As campanhas de vacinação representam uma das estratégias mais bem-sucedidas da saúde pública brasileira. Por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece dezenas de vacinas de forma gratuita e contínua, protegendo a população de doenças como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, hepatites e febre amarela. A capilaridade do SUS permite que as vacinas cheguem a todas as regiões do país, inclusive às comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas.
A cada ano, o Ministério da Saúde divulga o Calendário Nacional de Vacinação, que orienta a aplicação dos imunizantes de acordo com a faixa etária e o perfil epidemiológico. As campanhas sazonais, como a de influenza, e as campanhas extraordinárias, como a de multivacinação para atualização da caderneta, são essenciais para manter altos índices de proteção coletiva.
Calendário Nacional de Vacinação por fase da vida
O calendário vacinal começa logo ao nascer, com a BCG (contra formas graves de tuberculose) e a primeira dose da Hepatite B. Aos 2, 4 e 6 meses, a criança recebe a Pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Hib), a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), a Pneumocócica 10-valente e a Meningocócica C. Aos 12 e 15 meses, são administrados os reforços da Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola), da DTP (tríplice bacteriana) e da varicela.
Na adolescência (9 a 14 anos) são indicadas as vacinas HPV (papilomavírus humano, em dose única) e Meningocócica ACWY, além de reforços da dT (dupla adulto) e da Febre Amarela. Para adultos e idosos, o calendário inclui a dT (a cada 10 anos), a Pneumocócica 23-valente (a partir dos 60 anos), a Influenza (campanha anual) e, desde 2021, a vacinação contra a COVID-19, com esquema primário e reforços periódicos.
Principais vacinas oferecidas pelo SUS
BCG
Aplicada nas primeiras 24 horas de vida, a BCG previne as formas graves de tuberculose, como a meníngea e a miliar. A cicatriz que se forma no braço é sinal de resposta imunológica adequada. A vacina é segura e tem alta eficácia na prevenção de óbitos infantis.
Hepatite B
A primeira dose é administrada ainda na maternidade. O esquema completo (3 doses para adultos não vacinados) garante proteção duradoura contra o vírus que pode causar cirrose hepática e câncer de fígado. O SUS oferece a vacina a todas as faixas etárias.
Pentavalente
Combina cinco agentes em uma única injeção, reduzindo o número de picadas e aumentando a adesão. É aplicada aos 2, 4 e 6 meses, com reforço da DTP aos 15 meses. Protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite por Haemophilus influenzae tipo b.
Poliomielite (VIP e VOP)
O Brasil está livre do poliovírus desde 1990, mas a vacinação continua indispensável para evitar a reintrodução da doença. O esquema básico utiliza a VIP (injetável) e a VOP (gotinha) como reforço. Manter a cobertura acima de 95% é fundamental para a erradicação mundial.
Pneumocócica
A versão 10-valente protege contra as principais causas de pneumonia, meningite e otite em crianças. Na versão 23-valente, é indicada para idosos e grupos de risco (diabéticos, cardiopatas, transplantados). A vacinação reduziu drasticamente as internações por pneumonias graves no país.
Meningocócica C e ACWY
Previnem meningites e infecções generalizadas (sepse) causadas pela bactéria Neisseria meningitidis. A vacina C é parte do calendário infantil; a ACWY é recomendada para adolescentes e viajantes para regiões endêmicas.
Febre Amarela
Disponível em esquema de dose única, indicada para todas as pessoas a partir dos 9 meses de idade, especialmente para quem reside ou viaja para áreas de mata e regiões endêmicas da Amazônia, Centro-Oeste e Nordeste. A vacina é altamente eficaz e garante proteção por toda a vida.
Tríplice Viral (SCR)
Protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Com a queda da cobertura vacinal nos últimos anos, o Brasil voltou a registrar surtos de sarampo a partir de 2018, o que reforça a necessidade de alcançar as metas de vacinação. São necessárias duas doses para garantir a imunidade plena.
HPV
Desde 2014, o SUS oferece a vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O esquema atual é de dose única, considerada igualmente eficaz pela Organização Mundial da Saúde. A vacina é crucial na prevenção do câncer de colo do útero e de outros tumores associados ao HPV, como os de ânus, pênis e orofaringe.
dTpa (tríplice bacteriana adulto)
Recomendada para gestantes a partir da 20ª semana de gestação, a dTpa protege o recém-nascido contra a coqueluche nos primeiros meses de vida, quando a doença é mais grave. Também é indicada para profissionais de saúde que atuam em maternidades.
Influenza
A campanha anual de vacinação contra a gripe é realizada antes do inverno (abril a maio). São contemplados grupos prioritários: idosos, crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, forças de segurança e povos tradicionais. A vacina reduz complicações e óbitos por síndromes respiratórias.
COVID-19
A vacinação em massa foi a principal ferramenta para superar a pandemia de covid-19. Atualmente, o esquema inclui doses de reforço anuais para grupos prioritários (idosos, imunossuprimidos, gestantes) e vacinação de crianças a partir dos 6 meses. O SUS mantém a oferta contínua nos postos de saúde.
Como participar das campanhas
Para se vacinar, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) portando a caderneta de vacinação e um documento de identidade. Em campanhas nacionais, como a de influenza e a multivacinação, os postos funcionam em horário estendido e aos sábados, e são montados postos volantes em escolas, praças e empresas, facilitando o acesso da população.
É importante manter a caderneta sempre atualizada. Quem perdeu o cartão pode solicitar a segunda via na UBS onde foi vacinado. O sistema e-SUS Notifica e o aplicativo ConecteSUS permitem consultar o histórico vacinal online, emitir comprovantes e saber quais doses estão pendentes.
A importância da imunização coletiva
Quando a cobertura vacinal está alta, a circulação de vírus e bactérias diminui, protegendo indiretamente pessoas que não podem ser vacinadas por razões médicas (imunossupressão, alergias graves a componentes das vacinas). Esse mecanismo – a imunidade de rebanho – foi responsável pela erradicação da varíola e pela eliminação da poliomielite nas Américas.
Nos últimos anos, o Brasil registrou queda significativa nas taxas de vacinação, fenômeno agravado pela pandemia de covid-19 e pela disseminação de notícias falsas sobre vacinas. Como consequência, doenças que estavam controladas, como o sarampo, voltaram a causar surtos. As campanhas de vacinação periódicas buscam recuperar as coberturas e evitar o retorno de enfermidades evitáveis.
Perguntas frequentes sobre vacinação
Vacinas podem causar a doença contra a qual protegem?
Não. As vacinas são formuladas com vírus ou bactérias inativados (mortos) ou atenuados (enfraquecidos), ou ainda com partes deles (antígenos), incapazes de provocar a doença em pessoas saudáveis. Podem ocorrer reações leves, como febre baixa, dor no local ou mal-estar, que são esperadas e indicam que o sistema imunológico está respondendo.
Quem pode se vacinar nas campanhas do SUS?
Qualquer pessoa pode se vacinar respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação. Crianças a partir do nascimento, adolescentes, adultos, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas têm prioridade em campanhas sazonais. Pessoas com febre alta ou sintomas agudos devem adiar a vacinação até a recuperação, exceto em situações especiais orientadas pelo profissional de saúde.
O que fazer se perdi a caderneta ou não sei quais vacinas tomei?
A orientação é procurar uma UBS e solicitar uma avaliação do histórico vacinal. Muitas vacinas podem ser aplicadas independentemente do registro anterior, e o profissional de saúde indicará as doses necessárias com base na idade e no calendário vigente. O aplicativo ConecteSUS também pode ajudar a recuperar informações sobre vacinas aplicadas.