O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica da Huawei em Xangai, na China, na quinta-feira (13), dando início a uma série de encontros com empresas chinesas. A agenda faz parte da estratégia do governo brasileiro de estreitar laços comerciais e tecnológicos com a segunda maior economia do mundo.
A visita à gigante de telecomunicações ocorre em meio a um contexto de reaproximação entre Brasil e China. Desde que assumiu o terceiro mandato, Lula tem sinalizado a intenção de diversificar parcerias internacionais e atrair investimentos para infraestrutura, energia limpa e inovação. A comitiva brasileira incluiu ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).
Na unidade da Huawei, o presidente conheceu linhas de produção de equipamentos para redes 5G e soluções em inteligência artificial. A empresa chinesa já possui operações no Brasil e é uma das principais fornecedoras de tecnologia para operadoras de telecomunicações no país. Durante a visita, Lula destacou a importância da cooperação tecnológica sem abrir mão da soberania nacional e da segurança digital.
A série de encontros com empresas chinesas inclui reuniões com executivos da State Grid, que já atua no setor elétrico brasileiro; da BYD, montadora de veículos elétricos; e da China Communications Construction Company (CCCC), interessada em projetos de infraestrutura. O governo brasileiro busca avançar em parcerias para a construção de ferrovias, portos e usinas de energia renovável.
Especialistas apontam que a aproximação é estratégica em meio à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. O Brasil tenta equilibrar suas relações para não comprometer acordos comerciais com o ocidente, ao mesmo tempo em que busca acesso a tecnologias e investimentos chineses. A visita de Lula à Huawei é vista como um sinal de que o país mantém portas abertas para a cooperação com Pequim, especialmente nas áreas de 5G e transformação digital.
Além das reuniões empresariais, a agenda de Lula na China incluiu encontros com o presidente Xi Jinping e a participação no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim. Durante o fórum, o brasileiro defendeu uma nova governança global e maior participação dos países emergentes nas decisões econômicas.
A expectativa é que os encontros resultem em anúncios de investimentos e acordos bilaterais nos próximos meses. O governo brasileiro planeja criar um grupo de trabalho para acompanhar as oportunidades identificadas durante a missão.