A Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) representou a mais ampla modificação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde sua criação, em 1943. Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo então presidente Michel Temer, a lei entrou em vigor em novembro de 2017 com o discurso de modernizar as relações de trabalho, reduzir custos para as empresas e estimular a geração de empregos.

O que mudou com a Reforma Trabalhista

Foram alterados mais de 100 pontos da CLT. Entre as principais mudanças, destacam-se:

Jornada de trabalho

A reforma flexibilizou a jornada de trabalho ao permitir o banco de horas negativo ou positivo, a compensação de horas e o trabalho remoto sem controle de ponto. Também foi instituída a possibilidade de jornada 12×36, desde que prevista em acordo individual ou coletivo.

Férias

As férias passaram a ser parceladas em até três períodos, desde que um deles tenha pelo menos 14 dias corridos e os demais não sejam inferiores a cinco dias, mediante concordância do empregado.

Contribuição sindical

Uma das alterações mais polêmicas foi o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. Antes, todos os trabalhadores — mesmo os não sindicalizados — eram obrigados a pagar o equivalente a um dia de trabalho por ano. Com a reforma, a contribuição passou a ser facultativa, o que reduziu significativamente o financiamento dos sindicatos.

Terceirização

A reforma ampliou a possibilidade de terceirização para todas as atividades da empresa, incluindo a atividade-fim, o que antes era restrito a serviços de apoio. A medida gerou debates sobre precarização e direitos dos trabalhadores terceirizados.

Acordo individual sobre o coletivo

A lei determinou que o negociado sobre o legislado em diversos temas, desde que respeitados os direitos mínimos previstos na Constituição. Isso significa que acordos individuais ou coletivos podem prevalecer sobre a CLT em itens como jornada, banco de horas e intervalo intrajornada.

Controvérsias e impactos

A reforma trabalhista divide opiniões. Defensores argumentam que ela modernizou a legislação, reduziu a litigiosidade e deu mais autonomia para empregados e empregadores. Críticos apontam perda de direitos, precarização do trabalho e aumento da informalidade. Estudos mostram resultados mistos: houve crescimento de novas modalidades de contratação (como o trabalho intermitente), mas também aumento da rotatividade e redução da remuneração média.

Situação atual

Desde 2017, a reforma trabalhista vem sendo testada nos tribunais. O Supremo Tribunal Federal (STF) já julgou diversas ações diretas de inconstitucionalidade, mantendo a validade de artigos importantes, mas também impondo limites, como a necessidade de proteção à saúde e segurança do trabalhador. Em 2023, o governo Lula propôs discussões sobre revisão de pontos da reforma, especialmente os relacionados à contribuição sindical e à ultratividade dos acordos coletivos. Até o momento, no entanto, não houve alteração legislativa significativa.

O debate sobre a reforma trabalhista permanece no centro da agenda política e econômica brasileira. Para se manter informado sobre as novidades, acompanhe as reportagens e análises do Repórter Brasil nas categorias relacionadas abaixo.

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