Lula vai procurar Biden e Putin e pode se tornar o principal mediador do fim da guerra na Ucrânia

O presidente brasileiro planeja uma série de encontros com líderes mundiais para discutir a paz na Ucrânia. A iniciativa recoloca o Brasil no centro do debate geopolítico.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se encontrar em breve com Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, e com Vladimir Putin, presidente da Rússia, como parte de uma ofensiva diplomática para tentar mediar um acordo de paz na guerra da Ucrânia. A expectativa é de que os encontros ocorram separadamente, possivelmente à margem de eventos multilaterais como a Assembleia Geral da ONU ou reuniões do G20, cuja presidência o Brasil assumirá em 2024.

Lula já havia manifestado durante a campanha eleitoral e nos primeiros dias de governo a disposição de atuar como mediador no conflito. Para o petista, a guerra na Ucrânia é resultado de falhas coletivas da comunidade internacional, e o Brasil, por suas relações históricas com ambos os lados, poderia ajudar a construir uma saída negociada.

A mediação brasileira, contudo, enfrenta obstáculos significativos. A Rússia não aceita qualquer plano que não considere suas reivindicações territoriais, enquanto os Estados Unidos e aliados europeus condicionam o alívio de sanções a uma retirada militar russa. O Brasil defende um cessar-fogo imediato e a abertura de corredores humanitários.

Outros líderes mundiais, como Emmanuel Macron e Narendra Modi, já tentaram aproximações sem êxito. Diferentemente deles, Lula mantém canais abertos tanto com Washington quanto com Moscou, o que lhe confere uma posição singular. Além disso, o Brasil preside o G20 a partir de 2024, o que pode dar mais peso à sua iniciativa.

Diplomatas brasileiros trabalham em propostas concretas que incluem um plano de reconstrução para a Ucrânia e a realização de uma conferência internacional pela paz. A guerra, que completa um ano em fevereiro de 2023, já causou dezenas de milhares de mortos e impactos econômicos profundos em todo o mundo.

A ofensiva diplomática de Lula ocorre em um momento de redefinição do papel do Brasil no cenário global. Se bem-sucedida, a mediação pode não apenas ajudar a encerrar o conflito, mas também fortalecer a imagem do país como um ator internacional relevante e independente.