Os coalas são marsupiais icônicos da Austrália, conhecidos por sua dieta exclusiva de folhas de eucalipto. No entanto, eles são extremamente exigentes: consomem apenas algumas das centenas de espécies de eucalipto disponíveis. Esse comportamento alimentar seletivo tornou-se um desafio para a conservação, já que a perda de habitat e as mudanças climáticas ameaçam suas fontes preferidas de alimento.
Pesquisas recentes sugerem que o transplante de microbiota fecal (FMT) pode ajudar os coalas a ampliar seu paladar. Cientistas descobriram que o microbioma intestinal desempenha um papel crucial na determinação de quais folhas de eucalipto os coalas conseguem digerir. Ao transferir micróbios fecais de coalas selvagens – que têm uma dieta mais diversa – para coalas em cativeiro, os pesquisadores conseguiram alterar o microbioma dos receptores e permitir que eles tolerassem uma gama maior de folhas de eucalipto.
O estudo, conduzido por uma equipe da Universidade de Queensland e outras instituições, envolveu a coleta de amostras fecais de coalas selvagens e sua administração a coalas cativos. Em poucas semanas, os coalas cativos mostraram mudanças em suas bactérias intestinais que lhes permitiram comer folhas que antes recusavam. As descobertas foram publicadas em um periódico científico revisado por pares e têm implicações significativas para a conservação dos coalas.
O FMT, já utilizado em humanos para tratar infecções por Clostridium difficile, mostra-se uma ferramenta promissora para o manejo da vida selvagem. Para os coalas, pode ser uma forma de baixo custo e baixo risco de ajudá-los a se adaptar a ambientes em mudança e expandir seu habitat potencial. A abordagem também pode ser aplicada a outros herbívoros especializados que enfrentam limitações alimentares.
Embora a pesquisa ainda esteja em estágios iniciais, os resultados são encorajadores. Os próximos passos incluem o monitoramento de longo prazo dos coalas transplantados e o teste da técnica na natureza. Se for bem-sucedido, o transplante fecal pode se tornar uma prática padrão em programas de conservação de coalas, ajudando a garantir a sobrevivência dessa amada espécie.