Tito e Danilo: A arte de unir “gregos e baianos” pela presidência da Câmara de Barreiras

Com 11 dos 19 vereadores, a missão de ambos é costurar alianças e se garantir no comando do Legislativo

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A política de Barreiras, em tempos de constantes articulações, parece mais um jogo de xadrez. Danilo Henrique (PP) e Carlos Tito (PT), com uma teórica base de 11 dos 19 vereadores eleitos para a próxima composição da Câmara, estão decididos a dar o xeque-mate. A disputa pela presidência da Câmara de Barreiras não é apenas uma questão de números, mas de habilidade política e, principalmente, de unir “gregos e baianos” – ou seja, costurar alianças entre grupos com interesses e pensamentos bem distintos.

A presidência da Câmara, além de ser um cargo de influência legislativa, também carrega um poder estratégico. Em um cenário onde o atual vice-prefeito, Túlio Viana (PL), pode disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026, o presidente da Câmara poderá, em algum momento, assumir interinamente a prefeitura, um fator que, mais cedo ou mais tarde, vai exigir uma nova eleição para a presidência, colocando o cargo novamente no centro das atenções em 2027.

E é aí que entra a habilidade de Danilo e Tito. O primeiro, com sua energia e desejo de alinhar os diferentes grupos, e o segundo, com sua vasta experiência – Tito foi presidente da Câmara por duas vezes e sabe exatamente como jogar os bastidores. Ele é o “velho lobo do Rio Grande” na correnteza da política local, conhecendo as pedras no caminho e os atalhos que podem ser explorados.

No entanto, a tarefa não será fácil. As articulações não envolvem apenas interesses pessoais, mas disputas familiares e políticas históricas. Ben-Hir (PSD), o vereador mais votado nas últimas eleições, é visto como um possível nome para a presidência, mas sua ligação com Jusmari Oliveira pode ser um obstáculo. Afinal, as famílias Henrique e Oliveira têm uma rivalidade que remonta a anos e pode complicar qualquer tentativa de consenso.

Apesar disso, Danilo e Tito continuam suas negociações com paciência e jogo de cintura, tentando alinhar diferentes forças políticas. João Felipe (PCdoB) e Carmélia da Mata (PP) são dois nomes que já estariam na base da aliança, mas o quadro ainda está longe de ser definitivo. Afinal, como se diz no popular, “na política, a única coisa que não muda é que tudo pode mudar a qualquer momento”.

E é aqui que entra a experiência de Tito. Se unir “gregos e baianos” parece missão impossível para muitos, para ele, que já foi presidente da Câmara por dois mandatos, essa é uma tarefa que ele conhece bem. Tito já demonstrou que sabe como “costurar” uma aliança, mesmo quando as divergências parecem “barreiras intransponíveis”. Ele tem comprovada habilidade de negociar nos bastidores e garantir que todos saiam com algo, criando uma rede de interesses que fortalece sua posição.

Danilo, por outro lado, traz a força do novo, a capacidade de articular uma base que sabe que precisa se renovar, se reconfigurar para ter voz ativa nas decisões do município. Seu jogo, mais expansivo, busca ampliar as possibilidades, chamando para a mesa os mais diversos setores e tentando harmonizar as diferentes perspectivas.

A independência da Câmara de Vereadores de Barreiras, caso Tito e Danilo consigam consolidar seu alinhamento, pode representar um ganho significativo para a cidade. Uma câmara mais independente pode atuar com maior liberdade em suas decisões, sem pressões externas ou dependências excessivas do poder executivo. Isso permite um espaço mais amplo para fiscalização e cobrança da gestão municipal, além de garantir que os interesses da população sejam mais diretamente representados.

Essa autonomia também fortalece o papel do Legislativo, que passa a ser mais assertivo nas questões de interesse público, evitando que decisões importantes sejam tomadas sem o devido debate e a aprovação do parlamento. E, em um cenário onde a política é movida por alianças e interesses, ter uma câmara mais independente pode significar a abertura de um novo ciclo, onde os vereadores não apenas acompanham, mas participam ativamente na construção das políticas públicas que moldam o futuro de Barreiras.

Por fim, como já dizia o ditado, “quem não arrisca, não petisca”. Danilo e Tito, ambos cientes do desafio que enfrentam, sabem que a política é feita de movimento, de trocas, de apertos de mãos e, claro, de muitas negociações. Entre “gregos e baianos”, quem souber negociar as diferenças terá o poder de comandar. E, no caminho para garantir uma Câmara de Vereadores mais independente e com um papel mais relevante, o jogo político ganha um novo contorno, mais complexo, mas também mais promissor para os cidadãos de Barreiras.

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Vereadores de Barreiras vistoriam obras na Avenida Enock Ismael e alertam para riscos de deslizamento

Parlamentares demonstram preocupação com problemas estruturais e impactos ambientais da obra, que já sofreu danos com chuvas leves

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Os vereadores de Barreiras Ben Hir, Beza, Delmah Pedra, Rodrigo do Mucambo e Carmélia da Mata realizaram nesta sexta-feira (25) uma vistoria nas obras da Avenida Enock Ismael, na Serra do Mimo, em Barreiras. A visita ocorreu em meio a um crescente debate público sobre a segurança e os impactos ambientais do projeto, intensificado após recentes deslizamentos de terra e a queda de um muro de contenção com chuvas moderadas. A vereadora Carmélia, que registrou e compartilhou a visita em suas redes sociais, destacou a precariedade e os riscos da construção.

Avenida interditada, mas eu sou desobediente e vim ver de perto o resultado”, declarou a vereadora Carmélia da Mata em vídeo, enquanto caminhava à beira de uma encosta formada pelas obras.

Com imagens mostrando terrenos escavados e uma série de apartamentos próximos à área atingida, ela destacou a ausência de licenciamento ambiental e a falta de informações claras sobre a execução do projeto.

“Sinceramente, eu não compreendo como é que deram licença ambiental para isso aqui, porque eu já disse que parece algo apressado, sem projeto e sem licitação pública”, afirmou Carmélia, reforçando as críticas à falta de documentação e licenciamento.

As falhas estruturais da obra na Avenida Enock Ismael já haviam sido denunciadas anteriormente pelo Portal Caso de Política, em especial após o deslizamento ocorrido no dia 15 de outubro, quando uma chuva leve expôs a fragilidade do aterro feito para sustentar a via. Segundo a matéria, vídeos de moradores capturaram o desmoronamento do solo em direção a residências próximas, evidenciando o risco que a construção representa para quem vive nas redondezas. Um morador desabafou:

Nem choveu direito e o aterro já está cedendo! Fizeram isso só por causa da política”.

A preocupação com a obra foi também endossada por especialistas. Um técnico da área, que preferiu manter-se anônimo, afirmou ao Portal Caso de Política que o material utilizado no aterro é inadequado.

O solo escolhido não dá liga, é muito solto e não compacta de forma eficiente. Com chuvas mais fortes, isso aqui não vai segurar”, alertou o técnico.

O especialista ainda ressaltou a ausência de medidas de contenção e um sistema de drenagem adequado para o volume de água que desce da serra, fatores que aumentam o risco de alagamentos e erosões nas áreas habitadas abaixo da obra.

O projeto, que visa desafogar o tráfego na região, vem sendo criticado pela pressa na execução e os riscos ambientais. A remoção de vegetação nativa, essencial para a infiltração da água da chuva, e a insuficiência do sistema de drenagem instalado foram destacadas pelo técnico como pontos de maior preocupação.

A água vai descer em grande volume, sem nenhum tipo de contenção, levando o solo e atingindo as áreas mais baixas, onde ficam as moradias. O risco de um desastre é real”, frisou.

A vereadora Carmélia da Mata, durante a vistoria, reforçou seu alerta para os possíveis riscos caso as obras prossigam sem ajustes imediatos.

Eu já havia anunciado nas minhas redes sociais as tragédias que poderiam acontecer, e até agora não compreendo como esta obra não tem licença ambiental e documentação”, afirmou. Para os parlamentares que visitaram o local, a situação demanda uma investigação rigorosa e, principalmente, uma atuação rápida para garantir que as falhas estruturais sejam corrigidas antes do início da temporada de chuvas mais intensas.

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