Cientistas australianos descobriram que o transplante de microbiota fecal pode ajudar coalas a superar sua seletividade alimentar, permitindo que se adaptem a novas espécies de eucalipto. A técnica, já utilizada em humanos para tratar infecções intestinais, mostrou resultados promissores em testes com os marsupiais.
Os coalas (Phascolarctos cinereus) são conhecidos por sua dieta restrita: alimentam-se quase que exclusivamente de folhas de eucalipto, mas cada animal costuma preferir apenas algumas espécies entre as centenas disponíveis. Essa preferência está fortemente ligada ao microbioma intestinal, que ajuda a detoxificar os compostos químicos presentes nas folhas. Coalas criados em cativeiro, muitas vezes acostumados a uma única espécie, podem ter dificuldade em aceitar outras, o que limita os programas de reintrodução na natureza.
No estudo, os pesquisadores coletaram amostras fecais de coalas selvagens que se alimentavam de uma espécie de eucalipto específica e as transferiram para coalas que não tinham contato com essa espécie. Após o procedimento, os coalas receptores passaram a demonstrar interesse e consumir as folhas da nova espécie, indicando uma mudança na preferência alimentar induzida pela microbiota.
Os resultados, publicados em periódico científico, sugerem que o transplante fecal pode ser uma ferramenta valiosa para a conservação dos coalas, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e perda de habitat. Com a capacidade de adaptação ampliada, os animais podem ser realocados para áreas com diferentes disponibilidades de alimento, aumentando as chances de sobrevivência.
Apesar do potencial, os cientistas alertam que mais pesquisas são necessárias para avaliar a segurança e eficácia em longo prazo. No entanto, a abordagem abre caminho para novas estratégias de manejo da vida selvagem, mostrando como o microbioma pode influenciar comportamentos alimentares e a adaptação ecológica.