Uma moradora de um bairro da periferia denunciou à polícia que seus vizinhos mataram seu cachorro como forma de intimidação. Segundo o relato da vítima, os agressores teriam dito que o animal foi morto “porque ela é mulher e não sabe se impor”. O caso, registrado como rotina policial, ocorreu no início de fevereiro e gerou revolta entre ativistas dos direitos das mulheres e protetores de animais.
A mulher, que preferiu não se identificar, afirmou que já vinha sofrendo ameaças constantes e que o assassinato do cão foi a gota d’água. “Ele era minha companhia, meu apoio. Mataram meu filho de quatro patas por pura maldade e machismo”, desabafou.
Delegacias especializadas no atendimento à mulher já foram acionadas e o caso será investigado como crime de maus‑tratos a animais (Lei 9.605/98) e também como ameaça no contexto da violência doméstica. A delegada responsável ressaltou que atos de crueldade contra animais frequentemente precedem agressões contra pessoas, especialmente mulheres.
Organizações de defesa animal e coletivos femininos organizaram um abaixo‑assinado pedindo justiça e punição exemplar. A página “A mulher e seu cão” nas redes sociais já reúne milhares de apoiadores.
O caso reacende o debate sobre a naturalização da violência de gênero em comunidades carentes e a importância de canais de denúncia como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o Disque‑Denúncia 181.