Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que a cobertura vacinal infantil global sofreu o maior declínio sustentado dos últimos 30 anos, colocando milhões de crianças em risco de doenças graves e potencialmente fatais.
O documento, intitulado "Estado Mundial da Infância 2023", mostra que o número de crianças que não receberam nenhuma dose da vacina DTP (tríplice bacteriana, que protege contra difteria, tétano e coqueluche) aumentou em mais de 6 milhões entre 2019 e 2022. Ao todo, 67 milhões de crianças ficaram sem vacinação completa ou parcial durante esse período crítico.
A queda na cobertura não se restringe a uma única região. Países de baixa e média renda foram os mais afetados, mas a hesitação vacinal e a desinformação também impactaram nações desenvolvidas. O relatório cita a interrupção dos serviços essenciais de saúde durante a pandemia de Covid-19, os conflitos armados e a crescente desigualdade como os principais fatores para o retrocesso.
A diretora-executiva da Unicef, Catherine Russell, afirmou que os números são um "alerta vermelho" para o mundo. "Por trás de cada estatística está uma criança em risco de uma doença evitável", disse. A organização alerta que a recuperação precisa ser uma prioridade global, com investimento em atenção primária à saúde, capacitação de profissionais e campanhas de conscientização sobre a importância das vacinas.
No Brasil, a cobertura vacinal infantil também vem caindo nos últimos anos, acompanhando a tendência global. O país, que era referência mundial em imunização, enfrenta o desafio de recuperar as altas taxas de vacinação para evitar o retorno de doenças como o sarampo e a poliomielite, já eliminadas no território nacional. O Unicef reforça que a vacinação é um direito de toda criança e uma responsabilidade coletiva da sociedade.