Agricultores são multados em R$ 66 milhões por desmatamento em áreas embargadas

Operação apreende maquinário e reforça combate ao avanço ilegal no Cerrado, berço das águas do Brasil

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Mais de R$ 66 milhões em multas, 18 máquinas agrícolas apreendidas e uma nova demonstração da urgência de proteger o Cerrado. Assim se encerrou a Operação Nova Fronteira, realizada pelo Ibama com apoio da Polícia Militar Ambiental e fiscais da Fundação Natureza do Tocantins (Naturatins), entre os dias 11 e 13 de novembro. A ação foi voltada ao combate de desmatamento ilegal em áreas embargadas na região do Matopiba, abrangendo Dianópolis e Mateiros (TO) e Formosa do Rio Preto (BA).

De acordo com o Ibama, os produtores autuados utilizavam terras previamente interditadas para cultivo de grãos, desrespeitando embargos e impedindo a regeneração natural do bioma. Foram flagrados oito tratores, quatro pulverizadores e seis plantadeiras operando nas áreas em desacordo com a legislação ambiental.

Desmatamento em alta no Cerrado

O Cerrado, conhecido como o “berço das águas” do Brasil, abriga nascentes que alimentam seis das oito principais bacias hidrográficas do país e é considerado um dos biomas mais ameaçados. Entre agosto de 2022 e julho de 2023, o desmatamento na região cresceu 3%, segundo dados do Prodes, alcançando a destruição de 11.011,7 km² do bioma.

Grande parte dessa devastação se concentra no Matopiba — que abrange o sul do Maranhão, todo o Tocantins, o sul do Piauí e o oeste da Bahia. A área, classificada como nova fronteira agrícola do país, registrou 72% de todo o desmatamento do Cerrado no último período monitorado.

Ações intensificadas contra práticas ilegais

Os agentes de fiscalização enfatizaram que a reincidência no uso irregular de terras embargadas é uma preocupação crescente.

“A aplicação de penalidades tão expressivas visa inibir a continuidade dessas práticas e proteger o equilíbrio ambiental da região”, afirmou uma fonte do Ibama.

Além de prejuízos ambientais, o avanço do agronegócio em terras proibidas reflete o desafio de alinhar a expansão econômica à preservação de recursos naturais estratégicos. O Cerrado não é apenas um celeiro agrícola, mas também um reservatório de biodiversidade essencial para o equilíbrio climático e hídrico do Brasil.

Os nomes dos responsáveis pelas áreas autuadas não foram divulgados, e a defesa dos envolvidos não foi localizada para comentar. A Operação Nova Fronteira exemplifica um esforço mais robusto na fiscalização ambiental, uma resposta à escalada de crimes ambientais em uma das regiões mais pressionadas do país.

Com informações do G1 e Ibama

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IBAMA mobiliza veterinários para resgatar Botos em crise no Amazonas

Até agora, mais de 140 botos e tucuxis foram encontrados mortos

Repórter ABC – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tomou medidas urgentes para lidar com a situação crítica enfrentada pelos botos no Lago Tefé, no coração da Amazônia. Uma equipe composta por cinco veterinários especializados em reabilitação de animais silvestres foi enviada pelo Ibama para prestar assistência aos botos e tucuxis que estão em perigo na região.

Os profissionais do Centro de Triagem do Ibama chegaram à área afetada hoje (5) e irão colaborar de forma conjunta com outros órgãos já envolvidos no esforço de resposta a essa emergência ambiental. Até o momento, foram registradas mais de 140 mortes de botos e tucuxis, conforme o último levantamento realizado no dia 4.

Uma operação de resposta foi montada em Tefé, tendo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como coordenador, com o apoio de diversas organizações, incluindo o Instituto Mamirauá e o Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (IPAAM).

As ações se concentram na monitorização dos animais vivos, na coleta e realização de necrópsias das carcaças e na obtenção de amostras para análises das possíveis causas do incidente, bem como de outras variáveis ambientais.

O Ibama destacou que medidas sanitárias foram adotadas para o tratamento das carcaças dos animais. Alguns botos apresentam ferimentos causados pelas lâminas dos motores das embarcações, já que a profundidade do lago não permite que eles mergulhem o suficiente para evitar as hélices. O ICMBio continua intensificando seus esforços para proteger essas espécies vulneráveis.

Outra preocupação é o monitoramento diário da temperatura da água, que atinge temperaturas superiores a 39º graus em alguns pontos do lago. A elevação da temperatura da água pode reduzir os níveis de oxigênio dissolvido e aumentar a taxa respiratória dos peixes, afetando o metabolismo e levando à morte por asfixia.

O ICMBio também informou que a Capitania dos Portos de Tefé está auxiliando na fiscalização, organização e desobstrução do lago, para facilitar a passagem dos animais em busca de áreas mais profundas e evitar o agravamento da crise.

Além disso, o instituto está acompanhando outro incidente na região de Alto Juruá, envolvendo uma grande mortalidade de peixes, demonstrando a complexidade dos desafios enfrentados na preservação da biodiversidade na Amazônia.