A greve dos servidores das universidades federais, que já se estende por semanas, levou representantes do governo federal e lideranças sindicais a marcarem uma reunião para a próxima sexta-feira. Em pauta, a recomposição salarial, a melhoria das condições de trabalho e o orçamento das instituições de ensino superior. O encontro é visto como crucial para destravar as negociações e evitar o agravamento da paralisação, que já atinge dezenas de campi em todo o Brasil.

Os servidores técnico-administrativos e docentes reivindicam, entre outros pontos, a recomposição das perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos, um reajuste linear emergencial e a abertura de concursos públicos para repor o quadro de pessoal, afetado por aposentadorias e pela falta de reposição. Além disso, cobram a recomposição do orçamento das universidades, que sofreu cortes significativos desde 2016, comprometendo a manutenção das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Principais pontos da paralisação

Reivindicações salariais

Servidores pedem recomposição das perdas inflacionárias e reajuste linear emergencial. A defasagem acumulada chega a percentuais expressivos segundo os sindicatos.

Orçamento das IFES

A recomposição do orçamento das universidades e institutos federais é condição para manter o funcionamento regular dos campi e o fomento à pesquisa.

Condições de trabalho

Falta de pessoal e infraestrutura precária são queixas recorrentes. A greve cobra abertura de concursos e melhoria dos ambientes de trabalho.

O encontro de sexta-feira

Marcada para a sexta-feira, a reunião nacional contará com representantes do Ministério da Educação (MEC), do Ministério do Planejamento e Orçamento, da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos das Universidades Brasileiras) e do Andes-Sindicato Nacional (docentes). A expectativa é de que o governo apresente uma proposta concreta de reajuste e abra uma mesa específica para discutir a reestruturação das carreiras.

O movimento paredista teve início nos primeiros meses de 2024, com assembleias e paralisações que se espalharam por todo o país. Mais de 30 universidades e institutos federais estão total ou parcialmente parados, segundo levantamento sindical. Estudantes também realizam atos de apoio, ocupações e debates sobre a situação do ensino público federal.

Especialistas em educação superior alertam que a continuidade da greve pode inviabilizar o semestre letivo e comprometer o calendário acadêmico. A perda de projetos de pesquisa e extensão também preocupa. O governo Lula, que assumiu com a promessa de recompor o orçamento da educação, tem se mostrado aberto ao diálogo, mas condicionado à disponibilidade fiscal. A reunião de sexta-feira é vista como uma oportunidade decisiva para demonstrar disposição ao acordo de ambas as partes.