O vereador João Felipe utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Barreiras para denunciar a grave carência de médicos oftalmologistas nos postos de saúde da cidade. Segundo o parlamentar, a falta do especialista tem obrigado pacientes a esperar meses por consultas básicas, comprometendo a prevenção e o tratamento de doenças oculares na região oeste da Bahia.
A denúncia
Em pronunciamento recente, João Felipe destacou que diversas unidades básicas de saúde do município não dispõem de oftalmologista em seu quadro fixo, contando apenas com atendimento esporádico ou encaminhamentos para cidades vizinhas. "A população mais vulnerável é a mais afetada, pois depende exclusivamente do SUS para cuidar da visão", alertou o vereador. Ele prometeu cobrar da Secretaria Municipal de Saúde um cronograma para suprir a falta do profissional.
De acordo com João Felipe, o problema se arrasta há anos e se agravou após a pandemia de covid-19, quando a demanda reprimida por consultas oftalmológicas aumentou significativamente. "As filas só crescem. Pacientes que precisam de exames simples, como tonometria e fundo de olho, são encaminhados para unidades de referência que também estão sobrecarregadas", completou.
Impacto na saúde da população
A ausência de oftalmologistas na atenção primária sobrecarrega todo o sistema de referência. Pacientes com diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas – que exigem acompanhamento oftalmológico periódico – ficam desassistidos, aumentando o risco de complicações como retinopatia diabética, glaucoma e catarata. Mães de crianças com problemas de visão também relatam dificuldade para conseguir exames de rotina, o que pode comprometer o desenvolvimento escolar dos pequenos.
O oftalmologista é essencial não apenas para prescrever óculos, mas para diagnosticar precocemente doenças que podem levar à cegueira irreversível. A falta de acesso a esse especialista transforma problemas tratáveis em perda permanente da visão, afetando a qualidade de vida e a produtividade dos cidadãos barreirenses.
O papel da Câmara Municipal
João Felipe afirmou que apresentará requerimentos cobrando explicações formais da administração municipal sobre as medidas que estão sendo tomadas. Além disso, estuda propor uma audiência pública para discutir o déficit de especialistas na rede de saúde e ouvir a população. "Não podemos aceitar que barreirenses fiquem sem atendimento oftalmológico digno. A saúde é um direito de todos e um dever do Estado", declarou.
O vereador também pretende articular com outros parlamentares a criação de uma frente parlamentar em defesa da saúde ocular, com o objetivo de pressionar as esferas estadual e federal por mais recursos e profissionais para o município.
Possíveis soluções
Entre as alternativas apontadas por especialistas em gestão de saúde pública estão a realização de concurso público específico para oftalmologistas, a ampliação de parcerias com instituições de ensino que oferecem residência médica na área e a adoção da telemedicina para triagem e acompanhamento de casos menos complexos. A teleoftalmologia já é realidade em várias cidades brasileiras e pode desafogar a demanda por consultas presenciais.
Outra saída é a busca por recursos estaduais e federais por meio de emendas parlamentares e programas como o SUS Digital. João Felipe defende que a prefeitura elabore um plano de ação com metas claras e prazos definidos, evitando que o problema se perpetue. "Não faltam recursos quando há vontade política", afirmou.
O que diz a Prefeitura
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras não se manifestou até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos sobre as providências adotadas para suprir a carência de oftalmologistas na rede básica.
Contexto nacional
A falta de especialistas no SUS é um problema crônico no Brasil. Segundo estimativas de entidades médicas, a distribuição de oftalmologistas é extremamente desigual, com grande concentração nas capitais e regiões mais ricas do Sudeste e Sul, deixando cidades do interior com cobertura insuficiente. Barreiras, como polo da região oeste da Bahia, acaba absorvendo a demanda de dezenas de municípios vizinhos, agravando ainda mais a situação.
Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que o país possui cerca de 20 mil oftalmologistas, mas a maioria atua na iniciativa privada e nos grandes centros urbanos. No interior, a carência é sentida tanto na atenção básica quanto na média complexidade. A situação de Barreiras reflete um drama nacional que exige políticas públicas coordenadas entre União, estados e municípios.
Perguntas frequentes
Por que faltam oftalmologistas nos postos de saúde de Barreiras?
Fatores como baixa remuneração na atenção primária, carga horária intensa, falta de plano de carreira e infraestrutura deficiente afastam os especialistas das unidades básicas. Muitos preferem atender em clínicas privadas ou em hospitais de grande porte, onde a remuneração é melhor e as condições de trabalho mais atrativas.
O que a população pode fazer enquanto o problema não é resolvido?
Os cidadãos devem procurar as unidades de saúde para cadastro e solicitar encaminhamento para serviços de referência regional. Também é importante participar de audiências públicas, cobrar os representantes eleitos e denunciar a falta de atendimento aos canais da ouvidoria municipal e do Ministério Público.
Quais doenças podem ser evitadas com consultas regulares ao oftalmologista?
Glaucoma, catarata, retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e erros refrativos não corrigidos são algumas das condições que podem ser diagnosticadas e tratadas precocemente com acompanhamento oftalmológico periódico. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a perda permanente da visão.
A telemedicina pode ajudar a suprir a falta de especialistas?
Sim. A teleoftalmologia permite que médicos realizem triagens, avaliem exames de imagem e acompanhem pacientes crônicos à distância, reduzindo a necessidade de deslocamento e otimizando os recursos disponíveis. Várias experiências bem-sucedidas no Brasil mostram que a tecnologia pode ampliar o acesso com qualidade.