João Felipe critica duramente gestão Otoniel: saúde deficiênte, falta de transparência e Overclean no radar em Barreiras

Em entrevista, vereador aponta falhas graves na saúde, cobra informações sobre contratos investigados na Operação Overclean da Polícia Federale contesta prioridades da administração municipal

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O vereador João Felipe (PCdoB) apresentou críticas contundentes à administração do prefeito Otoniel Teixeira (União Brasil) em entrevista ao programa Impacto, da rádio Oeste FM, comandado pelo radialista Marcelo Ferraz, nesta sexta-feira (11). O parlamentar detalhou suas queixas sobre a gestão municipal, com foco na área da saúde e na falta de respostas a requerimentos de informação sobre contratos sob suspeita na Operação Overclean. As declarações do vereador refletem a fiscalização do seu mandato e denúncias apresentadas pela população.

100 dias de mandato: Fiscalização e ações concretas

Vereador João Felipe reafirma compromisso com a fiscalização do executivo: “’A função do vereador é ir além da teoria e mostrar resultados concretos”

João Felipe iniciou a entrevista destacando seu compromisso com a fiscalização do poder executivo, uma das funções primordiais e básicas do vereador. Ele ressaltou a apresentação de projetos de lei e a execução de ações concretas, como a Casa do Trabalhador e o Instituto JF, projetos sociais que, segundo ele, têm transformado a vida de milhares de barreirenses.

“Mais do que questionar ou propor, nestes 100 dias atuamos na prática, fiscalizando o executivo e dando continuidade a projetos importantes para Barreiras. Acreditamos que a função do vereador é ir além da teoria e mostrar resultados concretos para a população”, afirmou.

Ausência da base e críticas à gestão

Vereador João Felipe questiona a falta de resultados da gestão Otoniel nos primeiros 100 dias: “Não consigo visualizar nada de novo”

O vereador criticou a ausência de vereadores da base do prefeito em sessões importantes, especialmente em audiências públicas. Para ele, a situação reflete a dificuldade de defender uma gestão que não apresentou resultados significativos nos primeiros 100 dias.

“Não é tão simples ser vereador da base do prefeito, ainda mais se tratando de um prefeito que está aí que não mostrou para que veio. Se vocês me perguntarem quais foram as ações do prefeito Otoniel de destaque nesses últimos 100 dias, sinceramente eu não consigo visualizar nada de novo”, declarou João Felipe.

O parlamentar ainda alfinetou o ex-prefeito Zito Barbosa (União Brasil), afirmando que Otoniel tem dado continuidade a um projeto de 8 anos e que Zito tem se comportado como se ainda fosse o prefeito da cidade.

Saúde com deficiências e falta de respostas

 

João Felipe cobra transparência sobre obra investigada na Operação Overclean e critica a falta de acesso da população a serviços básicos de saúde: “Silêncio absoluto. Uma recusa injustificável”

O tema central da entrevista foi a situação da saúde em Barreiras. João Felipe apontou a falta de avanços e a dificuldade da população em ter acesso a exames e consultas com especialistas. Amparado pelo direito legal de fiscalizar o executivo e ter acesso a informações de interesse público, o vereador revelou que a secretária de Saúde se recusa a fornecer informações sobre a obra do posto de saúde da Vila dos Funcionários, realizada por uma empresa envolvida na Operação Overclean da Polícia Federal.

“As pessoas continuam sem ter condição de marcar um exame. As mulheres com fibromialgia, apesar das promessas, continuam sem ter acesso a um reumatologista. As mulheres continuam sem ter acesso a uma consulta com ginecologista, e a secretária de Saúde demonstra total falta de respeito com o poder legislativo, uma vez que se recusa a fornecer informações requisitadas por este vereador – informações que, inclusive, são de interesse público e fundamentais para o exercício do meu mandato”, relatou.

O vereador detalhou o pedido de informações sobre a obra do posto de saúde e a lista de espera do CER (Centro Especializado em Reabilitação), questionando os critérios de acesso aos serviços.

“Eu solicitei formalmente à secretária que me informasse o prazo para a conclusão da obra do posto de saúde da Vila dos Funcionários. Afinal, estamos falando de uma obra financiada com milhões de reais dos cofres públicos, e que está sendo executada pela mesma empresa envolvida na Operação Overclean, investigada pela Polícia Federal por desvio de recursos. Queria saber o montante exato já transferido para essa empresa e um cronograma para a inauguração. A resposta? Silêncio absoluto. Uma recusa injustificável e que levanta sérias dúvidas sobre a lisura desse contrato”, disse o vereador.

Prioridades questionáveis e propaganda excessiva

“É muita propaganda e pouca ação para quem precisa de saúde e assistência. A realidade da nossa população não combina com essa festa toda”, disse, criticando também a iluminação cênica em áreas degradadas

João Felipe também questionou o que considera prioridades questionáveis da administração municipal, com foco em festas e eventos em vez de ações concretas para melhorar a vida da população. Ele questionou a falta de políticas públicas para atender andarilhos, moradores de rua e dependentes químicos, além de criticar a iluminação cênica em áreas degradadas.

“É muita propaganda, é muita dancinha de Tik-Tok, é muito auê, muita alegria, enquanto o povo de Barreiras continua sem acesso a exames básicos, sem atendimento especializado para doenças como fibromialgia, e com a saúde pública cada vez mais precária. É preciso mais ação e menos marketing, porque a realidade da nossa população não combina com essa festa toda”, afirmou o vereador.

Ele ainda acusou a gestão de promover festas e celebrações com obras e recursos do governo estadual e federal, enquanto colegas da base criticam as esferas superiores.

Idade Viva fechado e Assistência Social precária

O vereador denunciou o fechamento do programa Idade Viva, que atendia idosos no município, desde o ano passado. Ele contrastou a situação com as atividades oferecidas gratuitamente pelo seu instituto, como pilates, hidroginástica e atendimento médico.

João Felipe reconheceu que o prefeito Otoniel foi um bom secretário de Assistência Social no passado, mas cobrou ações concretas para atender as 18 mil famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade no município.

Apoio ao diálogo e à busca por recursos

Apesar das críticas, o vereador afirmou que apoia o prefeito Otoniel na busca por recursos junto ao governo estadual e federal, destacando a importância do diálogo para o desenvolvimento da cidade.

“Ele tem meu total apoio nessa busca por recursos, e estou torcendo para que ele deixe de lado as picuinhas políticas e se una ao governo estadual em prol de Barreiras. Afinal, o desenvolvimento da nossa cidade deve estar acima de qualquer divergência ideológica”, declarou.

Transporte público e tarifa zero

João Felipe encerrou a entrevista retomando uma proposta que, segundo ele, sempre gerou polêmica: a tarifa zero no transporte público de Barreiras. O vereador revelou que está participando de um curso com parlamentares de todo o Brasil para estudar a viabilidade da implantação do programa. Ele anunciou que pretende apresentar um estudo detalhado sobre o tema em uma futura audiência pública, buscando o apoio da imprensa para levar a proposta adiante.

O povo sempre vai lembrar: João, o do Tarifa Zero!”, afirmou.

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Tarifa zero no transporte público avança no Brasil: De 145 cidades à proposta de um “SUS da Mobilidade”

O modelo de gratuidade no transporte coletivo ganha força no país, impulsionado por iniciativas municipais e pela PEC 25/23, que busca universalizar o acesso e garantir financiamento sustentável, inspirada no Sistema Único de Saúde (SUS)

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O Brasil testemunha um crescimento notável na implementação da tarifa zero no transporte coletivo por ônibus. Atualmente, 145 municípios, abarcando mais de 5,4 milhões de habitantes, oferecem gratuidade parcial ou total no sistema. Desses, 120 adotam o benefício integralmente, todos os dias. Esse movimento, intensificado nos últimos cinco anos, representa uma mudança significativa no financiamento do transporte urbano, especialmente em cidades menores, onde 61% dos municípios com tarifa zero possuem menos de 50 mil habitantes. Caucaia (CE), com 375 mil habitantes, é o maior município a adotar a tarifa zero integralmente.

A expansão da tarifa zero, que saltou de 20 cidades em 2019 para 145, reflete uma crescente preocupação com o acesso à mobilidade, especialmente para trabalhadores, estudantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. Os defensores do modelo argumentam que a gratuidade reduz desigualdades, melhora o trânsito e incentiva o uso do transporte coletivo.

Embora predominante em cidades pequenas, a gratuidade começa a ser testada, ainda que de forma limitada, em capitais como São Paulo, Maceió, Florianópolis, Palmas, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e São Luís, com gratuidades em dias específicos ou para grupos selecionados.

Luiza Erundina (Psol) propõe a criação do Sistema Único de Mobilidade (SUM) para gratuidade no transporte público em todo o Brasil

No centro do debate sobre a universalização do acesso ao transporte público está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 25/23, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP). A PEC propõe a criação do Sistema Único de Mobilidade (SUM), um “SUS do transporte”, que estabelece o transporte público gratuito como um direito social a ser assegurado pelo Estado. A proposta busca regulamentar o direito ao transporte público coletivo urbano, com diretrizes de universalidade, integração modal, descentralização e participação social.

Erundina, que enfrentou forte oposição à tarifa zero quando prefeita de São Paulo, argumenta que o transporte não pode ser um privilégio, mas sim uma condição para o exercício de outros direitos fundamentais. A PEC determina que o transporte público coletivo urbano seja prestado de forma gratuita, entendendo a tarifa como uma barreira para o acesso a serviços essenciais.

Para garantir a sustentabilidade financeira do SUM, a PEC propõe um financiamento coletivo, com recursos dos orçamentos públicos das três esferas de governo e uma nova contribuição pelo uso do sistema viário, incidente sobre proprietários de veículos automotores (nos municípios e no DF) e empregadores (na União), substituindo o atual modelo de vale-transporte. A proposta permite ainda o uso de outras fontes complementares, como receitas de estacionamento e valorização imobiliária.

Apesar do avanço da tarifa zero, desafios persistem. A Pesquisa de Mobilidade da CNT revela que 58% da população das cidades com gratuidade aprovam a medida, mas 56,7% notaram aumento na lotação dos ônibus. A insatisfação com a segurança, o conforto e os horários rígidos também são queixas frequentes entre os usuários do transporte público.

A PEC 25/23 recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, mas ainda aguarda inclusão na pauta de votação. Aprovada, a proposta poderá transformar o cenário da mobilidade urbana no Brasil, garantindo o acesso universal ao transporte público e abrindo caminho para um futuro mais justo e sustentável.

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Guto Volpi planeja implantar tarifa zero no transporte público de Ribeirão Pires, acompanhando tendência nacional

São Caetano do Sul é a primeira cidade da região do ABC Paulista a implantar a tarifa zero

Repórter ABC | Luís Carlos Nunes – Fontes confiáveis ligadas à administração municipal revelaram ao Repórter ABC que o prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), está estudando a possibilidade de implementar a tarifa zero no transporte público municipal. O projeto, segundo informações privilegiadas, tem como principal articulador Clovis Volpi.

Vale ressaltar que em dezembro de 2015, o então prefeito Saulo Benevides, por meio do Decreto nº 6589, de 11/12/2015, reduziu as tarifas do transporte coletivo da cidade, estabelecendo um valor de R$ 1 aos domingos e feriados. A medida, que buscava incentivar moradores e turistas a explorarem a cidade, permanece em vigor até os dias atuais.

Conforme apurado pelo Repórter ABC, a abolição das tarifas no transporte coletivo público urbano ganhou força em 2023 em todo o país, atingindo 31 municípios que adotaram o sistema pleno, proporcionando tarifa zero em todos os dias para toda a população. O ano de 2021 registrou o segundo maior número de adesões, com 15 cidades, totalizando 94 municípios com Passe Livre pleno, segundo dados do pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Santini.

São Paulo lidera o ranking nacional com 29 municípios adotando a tarifa zero, seguido por Minas Gerais (25), Paraná (11) e Rio de Janeiro (10). No decorrer de 2023, o estado paulista também se destacou, com dez municípios adotando o Passe Livre, seguido por Minas Gerais (6), Santa Catarina (5), Rio de Janeiro (5), Paraná (3), Goiás (1) e Rondônia (1).

O Brasil vivencia uma expansão da política de tarifa zero, sendo 2023 o ano de maior adesão, evidenciando uma clara tendência. Multiplicidade de experiências, influência entre cidades vizinhas e um efeito contagioso são fatores que impulsionam essa tendência.

A implementação da tarifa zero ocorre em meio a uma significativa redução no número de passageiros no transporte público e à crise no sistema de financiamento baseado na cobrança de passagens. Dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) indicam que, em outubro de 2013, o país registrou 398,9 milhões de passageiros, enquanto em outubro de 2022, esse número caiu para 226,7 milhões, representando uma diminuição de 43%.

A NTU destaca a existência de um círculo vicioso, onde a diminuição de passageiros leva à necessidade de aumentar o valor da passagem para manter a receita, porém, esse aumento resulta na redução do número de passageiros. Nesse contexto, o modelo de financiamento baseado na receita das catracas torna-se insustentável, motivando a busca por alternativas como a tarifa zero, que combina aspectos sociais e ambientais.

São Caetano do Sul é a primeira cidade da região do ABC Paulista a implantar a tarifa zero

Entre os 94 municípios brasileiros que já adotaram o Passe Livre, apenas 11 possuem mais de 100 mil habitantes, sendo liderados por Caucaia, no Ceará, com uma população de 355 mil pessoas; seguido por Luiziânia (GO) (209 mil) e Maricá (RJ) (197 mil). A complexidade dos sistemas de transporte nas cidades mais populosas é apontada como um desafio para a adoção da tarifa zero.

São Caetano do Sul tornou-se a primeira cidade da região do ABC Paulista a implantar a tarifa zero. No entanto, em 2023, observou-se uma mudança de tendência, com seis municípios com mais de 100 mil habitantes adotando o sistema gratuito, incluindo Luiziânia (GO) (209 mil habitantes), Ibirité (MG) (170 mil), São Caetano do Sul (165 mil), Itapetininga (SP) (157 mil), Balneário Camboriú (SC) (139 mil) e Ituiutaba (MG) (102 mil).

A adesão de cidades mais populosas à tarifa zero reflete uma crescente percepção de que é possível implementar o sistema em áreas com redes de transporte público mais complexas. Embora seja um desafio trabalhar com redes mais estruturadas, o orçamento geralmente mais robusto dessas cidades também se apresenta como uma oportunidade.