A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (21) a venda do Paxlovid, medicamento antiviral desenvolvido pela Pfizer, para o tratamento da COVID-19. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e passa a valer em todo o território nacional. O fármaco é o primeiro antiviral oral aprovado no Brasil especificamente para combater o coronavírus.
O que é o Paxlovid?
Paxlovid é a combinação de dois princípios ativos: nirmatrelvir, um inibidor de protease que impede a replicação do vírus, e ritonavir, que potencializa a ação do primeiro. O medicamento é administrado por via oral, em forma de comprimidos, e foi desenvolvido para ser usado logo após o aparecimento dos sintomas, em pacientes com alto risco de evolução para formas graves da doença.
Como funciona o tratamento?
O esquema terapêutico consiste em três comprimidos duas vezes ao dia durante cinco dias consecutivos – dois de nirmatrelvir e um de ritonavir. O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, de preferência até cinco dias do início dos sintomas, para maximizar a eficácia antiviral. Estudos clínicos demonstraram que o Paxlovid reduz em até 89% a chance de hospitalização e morte em pacientes não vacinados ou com fatores de risco.
O que diz a decisão da Anvisa?
A autorização da Anvisa permite a comercialização do medicamento em farmácias e drogarias, mediante prescrição médica. A decisão foi tomada após análise de segurança, eficácia e qualidade com base nos dados fornecidos pela fabricante. A agência também estabeleceu condições para o uso: o Paxlovid é indicado apenas para adultos com COVID-19 leve a moderada e que apresentem pelo menos um fator de risco para agravamento, como idade acima de 60 anos, obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares ou imunossupressão. Mulheres grávidas ou em período de amamentação devem consultar o médico antes de utilizar o produto.
Eficácia e segurança
Os resultados do estudo clínico EPIC-HR, conduzido pela Pfizer, indicam que o Paxlovid reduziu significativamente as taxas de hospitalização e morte entre pacientes de alto risco tratados em até três dias do início dos sintomas. Os efeitos colaterais mais comuns foram disgeusia (alteração do paladar), diarreia, náusea e tontura, geralmente de intensidade leve a moderada. A Anvisa ressalta que o medicamento deve ser usado sob supervisão médica e não substitui a vacinação, que permanece a principal estratégia de prevenção contra a COVID-19.
Perspectivas no Brasil
Com a autorização, o Paxlovid se junta ao arsenal terapêutico disponível no país contra a COVID-19, que já inclui outros antivirais e anticorpos monoclonais. O Ministério da Saúde informou que está em tratativas com a Pfizer para a aquisição do medicamento, com vistas à distribuição gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é que o preço do tratamento no mercado privado ainda seja definido, mas a Anvisa destacou que o registro do produto pode facilitar a negociação de preços e o acesso da população.
Conclusão
A aprovação do Paxlovid representa um avanço importante na luta contra a COVID-19, oferecendo uma opção oral, de fácil administração, capaz de evitar o agravamento da doença em grupos de risco. Especialistas reforçam, no entanto, que a medicação não deve ser vista como substituta da imunização, mas como uma ferramenta complementar. A vacinação em massa, aliada ao tratamento precoce, continua sendo o caminho mais eficaz para controlar a pandemia e salvar vidas.