Hugo Motta é eleito presidente da Câmara com ampla maioria

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Parlamentar assume o comando da Casa com 444 votos e promete gestão plural e previsível

Caso de Política com Agência Câmara – Hugo Motta (Republicanos-PB) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados para o biênio 2025-2026, com 444 votos, em primeiro turno. A disputa, realizada neste sábado (1º), teve ainda os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), que obteve 32 votos, e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), que recebeu 22. Outros dois votos foram registrados em branco.

O novo presidente contou com o apoio de um amplo bloco parlamentar formado por 17 partidos, somando 494 deputados. A coligação inclui PL, PT, PCdoB, PV, União, PP, Republicanos, PSD, MDB, PDT, PSDB, Cidadania, PSB, Podemos, Avante, Solidariedade e PRD. Com a maioria absoluta garantida, a eleição foi decidida sem necessidade de segundo turno.

Antes da votação, Motta discursou pregando humildade e cooperação.

Quero ser um elo na corrente, um elo forte, mas com a consciência de ser apenas um elo que não podemos deixar romper. Todas as vezes que romperam esta corrente, partiram a democracia”, afirmou.

O novo presidente da Câmara destacou a necessidade de previsibilidade nos trabalhos legislativos, incluindo a retomada das sessões do Plenário no início da tarde e a definição clara de quais delas serão presenciais e quais ocorrerão de forma virtual. Ele também defendeu uma maior interlocução com o Senado para aprimorar o trâmite das matérias e uma ampliação das oportunidades para parlamentares menos experientes na relatoria de projetos.

Outro compromisso assumido por Motta é o fortalecimento da bancada feminina.

“Vamos garantir que deputadas tenham protagonismo não apenas em projetos ligados às mulheres, mas também em pautas fundamentais como economia, educação e segurança pública”, declarou.

Aos 35 anos, Hugo Motta se torna o presidente mais jovem da Câmara desde a redemocratização. Ele ingressou na Casa em 2011, com apenas 21 anos, após ser eleito deputado federal pela primeira vez. Em seu primeiro mandato, ainda conciliava a função legislativa com o curso de Medicina, concluído em 2013 na Universidade Católica de Brasília.

Ao longo de sua trajetória, Motta presidiu a CPI da Petrobras em 2015 e liderou diversas comissões, incluindo a de Fiscalização Financeira e Controle e três comissões especiais. Entre suas propostas aprovadas estão a Emenda Constitucional 82, que fortalece a segurança viária, e a Emenda Constitucional 133, que cria regras para financiamento de candidatos pretos e pardos.

A eleição de Motta também representa uma marca para seu partido. Fundado em 2005, o Republicanos se torna a legenda mais jovem a comandar a Câmara, quebrando a hegemonia de partidos criados na década de 1980.

Com sua ascensão, a Paraíba volta a ocupar a presidência da Câmara pela terceira vez na história da República. Antes de Motta, o estado já havia sido representado por Efraim Moraes (PFL), entre 2002 e 2003, e Samuel Duarte (PSD), de 1947 a 1949. A região Nordeste chega à sua 20ª liderança na Casa, que historicamente teve predominância de deputados do Sudeste.

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Quem será enganado: PT ou PL? Acordo com Hugo Motta para presidência da Câmara gera expectativa de traição

Imagem: Edição Caso de Política

Apoio simultâneo ao nome de Hugo Motta pelo PT e PL levanta suspeitas sobre promessas divergentes feitas para agradar ambos os lados; expectativa por desfecho revela disputa de interesses na Câmara dos Deputados

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O cenário na Câmara dos Deputados ganhou novos contornos com a decisão do União Brasil de apoiar Hugo Motta (Republicanos-PB) como candidato à presidência da casa. Com a retirada de Elmar Nascimento, principal concorrente, o caminho ficou aberto para Motta consolidar alianças com o PL, PP, MDB, Republicanos, Podemos e PT, que juntos somam 312 votos – bem acima dos 257 necessários para garantir sua vitória.

A surpresa é o alinhamento entre PT e PL em torno de Motta, apesar das suas divergências históricas. Esse apoio mútuo nos leva a considerar a possibilidade de que promessas de bastidores estejam em jogo, e que uma das partes pode sair “enganada”. Para o PL, a aposta parece estar na aprovação de pautas sensíveis, como o PL da Anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de estado no dia 8 de janeiro de 2022, o que explica a confiança expressa pela deputada Caroline De Toni (PL-SC) no futuro presidente. Por outro lado, o PT, com o aval de sua presidente Gleisi Hoffmann, demonstra segurança de que o projeto de anistia não será levado adiante, assegurando o compromisso dos votos petistas ao nome de Motta.

É evidente que Arthur Lira, atual presidente da Câmara, exerce controle firme sobre as articulações internas e figura como peça fundamental no avanço de Motta. A aliança improvável entre PL e PT, aparentemente costurada com promessas diferentes para ambos, expõe as complexidades da governabilidade e a tensão latente sobre quem, ao final, será verdadeiramente beneficiado caso Motta assuma a presidência.

O desfecho revelará qual das legendas sairá satisfeita – e qual delas se verá traída – com o resultado dessa costura pragmática.

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Apoio do PL a Hugo Motta amplia negociações entre Lira e Lula para sucessão na Câmara

 

Em um cenário de alianças inusitadas, o apoio do PL ao candidato de Lira gera tensões internas no PT, que enfrenta o desafio de conciliar interesses sobre temas polêmicos como a anistia aos golpistas de 8 de janeiro

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), indicado por Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara, obteve um apoio estratégico do Partido Liberal (PL), sigla de Jair Bolsonaro, na disputa pelo comando da Casa. Em uma decisão que surpreendeu até parlamentares mais experientes, o líder do PL, Altineu Côrtes (RJ), anunciou o apoio do partido a Motta, selando uma aliança que inclui, de forma inédita, tanto o PT de Lula quanto o PL de Bolsonaro em torno de um único nome.

No entanto, a adesão do PT ao candidato de Lira veio acompanhada de controvérsias. A pauta mais sensível envolve o PL da Anistia, que prevê perdão aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Parte da bancada petista manifesta resistência à tramitação do projeto, que segue para uma comissão especial após decisão de Lira. Integrantes do PT exigiam que Hugo assumisse o compromisso de não pautar a anistia caso eleito, condição não atendida pelo candidato. Enquanto isso, o PL pressiona pela aprovação da proposta, que também já foi formalmente apresentada como prioridade ao parlamentar.

A base aliada de Lula vê o apoio do PT a Hugo Motta como um movimento inevitável, necessário para evitar a perda de espaços estratégicos na composição da Mesa Diretora e em comissões temáticas. Parlamentares petistas argumentam que a exclusão de Hugo dos compromissos do partido representaria um risco de isolamento no Congresso e poderia enfraquecer a coesão da base governista.

O próprio Lula, ao se reunir com lideranças do PT nesta semana, incluindo a presidente do partido Gleisi Hoffmann, sinalizou que não interferiria diretamente na decisão, mas solicitou que a sucessão na Câmara não prejudique a tramitação de pautas de interesse do Executivo, como a regulamentação da reforma tributária. Esse projeto, que avançou no plenário com a condução de Lira, é visto como essencial para o governo.

Outros nomes, como Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antonio Brito (PSD-BA), também se apresentam na disputa, ambos líderes de partidos com representantes no governo. Em resposta ao apoio a Motta, Nascimento criticou duramente Lira, acusando-o de agir como “líder do governo Bolsonaro” em sua primeira gestão e de impor consensos artificiais à Câmara.

A aliança entre PL, PT e Lira, mesmo que frágil, coloca Hugo Motta em vantagem e aponta para um alinhamento estratégico que visa reduzir disputas no Congresso. Entretanto, temas como a anistia aos golpistas e o controle da pauta legislativa expõem divisões internas na base aliada, sinalizando que a eleição para a presidência da Câmara pode ter consequências políticas de longo alcance tanto para Lula quanto para Lira.

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