Alpinista cego escala o Old Man of Hoy: uma conquista histórica no montanhismo

Em meados de 2019, um alpinista completamente cego alcançou o topo do Old Man of Hoy, uma das mais emblemáticas formações rochosas da Escócia, situada na ilha de Hoy, no arquipélago de Orkney. A façanha não apenas demonstra o extremo preparo físico e mental do atleta, mas também impulsiona o debate sobre acessibilidade e inclusão no montanhismo mundial.

O Old Man of Hoy: um gigante de arenito

Com aproximadamente 137 metros de altura, o Old Man of Hoy é uma torre de arenito vermelho que se ergue solitária à beira-mar. Desde sua primeira ascensão oficial em 1966, por Chris Bonington, Rusty Baillie e Tom Patey, tornou-se um ícone do montanhismo britânico. A rota mais famosa, a via original, possui dificuldade técnica em torno de E1 5b (classificação britânica), o que exige dos escaladores excelente domínio de técnicas de escalada em rocha, além de resistência psicológica para enfrentar a exposição e o vento constante.

Os desafios de escalar sem visão

Para um alpinista cego, cada movimento depende de sentidos aguçados: o tato para identificar as agarres, a audição para seguir instruções do parceiro e a propriocepção para posicionar o corpo. Durante toda a escalada, a comunicação por rádio ou por voz é vital. O parceiro vidente descreve a localização das próximas presas, eventuais perigos e a inclinação da rocha. Além disso, o escalador cego costuma memorizar sequências de movimentos e confiar plenamente na corda e no equipamento de segurança.

No Old Man of Hoy, a rocha solta e as condições meteorológicas imprevisíveis (rajadas de vento, neblina e umidade) tornam a empreitada ainda mais arriscada. Escaladores experientes relatam que a sensação de isolamento é intensa, e para alguém sem referência visual, o controle emocional é tão importante quanto a força física.

Técnicas adaptadas de escalada para deficientes visuais

A escalada inclusiva conta com um conjunto de adaptações que permitem a prática segura por pessoas cegas ou com baixa visão:

  • Guias videntes: instrutores ou parceiros que sobem junto, descrevendo detalhadamente a rota e indicando cada movimento.
  • Comunicação por áudio: uso de rádios bidirecionais ou sistemas de som para transmitir instruções em tempo real, mesmo a distância.
  • Sinalização tátil: o escalador sente a textura da rocha e a posição das proteções (friends, nuts) para decidir o próximo passo.
  • Equipamentos de segurança reforçados: cordas dinâmicas, capacetes e sistemas de ancoragem redundantes para mitigar riscos.

Muitos alpinistas cegos também empregam técnicas de memorização motora, treinando os movimentos em ambientes controlados antes de enfrentar grandes paredes.

Inclusão no montanhismo: um caminho em ascensão

O montanhismo adaptado tem ganhado visibilidade global. Atletas como Erik Weihenmayer (primeiro cego a escalar o Everest) e Jesse Dufton (que liderou a escalada do Old Man of Hoy como guia cego) inspiram pessoas com deficiência a buscar aventuras ao ar livre. A conquista no Old Man of Hoy soma-se a esse movimento, demonstrando que a ausência de visão não é uma barreira intransponível quando há preparo, tecnologia e trabalho em equipe.

Para a comunidade de escalada, a mensagem é clara: as montanhas são de todos. Iniciativas como o Climbing For All e grupos locais de escalada inclusiva oferecem cursos e eventos adaptados, incentivando a participação de pessoas com diferentes deficiências.

Principais desafios enfrentados na escalada cega

  1. Falta de referência visual para posicionar pés e mãos.
  2. Dependência total da comunicação com o parceiro.
  3. Necessidade de confiança absoluta no equipamento e na corda.
  4. Preparação psicológica para lidar com o medo do vazio sem vê-lo.

Perguntas frequentes sobre a escalada de cegos

Qual a altura do Old Man of Hoy?

Aproximadamente 137 metros, equivalente a um prédio de 45 andares.

Onde fica o Old Man of Hoy?

Na ilha de Hoy, no arquipélago de Orkney, ao norte da Escócia (Reino Unido).

Como um cego consegue escalar sem ver as agarres?

Através do tato, audição, memorização dos movimentos e comunicação constante com um guia vidente. O uso de rádios e sistemas de áudio permite instruções detalhadas durante toda a subida.

É seguro uma pessoa cega escalar uma parede como o Old Man of Hoy?

Com preparo adequado, equipamentos de segurança modernos e acompanhamento de escaladores experientes, os riscos são gerenciáveis. A segurança depende principalmente da qualidade do treinamento e da confiança entre a equipe.

Que outros recordes de escalada cega existem?

O norte-americano Erik Weihenmayer escalou o Monte Everest em 2001, e o britânico Jesse Dufton liderou rotas de alto grau técnico mesmo com deficiência visual. O feito no Old Man of Hoy se junta a essa lista de superações.

A escalada do Old Man of Hoy por um alpinista cego é um marco para o esporte adaptado e um lembrete de que os limites são, muitas vezes, construções sociais. Que venham novas conquistas, nas rochas e na quebra de barreiras.