está sendo investigado pela polícia de Pernambuco.Desde que rompeu com Bivar, Rueda tem seguranças cercando sua casa em Brasília.

Quem para em frente ao seu escritório na cidade tem a placa anotada e recebe uma ligação da polícia para explicar as razões. Isso ocorreu com a reportagem do UOL.

Imagem: Arte/UOL Coleção de carros importados

Rueda era um jovem advogado sem patrimônio quando, há 20 anos, conheceu o empresário milionário e político Luciano Bivar.

Dono de uma empresa de seguros, Bivar declarou nas eleições de 2022 ter R$ 18,6 milhões, patrimônio inferior ao que seu pupilo acumulou nos últimos quatro anos, conforme levantamento do UOL, somente em bens.

Como nunca disputou eleições, o que se sabe do patrimônio de Rueda é o que está registrado em cartórios.

Os dois lados contam que Bivar “adotou” Rueda e montou para ele um escritório de advocacia voltado a atender contenciosos de massa (causas movidas em massa contra grandes empresas, geralmente trabalhistas ou de consumidores).

O UOL apurou que, até a briga, Bivar dava R$ 200 mil por mês ao escritório de Rueda para cuidar dos processos da sua seguradora.

A reportagem levantou que 4.000 ações do escritório Rueda & Rueda tramitaram no STJ nos últimos 16 anos. Os maiores escritórios na área costumam ter mais de 200 mil.

Pesquisa feita pelo Anuário Análise Advocacia ouviu 1.067 pessoas, entre elas executivos de empresas que atuam no DF e em 22 estados com faturamentos acima de R$ 500 mil ao ano, para saber quais as firmas mais admiradas entre os contratantes.

O Rueda & Rueda nem sequer é citado.

Rueda e a esposa, Florinda, posam em barco Imagem: Reprodução

Bivar levanta suspeitas sem provas de que o ex-pupilo enriqueceu quando passou a distribuir o dinheiro do partido.

Nos últimos três anos, o casal Antônio e Florinda Rueda comprou uma coleção de seis carros importados, estimada em ao menos R$ 8,7 milhões segundo a tabela Fipe, ou R$ 13,8 milhões, de acordo com classificados.

Não foram identificados registros de venda de imóveis ou veículos em seu nome nos últimos quatro anos no Distrito Federal.

A garagem milionária do advogado

Em primeiro plano, a McLaren do líder do União Brasil, Antonio Rueda Imagem: Reprodução
Eles ostentam na garagem uma Mclaren ano 2023, um Porsche 911 Targa edição comemorativa de 50 anos, um Porsche Taycan, duas Mercedes e uma Land Rover. Rueda terá de desembolsar neste ano R$ 63,9 mil de IPVA apenas com a McLaren.

A pedido do UOL, a consultoria automobilística Jato do Brasil levantou que, entre 2022 e março deste ano, apenas 42 McLarens foram comercializadas no país.

O casal Rueda também comprou nos últimos quatro anos R$ 9,8 milhões em imóveis em Brasília, segundo os valores registrados nas certidões.

São dois terrenos e uma casa na melhor área do Lago Sul, bairro nobre da capital federal e com a maior renda per capita do país (R$ 23 mil).

O presidente do União Brasil pagou R$ 4,5 milhões por um dos imóveis, registrado agora em 14 de março. O mesmo terreno, com 1.312 metros quadrados, foi comprado pelo antigo dono, dois anos antes, por R$ 5,7 milhões.

Pessoas que convivem com Rueda dizem que ele também tem um jatinho e um iate Azimut 80, cuja maquete ele exibe para quem o visita em São Paulo. O UOL não localizou esses bens em nome dele.

O patrimônio de Antônio de Rueda é fruto de sua atividade como advogado e está declarado às autoridades competentesassessoria de Rueda na única declaração à reportagem

Minuta do golpe selou rompimento

Em 2022, outro episódio ajuda a explicar o rompimento entre “pai e filho”.

Ligado ao União, Anderson Torres, então ministro da Justiça do governo Bolsonaro, teria pedido para se encontrar com Bivar pessoalmente.

Bivar pediu a Rueda para informá-lo do que se tratava, segundo apurou o UOL. Rueda e Torres se aproximaram desde que o ex-ministro foi secretário do governo Ibaneis Rocha (DF).

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, Torres queria saber se o partido toparia apoiar a minuta de um golpe, que posteriormente seria apreendida na casa dele. O documento visava mudar o resultado das eleições que elegeram Lula à presidência.

Bivar respondeu que não envolveria a legenda nisso, rejeitou o encontro e encerrou o assunto.

O UOL apurou ainda que, para Bivar, esse episódio é o divisor de águas na relação com Rueda, que já era muito próximo de Flávio Bolsonaro, e decidiu terminar a relação de anos.

A assessoria do Anderson Torres confirma sua proximidade com Rueda, mas nega qualquer conversa sobre os atos golpistas.

O ex-ministro, que foi preso acusado de participar da articulação de um golpe de Estado e até hoje usa tornozeleira eletrônica, mantém a versão de que não compartilhou nem mostrou para ninguém o documento por considerá-lo um “lixo jurídico”.Colaborou Julia Affonso, do UOL, em Brasília

Reportagem

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Disputa interna no União Brasil desencadeia onda de violência política: ataque a tiros na sede no Pará levanta suspeitas

Caso de Política com OGlobo – Uma atmosfera de conflito e intriga permeia o cenário político do União Brasil. A crise interna que assola a legenda desencadeou uma série de eventos perturbadores, culminando em um alarmante ataque à sede estadual do partido em Belém, capital do Pará, nesta segunda-feira.

Os sinais de uma disputa interna se tornaram evidentes nos últimos meses, conforme a rivalidade entre o novo presidente do partido, Antônio Rueda, e seu antecessor, Luciano Bivar, se intensificou. Essa tensão atingiu seu ápice com o ataque violento à estrutura partidária, revelando uma trama obscura de intrigas e confrontos políticos.

O ministro do Turismo Celso Sabino rapidamente alertou para a gravidade do ocorrido, destacando que os disparos foram efetuados com armas de grosso calibre, de ponto quarenta. Com múltiplos tiros disparados contra a sede, a ação sugere uma investida planejada e coordenada, alimentando especulações sobre os motivos por trás desse ato de violência.

No entanto, o ataque à sede do partido não é um incidente isolado. Ele se insere em um contexto mais amplo de violência política que tem assolado membros do União Brasil. Recentemente, Antônio Rueda e sua irmã, Maria Emília Rueda, viram suas casas de praia no litoral de Pernambuco serem incendiadas, em um momento de terror que se seguiu às ameaças de morte que Rueda havia recebido.

A proximidade geográfica entre os locais dos ataques incendiários e a residência de Luciano Bivar, também localizada na praia de Toquinho, próximo a Porto de Galinhas, lança uma sombra de suspeita sobre a possibilidade de conexões entre esses eventos e os conflitos internos do União Brasil.

À medida que a investigação da Polícia Federal avança para desvendar os responsáveis por esses atos de violência, a sociedade é confrontada com a fragilidade da estabilidade política e a ameaça à integridade dos processos democráticos. Em um momento de crescente polarização e tensão política, a disputa interna no União Brasil serve como um lembrete sombrio dos perigos que enfrentamos como sociedade.

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