Um dos três países que mais avançam em metas de água, Brasil vê crescer sua responsabilidade

O Brasil conquistou uma posição de destaque no cenário internacional ao ser apontado como um dos três países que mais avançaram no cumprimento das metas de água e saneamento, de acordo com relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao lado de China e Japão, o país se destaca em indicadores como acesso à água potável e redução de doenças de veiculação hídrica.

O ranking das três nações

A avaliação da ONU Água considera o progresso composto em metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6). Brasil, China e Japão foram os que apresentaram o melhor desempenho geral, combinando avanços em infraestrutura, qualidade da água e gestão de recursos. O Marco Legal do Saneamento e os investimentos em estações de tratamento foram fundamentais para o resultado brasileiro.

O avanço brasileiro

Dados oficiais mostram que a cobertura de água tratada no Brasil passou de 83% para 86% da população entre 2018 e 2023. A expansão do sistema de esgotamento sanitário em cidades do Sudeste e Centro-Oeste foi um dos principais vetores desse crescimento. O país também reduziu significativamente a taxa de mortalidade por doenças relacionadas à falta de saneamento, um dos indicadores mais sensíveis do ODS 6.

Responsabilidade crescente

Se por um lado o progresso é celebrado, por outro a responsabilidade do Brasil aumenta. O país abriga cerca de 12% da água doce do planeta, mas enfrenta secas severas na Amazônia, conflitos pelo uso da água no Semiárido e a poluição de rios e aquíferos. A crise hídrica em regiões metropolitanas como São Paulo e Brasília mostra que o avanço não é uniforme e que os desafios climáticos tornam a gestão hídrica ainda mais complexa.

Os próximos passos

Para manter a posição de destaque, o Brasil precisa universalizar o saneamento até 2033 — uma meta que demanda investimentos robustos em infraestrutura. Além disso, é essencial integrar a gestão dos recursos hídricos às políticas de combate às mudanças climáticas e de preservação ambiental. A participação social e o controle público serão fundamentais para garantir que o progresso chegue a quem mais precisa, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Estar entre os três países que mais avançam é um reconhecimento do esforço nacional, mas não um atestado de missão cumprida. A responsabilidade do Brasil cresce na mesma proporção que sua capacidade de influenciar o cenário global. O desafio agora é transformar o progresso em justiça social e sustentabilidade hídrica para as próximas gerações.