Quedas de idosos aumentam quase 35% em um ano na cidade de São Paulo

O número de quedas entre idosos na cidade de São Paulo registrou um aumento de quase 35% no último ano, segundo informações apuradas pela reportagem. O crescimento acendeu o alerta de especialistas em saúde pública e geriatria, que veem na prevenção o caminho mais eficaz para reverter a tendência.

O envelhecimento populacional é um dos fatores estruturais que explicam esse cenário. A capital paulista possui uma das maiores populações idosas do país, e muitos idosos vivem em residências não adaptadas, com pisos escorregadios, tapetes soltos e iluminação insuficiente. As calçadas irregulares e o transporte público com degraus elevados agravam os riscos, especialmente para quem tem mobilidade reduzida.

As consequências das quedas são graves. Fraturas de fêmur, traumatismos cranianos e lesões na coluna estão entre os diagnósticos mais comuns, e frequentemente levam à internação prolongada, perda da autonomia e até mesmo ao óbito. O Sistema Único de Saúde (SUS) arca com custos elevados de cirurgias, reabilitação e cuidados de longa duração. A prevenção, nesse contexto, torna-se também uma medida de sustentabilidade do sistema de saúde.

Para conter o avanço dos índices, especialistas recomendam uma abordagem multifatorial:

  • Programas de atividade física voltados ao equilíbrio e fortalecimento muscular, como pilates, tai chi chuan e fisioterapia preventiva.
  • Adaptação do ambiente doméstico com barras de apoio, antiderrapantes, corrimãos e boa iluminação noturna.
  • Campanhas educativas sobre o uso de calçados adequados, revisão periódica da visão e dos medicamentos que podem causar tontura.
  • Investimento em infraestrutura urbana: calçadas niveladas, travessias seguras e transporte público acessível.
  • Visitas regulares ao médico para avaliação do risco de quedas e manejo de condições crônicas.

O aumento de quase 35% em um ano na capital paulista deve servir como um sinal de alerta para gestores, profissionais de saúde e a sociedade. A criação de um plano municipal de prevenção de quedas, com metas, monitoramento e participação comunitária, pode ser uma ferramenta eficaz para reverter a curva e garantir mais qualidade de vida à população idosa.