A região do ABC Paulista, um dos principais polos industriais do Brasil, enfrenta um cenário de elevação da inadimplência que supera a média nacional. O endividamento das famílias, combinado com juros altos e inflação persistente, tem pressionado o orçamento dos moradores dos municípios que compõem a região – Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Cenário econômico do ABC Paulista
A região do ABC sempre foi sinônimo de desenvolvimento industrial, com forte presença do setor automotivo e metalúrgico. No entanto, a crise econômica dos últimos anos, agravada pela pandemia e pela escassez de insumos, afetou diretamente a geração de emprego e renda local. Com o mercado de trabalho mais enxuto, muitas famílias passaram a depender de crédito para manter o consumo, elevando o nível de endividamento.
Dados de órgãos de proteção ao crédito indicam que a inadimplência no ABC cresceu de forma mais acelerada do que em outras regiões do Brasil nos primeiros meses de 2023. A concentração de trabalhadores em setores que ainda não se recuperaram totalmente da crise, como o de autopeças e o de serviços, ajuda a explicar esse desempenho negativo.
Fatores que agravam a inadimplência
O aumento da taxa Selic, que encarece o crédito e dificulta o pagamento de dívidas já contraídas, é um dos principais vilões. Muitas famílias tiveram que recorrer ao rotativo do cartão de crédito e ao cheque especial, modalidades que registram os maiores percentuais de inadimplência. Além disso, a inflação elevada comprometeu o poder de compra, obrigando os consumidores a alongar prazos ou parcelar compras, o que aumenta o risco de calote.
O comércio local sente os efeitos. Pequenos e médios empresários relatam queda nas vendas a prazo e aumento no número de títulos protestados. A Associação Comercial de São Bernardo do Campo registrou um aumento significativo nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) para verificar consumidores inadimplentes. Isso mostra que a confiança do varejo está abalada.
Perspectivas e recomendações
Para conter o avanço da inadimplência, especialistas recomendam a renegociação de dívidas e a busca por alternativas de crédito mais baratas. Programas como o Desenrola Brasil, do governo federal, podem ajudar, mas a adesão ainda é baixa na região. A educação financeira também é vista como uma ferramenta essencial para evitar o superendividamento.
A perspectiva para os próximos meses é de manutenção da cautela. Com a expectativa de queda gradual dos juros no segundo semestre, espera-se um alívio para as famílias endividadas. No entanto, a recuperação do mercado de trabalho formal na região será determinante para a retomada da capacidade de pagamento. Enquanto isso, a renegociação e o planejamento financeiro são as principais saídas para os consumidores do ABC Paulista.