“Nós estamos aqui querendo existir” — a frase é da primeira paciente atendida no Ambulatório Trans do Hospital Municipal da Mulher e do Recém-Nascido (HMIJS), unidade vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. O ambulatório, voltado ao atendimento de pessoas trans e travestis, iniciou suas atividades recentemente e representa um avanço no acesso à saúde especializada no âmbito do SUS.
O serviço oferta acompanhamento multidisciplinar, incluindo endocrinologia, psicologia, assistência social e encaminhamento para procedimentos hormonais e cirúrgicos, dentro de uma abordagem integral e humanizada. A equipe é capacitada para atender as especificidades da saúde trans, com foco no acolhimento e no respeito à identidade de gênero.
O acesso a serviços de saúde especializados ainda é um desafio para a população trans no Brasil. Iniciativas como o Ambulatório Trans do HMIJS ajudam a reduzir as barreiras históricas de discriminação e falta de preparo dos profissionais. O cuidado afirmativo é essencial para a promoção da saúde e da dignidade. A demanda por serviços especializados é crescente, e a criação de ambulatórios específicos representa uma resposta necessária para reduzir desigualdades no SUS.
Para a paciente, poder ser acolhida em um espaço que reconhece sua identidade é um passo fundamental para o exercício da cidadania. “A gente só quer ser vista como realmente é”, completa. O Ambulatório Trans do HMIJS atende por demanda espontânea e referenciada, e a expectativa é ampliar gradativamente o número de vagas.
A iniciativa reforça a necessidade de políticas públicas afirmativas que garantam o direito à saúde sem discriminação. O Repórter Brasil acompanha a cobertura de direitos humanos e cidadania.