Pobreza e violência pioram saúde mental de jovens
A combinação de pobreza e exposição à violência tem impactos profundos na saúde mental de crianças e adolescentes. No Brasil, milhões de jovens crescem em comunidades marcadas pela falta de infraestrutura, acesso restrito a serviços básicos e convivência com a violência urbana e doméstica. Esses fatores criam um ambiente de estresse crônico que pode desencadear transtornos como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.
A pobreza limita o acesso a atividades culturais, esportivas e educacionais, fundamentais para o desenvolvimento saudável. A preocupação constante com alimentação, moradia e segurança rouba a infância e adolescência, gerando vulnerabilidade emocional. Quando a violência está presente — na escola, em casa ou na vizinhança — o efeito é ainda mais devastador. O medo e a insegurança tornam-se parte do cotidiano, afetando o sono, o rendimento escolar e as relações sociais.
A pandemia de covid-19 agravou esse cenário, com o aumento das desigualdades e do isolamento social. Muitos jovens perderam familiares, viram a renda familiar despencar e enfrentaram meses sem aulas presenciais. Os serviços de saúde mental no SUS ainda enfrentam filas e falta de profissionais especializados para atender essa demanda crescente.
Especialistas defendem políticas públicas integradas, que combinem transferência de renda, fortalecimento da rede de apoio psicossocial nas escolas e ações de combate à violência. Programas como o Bolsa Família e a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são passos importantes, mas insuficientes diante da magnitude do problema.
A sociedade civil também tem papel fundamental: acolher, ouvir e oferecer espaços seguros para que os jovens expressem suas emoções. Iniciativas comunitárias, projetos de esporte e cultura e a presença de profissionais de psicologia nas escolas podem fazer a diferença na vida de quem cresce em meio à pobreza e à violência. A saúde mental de jovens não pode ser tratada como questão secundária. Investir nela é investir no futuro do país.