A produção industrial brasileira encerrou 2022 com queda de 0,7% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe a recuperação observada em 2021, quando o setor havia crescido após o impacto inicial da pandemia.
De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a retração foi influenciada pelo aperto monetário promovido pelo Banco Central, que elevou a taxa Selic para conter a inflação. O encarecimento do crédito e a redução do consumo das famílias afetaram especialmente setores como máquinas e equipamentos, materiais elétricos e veículos automotores.
Entre as grandes categorias econômicas, os bens de capital (máquinas e equipamentos) registraram a maior queda, seguidos pelos bens de consumo duráveis. Por outro lado, a indústria extrativa mineral apresentou crescimento, puxada pelo aumento da extração de petróleo e minério de ferro, compensando parcialmente o desempenho negativo da indústria de transformação.
O cenário global também contribuiu para a retração: conflitos geopolíticos, interrupções em cadeias de suprimentos e a desaceleração da economia internacional reduziram a demanda externa por produtos brasileiros. Apesar disso, o mês de dezembro mostrou uma leve recuperação na margem na comparação com novembro, ainda segundo o IBGE.
Para 2023, as expectativas do mercado são de estabilidade ou leve crescimento, dependendo da trajetória dos juros, da inflação e do cenário fiscal. A indústria brasileira enfrenta desafios estruturais, como custo de energia, burocracia e tributação, que limitam a competitividade. A recuperação mais consistente deve depender de reformas econômicas e da retomada dos investimentos.