Nos últimos anos, a proliferação de conteúdo violento — de ameaças a imagens de violência explícita — tornou-se uma preocupação global. Diante disso, uma pesquisa conduzida por uma especialista em segurança digital indica que a investigação ativa, tanto por parte das plataformas quanto das autoridades, é capaz de conter a disseminação desse material. O trabalho, que analisou dados de redes sociais entre 2020 e 2023, conclui que a combinação de moderação humana e algoritmos de triagem, aliada a investigações policiais, produz os melhores resultados.
“A moderação automatizada sozinha não basta. É preciso haver um trabalho de investigação que identifique padrões, origens e responsáveis”, afirma a pesquisadora, que preferiu não ser identificada. Ela destaca que, em casos de ataques a escolas, a rápida atuação da polícia e das plataformas na remoção de postagens e na identificação de suspeitos contribuiu para a redução da viralização de conteúdo violento.
Segundo o estudo, plataformas que mantêm equipes dedicadas à análise de denúncias e à investigação de perfis suspeitos registram queda expressiva no alcance de publicações nocivas. “Quando o usuário sabe que há monitoramento e consequências legais, ele pensa duas vezes antes de compartilhar”, explica.
Entretanto, a pesquisadora alerta para desafios como o equilíbrio entre moderação e liberdade de expressão, os riscos de censura indevida e a dificuldade de cooperação entre países com legislações distintas. Ela defende que as empresas de tecnologia invistam em capacitação de moderadores e em mecanismos transparentes de recurso.
Além da repressão, a especialista sugere campanhas de conscientização digital para ensinar usuários a identificar e denunciar conteúdos violentos. “A educação é parte fundamental da solução. Quanto mais as pessoas souberem os riscos e os canais de denúncia, menor será a circulação desse tipo de material”, complementa.
O estudo reforça que a investigação contínua, combinada com políticas claras e cooperação institucional, é a estratégia mais eficaz para reduzir a violência online. “Não há atalhos, mas os dados mostram que investir em investigação funciona”, conclui a pesquisadora.