No linguajar do sertão baiano, "aperreiar" é verbo que carrega o peso das preocupações do dia a dia. Dizer "não se aperreie" é mais que um conselho; é um convite à tranquilidade, uma filosofia de vida que atravessa gerações. É nesse universo que Luís Carlos Nunes situa seu personagem Vacilino, filho de Tonho, de Zé de Dodó — um homem simples, mas dotado de uma sabedoria que só quem viveu muito pode ter.
Vacilino não é herói, nem anti-herói. É o retrato do brasileiro comum que, entre uma dificuldade e outra, encontra motivos para sorrir. No conto que dá título a este artigo, o autor narra as peripécias de Vacilino ao lidar com as burocracias da vida, os desafios do trabalho e as relações de vizinhança. Tudo isso regado a um humor sutil e uma crítica social que não perde a ternura.
A expressão "não se aperreie" funciona como um lema para o personagem. Em cada situação adversa, ele repete a frase para si mesmo, transformando o desespero em paciência. É um ensinamento que ressoa com a cultura nordestina, onde o improviso e a resiliência são ferramentas diárias.
Luís Carlos Nunes, jornalista e escritor baiano, tem uma longa trajetória na cobertura política e cultural do Brasil. Com uma prosa envolvente, ele nos presenteia com histórias que valorizam as raízes populares. "Não se aperreie Vacilino" é uma dessas obras que aquecem o coração e nos fazem refletir.
Para quem deseja conhecer mais sobre a cultura do interior da Bahia e as histórias que moldam o imaginário do povo, este artigo é um excelente ponto de partida. Afinal, como diria Vacilino: a vida é curta para se aperrear.