Trump está fazendo novos aliados para os negócios

A política externa de Donald Trump, frequentemente descrita como imprevisível, teve um foco claro nos seus primeiros anos de mandato: reconfigurar as alianças comerciais dos Estados Unidos para favorecer o empresariado americano. A estratégia, batizada de "America First", não significou isolamento, mas sim uma busca agressiva por novos acordos e parcerias que pudessem reduzir déficits comerciais e abrir mercados antes protegidos.

Oriente Médio e a nova fronteira de negócios

Um dos movimentos mais ousados foi a aproximação com as monarquias do Golfo e Israel. Mediado por nomes próximos ao presidente, o esforço resultou nos Acordos de Abraão, que, além do impacto geopolítico, criaram um ambiente favorável para negócios em tecnologia, energia e defesa. Empresas americanas encontraram novas oportunidades em mercados que antes eram de difícil acesso devido às tensões regionais.

A guerra comercial com a China

No front asiático, a imposição de tarifas bilionárias sobre produtos chineses forçou uma reavaliação global das cadeias de suprimento. Muitas corporações multinacionais começaram a diversificar suas bases de produção, migrando para países como Vietnã, Índia e México. Esta realocação, embora custosa, criou "novos aliados" para o abastecimento do mercado americano, fortalecendo economias que se alinharam estrategicamente com Washington.

Impactos para o Brasil

Para o Brasil, a gestão Trump foi uma via de mão dupla. De um lado, a imposição de tarifas sobre o aço e o alumínio gerou atritos e exigiu uma dura negociação por parte do governo brasileiro. De outro, a aliança ideológica entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump abriu canais de diálogo que resultaram em acordos comerciais pontuais e na defesa de pautas comuns em organismos multilaterais, como a OMC. Empresários brasileiros precisaram se adaptar rapidamente ao novo cenário para não perder espaço no mercado americano, buscando nichos e produtos que se encaixassem na nova política comercial dos EUA.

Um legado de bilateralismo

A abordagem de Trump privilegiou o bilateralismo em detrimento de grandes blocos multilaterais. Ao negociar diretamente com cada país, ele buscou extrair vantagens específicas para os EUA. Se, por um lado, essa tática gerou resultados práticos para alguns setores, por outro, criou um ambiente de incerteza para investidores que dependem de regras estáveis no comércio global. O legado desta busca por "novos aliados para os negócios" é um sistema comercial mundial mais fragmentado, mas também mais adaptável às pressões de curto prazo da Casa Branca.

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