Mortos em confrontos no Sudão chega a 180 e há mais de 1.800 feridos, diz enviado da ONU

O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Sudão, Volker Perthes, afirmou neste domingo (16) que o número de mortos nos violentos confrontos que eclodiram no sábado (15) subiu para pelo menos 180, com mais de 1.800 feridos. Os combates concentram-se em Cartum, a capital, e em regiões do Darfur.

Os confrontos opõem o exército regular sudanês, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), uma poderosa milícia comandada pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti. As tensões vinham se acumulando há semanas em torno da integração das RSF nas forças armadas, parte de um plano de transição política que deveria levar a eleições democráticas.

A comunidade internacional, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Liga Árabe e Nações Unidas, pediu um cessar-fogo imediato e o retorno às negociações. A violência já causou impactos severos na população civil, com relatos de escassez de alimentos, água potável e medicamentos em Cartum e em outras áreas afetadas pelos combates. Hospitais foram danificados ou forçados a fechar, e milhares de famílias buscam refúgio em regiões mais seguras.

O enviado da ONU reforçou o apelo para que as partes beligerantes protejam os civis e permitam a passagem segura de ajuda humanitária. "A situação é extremamente grave. Precisamos de uma pausa humanitária imediata para salvar vidas e permitir que as pessoas tenham acesso a serviços básicos", declarou Perthes. A escalada de violência representa um grande revés para o processo de paz no país, que já sofria com uma grave crise econômica e instabilidade política desde o golpe de 2021.

Repórter Brasil

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