As cicatrizes de Wiriyamu. Aldeia de Moçambique recorda o massacre de há 50 anos

O massacre de Wiriyamu completa 50 anos sem que as feridas tenham cicatrizado. Na província de Tete, centro-oeste de Moçambique, a pequena aldeia foi palco de um dos episódios mais brutais da guerra colonial portuguesa. Em dezembro de 1972, tropas portuguesas mataram centenas de civis desarmados, incluindo mulheres e crianças.

Os relatos de sobreviventes, recolhidos por missionários e divulgados pela imprensa britânica à época, chocaram o mundo. O massacre de Wiriyamu tornou-se um símbolo da violência do colonialismo tardio. Durante décadas, Portugal negou a ocorrência, mas documentos oficiais posteriormente revelados confirmaram a ação.

Cinquenta anos depois, os moradores de Wiriyamu ainda convivem com a pobreza e a falta de infraestrutura. Muitos dos que sobreviveram ao massacre já morreram, mas seus descendentes mantêm viva a memória. Em 2022, uma cerimônia marcou a data, com apelos por justiça e reconhecimento.

Para as comunidades locais e historiadores, o massacre de Wiriyamu continua a ser uma chaga aberta na história comum entre Portugal e Moçambique. O governo português expressou pesar, mas nunca assumiu formalmente a responsabilidade.

Wiriyamu segue de pé, mas as marcas do passado permanecem. A memória do massacre é transmitida de geração em geração, como um alerta sobre os horrores da guerra e a necessidade de reconciliação. O silêncio oficial contrasta com a determinação dos moradores em manter viva a história.

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