Banco Mundial: PIB da América Latina e Caribe será o mais baixo globalmente

Em seu mais recente relatório de perspectivas econômicas globais, o Banco Mundial estima que a América Latina e o Caribe devem registrar o menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre todas as regiões do mundo em 2023. O cenário reflete uma combinação de juros elevados, inflação persistente e desaceleração da economia global, que afetam de forma mais intensa os países da região.

De acordo com a instituição, a projeção para a América Latina e o Caribe é de uma expansão modesta, próxima de 1,5% a 2%, abaixo do crescimento médio global. Enquanto isso, outras regiões emergentes, como Ásia e África, devem apresentar ritmos mais acelerados de crescimento, impulsionadas por demanda interna e investimentos.

O relatório destaca que fatores externos, como a queda nos preços das commodities, a desaceleração da China e o aperto monetário nos países desenvolvidos, contribuem para o fraco desempenho regional. Além disso, problemas estruturais internos, como baixa produtividade, instabilidade política e altos níveis de endividamento público, agravam as dificuldades.

Para o Brasil, maior economia da região, as perspectivas também são moderadas. O Banco Mundial projeta um crescimento em torno de 1,8% para o país em 2023, abaixo do potencial, mas ainda assim puxado pelo agronegócio e pelos investimentos em infraestrutura. No entanto, a alta taxa de juros e a inflação ainda elevada limitam o consumo das famílias.

Apesar do quadro adverso, o Banco Mundial ressalta que há espaço para melhorias se os governos da região implementarem reformas estruturais, como a simplificação tributária, o aumento da eficiência do gasto público e a abertura comercial. A retomada do turismo e dos serviços também pode oferecer algum alívio para economias caribenhas que dependem fortemente do setor.

O relatório conclui que, sem uma mudança significativa no cenário internacional e nas políticas internas, a América Latina e o Caribe correm o risco de permanecer na lanterna do crescimento global pelos próximos anos, ampliando o hiato em relação a outras regiões emergentes.