O cenário político paulista passa por uma transformação significativa. Sob a liderança de Gilberto Kassab, o Partido Social Democrático (PSD) tem atraído cada vez mais filiados do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que, aos poucos, perde espaço no estado que já foi seu principal reduto. A movimentação reforça a tendência de esvaziamento da legenda tucana e consolida o PSD como uma das maiores forças políticas do país.
A absorção do PSDB pelo PSD em São Paulo
A capital paulista e diversas cidades do interior têm testemunhado um fenômeno político: prefeitos, vereadores e deputados outrora filiados ao PSDB migram para o PSD, levando consigo capital eleitoral e influência regional. O movimento é liderado por Gilberto Kassab, que comanda o PSD nacionalmente e, nos bastidores, articula para fortalecer a legenda, especialmente em São Paulo, berço histórico do PSDB.
Um dos fatores que explicam essa migração é a crise de identidade pela qual passa o PSDB. Desde a saída de figuras proeminentes — como Geraldo Alckmin, que se filiou ao PSB — e o desempenho fraco nas eleições presidenciais de 2022, a sigla enfrenta dificuldades para se reerguer. Em contrapartida, o PSD emerge como uma alternativa viável, oferecendo estrutura, recursos e capilaridade.
Com a aproximação das eleições municipais de 2024, a tendência é que mais políticos troquem de legenda, em busca de melhores condições de competitividade. O PSD, por sua vez, não impõe barreiras ideológicas rígidas, o que facilita a adesão de quadros vindos do PSDB e de outras legendas.
O declínio do PSDB no cenário nacional
O PSDB, que governou o Brasil por oito anos sob Fernando Henrique Cardoso e elegeu governadores em diversos estados, amarga uma sucessão de derrotas. Em São Paulo, onde João Doria foi eleito governador em 2018 com ampla vantagem, o partido perdeu protagonismo. Doria renunciou ao cargo em 2022 para tentar a Presidência, mas obteve votação modesta, e o partido desde então busca uma reconstrução que parece cada vez mais difícil.
A legenda tucana também sofreu baixas em outras regiões. A falta de uma liderança nacional consolidada e as disputas internas contribuíram para que o partido perdesse espaço para o PSD, o Republicanos e até mesmo o PSB. O resultado é que, nas eleições de 2022, o PSDB reduziu sua bancada parlamentar e perdeu força em importantes estados.
O crescimento do PSD sob o comando de Kassab
O PSD, fundado em 2011 por Gilberto Kassab — então prefeito de São Paulo —, cresceu rapidamente. Diferentemente do PSDB, que sempre buscou uma identidade social-democrata, o PSD se posiciona como um partido de centro, sem grandes amarras ideológicas, o que o torna atrativo para políticos de diferentes espectros.
Atualmente, o PSD governa estados importantes, como Minas Gerais e o Distrito Federal, e possui a maior bancada no Senado Federal. A legenda também tem presença forte nas câmaras municipais e nas prefeituras. O movimento de absorção de quadros do PSDB em São Paulo é mais um passo na estratégia de Kassab: consolidar o partido como a maior força política do país nos próximos ciclos eleitorais.
A movimentação também tem impactos diretos na relação com o governo federal. O PSD faz parte da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sem abrir mão de sua autonomia. Kassab, com sua habilidade de negociação, conseguiu posicionar o partido como peça-chave nas articulações do Congresso.
Implicações para o cenário político em São Paulo
O estado de São Paulo, que sempre foi o principal reduto do PSDB, agora testemunha a transferência de poder político para o PSD. A prefeitura da capital, comandada por Ricardo Nunes (MDB), tem forte interlocução com Kassab, e diversos secretários municipais são filiados ao PSD. A expectativa é que o partido lance candidaturas próprias nas principais cidades, aproveitando o capital político acumulado.
Para o PSDB, o cenário é de encolhimento. Se nenhuma reação consistente ocorrer, o partido pode perder ainda mais força em 2024 e 2026. A questão é se conseguirão reverter a tendência ou se o PSDB se tornará uma sigla residual no estado que já foi seu maior celeiro eleitoral.
Esse movimento de realinhamento partidário é comum na política brasileira, marcada pela fluidez das legendas e pela busca de poder. No entanto, a rapidez com que o PSD de Kassab tem absorvido o espaço antes ocupado pelos tucanos surpreende analistas. A política de São Paulo, por sua vez, reflete o que ocorre em nível nacional: o PSDB definha enquanto o PSD se fortalece.
O quadro atual indica que o PSD, sob a batuta de Gilberto Kassab, se consolida como uma força central no tabuleiro político, enquanto o PSDB enfrenta a perspectiva de desaparecer em São Paulo e perder relevância nacional. As eleições de 2024 serão um teste decisivo para ambas as legendas.