Guerra comercial de Trump causa inflação imediata nos EUA

Tarifas sobre importações de parceiros comerciais geram alta de preços em alimentos, combustíveis e automóveis, impactando o bolso do consumidor americano e gerando incertezas na economia

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A população dos Estados Unidos já sente os efeitos das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos importados do Canadá, México e China. Anunciadas na terça-feira (4) sob o lema “Make America Great Again”, as medidas visam, segundo o presidente, fortalecer o mercado interno e impulsionar a produção nacional. No entanto, o aumento nos preços de produtos essenciais tem pesado no bolso dos consumidores.

Economistas apontam que, após um breve período de otimismo pós-eleitoral, os consumidores demonstram pessimismo crescente em relação à economia do país. Um levantamento do Instituto Peterson de Economia Internacional estima que o “tarifaço” pode representar um custo adicional de mais de US$ 1,2 mil (cerca de R$ 7 mil) por ano para a família norte-americana média.

A empresa de análise de mercado InMarket revelou que os consumidores estão trocando marcas tradicionais por opções mais baratas e diversificando os locais de compra para encontrar melhores ofertas. Até mesmo os consumidores de renda mais alta têm recorrido a marcas econômicas para itens como água engarrafada, vegetais congelados, aves, ovos e queijos.

As novas taxas incluem um aumento de 25% sobre produtos do Canadá e do México, além de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses, atingindo diretamente aliados estratégicos dos EUA e provocando ameaças de retaliações comerciais.

Segundo Brian Cornell, CEO da rede varejista Target, os consumidores notarão rapidamente a alta de preços em frutas e hortaliças importadas do México, como morangos, bananas e abacates. Dados apontam que os preços dos alimentos subiram 28% desde 2020, com um salto de 0,5% apenas entre dezembro e janeiro, a maior alta mensal em mais de dois anos.

Na região da Nova Inglaterra (Maine, Vermont, New Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island), o preço da gasolina deve subir entre 20 e 40 centavos por galão nos próximos dias, segundo Patrick De Haan, analista-chefe da GasBuddy, devido à dependência de refinarias canadenses para abastecimento de combustíveis e óleo de aquecimento.

O setor automobilístico também será severamente afetado. Os novos impostos impactam a importação de veículos prontos, motores, transmissões e componentes essenciais para a produção de carros nos EUA, que já estão próximos de níveis recordes. A General Motors, maior montadora dos EUA, será uma das mais prejudicadas, pois cerca de 40% de seus veículos na América do Norte são produzidos em fábricas no Canadá e no México.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, sugeriu que o governo estuda reverter algumas das tarifas aplicadas ao Canadá e ao México, sem fornecer detalhes sobre possíveis flexibilizações.

Diante das incertezas, empresas estão reduzindo contratações, os pedidos na indústria manufatureira caíram e a compra de imóveis desacelerou, indicando um cenário econômico cada vez mais instável.

Caso de Política | A informação passa por aqui.

#Trump #GuerraComercial #Tarifas #Inflação #EconomiaAmericana #ComercioInternacional #MakeAmericaGreatAgain #Consumidor #MercadosGlobais

China lança plano ambicioso para reverter queda na natalidade com subsídios e apoio familiar

Governo chinês anuncia medidas inéditas para incentivar o aumento da população, incluindo auxílio financeiro para cuidados infantis e ampliação de serviços para idosos e dependentes

Caso de Política com Agência Lusa – Alarmada com a diminuição da população pelo terceiro ano consecutivo, a China anunciou um pacote de medidas ousadas para impulsionar as taxas de natalidade. O primeiro-ministro Li Qiang revelou, durante a Assembleia Popular Nacional (APN), um plano que inclui subsídios para os cuidados infantis, expansão de serviços de creches e apoio comunitário para idosos e dependentes.

O principal objetivo é aliviar o fardo financeiro e logístico que pesa sobre os casais chineses, que apontam os altos custos de educação como um dos maiores obstáculos para terem mais filhos.

“Vamos desenvolver vigorosamente serviços integrados de cuidados infantis e jardins-de-infância”, afirmou Li Qiang, prometendo aumentar a oferta de serviços inclusivos.

Além dos subsídios, o governo chinês estuda outras medidas para incentivar a natalidade, como a ampliação da cobertura de seguro para técnicas de reprodução assistida, o prolongamento da licença de paternidade e até mesmo a redução da idade legal para o casamento, atualmente em 22 anos para homens e 20 para mulheres. A eliminação das restrições ao número de filhos, fixado em três desde 2021, também está em discussão.

A China enfrenta um desafio demográfico sem precedentes. Em 2024, o país registrou apenas 9,54 milhões de nascimentos, um número ligeiramente superior aos 9,02 milhões de 2023, o menor desde 1949. A queda populacional já dura três anos, um fenômeno inédito desde a crise de 1961, causada pela fome e pelo fracasso do projeto de industrialização do Grande Salto em Frente.

O plano para reverter essa tendência faz parte de uma estratégia mais ampla do governo chinês, que estabeleceu uma meta de crescimento econômico de “cerca de 5%” para 2025. O envelhecimento da população representa um desafio para a economia chinesa, e o aumento da natalidade é visto como fundamental para garantir o futuro do país.

Caso de Política | A informação passa por aqui.

#China #Natalidade #Demografia #PolíticaDemográfica #GovernoChinês #População #Subsídios #Economia

Guerra Comercial: China mira América Latina e Europa para suprir alimentos e reduzir dependência dos EUA

Escalada nas tarifas americanas impulsiona busca chinesa por novos fornecedores de carne, grãos e laticínios no Brasil, Austrália e União Europeia

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A escalada na guerra comercial entre China e Estados Unidos deve redesenhar o mapa do comércio global de alimentos. Em resposta às novas tarifas impostas por Washington, Pequim mira na América Latina e na Europa para diversificar suas fontes de importação de produtos agrícolas, antes dependentes dos EUA. As informações são da agência Reuters.

Com a imposição de tarifas retaliatórias sobre US$ 21 bilhões em produtos agrícolas americanos, a China, maior importadora global do setor, busca alternativas para garantir o abastecimento de carne, laticínios e grãos. O Brasil, principal fornecedor de soja, a Austrália, exportadora de trigo, e a União Europeia, forte na produção de carne suína, despontam como os principais beneficiados, segundo analistas e autoridades do setor.

“Haverá um redirecionamento do comércio após as tarifas de importação da China sobre os produtos norte-americanos”, prevê Pan Chenjun, analista sênior do Rabobank em Hong Kong. A especialista destaca que o setor de carne suína, incluindo miúdos, e pés de frango serão os mais impactados, abrindo espaço para um aumento nas importações chinesas do Brasil, Espanha, Holanda e outros países da União Europeia.

A medida representa uma continuidade na estratégia chinesa de reduzir a dependência do agronegócio americano, iniciada durante o governo de Donald Trump. Em 2024, a China importou US$ 29,25 bilhões em produtos agrícolas dos EUA.

Apesar das investigações antidumping sobre a carne suína e laticínios europeus, as vendas para a China não foram afetadas. A dependência dos EUA em relação aos pés de frango, iguaria apreciada na culinária chinesa, deve persistir, ao menos no curto prazo, devido à dificuldade em encontrar alternativas.

No mercado de grãos, o Brasil e a Argentina devem se beneficiar da taxação da soja americana. A Austrália também pode ampliar suas exportações de sorgo e trigo para a China.

A guerra comercial, somada às tarifas impostas por Trump sobre produtos do Canadá e do México, ameaça o setor de exportação agrícola dos EUA, que movimenta US$ 191 bilhões.

Caso de Política | A informação passa por aqui.

#GuerraComercial #China #EUA #Agronegócio #ComércioInternacional #Importação #Exportação #Alimentos

Elon Musk em queda livre: Ações da Tesla despencam 40% e futuro da empresa é incerto

Ações da Tesla sofrem queda vertiginosa, atingindo o menor patamar em anos, enquanto Elon Musk enfrenta críticas e concorrência acirrada em mercados-chave

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O império de Elon Musk enfrenta uma crise sem precedentes. As ações da Tesla, sua principal empresa, despencaram drasticamente, registrando uma queda de 40% desde dezembro. A derrocada levanta sérias dúvidas sobre o futuro da montadora de carros elétricos e o impacto na fortuna do bilionário.

Fatores da Crise

Diversos fatores contribuem para a crise da Tesla, criando uma “tempestade perfeita” para a empresa:

  • Polarização Política: A adesão de Elon Musk a posições de extrema-direita alienou uma parte significativa de seu público consumidor, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, onde a demanda por carros elétricos está ligada a preocupações ambientais e valores progressistas.
  • Concorrência Agressiva: No mercado chinês, a Tesla enfrenta uma concorrência acirrada de fabricantes locais que oferecem veículos elétricos a preços mais competitivos. O nacionalismo do consumidor também pode estar influenciando a decisão de compra.
  • Imagem Negativa: Campanhas publicitárias negativas, como a que compara a Tesla a símbolos nazistas, contribuem para a deterioração da imagem da marca e afetam a confiança dos consumidores.
Caso de Política | A informação passa por aqui

#ElonMusk #Tesla #Ações #Queda #CarroElétrico #Concorrência #Crise

Trump amplia guerra comercial e mira Europa com novas tarifas

Após taxar Canadá, México e China, presidente dos EUA confirma que União Europeia será o próximo alvo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta sexta-feira (31) que pretende impor tarifas sobre produtos da União Europeia. A declaração foi feita durante uma entrevista no Salão Oval, em um momento em que tarifas de 25% sobre importações do Canadá e do México, além de 10% sobre produtos chineses, entram em vigor.

Questionado sobre a possibilidade de ampliar as tarifas para a Europa, Trump respondeu de forma enfática:

“Vou impor tarifas à União Europeia. Você quer uma resposta verdadeira ou uma resposta política?”, disse, antes de completar com um sonoro “Absolutely” (com certeza).

A ameaça já era esperada por líderes europeus, que vinham se preparando para uma resposta à crescente ofensiva comercial dos EUA. Olli Rehn, presidente do Banco Central Europeu (BCE), alertou que a União Europeia precisa acelerar acordos de livre comércio para conter os impactos das tarifas americanas, destacando o Mercosul como um parceiro estratégico.

UE se mobiliza e reforça laços com o Mercosul

O aprofundamento da guerra comercial preocupa os europeus, que temem prejuízos à economia da Zona do Euro. Olli Rehn reforçou a importância de ratificar o acordo comercial com o Mercosul antes que países como o Brasil fortaleçam laços com a China.

Democracias da América Latina são parceiros naturais da Europa. Precisamos agir rapidamente para garantir que esses laços se solidifiquem antes que a região volte sua atenção para outros mercados”, afirmou Rehn.

O dirigente do BCE garantiu que a União Europeia não pretende ficar de braços cruzados e já trabalha em estratégias para mitigar as ameaças tarifárias dos EUA.

Acreditamos que o bom senso pode prevalecer, mas, se necessário, estamos preparados para reagir”, destacou.

Novas tarifas americanas incluem aço, alumínio e petróleo

Além da taxação sobre Canadá, México e China, Trump anunciou que os EUA também vão impor tarifas sobre aço, alumínio e cobre, com implementação prevista para fevereiro. Produtos como chips de computador, itens farmacêuticos e petróleo também devem ser afetados.

Segundo o presidente americano, as novas tarifas sobre o aço entram em vigor no dia 18 de fevereiro. Ele minimizou os riscos de inflação e de impacto nas cadeias globais de suprimentos, sustentando que a estratégia fortalecerá a economia dos EUA.

O impacto das tarifas vai nos tornar muito ricos e fortes”, afirmou Trump, demonstrando pouco receio sobre possíveis reações do mercado ou do eleitorado.

Com a escalada das tarifas e a inclusão da Europa na disputa comercial, analistas avaliam que as tensões entre EUA e seus principais parceiros comerciais devem crescer, abrindo espaço para retaliações e novos desdobramentos nos próximos meses.

Fábrica da BYD em Camaçari produzirá carro com motor triflex inédito no Brasil

Nova unidade da montadora chinesa deve gerar 10 mil empregos iniciais e reaquecer economia local

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD anunciou nesta segunda-feira (2) a instalação de uma fábrica em Camaçari, na Bahia, onde será produzido o primeiro motor triflex da empresa, capaz de operar com eletricidade, gasolina e etanol. A planta, adquirida da Ford em julho de 2023, será a maior unidade da montadora fora da China e começará a operar em março de 2025.

A novidade foi apresentada pela CEO regional da BYD, Stella Li, em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Li, o projeto marca um avanço significativo na integração de tecnologias sustentáveis no Brasil e no fortalecimento do mercado local.

“Cumprimos nossa promessa ao presidente Lula de inovar e investir em tecnologia local. Esse projeto é fruto do trabalho de 110 engenheiros brasileiros e chineses”, afirmou.

Início promissor e expansão planejada

A fábrica, descrita como a mais avançada do mundo fora da China, terá uma capacidade inicial de produção de 150 mil veículos em seu primeiro ano de operação, dobrando esse volume até o fim de 2026. Nesse período, o número de funcionários deve crescer de 10 mil para 20 mil, consolidando Camaçari como um dos principais polos globais da montadora.

O motor triflex, destaque da produção, foi desenvolvido para atender às características do mercado brasileiro, que lidera o uso de etanol como combustível sustentável desde os anos 1970. A BYD também anunciou a criação de um centro de tecnologia na Bahia para impulsionar novas soluções no setor automotivo.

Recuperação econômica e impacto local

A instalação da BYD em Camaçari traz esperanças de recuperação econômica para a região, duramente impactada pelo fechamento da fábrica da Ford em 2021. Para o presidente Lula, o projeto representa uma transformação positiva. “É um marco para o Brasil. A BYD traz empregos, tecnologia e sustentabilidade, demonstrando a força da nossa parceria com a China”, declarou.

Combinando inovação tecnológica e compromisso com energias renováveis, o investimento posiciona o Brasil como protagonista no cenário global de mobilidade sustentável, contribuindo para a transição rumo a um futuro mais verde e economicamente dinâmico.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Agência Lupa desmente: arroz mostrado em vídeo não é de plástico e não foi importado da China

O escritório do ódio perdeu as eleições de 2022, mas ainda não descansou: todos os dias circulam notícias falsas, frente à notícia de que o Governo vai importar arroz (a licitação ocorre no dia 11-06) de grãos de plástico, montados com chips espiões ou com vermes. A Agência Lupa investigou o caso e concluiu que a notícia é falsa

Pescado no Jornal OExpresso – Circula pelas redes sociais o vídeo de uma mulher incinerando arroz em um fogão. Conforme pegam fogo, os grãos transformam-se em um pó preto. Segundo ela, essa é a prova de que o produto seria, na realidade, de plástico. A legenda da publicação afirma que o arroz foi importado da China. É falso. 

Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

O arroz mostrado no vídeo não é de plástico, nem foi importado da China. Especialistas consultados pela Lupa analisaram o vídeo e explicaram que o processo mostrado nas imagens é o resultado natural da queima da matéria orgânica. Dados do portal de estatísticas de comércio exterior do Brasil, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que o Brasil não importou arroz branco — o tipo que aparece na publicação — da China em 2023 e 2024 (janeiro a abril).

O engenheiro agrônomo Nathan Levien Vanier, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), explicou que o processo mostrado no vídeo é normal e também é visto quando experimentos semelhantes são realizados em laboratório.

Na análise de minerais totais (cinzas) incineramos toda a matéria orgânica em um cadinho [pote refratário, resistente a temperaturas elevadas], sob altas temperaturas. O aspecto inicial com a queima é como no vídeo. Chamamos tecnicamente de ‘cinza’ [ou resíduo mineral fixo]. Não procede o que a autora do vídeo argumenta”, esclareceu Vanier. 

Na mesma linha, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), que também analisou o vídeo, explicou, em nota à Lupa, que o arroz mostrado nas imagens não é artificial. “Se fosse plástico ficaria aderido ao metal do fogão. A queima de matéria orgânica gera esse pó escuro. Chamamos tecnicamente de ‘cinza’”, informou a associação. 

De acordo com dados do portal de estatísticas de comércio exterior, em 2023 e 2024 (janeiro a abril) o Brasil chegou a importar arroz com casca, paddy ou em bruto da China, representando respectivamente apenas 0,001% e 0,0049% do total dessas variedades do grão importado nos dois períodos. Essas variações não são vendidas à população, como explicou uma representante da Abia por telefone. 

É válido citar que, ao contrário do que é afirmado na legenda de publicações que repostaram o vídeo, em nenhum trecho do registro a mulher informa onde comprou o arroz ou diz que ele seria de alguma marca chinesa. A Lupa tentou entrar em contato com ela, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

“Brasil tem nova dinâmica na balança comercial e habilita 38 novos frigoríficos para exportar à China”, diz ministério

Número de frigoríficos habilitados a exportar para a China passou de 107 para 145

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A expectativa é de um significativo impulso na economia brasileira com a habilitação de 38 novos frigoríficos para exportação de carne à China. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, esse avanço pode acrescentar até R$ 10 bilhões anuais às transações comerciais do país.

Roberto Perosa, Secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, ressaltou a importância desse marco:

“Ao ampliarmos de 107 para 145 o número de frigoríficos autorizados, não só estamos diversificando os exportadores, mas também expandindo o volume a ser enviado.”

No entanto, Perosa observou que estão em andamentos diálogos internos com o setor privado para revisão de questões identificadas. Posteriormente, pretende-se pleitear uma nova rodada de habilitações junto às autoridades chinesas. As empresas em questão terão a oportunidade de corrigir os pontos apontados e serão submetidas a novas inspeções visando à habilitação em uma próxima fase.

A concessão para exportação às indústrias brasileiras é atribuição da Administração Geral de Alfândegas da China (Gacc), a autoridade sanitária do país. Perosa esclareceu:

“Não cabe ao governo brasileiro selecionar os frigoríficos a serem habilitados. Nós fornecemos os dados, e a autoridade chinesa determina quais serão avaliados.”

Nesta sexta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja visitar uma unidade da JBS em Campo Grande (MS) para acompanhar o primeiro embarque de carne para a China por uma das plantas recém-habilitadas. A JBS foi a empresa mais beneficiada, com um total de 12 habilitações, incluindo duas da marca Seara.

Caso de Política | A informação passa por aqui

Porque censurar Monark é patético e sangra a democracia?

Luís Carlos Nunes – A censura é um tema que tem atravessado os séculos e suas implicações nos contextos políticos são cruciais para uma análise conjuntural. Desde tempos antigos até os dias atuais, inúmeros casos de censura têm marcado sociedades ao redor do globo.

Na Grécia Antiga, um caso emblemático foi o do filósofo Sócrates. Condenado à morte por volta de 399 a.C., Sócrates enfrentou a censura por suas ideias inovadoras e questionadoras, sendo acusado de corromper a juventude e desrespeitar os deuses estabelecidos pela polis. Essa condenação representa um ataque à liberdade de expressão e um marco negativo na história da democracia ateniense.

Outro episódio histórico marcante de censura ocorreu durante a Inquisição da Igreja Católica nos séculos XV e XVI. A Inquisição tinha como objetivo controlar e reprimir qualquer forma de pensamento considerada herética ou contrária aos dogmas da igreja. Livros e obras filosóficas eram submetidos à censura prévia e frequentemente queimados publicamente. Essa repressão intelectual e religiosa limitou a liberdade de expressão e perpetuou a intolerância por séculos.

No século XX, regimes totalitários, como o nazismo de Adolf Hitler e o comunismo de Josef Stalin, também usaram a censura como uma ferramenta para consolidar seu poder. Na Alemanha nazista, livros considerados “subversivos” ou contrários à ideologia do partido eram banidos e queimados, enquanto jornais e meios de comunicação eram controlados para disseminar a propaganda oficial. Na extinta União Soviética, artistas, escritores e jornalistas eram censurados e perseguidos pelo Estado, sendo obrigados a se adequar à narrativa governamental sob ameaça de represálias.

Ao analisar a conjuntura política atual, nota-se uma crescente preocupação com o controle da informação e a limitação da liberdade de expressão em diversos países. Regimes autoritários, como a China e a Coreia do Norte, têm aplicado censura de forma recorrente, bloqueando sites, controlando a mídia e reprimindo dissidentes políticos. Mesmo em democracias estabelecidas, como os Estados Unidos, onde a liberdade de expressão é considerada um valor fundamental, há intensos debates sobre os limites dessa liberdade. Exemplos emblemáticos incluem o caso de Edward Snowden, ex-analista de inteligência que revelou práticas de vigilância em massa do governo dos Estados Unidos. Snowden, atualmente preso e perseguido pelas autoridades americanas, suscitou discussões sobre o equilíbrio entre a proteção da segurança nacional e o direito à privacidade, gerando controvérsias sobre a censura e a liberdade de expressão em um país conhecido por sua defesa desses princípios. Além disso, nas redes sociais, empresas privadas têm adotado medidas para moderar conteúdos considerados problemáticos ou falsos, o que tem gerado debates acalorados sobre a influência e o poder dessas plataformas na esfera pública.

No caso específico do youtuber e podcaster Monark, embora suas declarações possam ser consideradas irresponsáveis e desprezíveis, a censura prévia é uma medida altamente questionável. A liberdade de expressão é um pilar fundamental das democracias, e sua limitação deve ocorrer somente quando há clara incitação à violência ou danos à integridade de terceiros. Ações judiciais de censura contra indivíduos como Monark podem gerar um efeito contraproducente, amplificando suas ideias e alimentando um discurso de perseguição.

Apesar de Monark ter ganhado visibilidade nas redes sociais, é válido questionar a real ameaça que ele representa para a democracia. Suas declarações irresponsáveis, como sugerir a admissibilidade de um partido nazista, foram prontamente seguidas de um pedido de desculpas, alegando que estava embriagado durante o episódio. Além disso, sua influência é limitada a um público que busca sua irreverência adolescente e suas piadas com políticos e autoridades.

A questão que se coloca é se a censura prévia é realmente a melhor abordagem para lidar com casos como o de Monark. É compreensível a preocupação com a disseminação de informações falsas e potencialmente prejudiciais, especialmente em um contexto em que a desinformação se tornou uma ameaça global. No entanto, é importante considerar que a liberdade de expressão é um pilar essencial das democracias e deve ser preservada.

Ao censurar um youtuber e podcaster conhecido por suas experiências declaradas com maconha (ou ex-maconheiro, pois não se tem certeza), estamos menos atacando o pensamento e mais tentando conter a ausência de pensamento. É uma investida ridícula que desmoraliza a própria prática de censura, bem como aqueles que a exercem, tanto no presente quanto no passado.

Afinal, a história nos ensina que a censura, quando utilizada como instrumento de controle autoritário, mina a democracia e a liberdade individual. Devemos aprender com os erros do passado e buscar mecanismos mais eficazes para combater a desinformação e promover a educação midiática, capacitando as pessoas a discernir entre informações confiáveis e manipuladas.

Talvez uma boa prática para o combate a desinformação fosse a queda da imunidade parlamentar, desmonetização de canais de políticos e a responsabilização de big techs, isso seria talvez um bom pontapé nesse luta. Há sim figuras e autoridades perigosas incentivando ódio, mentindo descaradamente, escondidos sob o manto da imunidade, garantida por leis que eles mesmos criaram e controlam.

Em vez de restringir a liberdade de expressão, é fundamental fomentar um ambiente de debate público saudável, no qual a diversidade de ideias seja valorizada e a crítica construtiva seja incentivada. Essa abordagem permite um maior engajamento cidadão, fortalece a democracia e ajuda a combater os problemas decorrentes da desinformação.

Portanto, ao enfrentar os desafios contemporâneos relacionados à censura e liberdade de expressão, é necessário encontrar um equilíbrio entre a responsabilidade na disseminação de informações e a preservação dos direitos fundamentais. A liberdade de expressão não deve ser cerceada de maneira arbitrária ou baseada em motivações políticas, mas sim protegida como um valor essencial para uma sociedade democrática e plural.

Argentina decide desdolarizae economia e pagar pelas importações chinesas em yuan

Somente neste mês de abril, a Argentina pretende pagar cerca de US$ 1 bilhão em importações chinesas em yuan

Repórter ABC com informações de Reuters – O governo argentino anunciou nesta quarta-feira (27) que começará a pagar por suas importações da China em yuan, ao invés de dólares. A medida tem como objetivo aliviar a pressão sobre as reservas cada vez menores de dólares do país.

Somente neste mês de abril, a Argentina pretende pagar cerca de US$ 1 bilhão em importações chinesas em yuan, e posteriormente, cerca de US$ 790 milhões em importações mensais serão pagos na moeda chinesa, segundo um comunicado do governo. O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, afirmou que a decisão visa facilitar a saída de dólares do país.

A decisão ocorre em um momento crítico para as reservas internacionais de dólares da Argentina, com uma queda acentuada nas exportações agrícolas causada por uma seca histórica e incerteza política antes das eleições deste ano. Em novembro de 2022, a Argentina ampliou um swap cambial com a China em US$ 5 bilhões para fortalecer suas reservas internacionais.

O acordo permitirá que a Argentina “trabalhe na possibilidade” de aumentar a taxa de importações, disse Massa. Pedidos de importação denominados em yuan serão autorizados em 90 dias, em vez dos 180 dias padrão.