A grave crise humanitária na Terra Indígena Yanomami levou crianças indígenas a serem internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em Boa Vista (RR) com desnutrição severa, separadas dos pais. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou investigação para apurar se as mortes e o colapso do sistema de saúde configuram crime de genocídio.
O governo federal reconheceu a emergência em saúde pública na região e mobilizou equipes de saúde, envio de alimentos e medicamentos. A situação, no entanto, expõe anos de abandono e falhas na proteção dos povos indígenas, agravadas pela presença do garimpo ilegal.
Segundo relatos de profissionais de saúde, as crianças chegaram ao hospital em estado crítico, muitas com peso muito abaixo do esperado para a idade. O Hospital Geral de Roraima montou uma ala especial para atender os pequenos pacientes, que precisam de cuidados intensivos e ventilação mecânica. A distância entre a região Yanomami e a capital dificulta o transporte e impede o acompanhamento presencial dos pais durante a internação.
A investigação do MPF busca responsabilizar agentes públicos que poderiam ter agido para evitar o agravamento da crise. A Defensoria Pública da União também ingressou com ações na Justiça para garantir assistência integral às crianças e suas famílias.
Líderes yanomami denunciam que a situação é resultado de décadas de invasão de garimpeiros e falta de assistência do Estado. Eles pedem a retirada total dos ilegais e mais investimento em saúde indígena.
A crise na maior terra indígena do país ganhou repercussão internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou preocupação e pediu acesso humanitário irrestrito às comunidades isoladas. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também foi acionada para monitorar o caso.
O governo federal anunciou a criação de um comitê de crise e prometeu acelerar o atendimento às comunidades, enquanto o STF mantém sob análise medidas para garantir a proteção do território yanomami.