Donald Trump é uma das figuras mais influentes e controversas da política contemporânea. Como 45º presidente dos Estados Unidos (2017–2021), sua passagem pela Casa Branca marcou uma guinada no cenário global, com reflexos diretos na economia, na diplomacia e nos debates internos de diversos países — incluindo o Brasil.
Trump construiu sua carreira como empresário e personalidade televisiva antes de ingressar na política. Sua plataforma “America First” pautou um estilo de governo nacionalista, com foco em protecionismo comercial, controle de imigração e crítica aos acordos multilaterais. Durante seu mandato, os EUA saíram do Acordo de Paris sobre clima, renegociaram o NAFTA (substituído pelo USMCA) e impuseram tarifas sobre produtos chineses e de aliados, como o aço brasileiro.
Principais políticas da presidência
No plano econômico, Trump sancionou a maior reforma tributária em décadas, reduzindo o imposto corporativo de 35% para 21%, o que impulsionou temporariamente o mercado de ações, mas também elevou o déficit fiscal. Seu governo também promoveu forte desregulamentação nos setores de energia e meio ambiente, permitindo a exploração de petróleo em áreas anteriormente protegidas.
Na imigração, a política de "tolerância zero" resultou na separação de milhares de famílias na fronteira com o México, gerando condenação internacional. Trump também assinou decretos para restringir a entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana e avançou na construção de um muro na fronteira sul.
No campo da política externa, Trump priorizou relações bilaterais e criticou organizações multilaterais. Além de retirar os EUA do Acordo de Paris e do acordo nuclear com o Irã, também reduziu o financiamento à Organização Mundial da Saúde e pressionou aliados da OTAN a aumentarem seus gastos militares. Seu governo mediou acordos como os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel e países árabes.
Relação com o Brasil
A relação entre Trump e o governo brasileiro foi marcada por alinhamento ideológico e pragmatismo. O ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente chamado de “Trump tropical”, manteve uma relação próxima com o americano, com visitas oficiais, elogios públicos e convergência em pautas como a crise na Venezuela e a defesa de valores conservadores.
No campo comercial, os EUA eram um dos principais destinos das exportações brasileiras, especialmente aço e alumínio, que sofreram sobretaxas, mas também abriram espaço para negociações de cotas. A política ambiental de Trump, que reduziu o papel dos EUA na agenda climática, teve impacto indireto sobre a pressão internacional sobre a Amazônia.
Trump e Bolsonaro se encontraram na Casa Branca em março de 2019, ocasião em que discutiram comércio, cooperação na Amazônia e a crise venezuelana. Bolsonaro alinhou-se a Trump em fóruns multilaterais e apoiou abertamente sua reeleição em 2020. A aliança entre os dois líderes reforçou a aproximação entre a direita brasileira e o movimento conservador americano.
Pós-presidência e eleições de 2024
Após deixar a Casa Branca em janeiro de 2021, Trump seguiu como força central no Partido Republicano. Sua recusa em aceitar a derrota culminou na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, evento que gerou enorme repercussão e dois processos de impeachment. Em 2024, Trump busca novamente a presidência em uma campanha marcada por discursos fortes e controvérsias judiciais. Sua candidatura polariza a opinião pública e pode ter consequências significativas para as relações dos EUA com o Brasil e o mundo.
Trump enfrenta atualmente múltiplos processos criminais em estados como Geórgia, Nova York e Flórida, além de investigações federais relacionadas à posse de documentos confidenciais e à tentativa de reverter o resultado eleitoral de 2020. Apesar disso, ele mantém uma base de apoio sólida e lidera as pesquisas de intenção de voto entre os republicanos para as primárias de 2024. Seu eventual retorno à Casa Branca representaria uma nova fase de incertezas para o comércio global, o clima e as relações hemisféricas.
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