Mundo

Conflito entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido resulta em mortes no Sudão

Um conflito armado de grandes proporções eclodiu no Sudão neste sábado (15), opondo o Exército regular, leal ao general Abdel Fattah al-Burhan, às paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR), comandadas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo. Os confrontos, concentrados na capital Cartum e em outras regiões estratégicas do país, já deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos entre civis e militares.

O contexto da crise no Sudão

O Sudão vive uma grave crise política desde o golpe de Estado de outubro de 2021, que derrubou o governo de transição civil-militar. A principal discórdia entre as duas facções reside no processo de integração das FAR ao exército nacional, um dos pontos centrais do acordo político negociado com a comunidade internacional. Nas últimas semanas, as tensões escalaram rapidamente com a mobilização de tropas em Cartum e em outras cidades, gerando alertas de uma ruptura iminente.

Os combates e o impacto humanitário

Os combates tiveram início com explosões e tiros pesados próximos ao quartel-general das Forças Armadas, ao palácio presidencial e ao Aeroporto Internacional de Cartum. As FAR reivindicaram o controle de pontos estratégicos, como o aeroporto e algumas bases militares, enquanto o Exército afirmou ter realizado ataques aéreos contra posições do grupo paramilitar. Cidades como Merowe, El-Obeid e Nyala, no Darfur, também foram palco de intensos confrontos.

A população civil enfrenta uma situação dramática, com escassez de alimentos, combustível e falta de assistência médica. Hospitais relatam dificuldades para atender os feridos em meio à violência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou centenas de feridos e alertou para o colapso do sistema de saúde local.

Reações da comunidade internacional

A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a violência e pediu um cessar-fogo imediato, alertando para o risco de uma catástrofe humanitária. A União Africana e a Liga Árabe também se manifestaram pela via do diálogo. O Brasil, por meio do Itamaraty, recomendou que cidadãos brasileiros no Sudão busquem abrigo e monitora a situação para uma possível evacuação. Os Estados Unidos e potências europeias pressionam os líderes rivais a voltarem à mesa de negociação.

Até o momento, as tentativas de mediação, inclusive de países vizinhos como o Sudão do Sul e o Egito, não lograram êxito em interromper os combates.

O que esperar do conflito?

Analistas internacionais avaliam que o conflito representa uma grave ameaça à estabilidade de todo o Chifre da África. A ausência de um mediador forte e o histórico de conflitos internos no Sudão tornam o cenário altamente incerto. A prioridade imediata da comunidade internacional é estabelecer um corredor humanitário e garantir a segurança dos civis. O prolongamento dos combates pode gerar uma nova onda de refugiados e deslocados internos, agravando a já delicada situação humanitária na região.

← Ver mais notícias de Mundo Página Inicial →