Uma nova modalidade de crime financeiro tem se espalhado pelo país: criminosos estão se aproveitando da tecnologia de pagamento por aproximação (NFC) para realizar transações fraudulentas sem o consentimento das vítimas. O golpe, que ocorre principalmente em locais de grande aglomeração, já gerou prejuízos a consumidores desatentos. Neste artigo, explicamos como a fraude funciona e listamos medidas práticas para você se proteger.
Como funciona o golpe do pagamento por aproximação
Os golpistas utilizam maquininhas de cartão de crédito ou débito programadas para valores baixos, que não exigem a digitação da senha (dentro do limite sem contato, geralmente de até R$ 200,00). Eles se aproximam da vítima em locais lotados — como transporte público, eventos, filas de banco, shows — e encostam discretamente o terminal na bolsa, mochila ou no bolso onde está o cartão. Como a tecnologia NFC permite a transação apenas pela aproximação, o valor é debitado automaticamente, sem que a vítima perceba.
Em versões mais sofisticadas, os criminosos escondem a maquininha dentro de mochilas, pastas ou até mesmo em objetos do cotidiano, como guarda-chuvas e livros, para tornar a ação ainda mais discreta. Alguns golpistas atuam em dupla: um distrai a vítima enquanto o outro realiza a cobrança.
Por que o golpe é possível?
A facilidade do pagamento por aproximação, embora traga praticidade, também abriu uma porta para fraudadores. A maioria dos cartões brasileiros já vem com a função aproximação habilitada de fábrica. O limite para transações sem senha varia de acordo com o banco e o tipo de cartão, mas costuma ser suficiente para compras do dia a dia — e também para os golpistas.
Além disso, muitas pessoas andam com o cartão em bolsos externos, carteiras sem proteção RFID ou no bolso traseiro da calça, facilitando a aproximação do terminal criminoso. A falta de notificações em tempo real ou de verificação frequente do extrato também contribui para que a fraude passe despercebida.
Sinais de que você pode ter sido vítima
Os sinais mais comuns são:
- Cobranças de pequeno valor (R$ 10 a R$ 200) que você não reconhece no extrato bancário ou na fatura do cartão.
- Notificações de compras em horários ou locais onde você não estava.
- Transações em sequência, em curto intervalo de tempo.
- Atividades suspeitas em seu aplicativo bancário durante a madrugada.
Se você identificar alguma dessas situações, aja rapidamente.
Como se proteger: medidas essenciais
A seguir, listamos as principais formas de se proteger contra o golpe da aproximação. Siga estas recomendações:
- Desabilite a função por aproximação se não a utiliza. A maioria dos aplicativos bancários permite desativar o NFC para transações. No site do banco ou no atendimento telefônico também é possível solicitar o bloqueio da função.
- Use capas ou carteiras com bloqueio RFID. Elas impedem a leitura do cartão por aproximação, mesmo que o terminal esteja muito próximo.
- Mantenha o cartão em compartimentos fechados e longe de bolsos externos. Evite deixá-lo em locais de fácil acesso a terceiros.
- Ative notificações push ou SMS para todas as transações. Isso permite que você saiba imediatamente se uma compra for realizada sem seu conhecimento.
- Verifique o extrato bancário regularmente. Pelo menos uma vez por semana, confira as transações recentes.
- Reduza o limite para transações sem senha. Alguns bancos digitais permitem ajustar esse valor no aplicativo. Se possível, diminua para R$ 50 ou menos.
- Em caso de perda ou roubo do cartão, bloqueie imediatamente pelo aplicativo ou central de atendimento.
O que fazer se você for vítima do golpe
Se você identificou uma transação fraudulenta, siga estas etapas:
- Entre em contato com o banco ou operadora do cartão imediatamente para contestar a transação e solicitar o cancelamento do cartão.
- Registre um Boletim de Ocorrência (BO) pela internet ou na delegacia mais próxima. O BO é essencial para respaldar a contestação e eventuais ações legais.
- Acompanhe o processo de contestação: o banco tem prazo para analisar e, se constatada a fraude, realizar o estorno.
- Troque as senhas dos seus aplicativos bancários e, se possível, ative a autenticação em dois fatores.
- Considere pedir um novo cartão com chip e senha, sem a função aproximação habilitada.
Perguntas frequentes (FAQ)
O limite para transações sem senha é o mesmo para todos os bancos?
Não. Cada instituição define o valor máximo, que atualmente varia de R$ 100 a R$ 200, dependendo do tipo de cartão e do perfil do cliente.
O banco cobre o prejuízo em caso de fraude?
Sim, desde que a transação seja contestada dentro do prazo e comprovada a fraude. O Código de Defesa do Consumidor e as normas do Banco Central protegem o consumidor, que não deve ser responsabilizado por compras não reconhecidas.
É seguro usar pagamento por aproximação?
Sim, com os cuidados adequados. A tecnologia é segura e criptografada, mas a exposição a golpes depende mais de hábitos de proteção do que de falhas técnicas.
Como saber se meu cartão tem a função aproximação?
Verifique se o cartão possui o símbolo de ondas ( ) na parte da frente ou nas costas. Caso tenha, a função está habilitada. Você pode confirmar com o banco.
Posso manter a função aproximação ativada e ainda me proteger?
Sim. Basta seguir as medidas de proteção: usar capa RFID, manter o cartão em local seguro, ativar notificações e reduzir o limite sem senha.
Conclusão
A tecnologia de pagamento por aproximação veio para facilitar o dia a dia, mas também criou oportunidades para criminosos. Conhecer o funcionamento do golpe e adotar as medidas de proteção corretas é a melhor forma de evitar prejuízos. Fique atento, proteja seus dados e compartilhe estas informações com amigos e familiares.