O dia 30 de dezembro de 2022 foi um dia de intensa movimentação nos bastidores da política nacional. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deu continuidade às reuniões de transição em Brasília, ajustando os nomes que comporiam o primeiro escalão do novo governo. A equipe econômica trabalhava nos detalhes finais do arcabouço fiscal e na garantia de recursos para programas sociais como o Bolsa Família.
No Congresso, a tramitação da PEC da Transição era o centro das atenções. Enquanto isso, as cidades brasileiras se preparavam para as festividades de Réveillon. O clima era de esperança e expectativa para o ano que se iniciava.
A PEC da Transição, promulgada em 21 de dezembro, abriu espaço fiscal de R$ 145 bilhões fora do teto de gastos, permitindo bancar o Bolsa Família de R$ 600, o aumento real do salário mínimo e investimentos em saúde e educação. Nos últimos dias do ano, a equipe do vice-presidente Geraldo Alckmin e do futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ajustava o Orçamento de 2023 para incorporar essas despesas e garantir a execução das promessas de campanha.
Lula também se reuniu com lideranças partidárias para acertar os últimos nomes do primeiro escalão. A expectativa era de que o novo governo teria um número recorde de ministérios, com forte presença de partidos do centrão. Naquele momento, já eram dados como certos os nomes de José Múcio (Defesa), Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Rui Costa (Casa Civil), entre outros.
O governo de Jair Bolsonaro cumpria os últimos dias de mandato de forma discreta. O presidente ainda não havia se pronunciado publicamente sobre a derrota nas eleições, e a ausência de uma resposta gerava incertezas sobre a transição pacífica de poder. Enquanto isso, a equipe de transição de Lula monitorava possíveis atos de resistência e reforçava a preparação da segurança para a posse em 1º de janeiro.
Na economia, a inflação ainda preocupava as famílias brasileiras, mas o mercado financeiro reagia positivamente aos primeiros sinais da nova equipe econômica. O dólar fechou o ano em queda, refletindo a expectativa de responsabilidade fiscal. Para a população, o fim de 2022 representava um período de reflexão e a esperança de dias melhores com a mudança de governo.