O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Barreiras (Sindsemb) manifestou-se oficialmente para repudiar as declarações do prefeito de Barreiras, que acusou os profissionais da saúde municipal de estarem promovendo um boicote deliberado aos serviços de saúde. Em nota divulgada à imprensa, a entidade sindical classificou a acusação como "irresponsável" e uma tentativa de criminalizar a luta dos trabalhadores por melhores condições.
A polêmica teve início na última semana, quando o chefe do Executivo municipal afirmou, em entrevista a uma rádio local, que os servidores estariam se recusando a realizar procedimentos de rotina como forma de pressionar a gestão. A fala gerou imediata indignação entre os profissionais, que prontamente acionaram a diretoria do Sindsemb para uma resposta oficial.
De acordo com o sindicato, a acusação de boicote é completamente infundada. Os servidores da saúde, segundo a entidade, atuam sob condições precárias de trabalho, enfrentando falta de materiais básicos, equipamentos obsoletos e um déficit grave de pessoal. O Sindsemb argumenta que eventuais atrasos ou limitações no atendimento são reflexo direto da falta de investimento e de planejamento da administração municipal, e não de uma ação organizada de paralisação.
"O que o prefeito chama de boicote é, na verdade, o resultado do sucateamento da saúde pública em Barreiras. Os servidores estão no limite, muitas vezes sem condições mínimas para exercer suas funções com dignidade. É muito mais fácil acusar os trabalhadores do que assumir a responsabilidade pela má gestão que assola o setor", afirmou a diretoria do sindicato em sua nota oficial.
Entre as principais reivindicações históricas da categoria estão o cumprimento integral do piso salarial nacional da enfermagem, a realização de um concurso público para recompor urgentemente o quadro de funcionários e a melhoria na infraestrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além da valorização dos servidores efetivos.
O caso pode ter desdobramentos judiciais. O Sindsemb avalia ingressar com uma ação por danos morais coletivos contra o município, alegando que a acusação pública atinge a honra e a imagem de todos os trabalhadores da saúde do município. A assessoria jurídica do sindicato já está analisando as declarações do prefeito para embasar a possível ação.
A categoria deve realizar uma assembleia geral nos próximos dias para discutir os próximos passos da campanha salarial e deliberar sobre as medidas a serem tomadas. O Sindsemb reforça que segue aberto ao diálogo com a gestão municipal, mas não aceitará que os servidores sejam usados como bodes expiatórios para encobrir a falta de políticas públicas efetivas para a saúde de Barreiras.
O sindicato convoca a população a se informar pelos canais oficiais da entidade e a cobrar da prefeitura transparência e soluções reais para os problemas crônicos do sistema municipal de saúde.